O que a paternidade pode ensinar sobre investimentos

No último ano, eu e minha esposa nos preparamos para a chegada do nosso primeiro filho. A preparação exigiu estudos, conversas e a busca por profissionais que pudessem nos orientar da melhor maneira possível, sempre buscando respeitar o processo natural da vida.

Aprendemos, nesse período, que buscar esclarecimento é tão importante quanto refletir sobre o conhecimento que adquirimos. E quando se trata de ter filhos, não é diferente de qualquer outra área da vida: existem várias linhas de estudo, métodos e formas de conduzir a criação. Cada família, naturalmente, se sentirá mais atraída por aquilo que melhor se encaixa em seus valores e princípios.

Essa talvez seja uma das primeiras semelhanças que encontrei com os investimentos. Antes de escolher onde investir, é preciso entender quem está investindo. Seus objetivos, suas necessidades, seus valores e principalmente, aquilo que faz sentido para sua vida. Uma oportunidade pode parecer extraordinária, mas se não estiver alinhada com o que você busca, talvez não seja uma boa escolha.

Aqui em casa, fugimos dos extremismos. Buscamos uma alimentação saudável, sem privações; atividades físicas, sem pressão por padrões estéticos; e conhecimento, sem beirar o fanatismo. O bom e velho caminho do meio, que, na maioria das vezes, tende a nos levar para frente.

Nas finanças, penso de maneira semelhante. Gosto de criptomoedas, mas não acredito em alocações exageradas. Gosto de inteligência artificial e tecnologia, mas reconheço que toda inovação carrega riscos. Gosto de títulos atrelados à inflação, mas dentro do que faz sentido para cada carteira. Em resumo, gosto de rentabilidade, mas não acredito em ganhos rápidos e fáceis.

A paternidade também me mostrou que não existe uma fórmula pronta. Nas primeiras horas após a chegada do Joaquim, a identificação com aquele pequeno ser, frágil e indefeso, foi imediata. Mas, diferente da mãe, que já está conectada há nove meses, acredito que, para o pai, o amor seja algo que também se constrói dia após dia.

Em momentos de carinho, acolhimento, compreensão e, muitas vezes, incompreensão seguida de tolerância. Essa incompreensão é consequência da nossa própria incapacidade de suprir tudo aquilo de que aquele pequeno ser precisa. Seu corpo está se desenvolvendo e novos desafios começam a surgir: as cólicas, os gases, o choro sem uma causa aparente e a dificuldade de entender um mundo completamente diferente daquele dentro do útero.

Com os investimentos, não é muito diferente. Quem começa a investir também passa por um processo de aprendizado. No início, alguns produtos parecem complexos, as oscilações incomodam e nem sempre é fácil compreender por que algo que parecia uma boa escolha não se comportou como esperado. Com o tempo, porém, os movimentos do mercado começam a fazer mais sentido e o investidor amadurece.

É por isso que, quando conheço um novo cliente, costumo dizer que prefiro evitar novidades e tendências do momento. Gosto de trabalhar o simples e fazê-lo bem. Aos poucos, com o tempo e o amadurecimento da estratégia, podemos sofisticar o portfólio de maneira pontual, sempre respeitando o perfil de cada pessoa.

Existe, porém, uma palavra de que não gosto quando falamos de investimentos: “apostar”.

Eu jamais apostaria na educação do meu filho. Eu invisto em princípios nos quais acredito e que, com tempo, dedicação e consistência, espero que tragam bons resultados. Nas finanças, penso da mesma maneira.

Um investidor que está saindo da caderneta de poupança ou do clássico LCA/LCI de um ano e buscando proteger seu patrimônio, aplicando em produtos mais adequados para cada objetivo, também precisará de tempo para amadurecer. Haverá momentos de desconforto, dúvidas, preocupação e até a sensação de não ter controle sobre o que está acontecendo.
Mas, assim como na paternidade, quando existe orientação, consistência e paciência, o processo tende a ficar mais claro. Afinal, com o andar da carruagem, as melancias se ajeitam.

Talvez essa seja uma das maiores lições que a paternidade tem me ensinado: algumas das coisas mais importantes da vida não podem ser aceleradas. Elas precisam ser construídas.

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