Por Ernani Azevedo
Depois do tricampeonato conquistado em 1970, o Brasil passou a carregar um peso diferente nas Copas do Mundo. A Seleção já não entrava em campo apenas para competir. O mundo esperava espetáculo, e os brasileiros acreditavam que o título seria consequência natural do talento.
Mas os anos seguintes mostraram um cenário bem diferente.
Na Alemanha, em 1974, o Brasil ainda tentava se reorganizar após a despedida de Pelé. A equipe terminou em quarto lugar, em uma Copa marcada por seleções mais físicas, intensas e coletivas, distante daquele brilho que marcou o México.
Em 1978, na Argentina, a Copa foi cercada de desconfiança. O país vivia uma ditadura militar, e até hoje o jogo entre Argentina e Peru, vencido pelos argentinos por 6 a 0, alimenta suspeitas sobre possível interferência política para colocar os donos da casa na final.
Mas foi em 1982 que nasceu uma das maiores histórias sem título da Seleção Brasileira.
Com Telê Santana no comando, o Brasil apresentou um futebol ofensivo, técnico e criativo. Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e Éder formaram uma equipe que encantava até adversários. Para muitos, era um time que jogava como o brasileiro gostava de se reconhecer: talentoso, confiante e bonito de assistir.
A derrota para a Itália, por 3 a 2, no jogo marcado pelos três gols de Paolo Rossi, virou uma ferida permanente no futebol brasileiro. Aquele time não conquistou a Copa, mas permaneceu na memória coletiva de uma geração inteira.
Em 1986, parte daquela base ainda resistia. Mas a eliminação para a França, nos pênaltis, encerrou definitivamente o ciclo da Seleção que talvez tenha jogado o futebol mais admirado do mundo sem levantar a taça.
HISTÓRIAS DA COPA IV
A HOLANDA QUE NÃO PRECISOU SER CAMPEÃ
Mesmo derrotada na final de 1974, a Holanda de Johan Cruyff revolucionou o futebol com o chamado “Carrossel Holandês”, modelo baseado em troca constante de posições e movimentação coletiva.
O TÍTULO EM MEIO À PRESSÃO POLÍTICA
A Copa da Argentina foi disputada durante a ditadura militar no país. O torneio ocorreu em ambiente de forte controle político, e até hoje existem debates sobre possível influência externa em resultados, especialmente na vitória argentina por 6 a 0 sobre o Peru, placar que garantiu a vaga na final.
QUANDO O FUTEBOL-ARTE ENTROU EM DEBATE
A eliminação do Brasil em 1982 abriu uma discussão que atravessou décadas: jogar bonito era suficiente para vencer uma Copa do Mundo? A derrota para a Itália fez crescer a cobrança por seleções mais pragmáticas e defensivas.
A MÃO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA

Nas quartas de final de 1986, Diego Maradona marcou contra a Inglaterra um dos gols mais polêmicos da história das Copas. O lance ficou conhecido como “La Mano de Dios” depois que o próprio argentino afirmou que o gol havia sido marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus”.










