(Revisitando costumes…)
Em homenagem ao Dia do Trabalhador (1º de maio), trazemos à luz essa profissão (hoje quase extinta), mas de grande importância para a antropologia e a história do homem em geral…
Quando o assunto é Benzedores e Curandeiros, vemos em cada região desse Brasilzão de Deus, importantes aspectos do folclore que, na maioria das vezes, não chega ao conhecimento da maioria dos brasileiros.
Assim acontece com vários elementos, como o trazido nesse texto:
As Bicheiras do Gado
“Mal que comeis / a Deus não louvais!
E nesta bicheira / não comerás mais!
Hás de ir caindo
de 10 em 10
de 9 em 9
……………..
de 1 em 1!
E nessa bicheira / não ficará nenhum!
Há de ficar limpar e sã
como limpas e sãs ficaram
as cinco chagas
de nosso Senhor!”
As bicheiras, entre o nosso povo, são curadas pelo uso de chás, substâncias vegetais e, principalmente, pelas “práticas mágicas” de reconhecidos benzedores e curandeiros…
Na medicina empírica, temos chás e “calados” com folhas de pêssego, infusão de casca de pereira, a raiz fresca do “mercúrio do campo”, e até uma infusão de tabaco com esterco do próprio animal!
Mas, por outro lado, conforme alguns autores, “pelo resultado ‘milagroso’ que operam, preferem-se no Brasil os ‘curadores’ ou ‘rezadores’ de bicheiras que, com rezas e cerimônias variadas, fazem com que os ‘bichos’ ou ‘vermes’ abandonem as chagas causadas no gado”.
Naturalmente, tais curadores são grandemente ajudados pela natureza pois, depois de um certo tempo, os próprios bichos se encarregam de abandonar a ferida, caindo ao solo para “pupar” (enterrar-se) e, após algumas semanas, completado o período larval, nascerem novas moscas (varejeiras).
As moscas “varejeiras”, em outras regiões do país chamam-se ainda “beronha”, “beruanha”, “bironha”, “meruanha”, “murianha”, etc, enquanto as “bicheiras” são conhecidas por “morotó” ou “tapuru”.
Conforme Karol Lenko e Nelson Papavero em seu livro “Insetos no Folclore”, esses costumes e tantos outros mais, são comuns a muitos povos, como acontece aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!









