A história do projeto que previa ocupar 50 hectares e criar um grande centro da cultura gaúcha.No início dos anos 1970, Canela vivia uma mudança importante em sua economia. Durante décadas, a madeira havia ocupado posição central no município, movimentando serrarias, empregos e diferentes atividades ligadas à exploração das florestas.Em 1965, madeira, papel e papelão ainda respondiam por quase 80% do valor da produção industrial local. Mas aquele ciclo se aproximava do fim. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul registra que a escassez da araucária e de outras árvores utilizadas pela indústria já havia começado no final dos anos 1950 e provocou o declínio da atividade extrativa na década seguinte. Canela entrava nos anos 1970 diante da necessidade de encontrar novas forças para movimentar sua economia.O turismo surgia como uma dessas possibilidades. A cidade era procurada principalmente como destino de veraneio. Famílias permaneciam semanas ou meses em Canela, atraídas pelo clima, pela tranquilidade e pelas paisagens da Serra. A Cascata do Caracol, a Ferradura e os morros Pelado, Queimado e Dedão estavam entre os passeios. A principal atração era a própria natureza.Naquele período, a ideia de parque temático ainda era pouco difundida no Brasil. Havia experiências isoladas, como a Cidade da Criança, na Grande São Paulo, enquanto empreendimentos que ajudariam a popularizar esse modelo surgiriam depois. O Playcenter, por exemplo, abriria seu parque na capital paulista em 1973.Foi nesse cenário, com a indústria da madeira perdendo força e o turismo começando a ganhar espaço, que João Kessler Coelho de Souza apresentou a ideia da Gaucholândia. Os rascunhos preservados pela família revelam a dimensão do projeto: uma área de 50 hectares e a previsão de estacionamento para 5 mil veículos. Fundação da Gaucholândia, em 27 de fevereiro de 1972. Da esquerda para a direita: Paixão Côrtes; o prefeito Bertholdo Oppitz; Glauco Saraiva, representando o governador Euclides Triches; João Kessler Coelho de Souza e Plínio Totta, da Secretaria Estadual de Turismo. O HOMEM QUE IMAGINOU A GAUCHOLÂNDIA Pedro Müller Coelho de Souza tinha 23 anos e cursava Engenharia quando a Gaucholândia começou a ser discutida dentro de casa. A proposta era ousada, mas não surpreendia quem conhecia seu pai. “Ele sempre foi empolgado, muito empolgado e com iniciativa”, recorda.João Kessler Coelho de Souza nasceu em Porto Alegre, em 1913, e formou-se em Direito em 1938. Naquele mesmo ano, seu nome aparece na primeira diretoria do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano. Sua ligação com Canela também vinha de longe: participou do movimento que levou à emancipação do município, em 1944.Mesmo depois de se mudar para o Rio de Janeiro, em 1955, João continuou passando os verões em Canela. Gostava do campo, dos cavalos e cultivava desde a juventude o interesse pelo gauchismo. No Rio, presidiu a Sociedade Sul-Rio-Grandense e manteve amizade próxima com Paixão Côrtes. Segundo Pedro, os dois viajaram pelo interior do Estado registrando músicas, histórias e costumes.João também conhecia o turismo praticado fora do Rio Grande do Sul. Envolvido com o projeto do Panorama Palace Hotel, no Rio de Janeiro, mantinha contato com empresários e pessoas ligadas ao setor. Em suas viagens, observava hotéis, clubes e atrações e voltava com referências e anotações. “Ele trouxe uma série de ideias de parques temáticos dos Estados Unidos, como o Knott’s Berry Farm, o Busch Gardens e a própria Disneylândia”, conta Pedro.Na cabeça de João, essas referências encontraram um lugar. Canela recebia veranistas e buscava novos caminhos para sua economia. Faltava uma atração permanente, capaz de funcionar durante o ano inteiro. A cultura gaúcha ofereceu o tema. Os parques visitados no exterior forneceram o modelo. Dessa combinação nasceu a Gaucholândia. João Kessler Coelho de Souza A IDEIA GANHA TERRENO Para levar o projeto adiante, João precisava de uma área grande, investidores e parceiros em Canela. Encontrou o terreno e um aliado em Dante Bertoluci, amigo de muitos anos, que colocou à disposição uma propriedade nos fundos do aeroporto, onde mais tarde se formaria a Vila Dante.Naquela temporada, João ficou hospedado na casa da família Bertoluci. Hilda Eloiza Alves Bertoluci, a Dida, tinha cerca de 20 anos e viu o projeto entrar na rotina da casa. “Ele veio com o propósito de criar um Parque do Gaúcho”, recorda. Segundo ela, João falava com entusiasmo e tinha uma oratória capaz de tornar a proposta convincente.Dante costumava ser cauteloso diante de grandes empreendimentos. Mesmo assim, abraçou a Gaucholândia. Dida acredita que pesaram a amizade com João, a possibilidade de transformar a terra em fonte de renda e o potencial de criar um novo atrativo turístico para Canela.O lugar ainda guardava uma paisagem rural. Dida lembra de um terreno plano, cortado por um riacho, com muitos eucaliptos e poucos pinheiros. Numa das extremidades havia uma grande ribanceira e uma trilha. Ao longe, era possível avistar a capelinha da Linha 28.Mesmo dividido entre Canela e o curso de Engenharia, Pedro acompanhava as articulações. Segundo ele, João trouxe para a sociedade amigos do Rio de Janeiro e também procurou acionistas em Canela. Aos poucos, possíveis investidores começaram a visitar as terras atrás do aeroporto.As visitas muitas vezes terminavam em churrasco. Dida recorda das famílias reunidas e das plantas abertas sobre as mesas. Havia conversa, curiosidade e entusiasmo. Compromisso financeiro, porém, era outra história. “Muitos iam comer churrasco e depois iam embora”, resume.Até que um desses encontros ganhou caráter oficial. No dia 27 de fevereiro de 1972, a Gaucholândia seria apresentada publicamente. Charretes em circulação pela área da Gaucholândia, em 1972. Os passeios estavam entre as atrações do parque. O GRANDE CHURRASCO No dia 27 de fevereiro de 1972, cerca de cem pessoas se reuniram nas terras de Dante Bertoluci, segundo a lembrança de Pedro. O churrasco marcou a fundação da Gaucholândia e apresentou publicamente o projeto. Nos materiais preservados pela família, o empreendimento aparece sob a razão social Organização Sul Rio-Grandense da Indústria de Hotéis e Turismo S.A. As fotografias daquele dia e um recorte da imprensa de Porto Alegre registram a presença do tradicionalista Paixão Côrtes; do prefeito de Canela, Bertholdo Oppitz; do poeta e
Dom de Sucre: a arte de servir um intervalo
Macarons: clássico francêsFoto: Adriana Silveira Seguindo o meu roteiro pelos cafés de Canela e Gramado, fui conhecer o Dom de Sucre. Entre um atendimento e outro aos meus clientes, sempre que posso, faço uma pausa, mesmo que pequena, para desacelerar, absorver o que o dia já trouxe e me preparar para os compromissos seguintes. Muitas vezes, esse ritual de sentar-se diante de uma xícara fumegante de chá ou café enquanto reviso a agenda ou aprovo uma ação, é como um presente. Como aprecio e escrevo sobre gastronomia, é claro que não deixo de provar algo para compartilhar com os leitores.Há cafés que servem bebidas. Outros oferecem um intervalo. Flores frescas, livros e quadros Hoje apresento o Dom de Sucre, um café charmoso que fica na Avenidas das Hortênsias, em Gramado. Logo na entrada, a trilha sonora conduz o ritmo da visita com um old jazz no volume certo (aquele que não perturba). A decoração também tem delicado equilíbrio. Poltronas convidativas, iluminação quente, estantes repletas de livros, flores frescas sobre as mesas, divisórias que criam pequenos refúgios e louças delicadas, que transformam cada serviço em um gesto de cuidado. Até o cardápio merece alguns minutos de contemplação. Antes mesmo de apresentar os pratos, ele conta histórias. Fala da Torre Eiffel como “A Dama de Ferro”, relembra sua construção para a Exposição Universal de 1889 e faz da gastronomia um passeio pela cultura francesa. Narrativa no cardápio Sanduíche Luís XV, sabores a descobrirFoto: Adriana Silveira Cada item do cardápio desperta um desejo por novos sabores. O Croissant Joana D’Arc une creme de avelã, queijo brie e damasco. O Croissant Torre Eiffel combina morangos, chocolate branco e pistache sobre a massa folhada amanteigada. Entre os sanduíches, o clássico Croque Madame surge exatamente como se espera de um legítimo café parisiense: pão brioche, queijo gruyère, mostarda Dijon, presunto e um ovo com gema mole coroando o conjunto. Já o Anton Eco revela uma combinação ousada de mortadela Bologna, muçarela de búfala, pesto, pistache e um delicado toque de mel. Para quem aprecia sabores delicados, o Croissant Provençal, com abacate, muçarela de búfala, tomate-cereja e pesto, traduz muito bem a leveza da cozinha mediterrânea que tanto dialoga com os cafés franceses contemporâneos. Brunch, um deleite O brunch também merece destaque. Inspirado no lendário Café Angelina, fundado em Paris em 1903, reúne croissants, ovos mexidos com queijo brie e abacate, waffles, frutas frescas, iogurte artesanal com granola e mel, espumante e chocolate quente em uma composição pensada para duas pessoas. Mais do que um café da manhã reforçado, é um convite para prolongar a conversa. Chá e waffle Waffle, morangos e calda quente de chocolateFoto: Adriana Silveira Na minha mesa, escolhi um waffle servido com morangos frescos e calda quente de chocolate, acompanhado de um delicado chá de infusão preparado em um bule de vidro que permitia observar lentamente as ervas e flores liberando aromas e cores de camomila, gengibre, laranja e alecrim na água quente. Um ritual simples, mas muito reconfortante. Cafés na prensa francesa Também me chamou atenção o cuidado dedicado aos cafés especiais preparados na prensa francesa. O cliente pode escolher diferentes perfis sensoriais dos grãos, do Arábica Clássico, com notas de chocolate, caramelo e mel, ao Arábica Entardecer, que entrega nuances de maçã verde, pera, pêssego e especiarias. Detalhes que contam histórias Enquanto observava os detalhes – os macarons protegidos sob a redoma de vidro, a pequena Torre Eiffel decorando o balcão, as porcelanas florais, os arranjos coloridos e as referências discretas espalhadas pelo ambiente – percebi que o Dom de Sucre compreende algo que muitos estabelecimentos ainda ignoram. A gastronomia começa muito antes de provar qualquer prato. O Dom de Sucre conseguiu trazer para Gramado não apenas receitas, mas preservar um modo de viver em que um café nunca é apenas um café. É um encontro com a beleza das pequenas pausas. E isso, convenhamos, sempre será um excelente motivo para voltar.
Social da Luísa Rodrigues
Os sócios Sue Tatsch e Eddie Costa receberam a imprensa para apresentar a Casa Terroir, inaugurada nesta semana. O novo empreendimento reúne uma seleção especial de produtos e sabores, com diversas opções deliciosas para levar para casa ou apreciar no próprio local, em um ambiente acolhedor e cheio de charme. Foto: Luísa Rodrigues Diego e Daniela Noel receberam Zeca Lima em um agradável encontro na Churrascaria Garfo e Bombacha. O momento foi marcado por boa conversa, hospitalidade e confraternização. Foto: Divulgação Tita Ecker e Enzo Ecker receberam a imprensa para um delicioso happy hour no Il Piacere. Os convidados desfrutaram momentos agradáveis e uma excelente gastronomia. Foto: Luísa Rodrigues Edu Bittencourt e Cleberson Andrade celebraram o lançamento da nova linha de óculos Caver, desenvolvida em collab com o Olivas de Gramado. A novidade une design, identidade e inspiração em um dos destinos mais emblemáticos da Serra Gaúcha, marcando mais um momento de inovação e parceria. Foto: Renata Willrich No Hotel do Chocolate, um encontro que reuniu nomes de destaque em um ambiente de muita conexão e boas conversas. Na foto, Daniel Rodolfo, Eduardo Zorzanello, Daniela Gallassini, Débora Dilkin, Luiz Moreira e Peter Keivel, em um momento especial de confraternização e networking. Foto: Divulgação
Social da Samanta
Eduardo Zorzanello e Marta Rossi receberam o Troféu Personalidades, Organizações e Empresas Influentes do Brasil 2026, concedido recentemente pelo Jornal MG Turismo por uma trajetória em prol do turismo brasileiro. Foto: Divulgação Em São Paulo, curtindo o show de Harry Styles, Giovana Ramisch! Foto: Divulgação Raquel Coelho e Hugo Santa Rosa na icônica festa Balonê, no Magnólia! Foto: Divulgação Marcela Muttoni Cechin, Head Imobiliário Baumhaus cheia de estilo e competência! Foto: Divulgação UM DIA NO QUINTAL No dia 25/07, a partir das 11h, a Casa 509 recebe mais uma edição do evento Um Dia no Quintal. Para o Especial de inverno a Casa 509 reuniu marcas autorais, música boa, gastronomia, presentes, decoração, moda, artesanato, antiguidades e flores para deixar o sábado perfeito. O endereço Rua Gravataí, 200, em Canela se prepara para receber: Casa Ortmann, Folharada, Magnólia, Maria´s Disco Vinil, Chic Shack Antiguidades, Reviravolta, Artezanina, Bia Verdi, Daniel Castelli, Ângela de Oliveira, Chaihara Boutique, Ollivah Luz e Aromas. Foto: Divulgação
A CHEGADA DOS CARROS VOADORES
CANELA SENDO CANELA A polêmica do último final de semana foi motivada por problemas estruturais que ocorreram pouco antes da abertura da Festa Colonial. Horas depois o problema foi resolvido, o evento teve recordes de vendas, mas as críticas do “Canela sendo Canela” foram mais fortes.Para superar esta “síndrome de vira-lata”, conforme lembrado pelo prefeito Gilberto Cezar (PSD), se requer alguns pré-requisitos: 1 – O canelense tem que acreditar mais no potencial do município; 2 – Não se deve esperar pela iniciativa do poder público. Cada morador pode tomar iniciativa de destacar os aspectos positivos e divulgar; 3 – Dar demonstrações concretas de crença em Canela, desde a reforma de uma casa até o investimento em um novo negócio.São premissas singelas, eu sei. Mas isso já fez efeito em outros grandes centros turísticos do planeta. HARD ROCK HOTEL As obras do Hard Rock & Vacation Club Hotel Gramado seguem em ritmo acelerado e ganham cada vez mais volume no canteiro de obras. Com diferentes etapas sendo executadas simultaneamente, o empreendimento consolida o avanço do cronograma e evidencia a evolução física de um dos maiores projetos hoteleiros em desenvolvimento na Serra Gaúcha.Atualmente, as equipes trabalham na montagem das estruturas pré-moldadas, na execução das fundações, na terraplanagem das futuras frentes construtivas e no detalhamento dos projetos complementares de engenharia. A atuação integrada dessas frentes permite otimizar o cronograma, garantindo que diferentes fases avancem paralelamente e contribuindo para a evolução contínua da obra.De acordo com a Head de Incorporação e Engenharia da Mundo Planalto, Mariana Capeletti, o momento é de intensa atividade no canteiro de obras. “Hoje contamos com várias frentes de trabalho acontecendo simultaneamente, incluindo a montagem das estruturas pré-moldadas, a execução das fundações, a terraplanagem das futuras etapas da obra e o desenvolvimento dos projetos complementares de engenharia. Mês a mês, a obra vai ganhando corpo. O Hard Rock Hotel & Vacation Club Gramado já é uma realidade e seguimos muito animados e comprometidos em cumprir nosso compromisso com nossos clientes e com a cidade de Gramado”, afirma. TERMINA HOJE Está aberta a votação para a Consulta Popular 2026. Até este sábado (26), os moradores de Canela e demais municípios da região que possuem título de eleitor podem ajudar a definir a destinação dos recursos do Governo do Estado, escolhendo a prioridade que receberá investimentos locais.Neste ano, o Corede Hortênsias oferece duas propostas: Turismo: Recursos voltados para melhorias em infraestrutura, sinalização e estratégias de marketing turístico; Esporte e Lazer: Verba destinada para a revitalização ou criação de novos espaços esportivos, áreas de lazer e praças.A votação é rápida, digital e pode ser feita através do site oficial vota.rs.gov.br. DOLCE & GABBANA Gramado sempre atrai grandes marcas nacionais, especialmente na temporada de inverno. Neste sábado (25), porém, uma grande marca internacional da moda promove uma experiência com sua mais recente coleção, entre 10 e 19 horas, na loja D’Gregio (avenida Borges de Medeiros, 2947). GREENVALLEY Chegando ao seu 15° ano, a festa Greenvalley Gramado deste ano contará com nomes como Doozie, Kevin Brauer, Script e o fenômeno mundial Vintage Culture, entre outros.Responsável por colocar o Brasil no mapa da e-music global, Vintage Culture retorna a Gramado como atração maior da noite de 22 de agosto. Presença confirmada nos maiores festivais do mundo, como Burning Man, Tomorrowland, Ultra Music Festival e Coachella, o artista acumula milhões de ouvintes mensais nas plataformas digitais e ocupa posição de destaque entre os DJs mais influentes do mundo. Seu repertório combina grandes produções autorais com performances que se tornaram grandes referências internacionais. 20BARRA9 Desde a semana passada, o 20Barra9 iniciou uma operação temporária no Parque do Caracol, em Canela, com a abertura do trailer Anexo/9. A iniciativa antecipa ao público uma prévia da proposta do restaurante do grupo a ser inaugurado em alguns meses no Mirante da Cascata. O 20Barra9 é uma referência em assados de carne, com operações em Porto Alegre e Canela. QUARTO TEMÁTICO No último dia 15, o presidente do Grêmio, Odorico Roman, recebeu em seu gabinete representantes do Consulado do Grêmio de Gramado para conhecer o projeto que será implantado no Hospital Arcanjo São Miguel. A proposta prevê a transformação de um dos leitos da instituição em um quarto temático do Tricolor, oferecendo um ambiente mais acolhedor aos pacientes atendidos pelo hospital.
MARTA E EDUARDO
Não há como acompanhar as trajetórias de Marta Rossi e Eduardo Zorzanello sem compará-las a um perfeito exemplo de mutualismo humano. Roubei o primeiro termo da biologia e apliquei o “humano” pois acho que explica bem como duas partes interagem e se beneficiam. Gramadenses que constroem diariamente uma trajetória de sucesso sustentada por uma relação tão profissional quanto afetiva, Marta e seu sócio, na verdade, estendem para o turismo da cidade, do Estado e do país o bem que causam a si próprios, ao trabalharem juntos. São duas gerações que se completam, uma se rejuvenescendo, outra amadurecendo, com a troca de expertises. A Marta que criou, com Silvia Zorzanello, o Festuris Gramado e a Chocofest há mais de trinta e cinco anos, não diminuiu o ímpeto com o sofrimento da perda da parceira, em 2010. Absorveu o golpe e foi premiada pelo sopro de renovação trazido pelo advogado Eduardo. Ele foi introduzido no cenário do turismo brasileiro pela já experiente e respeitada Marta e honra ocupar o posto de sucessor da mãe, Silvia, com grandes iniciativas que, discutidas com a sócia, tornam-se sucesso. Se Eduardo teve uma grande professora de turismo e de vida em casa, a que ele tem no dia a dia, Marta, viu o aprendiz se tornar tão mestre quanto ela é. ELES SÃO A ALEGRIA DA COLÔNIA A Festa Colonial de Canela inova ao introduzir na sua programação uma dupla de mestres de cerimônias com jeitão de interior. Os atores Carla Reis e Cristiano Silveira (à esqueda) emprestam o corpo e a voz para as personagens Paulina e Miguel, que anunciam, por meio de sotaques engraçados e trejeitos, as coisas boas que vão se sucedendo na Festa. Nas intervenções Allegria della Colonia, a dupla aproxima a plateia da programação e, mais do que assistir, o público também participa. Carla é só felicidade ao fazer a personagem porque tem carinho e respeito pelo nosso interior e, com a Paulina, quer passar o carisma que sente naquelas famílias. Já Cristiano, volta a representar o Miguel porque adora a caracterização desse colono, eloquente e emocionado. O humor do Allegria della Colonia, que é apresentado nas sextas, sábados e domingos da Festa Colonial, não para na praça. Invadiu as redes sociais e já existe o perfil no Instagram @influencersdacolonia, com mais personagens divertidos, que divulgam as apresentações na Festa Colonial. Por falar (acima) em Carla Reis, a moça dará seu testemunho de vida no encontro da quarta-feira (29) da série Narrativas. Marco Aurélio Alves e Camila Heidrich comandam. É no Sicredi da Dona Carlinda, em Canela, às 19:30. Entrada franca. DE KOMBI NO MUNDO – XXX Típica de viajantes que estão sempre se sentindo em casa, porque viajam na própria, a jornada de Luiz Alberto e Márcia Oliveira, de Mossoró (RN) até a Região das Hortênsias, durou 13 meses. Porque o Brasil mais bem aproveitado é aquele que pode ser curtido, partindo lá de cima, de recanto em recanto. Saíram em novembro de 2024 e, de Gramado, continuarão no rumo sul. Depois do Mercosul, a Kombihome 1993 “subirá” o Brasil novamente, até a Venezuela. Grandes planos, sem pressa de concretizar. Acompanhe um pouco do dia a dia de Márcia e Luiz no Instagram @homepenaestrada.
O que a paternidade pode ensinar sobre investimentos
No último ano, eu e minha esposa nos preparamos para a chegada do nosso primeiro filho. A preparação exigiu estudos, conversas e a busca por profissionais que pudessem nos orientar da melhor maneira possível, sempre buscando respeitar o processo natural da vida. Aprendemos, nesse período, que buscar esclarecimento é tão importante quanto refletir sobre o conhecimento que adquirimos. E quando se trata de ter filhos, não é diferente de qualquer outra área da vida: existem várias linhas de estudo, métodos e formas de conduzir a criação. Cada família, naturalmente, se sentirá mais atraída por aquilo que melhor se encaixa em seus valores e princípios. Essa talvez seja uma das primeiras semelhanças que encontrei com os investimentos. Antes de escolher onde investir, é preciso entender quem está investindo. Seus objetivos, suas necessidades, seus valores e principalmente, aquilo que faz sentido para sua vida. Uma oportunidade pode parecer extraordinária, mas se não estiver alinhada com o que você busca, talvez não seja uma boa escolha. Aqui em casa, fugimos dos extremismos. Buscamos uma alimentação saudável, sem privações; atividades físicas, sem pressão por padrões estéticos; e conhecimento, sem beirar o fanatismo. O bom e velho caminho do meio, que, na maioria das vezes, tende a nos levar para frente. Nas finanças, penso de maneira semelhante. Gosto de criptomoedas, mas não acredito em alocações exageradas. Gosto de inteligência artificial e tecnologia, mas reconheço que toda inovação carrega riscos. Gosto de títulos atrelados à inflação, mas dentro do que faz sentido para cada carteira. Em resumo, gosto de rentabilidade, mas não acredito em ganhos rápidos e fáceis. A paternidade também me mostrou que não existe uma fórmula pronta. Nas primeiras horas após a chegada do Joaquim, a identificação com aquele pequeno ser, frágil e indefeso, foi imediata. Mas, diferente da mãe, que já está conectada há nove meses, acredito que, para o pai, o amor seja algo que também se constrói dia após dia. Em momentos de carinho, acolhimento, compreensão e, muitas vezes, incompreensão seguida de tolerância. Essa incompreensão é consequência da nossa própria incapacidade de suprir tudo aquilo de que aquele pequeno ser precisa. Seu corpo está se desenvolvendo e novos desafios começam a surgir: as cólicas, os gases, o choro sem uma causa aparente e a dificuldade de entender um mundo completamente diferente daquele dentro do útero. Com os investimentos, não é muito diferente. Quem começa a investir também passa por um processo de aprendizado. No início, alguns produtos parecem complexos, as oscilações incomodam e nem sempre é fácil compreender por que algo que parecia uma boa escolha não se comportou como esperado. Com o tempo, porém, os movimentos do mercado começam a fazer mais sentido e o investidor amadurece. É por isso que, quando conheço um novo cliente, costumo dizer que prefiro evitar novidades e tendências do momento. Gosto de trabalhar o simples e fazê-lo bem. Aos poucos, com o tempo e o amadurecimento da estratégia, podemos sofisticar o portfólio de maneira pontual, sempre respeitando o perfil de cada pessoa. Existe, porém, uma palavra de que não gosto quando falamos de investimentos: “apostar”. Eu jamais apostaria na educação do meu filho. Eu invisto em princípios nos quais acredito e que, com tempo, dedicação e consistência, espero que tragam bons resultados. Nas finanças, penso da mesma maneira. Um investidor que está saindo da caderneta de poupança ou do clássico LCA/LCI de um ano e buscando proteger seu patrimônio, aplicando em produtos mais adequados para cada objetivo, também precisará de tempo para amadurecer. Haverá momentos de desconforto, dúvidas, preocupação e até a sensação de não ter controle sobre o que está acontecendo.Mas, assim como na paternidade, quando existe orientação, consistência e paciência, o processo tende a ficar mais claro. Afinal, com o andar da carruagem, as melancias se ajeitam. Talvez essa seja uma das maiores lições que a paternidade tem me ensinado: algumas das coisas mais importantes da vida não podem ser aceleradas. Elas precisam ser construídas.
Record e RBS
A decisão da Record de instalar seu estúdio de inverno em Canela e da RBS TV de manter sua operação especial em Gramado vai muito além da cobertura jornalística da temporada. Trata-se de uma estratégia de posicionamento. Ao transferirem parte de sua programação para a Serra Gaúcha, as emissoras deixam de apenas noticiar o inverno e passam a fazer parte dele. Reforço e relevância A paisagem torna-se cenário, o cotidiano vira conteúdo e a proximidade com moradores, turistas e empreendedores fortalece a percepção de relevância regional. Em um ambiente onde a atenção é disputada em tempo real, estar fisicamente onde os acontecimentos acontecem é uma forma inteligente de reforçar autoridade, ampliar audiência e estreitar a relação com o público. Garimpo de Design A Goods Br está realizando até este domingo, dia 26, a terceira edição da Mega Stock, que chega como o grande garimpo de design, com descontos de até 70%. Quer for conferir irá encontrar poltronas, mesas, cadeiras, decoração, utilitários e um total de mais de oito mil itens em quatro andares de estoque. O atendimento ocorre das 9h às 17h na Goods Br Distribuidora, no Vale das Montanhas, Avenida 1º de Maio, 3.400, Várzea Grande, Gramado. Dauper No dia 10 de julho a Dauper anunciou a marca de 500 dias sem acidentes com afastamento no trabalho. Essa, que é uma das maiores empresas de Canela, destaca que esse não é apenas um dado numérico, pois representa o compromisso diário com a vida e com a cultura que vai além do papel e está presente nas atitudes diárias. Cristais Gramado A Cristais Gramado, referência nacional na produção do cristal Murano e atração turística da Serra Gaúcha, anunciou novos projetos inspirados em grandes distritos criativos internacionais, como o Miami Design District. Arte e cultura “Nós seremos uma atração de arte e cultura para quem visita Gramado, estamos investindo em cenários e tecnologia para tirar o fôlego e transportar as pessoas para cidades como Veneza e Paris, e uma renovação na atração que une cristal, arquitetura, luxo, storytelling, design e experiências imersivas”, explica Lika Sauer, sócia e CEO da empresa. Futuro parque Além do novo posicionamento, a empresa está investindo em novas experiências sensoriais e imersivas, em uma estratégia única para produtos de luxo e, também, projeta a inauguração de um futuro parque voltado às artes e eventos. Sua vez Os temas que trago aqui são fruto de muitas conversas que tenho com clientes, amigos e com o mercado como um todo. Então não deixe de enviar a sua sugestão ou reflexão também. adriana@ateraz.com.br
NELSON, OS VIRA-LATAS E NÓS
Nelson Rodrigues criou uma expressão que atravessou décadas: a “síndrome de vira-latas”. A expressão surgiu após a derrota da seleção brasileira de futebol para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã. Para ele, a perda do título não ocorreu apenas por fatores técnicos, mas porque os próprios jogadores e a torcida brasileira entraram em campo sentindo-se inferiores aos europeus. O termo ganhou vida própria, como costuma acontecer com as palavras que encontram o caminho da boca alheia. Canela, como tantas cidades, também parece atravessar esses dias de palavras aceleradas. Há uma inquietação no ar, nos grupos de whatsapp pessoas opinam, questionam, defendem, atacam, interpretam. E isso, em si, não é necessariamente ruim, afinal uma cidade viva precisa conversar. A crítica é parte da vida pública, o questionamento é saudável, a discordância é necessária. O problema começa quando toda crítica passa a ser tratada como ofensa e toda discordância como inimigo. Talvez seja aí que devêssemos lembrar da origem daquela expressão de Nelson Rodrigues, para pensar sobre o que fazemos com as palavras que herdamos. Porque existe uma diferença entre utilizar uma expressão para provocar uma reflexão e utilizá-la para diminuir alguém. A palavra pode ser a mesma. A intenção, não. Somos responsáveis pelo que falamos (deveríamos ser), especialmente quando falamos em público, diante de muitas pessoas ou ocupando um lugar de autoridade. Quanto mais alto o lugar de onde vem a voz, mais longe ela chega. Uma frase dita numa mesa pode morrer entre quatro paredes. A mesma frase, dita de um púlpito, de um microfone ou de uma posição de autoridade, pode ganhar pernas, braços e uma vida própria. O problema é que as palavras, depois de lançadas, não aceitam muito bem o arrependimento, não há botão de desfazer. Por isso a elegância continue sendo uma qualidade tão subestimada. Elegância não é concordar com todo mundo, não é abrir mão das convicções. É saber que é possível responder sem humilhar, compreender que uma crítica não precisa ser uma agressão. No fim, quem sabe, exista uma síndrome muito mais comum do que a dos vira-latas, a síndrome de acreditar que toda palavra que sai da nossa boca continua sendo nossa. Uma ilusão! Não continua. Depois que é dita, a palavra ganha o mundo. E nesse mundo atual todos nós estamos precisando urgentemente reaprender a ouvir, antes de responder, de acusar e de transformar uma pergunta em ataque e uma discordância em guerra. Nelson Rodrigues conhecia como poucos a tragédia humana, provavelmente dissesse hoje que o problema nunca foi ser “vira-lata”, há vira-latas de uma dignidade admirável e cães de pedigree capazes de morder a própria sombra. O problema está naquilo que fazemos quando recebemos uma voz, um microfone ou simplesmente um grupo de WhatsApp. Que mundo estamos ajudando a construir com as palavras que escolhemos dizer?
O doce e os italianos
(Na rapa do tacho …) Nem só de salame, queijo e vinho vivem os italianos! No livro “Assim vivem os italianos” (Rovílio Costa e Arlindo I. Batistel) temos vários exemplos… Depoimentos “in loco” da família Costella. Figada, uvada, maçanada (e outros doces): “Recolhíamos os figos bem maduros, quando já faziam aquela gotinha d’água; tomávamos três quilos dessa massa pronta, moída com a máquina de salame e um quilo de açúcar”. – A uvada – “Retirávamos a uva do cacho, grão por grão, e se limpava para que não ficasse qualquer sujeira. Jogávamos no tacho, fazíamos fogo e depois de uma fervura, passávamos na peneira”. – Como era feita a peneira? – “Era um tipo de peneira, furada com um prego, tipo das peneiras compradas. Para a uvada precisava mais açúcar. Fazíamos uma uvada chamada de quarenta minutos, para esta precisava um quilo de açúcar para cada quilo de massa. Esta era melhor. Era um tipo de geléia. Ficava um pouco mole. Gelatinosa. Dava para colocar em caixas e também em vidros”. – A maçanada – “Fazia-se da mesma maneira da uvada. Quilo por quilo. Ou, se as maçãs eram bem maduras, podia-se colocar 800 gramas de açúcar para um quilo de maçãs, limpas, prontas”. O melado – “Adocicávamos o café, fazíamos rapaduras com ou sem amendoins, fazíamos melado para passar sobre o pão. O melado era feito como o açúcar, da mesma maneira, com a diferença de que, antes de endurecer, a ponto de granular como para fazer açúcar, o retirávamos do fogo, porque já estava pronto. Para fazer rapaduras, tínhamos os moldes, a que chamavam uma vez de stampo…” Costumes ligados aos imigrantes italianos que, com sua fé e trabalho, promoveram o progresso e a cultura do Rio Grande do Sul. E, neste sábado, 25 de julho, completamos exatos 42 anos de “casa” com o espaço Tradição e Folclore – e agora o Folcloreando. Na verdade, começamos no dia 25 de julho de 1984 (e já são mais de 2.100 textos) nas páginas do Nova Época… o jornal da nossa terra!!!