Usado por muitos anos, décadas atrás, como porta de entrada e passagem para a grande casa de veraneio de governadores que veio pomposamente a ser chamada de Palácio do Governo, o Parque do Palácio, na entrada de Canela, tem lutado para receber uma merecida valorização. Muitos são seus defensores, na mesma medida há os que, historicamente, não percebem o quanto a cidade ganharia com uma reestruturação e com melhorias naquele local.
Temos dois exemplos bem sucedidos de parques públicos na zona urbana que premiaram a população de diversos bairros: o Parque do Lago (no Leodoro de Azevedo) e o Parque São Lucas (no Canelinha), restando ao Parque do Palácio aguardar na fila para ver obras acontecerem ali. Uma vez restaurado, o resultado imediato seria o de servir como local de lazer para, no mínimo, três bairros próximos, o São José, o Santa Marta e o Vila Dante. É ponto pacífico a falta de recursos do poder público, face a necessidade de aplicá-los em áreas de apelo mais premente como a saúde, a educação e a assistência à população de uma cidade não mais pequena. Comemorada, recentemente, a posse definitiva daquela área, a prefeitura busca recursos para aplicar no local, o que significa a incógnita quanto ao prazo.
Praticamente desativado, mas nunca relegado ao esquecimento pela mobilização dos seus muitos simpatizantes, o Parque do Palácio aguarda por dias melhores. Os Amigos do Parque do Palácio puxaram a frente em ações desenroladas nos últimos anos, sempre associados a entidades e associações voltadas à cultura popular, à arte, à ecologia e à memória. Também contando com a participação de escolas. É um parque de nove hectares, a menos de um quilômetro do Centro que, pelas suas características de flora, fauna e topografia, já proporcionou bons momentos reunindo pessoas com os mais diversos propósitos, seja atividades integrativas, de lazer, educacionais, espirituais, esportivas e musicais. Tudo o que um bom parque pode proporcionar, com a singularidade de ser um raro quinhão de terra, em plena zona urbana, com vegetação nativa dos Campos de Cima da Serra.
Alguns projetos arquitetônicos / ambientais foram criados para dar condições ao Parque do Palácio de sediar ações ou, simplesmente, ficar à disposição da comunidade que queira usufruir dele. O primeiro projeto, de mais de trinta anos atrás, de autoria do arquiteto Glauco Larre Borges, foi pioneiro na estipulação das trilhas, foi desenhada a guarita, o pórtico e foi sugerida a vegetação a plantar.
Muita coisa se fez, um pouco se conservou, muito se deteriorou – a ponto de, em 2026, praticamente ser impossível a utilização da área pela depredação dos banheiros e as avarias, por exemplo, nas cercas e pergolados.
Quando perguntados sobre quantos são os amigos do Parque, três fundadores do coletivo Amigos do Parque do Palácio – Rosane Warken, Isabel Scheid e Ricardo Soncini – dizem sinceramente que não sabem. Mas afirmam que são muitos! Uma prova disso foi a mobilização de uma expressiva parcela da comunidade de Canela, de diversos segmentos, que certa feita lotaram o auditório da Câmara de Vereadores para manifestar sua contrariedade na consulta popular sobre possível permuta da área com empreendedores, que ali ergueriam um centro de eventos. A proposta não vingou.
Agindo hoje com racionalidade, apesar de ser um assunto que os emociona, os Amigos do Parque gostariam de ver, ao menos, resgatada a dignidade daquele lugar nobre. Uma reforma nos banheiros, conserto dos pergolados, da guarita e dos bancos e um compromisso formal do poder público assegurando a segurança do local seriam suficientes, enquanto ventos de bonança não sopram, para reabrirem o Parque para encontros e eventos ao ar livre.


O Parque do Palácio, após restaurado, vai voltar a oferecer excelentes oportunidades de lazer e integração à comunidade
OBSERVANDO O FIRMAMENTO

uma das atividades, interessantíssima, que ocorrem no Parque do Palácio é a observação do céu, conduzida pelos Amigos do Parque, na pessoa do astrônomo amador Fábio Feijó, residente em Canela.
No dia 3 de maio, um grupo de interessados em Astronomia reuniu-se no Parque para observar o cometa C/2025 R3 PanSTARRS (foto ao lado).
Feijó orientou a atividade e disponibilizou equipamento para a observação do firmamento. O cometa foi observado através de telescópio com aumento de 60 vezes. Imagens foram obtidas com câmera equipada com lentes adequadas para fotos em Astronomia.
A VOLTA DAS NARRATIVAS

Inicia neste dia 3 de junho, quarta-feira, a temporada 2026 do projeto de conhecimento Narrativas, conduzido pelos psicólogos Marco Aurélio Alves e Camila Heidrich. O interessante primeiro encontro será com a Juíza Simone Ribeiro Chalela, que vai abordar o tema da violência contra a mulher. Prestigiem! É no Cidica (rua São Francisco 199), às 19:30, gratuito.









