Nos idos de 1992 ou 93, em uma tarde eu passava correndo na calçada em frente ao Mundo a Vapor e, da entrada, um senhor me chamou. Ele me conhecia e pediu desculpas por interromper meu jogging. Eu é que fiquei constrangido por me dirigir, esbaforido, ao Seu Benito Urbani (foto ao lado), que há pouco tempo criara aquele local de grande sucesso. Com a simplicidade que lhe era característica, ele queria conversar um pouquinho. Me perguntou se eu já tinha entrado, para conhecer. Me senti lisonjeado quando ele disse que queria minha opinião sobre aquela atração e também trocar umas ideias sobre o poderia ser feito para deixá-la ainda melhor. Valorizaria, ele disse, o que eu dissesse porque achava a mim, e aos meus colegas do grupo de teatro de comédia que tínhamos em Canela na época (que ele assistiu e gostou) pessoas criativas. Não lembro se, no bate papo, eu sugeri algo para o Seu Benito. Mas o episódio serviu para reforçar a minha admiração por aquele grande canelense, que gostava de ouvir os conterrâneos, imbuído do mais genuíno propósito de contribuir com a cidade.

Visitando, dias atrás, o Mundo a Vapor recentemente reaberto (e o parque formado com a Roda Canela) não houve como não imaginar o orgulho que o Seu Benito, lá no outro plano, deve estar sentindo da maneira como sua esposa e as filhas souberam dar continuidade ao projeto dele. Elas pensaram longe, tiveram ideias, foram pesquisar nas fontes certas e se cercaram de gente talentosa para tornar impactante uma experiência de imersão que mistura inventividade, história, cenografia, arte, dramaturgia e tecnologia.

Sempre com o mote principal de mostrar o funcionamento daquelas máquinas em miniatura criadas por Benito e Omar Urbani, o novo Mundo a Vapor coloca, agora, o pequeno em um pedestal realmente grande. A visita guiada foi concebida para ir alternando surpresas. A atenção é direcionada para os mini-complexos em funcionamento – siderúrgica, olaria, serraria, fábrica de papel e outros -, mas vale a pena observar os detalhes da iluminação e a cuidadosa cenografia. E tem também o que se sente na pele, como os microclimas produzidos, que mudam de um cenário para o outro. Último spoiler: os atores e atrizes repartem o protagonismo, na condução dos visitantes, com Fuligem, um boneco de metal que confessa, no final, um dia ter sido só uma ideia. Como tudo no Mundo a Vapor, ele também ganhou vida.
ANATOMIA DE UM SUCESSO
Fragmentos de declarações de alguns envolvidos, dentre os 200 que arregaçaram as mangas para criar uma obra magnífica.

“Nós construímos artesanalmente cada centímetro que está aqui. Nenhuma atração no Brasil entrega tanta essência, não economizamos nessa entrega. É uma história real, com emoção”.
Aldair Machado – Diretor

“Colocar um trem na fachada foi algo muito arriscado, que o pai teve a coragem de fazer. A mesma que nós tivemos para tirar tudo de dentro e fazer um parque novo”.
Caren Urbani – CMO

“Fazer a pintura dos cenários foi desafiador e encantador, pois me fez observar a beleza dos céus e suas nuances conforme os lugares que foram destacados dentro da trajetória de imersão. E o trabalho feito a mão, como as pinturas na ponta do pincel, trazem uma narrativa que contrasta tecnologia e manualidades”.
Lana Rosa, artista plástica

“Pegamos o legado do pai, do Mundo a Vapor, e melhoramos a experiência, que mantém a nossa alma. Tem nosso suor ali dentro”.
Lenise Urbani – CEO

“Eu imagino esse grande projeto como uma orquestra invisível, onde cada instrumento tem sua função: a iluminação, o som, os mecanismos. A cenografia e todos os efeitos práticos são ferramentas para contar essa história. Cada movimento, cada textura, cada cor está ali para garantir que o elemento narrativo seja transmitido”.
Malcon Madia – Egenheiro criativo

“O que muda com o novo Mundo a Vapor é que o visitante vai agora entrar de fato nas páginas da nossa história. Não vamos trazer o sonho em realidade, mas a realidade em sonho”.
Daniel Costa – Gerente geral

“Foram oito meses junto ao Malcom, projetando o Fuligem. Eu modelava a parte artística, e o Malcom fazia a parte técnica. Juntar esses dois lados foi o que fez ele ganhar vida e cantar a primeira música. Ver ele se movendo, cantando, foi muito emocionante. A gente foi aos prantos, porque deu certo”.
Rodrigo – Cenotécnico




