Um movimento ainda discreto começa a redesenhar o perfil de Canela. Nos últimos meses, a cidade passou a concentrar investimentos e iniciativas voltadas à saúde, à longevidade e ao cuidado continuado — um conjunto de projetos que, somados, indicam a formação de um novo segmento econômico na região. O caso mais recente é a transformação do tradicional Oásis Santa Ângela, que, após 55 anos de atuação sob responsabilidade das Irmãs Filhas de Santa Maria da Providência, passa a ter nova gestão e um novo modelo de operação. Fundado em 1968 e em funcionamento desde 1972, o Oásis foi por décadas uma referência regional no acolhimento de idosos. O encerramento das atividades filantrópicas, anunciado no início de 2026, marcou o fim de um ciclo. O espaço será transformado na Casa Vallena, empreendimento voltado à moradia assistida e à reabilitação. Instalado em uma área de aproximadamente 4.500 metros quadrados, em um terreno de cerca de sete hectares na RS-235, o complexo passará por um processo de modernização. COMPLEXO Casa Vallena terá 4.500 m² com investimento que pode chegar até a R$ 10 milhõesFoto: Divulgação À frente da operação está o médico ortopedista Marcelo Weber, coordenador do projeto Casa Vallena. Foi ele quem confirmou ao Nova Época a previsão de investimento entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, a capacidade projetada para até 100 pessoas e a estimativa de geração progressiva de cerca de 50 empregos. “Vamos trazer para a Serra Gaúcha um ecossistema de longevidade focado no ‘envelhecimento bem-sucedido’, unindo assistência médica de alta performance a um atendimento individualizado”, destaca Weber. “A capacidade projetada é para até 100 pessoas, podendo variar conforme o grau de exclusividade e personalização solicitado pelos hóspedes” acrescenta o especialista. A proposta combina residência assistida, com possibilidade de permanência contínua ou temporária, e atendimento clínico integrado, com foco em reabilitação e acompanhamento multidisciplinar. Ainda não há definição sobre valores de mensalidade, modelo de convênios ou enquadramento regulatório. “As adequações e reformas necessárias têm previsão de aproximadamente três meses. A abertura oficial dependerá também da obtenção das licenças e autorizações necessárias”, observa Weber. “Não estão previstas alterações estruturais significativas. O projeto contempla um retrofit completo, com melhorias de fachada, reformas internas, nova mobília, modernização dos ambientes e implantação de sistemas de segurança voltados ao cuidado do idoso” acrescenta ele. A gestão informa que pretende avaliar parcerias e discutir formas de manter algum nível de compromisso social com os municípios. A mudança representa uma inflexão no perfil do serviço. O Oásis operava com caráter assistencial. A nova proposta segue um modelo privado, com estrutura voltada à permanência, recuperação funcional e atendimento personalizado. Esse formato — conhecido como residência assistida — tem ganhado espaço no país à medida que cresce a população da melhor idade e aumenta a demanda por estruturas que integrem moradia, cuidado e qualidade de vida. “Ainda não há definição de valores, pois existem muitas variáveis relacionadas ao grau de assistência, hospedagem, reabilitação e necessidades individuais de cada hóspede.A transição do Oásis encerra uma história construída ao longo de mais de cinco décadas e abre uma nova fase, marcada por outro modelo de cuidado, outra lógica de operação e um novo perfil de atendimento. Mais do que a transformação de um espaço, Canela começa a observar a formação de um setor que pode ganhar relevância nos próximos anos. DEMANDA ORIUNDA DE CANELA A transformação do Oásis não ocorre de forma isolada. Em Canela, outras iniciativas recentes ajudam a compor um cenário novo, ainda em formação. Um dos exemplos é o Residencial Lar Tulipas, que iniciou sua atuação no município após identificar uma demanda local relevante por serviços de cuidado ao idoso. Antes da abertura da unidade, a instituição realizou um levantamento com famílias da cidade e constatou uma situação recorrente. “Verificou-se uma preocupação significativa das famílias em relação ao cuidado de seus idosos. Muitos relataram que seus familiares encontram-se atualmente em instituições localizadas em outras cidades, o que gera dificuldades decorrentes da distância e da rotina de trabalho, limitando a frequência de visitas”, explica a administradora Josiane Scherer. RESIDENCIAL Lar TulipasFoto: Divulgação A unidade tem capacidade para cerca de 20 moradores e atende diferentes graus de dependência, com predominância de idosos com maior autonomia. O modelo prioriza a convivência coletiva e a integração, com acompanhamento contínuo e rotina estruturada. A equipe inclui visita médica semanal, atendimento de enfermagem, cuidadores 24 horas, acompanhamento nutricional, fisioterapia, atividades cognitivas e físicas, além de programação social e passeios ao longo do ano. “A maior parte da demanda atual é oriunda de Canela, o que reforça a importância da oferta de serviços locais especializados”, salienta Josiane. Esse dado local reforça que a demanda por cuidado continuado não depende apenas de novos empreendimentos de maior porte. Ela já existe dentro da comunidade, impulsionada pelo envelhecimento da população e pelas mudanças na dinâmica familiar. ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO Ao mesmo tempo, a cidade também recebe investimentos que ampliam a base de atendimento em saúde. O Hospital Pompéia Pryme, em construção, deve elevar a capacidade de serviços médicos da região, com estrutura voltada à média e alta complexidade. Inserido em um projeto mais amplo, o hospital se conecta a iniciativas que envolvem moradia, bem-estar e acompanhamento contínuo, incluindo propostas voltadas ao público sênior. Esse conjunto de serviços começa a desenhar uma rede onde diferentes etapas do cuidado — do atendimento hospitalar à permanência e à reabilitação — passam a coexistir no mesmo território. A soma desses movimentos não permite afirmar, ainda, que Canela já seja um polo consolidado de longevidade. Mas aponta para uma mudança de direção. Com a presença de hospital, residenciais assistidos e estruturas de reabilitação, a cidade começa a reunir serviços que se complementam e podem transformar a saúde e o cuidado ao idoso em um novo eixo de desenvolvimento.O impacto tende a ir além da área médica. A geração de empregos especializados, a atração de profissionais da saúde, a movimentação de serviços e a valorização urbana são efeitos diretos desse tipo de investimento. Outro reflexo possível é o fortalecimento do turismo de
O Libanês das Arábias: tradição, beleza e sabores primorosos
Uma tenda árabe é o cenário dessa vivência surpreendente em CanelaFotos: Adriana Silveira Há restaurantes que servem comida. E há aqueles que nos recebem como se estivéssemos atravessando o portal de uma história viva. Foi exatamente essa sensação que tive ao conhecer o restaurante O Libanês das Arábias, localizado no centro de Canela, um lugar onde a gastronomia deixa de ser apenas sabor para se tornar narrativa, herança e afeto. Desde o primeiro instante, percebi que ali não se trata apenas da culinária árabe em sua forma clássica, mas sim da história de uma família traduzida em receitas, rituais e, sobretudo, em hospitalidade. O ambiente é um capítulo à parte: uma atmosfera que remete a uma tenda árabe, com elementos cuidadosamente escolhidos, tecidos, iluminação suave e uma estética que convida a desacelerar. Tudo parece pensado para conduzir o visitante a uma experiência sensorial completa: visual, olfativa e emocional. Mas o verdadeiro diferencial da casa se revela na condução do próprio anfitrião. Alexandre Chemale tem um carisma natural capaz de romper qualquer barreira, e um domínio profundo sobre cada ingrediente, cada preparo e cada tradição, transformando o seu restaurante em um endereço obrigatório para quem aprecia gastronomia feita com um profundo amor e respeito ao alimento. Há uma atenção rara aos detalhes: desde a apresentação impecável dos pratos até a forma como cada elemento é explicado, contextualizado e oferecido. Surpresa com o que encontrei, optei por viver a experiência completa: o jantar Sultão, um menu degustação que funciona como uma viagem guiada pelos sabores mais emblemáticos da cultura árabe. O ritual começou de forma simbólica, com uma mesa composta por kibe assado e kibe cru, preparados com carne bovina, hortelã, cebola, especiarias e triguilho, equilibrando frescor e intensidade. Ao lado, a coalhada se apresentou como um creme aveludado e delicado, enquanto o homus tahine trouxe a profundidade do grão-de-bico combinado com gergelim, alho, limão e azeite de oliva. O babaganoush, com sua textura envolvente e sabor defumado, complementava o conjunto com precisão. E então, o pão pita, mais do que acompanhamento, ele assume o papel de extensão das mãos, respeitando a tradição de partilhar e sentir o alimento de forma direta, quase íntima. As entradas trouxeram nuances inesperadas. O Kibe Apricot surpreendeu pelo contraste: a intensidade do kibe equilibrada pela suavidade da coalhada e pelo toque adocicado da geleia de damasco. Já o Makdous apresentou uma composição sofisticada da berinjela baby recheada com nozes e alho fresco, finalizada com uma presença sutil, mas marcante, de pimenta jolokia, envolvida em azeite de oliva. Na sequência, a salada Chancliche revelou frescor e personalidade: o queijo árabe em perfeita harmonia com tomate, cebola, salsa e hortelã, criando um jogo de texturas e sabores vibrantes. Para beber, escolhi um Moscow Mule e foi ali que tive uma constatação curiosa: talvez eu nunca tivesse provado um Moscow Mule de verdade. Servido em uma linda caneca de cobre, apresentou um equilíbrio impecável entre acidez, frescor e intensidade traduzidos em uma espuma perfumada e consistente. E então, o encerramento. O Halawi chegou à mesa como um gesto final de delicadeza: doce tradicional à base de gergelim e açúcar, envolto em calda de mel, com textura singular e sabor que permanece na memória. Ao longo de toda a experiência, ficou evidente que o restaurante O Libanês das Arábias apresenta histórias através dos pratos que formam um rico cardápio. Cada receita carrega uma origem, cada detalhe revela uma intenção, cada gesto reforça uma tradição. Para canelenses, gramadenses e visitantes, há ali uma oportunidade rara: viver uma noite em que o tempo desacelera e os sentidos se ampliam. Porque, no fim, a gastronomia também é isso, um convite a valorizar nossas próprias raízes, ao mesmo tempo em que aprendemos a reconhecer, respeitar e saborear aquelas que ainda não conhecemos. Todas têm sua beleza. Todas têm sua importância. E, sem dúvida, todas têm algo a nos ensinar.
VALORES ABUSIVOS
Desde que assumiu a administração do Aeroporto de Canela, a Infraero tem se mostrado inflexível em relação ao Aeroclube, cuja existência se confunde com o próprio local. Além de exigir a cobrança de uma taxa considerada alta, a estatal federal diminuiu o número de aeronaves que podem ficar parados ao lado da pista.Esta semana, o Aeroclube divulgou uma nota onde relata as dificuldades da negociação. Depois de dizer “que não foi possível chegar a um acordo”, o Aeroclube diz que tentou “construir uma solução viável e equilibrada”. “No entanto, as condições apresentadas pela Infraero se mostraram abusivas e totalmente incompatíveis”, destaca a diretoria do Aeroclube, que reclama, ainda, que condições discutidas anteriormente foram alteradas mais de uma vez. Foto: Divulgação FOI POR POUCO A manobra de um trator atravessando a pista de pousos e decolagens do Aeroporto de Canela, quase causou um acidente no final de dezembro de 2025. A imagem só foi divulgada esta semana em uma rede social. As imagens captadas pelo Aeroclube de Canela mostram um trator invadindo a pista de pouso e decolagem. O incidente ocorreu momentos antes de um avião tentar aterrissar.Ao identificar o trator, o piloto da aeronave conseguiu arremeter. O pouso ocorreu na segunda tentativa, após o trator ter deixado a pista.De acordo com a Infraero – atual responsável pelo Aeroporto de Canela, após o incidente, houve a troca do motorista do trator. Além disso, após o episódio, quando uma intervenção precisa ser feita, o responsável pelo aeroporto precisa publicar um Notam, que é um aviso aos aeronavegantes, informando o dia e horário em que pousos e decolagens ficarão suspensos no local.Vale lembrar que um ano antes, em dezembro de 2024, um avião que saiu do aeroporto de Canela, em dia de chuva e neblina, acabou colidindo em um prédio em Gramado, causando a morte de nove pessoas. ABORDAGEM INDEVIDA Quem segue pela RS-466 em direção aos parques Caracol, Bondinhos e Skyglass, se defronta com uma cena inusitada. Captadores de duas lojas se colocam no meio da pista e indicam para o motorista dobrar para a esquerda, como se fosse policial rodoviário. Como detalhe, cada um coloca um cone no meio da pista para que a sensação de abordagem policial seja ainda mais verossímel.Assunto para o Pelotão Rodoviário da Brigada Militar. LEI DAS PLACAS Igrejinha já limitou a colocação de placas em seu território no ano passado. Três Coroas está indo pelo mesmo caminho, especialmente em relação ao entorno da RS-115.E Canela, quando terá uma lei mais rígida em relação a poluição visual? DEFESA CIVIL Mais de 9,7 mil pessoas vivem em áreas consideradas de risco em Gramado, segundo mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A proteção dessa população e as estratégias de prevenção é uma preocupação da Defesa Civil de Gramado, tendo em vista a possível atuação do fenômeno El Niño, que historicamente provoca chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. Previsões divulgadas por centros internacionais de meteorologia indicam alta probabilidade de ocorrência do fenômeno, com possibilidade de que ele se manifeste de forma forte, ampliando o risco de alagamentos, enxurradas e cheias de rios.Entre os dias 22 e 24 de abril, a Coordenadoria-Geral de Proteção e Defesa Civil de Gramado participou de uma capacitação intensiva voltada à elaboração de Planos de Contingência. O treinamento, promovido pela Casa Militar através da Subchefia de Proteção e Defesa Civil e do Departamento de Gestão de Desastres, teve como objetivo padronizar e agilizar as respostas a situações de emergência no Estado. ROSA JUNG Morre aos 100 anos a educadora e ex-secretária Rosa JungFaleceu, no dia, a professora e ex-secretária municipal de Educação de Gramado, Rosa Wittmann Jung. Ela tinha 100 anos, e foi diretora da Escola Santos Dumont, além de secretária de Educação no governo de José Francisco Perine, entre 1964 e 1968. OCUPAÇÃO (1) As temperaturas despencaram para 3 graus no início desta semana em Gramado. Com a chegada do primeiro frio do ano e o feriadão do Dia do Trabalhador, a expectativa é que o movimento cresça ainda mais, movimentando o turismo e fomentando os setores hoteleiro, gastronômico e de entretenimento.De acordo com o sindicato que representa a hotelaria de Gramado e Canela, o SindTur, a previsão é de que a ocupação chegue a 78%, de 1 a 3 de maio. OCUPAÇÃO (2) Maior rede hoteleira da Serra Gaúcha, a Laghetto estima uma ocupação acima de 90% em seus 15 hotéis entre Gramado e Canela. OCUPAÇÃO (3) Entre os empreendimentos temáticos, o Snowland, projeta um público de, aproximadamente, nove mil pessoas no feriado prolongado, enquanto o Acquamotion prevê receber cinco mil pessoas no período.
Social da Samanta – 725
Já em clima de Dia das Mães, uma foto linda de Mariana, Iole, Lion e Lavínia Berti pelas lentes de Gean Dinstmann Foto: Gean Dinstmann Rafael Silva com as mulheres que comandaram a parrilla do Tango no evento memorável que aconteceu no último dia 27. Representando a Força Femenina na Parrilla, Ita Pereyra Goday (Uruguai), Vanessa Murillo Hermida(Peru), Ahinela Erracartt (Uruguai), Fran Cortes (Chile), Carola Heckmann (Brasil) e Maria Fernanda Ruiz (Equador)! Foto: Divulgação Rafael Zimmermann e Anne Grahl Müller prestigiando o evento Mulheres na Parrilla, evento internacional promovido pelo Tango no último dia 27 Foto: Divulgação Norli Jahn presidente do Esporte Clube Serrano de Canela, com toda sua dedicação celebra esta data histórica! Foto: Divulgação Israel Aguiar, Marcela Giachini, Magda Cabral, Rafael Jahn , Daniela Carpintero , Victoria Weber e Mariana Butzen, atletas da Associação Aquática das Hortênsias prestigiando os 100 anos do Clube Serrano! Foto: Divulgação A Tenda de Isis abrilhantou o centenário do Esporte Clube Serrano com belíssimas apresentações! Foto: Divulgação Noite repleta de emoção, sócios e amigos do Clube marcaram presença no aniversário de 100 anos do clube Foto: Divulgação O casal que é da vice-presidência do Serrano participou da organização deste evento junto dos demais membros da diretoria e parceiros Foto: Divulgação Momento alto da noite foram os netos do presidente, Pedro Lucas e Felipe filhos do primogênito representando a musicalidade da família Jahn Foto: Divulgação Momento marcado pela história destes 100 anos comandado por Márcio Cavalli Foto: Divulgação
O SONHO DE BENITO, AINDA MAIS BONITO
Nos idos de 1992 ou 93, em uma tarde eu passava correndo na calçada em frente ao Mundo a Vapor e, da entrada, um senhor me chamou. Ele me conhecia e pediu desculpas por interromper meu jogging. Eu é que fiquei constrangido por me dirigir, esbaforido, ao Seu Benito Urbani (foto ao lado), que há pouco tempo criara aquele local de grande sucesso. Com a simplicidade que lhe era característica, ele queria conversar um pouquinho. Me perguntou se eu já tinha entrado, para conhecer. Me senti lisonjeado quando ele disse que queria minha opinião sobre aquela atração e também trocar umas ideias sobre o poderia ser feito para deixá-la ainda melhor. Valorizaria, ele disse, o que eu dissesse porque achava a mim, e aos meus colegas do grupo de teatro de comédia que tínhamos em Canela na época (que ele assistiu e gostou) pessoas criativas. Não lembro se, no bate papo, eu sugeri algo para o Seu Benito. Mas o episódio serviu para reforçar a minha admiração por aquele grande canelense, que gostava de ouvir os conterrâneos, imbuído do mais genuíno propósito de contribuir com a cidade. Visitando, dias atrás, o Mundo a Vapor recentemente reaberto (e o parque formado com a Roda Canela) não houve como não imaginar o orgulho que o Seu Benito, lá no outro plano, deve estar sentindo da maneira como sua esposa e as filhas souberam dar continuidade ao projeto dele. Elas pensaram longe, tiveram ideias, foram pesquisar nas fontes certas e se cercaram de gente talentosa para tornar impactante uma experiência de imersão que mistura inventividade, história, cenografia, arte, dramaturgia e tecnologia. Sempre com o mote principal de mostrar o funcionamento daquelas máquinas em miniatura criadas por Benito e Omar Urbani, o novo Mundo a Vapor coloca, agora, o pequeno em um pedestal realmente grande. A visita guiada foi concebida para ir alternando surpresas. A atenção é direcionada para os mini-complexos em funcionamento – siderúrgica, olaria, serraria, fábrica de papel e outros -, mas vale a pena observar os detalhes da iluminação e a cuidadosa cenografia. E tem também o que se sente na pele, como os microclimas produzidos, que mudam de um cenário para o outro. Último spoiler: os atores e atrizes repartem o protagonismo, na condução dos visitantes, com Fuligem, um boneco de metal que confessa, no final, um dia ter sido só uma ideia. Como tudo no Mundo a Vapor, ele também ganhou vida. ANATOMIA DE UM SUCESSO Fragmentos de declarações de alguns envolvidos, dentre os 200 que arregaçaram as mangas para criar uma obra magnífica. “Nós construímos artesanalmente cada centímetro que está aqui. Nenhuma atração no Brasil entrega tanta essência, não economizamos nessa entrega. É uma história real, com emoção”. Aldair Machado – Diretor “Colocar um trem na fachada foi algo muito arriscado, que o pai teve a coragem de fazer. A mesma que nós tivemos para tirar tudo de dentro e fazer um parque novo”. Caren Urbani – CMO “Fazer a pintura dos cenários foi desafiador e encantador, pois me fez observar a beleza dos céus e suas nuances conforme os lugares que foram destacados dentro da trajetória de imersão. E o trabalho feito a mão, como as pinturas na ponta do pincel, trazem uma narrativa que contrasta tecnologia e manualidades”. Lana Rosa, artista plástica “Pegamos o legado do pai, do Mundo a Vapor, e melhoramos a experiência, que mantém a nossa alma. Tem nosso suor ali dentro”. Lenise Urbani – CEO “Eu imagino esse grande projeto como uma orquestra invisível, onde cada instrumento tem sua função: a iluminação, o som, os mecanismos. A cenografia e todos os efeitos práticos são ferramentas para contar essa história. Cada movimento, cada textura, cada cor está ali para garantir que o elemento narrativo seja transmitido”. Malcon Madia – Egenheiro criativo “O que muda com o novo Mundo a Vapor é que o visitante vai agora entrar de fato nas páginas da nossa história. Não vamos trazer o sonho em realidade, mas a realidade em sonho”. Daniel Costa – Gerente geral “Foram oito meses junto ao Malcom, projetando o Fuligem. Eu modelava a parte artística, e o Malcom fazia a parte técnica. Juntar esses dois lados foi o que fez ele ganhar vida e cantar a primeira música. Ver ele se movendo, cantando, foi muito emocionante. A gente foi aos prantos, porque deu certo”. Rodrigo – Cenotécnico
O canelense que esteve perto da Copa de 70
Um nome que saiu de Canela A Antes do Brasil conquistar o tricampeonato mundial, em 1970, um canelense esteve muito próximo de fazer parte daquela história. Conhecido como Picasso, Ronei Paulo Travi nasceu em 7 de maio de 1939 e construiu carreira sólida como goleiro no futebol brasileiro. DO SERRANO AO CENÁRIO NACIONAL Revelado no Serrano, iniciou no futebol local antes de ganhar projeção no Cruzeiro de Porto Alegre. No Palmeiras, entre 1963 e 1965, disputou cerca de 46 partidas e conquistou o Campeonato Paulista de 1963, integrando um elenco forte do futebol brasileiro da época. PASSAGEM POR GRANDES CLUBES Depois, seguiu para o São Paulo, onde teve uma das fases mais consistentes da carreira, com mais de 150 jogos e títulos estaduais no início dos anos 70. Em 1970, atuando pelo Bahia, viveu grande fase e foi eleito o melhor goleiro do país com a Bola de Prata da revista Placar. Também defendeu Atlético Paranaense e Grêmio, entre 1973 e 1975. A SELEÇÃO E A LESÃO Na virada dos anos 60, passou a integrar convocações da Seleção Brasileira e chegou a vestir a camisa do Brasil. Naquele período, seu nome aparecia entre as opções para o gol no ciclo que antecedeu a Copa do Mundo do México. Mas uma fratura no pé, sofrida durante uma partida em 1968, o afastou das convocações no momento decisivo. A VAGA QUE FICOU PELO CAMINHO Sem Picasso, o goleiro Félix ganhou espaço e assumiu a posição na campanha do tricampeonato. A Seleção de 1970 entraria para a história como uma das maiores de todos os tempos, enquanto a trajetória do goleiro canelense ficaria marcada por uma proximidade rara com aquele grupo. UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU AQUI Picasso não disputou uma Copa do Mundo, mas esteve muito perto dela. Sua trajetória, iniciada em Canela, o levou ao mais alto nível do futebol brasileiro e segue como um registro importante da presença da cidade na história do esporte.
ETF: simples, barato… e eficiente
Sempre tive a intenção de usar esta coluna para desmistificar os diversos tipos de investimentos. O desafio é que, na maioria das vezes, o espaço não permite ir além do superficial. Como maio nos presenteou com três sábados de coluna, resolvi fazer diferente: nas próximas semanas, vamos entrar um pouco mais fundo em um tema que vem ganhando cada vez mais espaço — os ETFs. Durante anos, o investidor pessoa física foi empurrado para um dilema: ou escolhia ações individuais (com alto risco e necessidade de acompanhamento constante) ou aceitava fundos caros, muitas vezes difíceis de entender e nem sempre eficientes. Era complexo, caro e, na prática, pouco democrático. Em algum momento, precisava surgir uma forma mais simples e mais inteligente de investir. Os ETFs surgem exatamente como uma resposta a isso. Com uma única ordem de compra, é possível investir nas 500 maiores empresas dos Estados Unidos, em ouro, soja, criptomoedas, crédito privado ou em carteiras focadas em dividendos. E o melhor: sem precisar de grandes valores, sem estrutura sofisticada e sem complicação operacional. ETF é a sigla para Exchange Traded Fund — em bom português, um fundo negociado em bolsa. Na prática, ele funciona de forma muito simples: replica um índice, como o Ibovespa ou o S&P 500, e pode ser comprado e vendido como se fosse uma ação. O ETF reduz barreiras, simplifica o processo e entrega, em um único instrumento, três coisas que raramente andam juntas: diversificação, transparência e baixo custo. Para entender o impacto disso, imagine tentar montar uma carteira com as 500 maiores empresas americanas comprando ação por ação. Além do capital necessário, o investidor enfrentaria um desafio operacional enorme. Com um ETF, isso é resolvido com um clique. É justamente essa simplicidade que explica o crescimento acelerado desse mercado. Depois de anos praticamente estagnado, o mercado brasileiro de ETFs deu um salto relevante em 2025. O patrimônio saiu da casa de R$ 54 bilhões para cerca de R$ 91 bilhões em apenas 12 meses — um crescimento de quase 70%. O número de investidores também acompanhou esse movimento: saiu de 288 mil, em 2020, para mais de 900 mil atualmente. O dado mais interessante é o tamanho da oportunidade. Nos Estados Unidos, os ETFs já representam cerca de um terço de toda a indústria de fundos. No Brasil, ainda não chegam a 1%. Ou seja: o que aqui ainda parece novidade, lá fora já virou infraestrutura básica de investimento. Esse avanço recente no Brasil não aconteceu por acaso. Três fatores ajudaram a acelerar esse movimento. O primeiro foi o crescimento dos ETFs de renda fixa, que passaram a atrair volumes relevantes e abriram portas para um público mais conservador. O segundo foi a entrada de novos gestores, aumentando a oferta de produtos e a concorrência — algo que naturalmente melhora custo e qualidade. E o terceiro, talvez o mais importante, foi a mudança no modelo de remuneração no mercado financeiro. Com a expansão do modelo fee-based (taxa fixa), produtos mais eficientes deixam de ser “inimigos comerciais” e passam a ocupar o espaço que sempre deveriam ter tido. Mas existe um ponto ainda mais relevante: os ETFs não crescem apenas porque são eficientes. Eles crescem porque resolvem um problema moderno: o excesso de complexidade. Vivemos um momento em que o investidor é bombardeado por informações, opiniões e estratégias mirabolantes. Nesse cenário, a simplicidade deixa de ser um luxo e passa a ser uma vantagem competitiva. Menos complicação, mais entendimento, melhor tomada de decisão. Talvez seja por isso que os ETFs pareçam “simples demais” — e é exatamente aí que mora o erro. Na próxima coluna, vamos entrar em um ponto que quase ninguém discute: se os ETFs são tão eficientes assim… onde está o risco?
Marcas & Negócios
Parque do Caracol O Parque do Caracol firmou parceria com a empresária e criadora de conteúdo Laura Bier, fundadora da Vila Roubadinhas, Roubadinhas Atlântida e Arena Roubadinhas. A gaúcha passa a atuar na captação de patrocínios para o atrativo turístico, assim como, na conexão com marcas, parcerias, ativações, locatários e eventos. Laura também estará presente em projetos vinculados aos demais empreendimentos sob administração da holding Grupo Iter, como o Parque Bondinho Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Alta Gastronomia O chef Felipe Silva, do LK Design Hotel de Florianópolis, assina jantar exclusivo no hotel Valle D’Incanto em Gramado, no dia 02/05, às 20 horas. O evento “a quatro mãos” será realizado na Osteria di Lucca e é reservado aos hóspedes do hotel. Reconhecimento A iniciativa reforça o compromisso do Valle D’Incanto em oferecer experiências únicas e personalizadas. Além deste jantar especial, o hotel é reconhecido pelo seu café da manhã artesanal e pela atmosfera inspirada na Toscana, que combina luxo, privacidade e bem-estar, que conferiram à marca o título de hotel mais romântico do mundo pelo TripAdvisor em 2022. Esquina Canela ganha um novo ponto de encontro em maio. Na esquina das ruas Borges de Medeiros e Augusto Pestana, no centro da cidade, nasce o Esquina Bar e Cozinha. A proposta, que promete trazer um espírito urbano e alma livre, terá estética moderna, gastronomia para compartilhar, adega eclética e menu de drinks. Por trás da nova casa está uma trajetória de sucesso dos mesmos sócios do Containner Bistrot, Graziela Franzen e Gabriel Souza. Design que Abraça A Goods Br anuncia a segunda edição da Mega Stock, que chega com um novo tema e proposta: “Mês das Mães: Design que Abraça”. O evento acontecerá de 6 a 10 de maio, aproveitando o final de semana do Dia das Mães para oferecer uma experiência única de compra focada em conforto, aconchego e qualidade. Sofás, poltronas e cadeiras Após o sucesso da primeira edição que recebeu mais de 1.000 visitantes e comercializou mais de 2.000 itens, a Mega Stock traz novidades em produtos para esta segunda edição, evidenciando categorias que naturalmente conectam com a narrativa de aconchego: sofás, poltronas e cadeiras. Entretenimento inclusivo O Mini Mundo participou da 17ª edição do Dia Nacional da Alegria (DNA), iniciativa idealizada pelo SINDEPAT e apoiada pela ADIBRA, que promove a inclusão social por meio do entretenimento em parques e atrações turísticas de todo o Brasil. O parque recebeu um grupo de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Independência, do município de Rolante, para um dia especial de descobertas na cidade em miniatura. Oportunidade Se você também tem algo a contar sobre negócios, desenvolvimento, oportunidades e marcas que estão em movimento envie a sua de pauta para mim: adriana@ateraz.com.br
A Estética do nosso Desânimo
Oi, tudo bem por aí? Eu sei que as coisas não andam nada bem, mas você finge! Não é de hoje que tem faltado assunto, não é de hoje que você só vai lá e faz o que tem de ser feito. Noites mal dormidas, dores de cabeça, acúmulo de trabalho, cansaço físico e mental. Um verdadeiro combo de camadas de tantas coisas que você sustenta sozinho, fingindo que dá conta, e até deu durante um certo tempo. Na verdade, você está desanimado com tantas mudanças sem aviso, seus projetos que recebem sorrisos enviesados porque você não faz o que todos fazem, das frases repetidas de “vemos isso depois”, “agora não é prioridade”, do bocejo discreto quando é sua vez de falar, e-mail respondido com “copia e cola” de gente que nem leu as tuas duas linhas, e eram só duas linhas, porque você consegue ser objetivo quando precisa. Sim, eu sei! É difícil! Que bom que você chora escondido! Você cansou do pouco que aparece e do resto que fica submerso. Cansou de sustentar o invisível como se isso fosse suficiente. Cansou de acreditar que o processo, por si só, justificaria o caminho. Cansou de fazer direito em um lugar, ou talvez uma cidade, onde isso não altera o resultado. E, mesmo assim, você continua! Ainda responde com cuidado e gentileza, continua preparando o melhor que pedem, continua acreditando, ainda que com menos brilho, que alguma coisa precisa ser feita com seriedade nesse mundo imediatista e volúvel. Mas tem dias em que isso pesa diferente, não tem? Eu te entendo! Dias em que você percebe que não é falta de esforço, nem de ideia, nem de entrega. É outra coisa. Um descompasso silencioso entre quem constrói e quem decide. Entre quem sustenta e quem apenas assina. E aí vem aquela velha dúvida: vale a pena? Vale a pena insistir no que se sustenta fora de você? Vale continuar oferecendo profundidade onde só cabe superfície?Vale seguir acreditando em algo que é constantemente adiado, desvalorizado, desmontado? Não dá para falar a resposta em voz alta, né? Mas você tem pensando nisso o tempo todo e esse pensar cansa, consome energia! Porque no fundo você sabe, não é que não funcione. Funciona, por um tempo! Até que o acúmulo cobre o preço e o corpo comece a acusar. Até que o entusiasmo vira tarefa e o que era escolha começa a parecer teimosia e de repente você se vê no meio de brigas que não são mais suas, de narrativas que não fazem mais o menor sentido e que você lutava tanto por elas, se vê no meio de pessoas que já foram inseparáveis e agora você faz questão de não estar próximo. Eu não tenho resposta pra te dar, nem conselho, nem saída bonita. Só isso: eu te vejo! Compreendo o que você tem passado e o que não aparece mais dói aí dentro. Talvez você continue mais um pouco, assim como eu, provavelmente vai! Mas vamos tentar agora, pelo menos, fazer isso sem fingir tanto. Porque tem um limite entre resistir e se apagar e você, assim como eu, anda caminhando bem em cima dele.
Te benzo e te curo…
(Revisitando costumes…) Em homenagem ao Dia do Trabalhador (1º de maio), trazemos à luz essa profissão (hoje quase extinta), mas de grande importância para a antropologia e a história do homem em geral… Quando o assunto é Benzedores e Curandeiros, vemos em cada região desse Brasilzão de Deus, importantes aspectos do folclore que, na maioria das vezes, não chega ao conhecimento da maioria dos brasileiros. Assim acontece com vários elementos, como o trazido nesse texto: As Bicheiras do Gado “Mal que comeis / a Deus não louvais! E nesta bicheira / não comerás mais! Hás de ir caindo de 10 em 10 de 9 em 9 …………….. de 1 em 1! E nessa bicheira / não ficará nenhum! Há de ficar limpar e sã como limpas e sãs ficaram as cinco chagas de nosso Senhor!” As bicheiras, entre o nosso povo, são curadas pelo uso de chás, substâncias vegetais e, principalmente, pelas “práticas mágicas” de reconhecidos benzedores e curandeiros… Na medicina empírica, temos chás e “calados” com folhas de pêssego, infusão de casca de pereira, a raiz fresca do “mercúrio do campo”, e até uma infusão de tabaco com esterco do próprio animal! Mas, por outro lado, conforme alguns autores, “pelo resultado ‘milagroso’ que operam, preferem-se no Brasil os ‘curadores’ ou ‘rezadores’ de bicheiras que, com rezas e cerimônias variadas, fazem com que os ‘bichos’ ou ‘vermes’ abandonem as chagas causadas no gado”. Naturalmente, tais curadores são grandemente ajudados pela natureza pois, depois de um certo tempo, os próprios bichos se encarregam de abandonar a ferida, caindo ao solo para “pupar” (enterrar-se) e, após algumas semanas, completado o período larval, nascerem novas moscas (varejeiras). As moscas “varejeiras”, em outras regiões do país chamam-se ainda “beronha”, “beruanha”, “bironha”, “meruanha”, “murianha”, etc, enquanto as “bicheiras” são conhecidas por “morotó” ou “tapuru”. Conforme Karol Lenko e Nelson Papavero em seu livro “Insetos no Folclore”, esses costumes e tantos outros mais, são comuns a muitos povos, como acontece aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!