Foto: Yas Almeida
Profissional dividido ente duas paixões, a imagem e o meio ambiente, Gustavo Closs De Marchi (fotos ao lado) sempre deseja o máximo em relação a ambas. Como fotógrafo, tem a técnica e a paciência para esperar o momento e escolher o enquadramento que vão gerar o clique esperado. Depois, se for o caso de uma dentre as muitas capturas que ele faz em máquina analógica, vem a magia de comandar o processo da revelação. Como biólogo, ele trabalha em projetos de gestão ambiental e monitoramento de flora para que a natureza continue sendo fonte de vida e lhe abastecendo de imagens belas.
Porto-alegrense que reside em Gramado, antes de se formar biólogo (em 2000), Gustavo já se dedicava à fotografia na maneira que gerou muitos dos maiores fotógrafos conhecidos: a analógica. Teve uma primeira mestra em casa, sua avó, cuja técnica lhe surpreendia por produzir fotos com fundo desfocado e tema extremamente nítido. Sua primeira câmera, em 1991, veio em troca de uma guitarra. Trabalhou como fotógrafo desde jovem. Inicialmente fazia fotografia de produtos, depois de moda, montou laboratório e estúdio. Clicando, pagou o curso de Biologia. Nas muitas saídas de campo da faculdade, levava a câmera e fotografava as paisagens, seu tema preferido.
Gustavo aprendeu a canalizar sua arte, além de para o belo, para o registro do antigo, das coisas que estão para desaparecer.
O biólogo que morou fora do Brasil em alguns períodos não é (longe disso) refratário à tecnologia. Rapidamente se adaptou quando surgiram as primeiras câmeras digitais, então de qualidade inferior às boas de filmes negativos. Amor antigo, no entanto, também utiliza câmeras muito velhas, algumas com mais de 100 anos. De Marchi chegou a ser um professor que, segundo ele, “aguentou pouco em sala de aula”, mas hoje gosta de desenvolver trabalhos de educação ambiental para crianças e adultos, dando aulas dentro do mato.

Foto: Renan Sandi
Uma grande realização, para o entrevistado, tem sido trabalhar no Gramado Natural (leia na matéria abaixo), onde pode desenvolver amplamente todas suas expertises. Para fotografar em meio a artistas, estabeleceu novos protocolos (buscou alternativas) para uma fotografia analógica barata, dado o alto custo e escassez dos filmes, dos insumos e equipamentos de revelação.
Em poética analogia, Gustavo diz que a fotografia é o registro de uma cicatriz da luz sobre uma emulsão ou o sensor digital de uma câmera, deixando marcada ali a sua presença. Cabe ao fotógrafo organizar como será essa mancha deixada para sempre.
PINCÉIS AO VENTO

Foto: Divulgação
Iniciativa de um coletivo de artistas coordenada por Luana Müller, o projeto Gramado Natural estimula talentos – de trajetórias consolidadas ou não – e iniciantes a pintarem em comunhão com a natureza. Já aconteceram saídas de campo no interior da cidade e em parques, quando o grupo, sempre aberto a simpatizantes, incursiona por belas paisagens, algumas de acesso mais difícil, em busca de ângulos singulares. O resultado são belíssimas telas, incluindo imagens de um fotógrafo.
O projeto também promove encontros de trocas de experiências com convidados de renome, assim como foi criado o Eixo Formativo, para estímulo de jovens. Em parceria com a Sicredi Pioneira, nos meses de junho, julho e agosto de 2026 acontecerão exposições de artistas participantes, nos Espaços Sicredi de Gramado, Nova Petrópolis, Picada Café e Canela. A primeira mostra inaugurou no Sicredi do Centro de Gramado no dia 8 de junho, com obras de Sônia Schlee, Lana Rosa, o fotógrafo Gustavo de Marchi e Alessandro Müller (nesta ordem, na foto ao lado). O Gramado Natural tem programado outro Encontro Mensal de Pintura ao Ar Livre no dia 20 de junho, na Vinícola Casa Seganfredo.
LEITURA AO PÉ DA MONTANHA
A foto marca o reencontro de uma história verídica com o seu cenário. Gilberto Thoen, montanhista canelense adotivo e protagonista da biografia Faltam Apenas 25 Passos – escrita por este colunista narrando suas ascensões a grandes montanhas do mundo – deu para seu amigo e guia de montanha Ryan Waters (na foto) um exemplar do livro.
Mais uma vez no Everest em maio deste ano, Ryan fez questão de levar a obra, onde ele figura várias vezes ao lado de Gilberto, inclusive atingindo a mais alta montanha do mundo. O livro está à venda na Livraria Bambu, na rua João Pessoa, em Canela.
BONECOS CONTAM HISTÓRIAS
Começou no dia 10 de junho a última oficina de confecção de bonecos do projeto Bonecos Contam Histórias – Jornada do Conhecimento, na Escola Estadual Dante Bertoluci, onde os alunos estão dando vida desta vez, por meio da arte e da criatividade, ao patrono da instituição, o ex-prefeito de Canela, Dante Bertoluci. A oficina trabalha técnicas como modelagem, papietagem, desenho e pintura, incentivando a expressão artística e o desenvolvimento de habilidades manuais.
Após a criação dos bonecos, será gravado um vídeo curto em que o personagem confeccionado assumirá o papel de narrador. Em agosto, o foco será a cultura gaúcha, com espetáculos de teatro de bonecos e bate-papos temáticos que irão abordar tradições e aspectos culturais do Rio Grande do Sul. A programação prossegue em setembro. Historiando com Bonecos faz parte do projeto “Bonecos Contam Histórias – Jornada do Conhecimento” aprovado no Edital de Chamamento Público nº 02/2025, criado e produzido pela Cia. Daiene Cliquet Artes, com apoio do Dep. de Cultura e da Prefeitura Municipal de Canela e recursos oriundos de emendas da Câmara de Canela.









