Macarons: clássico francês
Foto: Adriana Silveira
Seguindo o meu roteiro pelos cafés de Canela e Gramado, fui conhecer o Dom de Sucre. Entre um atendimento e outro aos meus clientes, sempre que posso, faço uma pausa, mesmo que pequena, para desacelerar, absorver o que o dia já trouxe e me preparar para os compromissos seguintes. Muitas vezes, esse ritual de sentar-se diante de uma xícara fumegante de chá ou café enquanto reviso a agenda ou aprovo uma ação, é como um presente. Como aprecio e escrevo sobre gastronomia, é claro que não deixo de provar algo para compartilhar com os leitores.
Há cafés que servem bebidas. Outros oferecem um intervalo.
Flores frescas, livros e quadros
Hoje apresento o Dom de Sucre, um café charmoso que fica na Avenidas das Hortênsias, em Gramado. Logo na entrada, a trilha sonora conduz o ritmo da visita com um old jazz no volume certo (aquele que não perturba). A decoração também tem delicado equilíbrio. Poltronas convidativas, iluminação quente, estantes repletas de livros, flores frescas sobre as mesas, divisórias que criam pequenos refúgios e louças delicadas, que transformam cada serviço em um gesto de cuidado. Até o cardápio merece alguns minutos de contemplação. Antes mesmo de apresentar os pratos, ele conta histórias. Fala da Torre Eiffel como “A Dama de Ferro”, relembra sua construção para a Exposição Universal de 1889 e faz da gastronomia um passeio pela cultura francesa.
Narrativa no cardápio

Sanduíche Luís XV, sabores a descobrir
Foto: Adriana Silveira
Cada item do cardápio desperta um desejo por novos sabores. O Croissant Joana D’Arc une creme de avelã, queijo brie e damasco. O Croissant Torre Eiffel combina morangos, chocolate branco e pistache sobre a massa folhada amanteigada. Entre os sanduíches, o clássico Croque Madame surge exatamente como se espera de um legítimo café parisiense: pão brioche, queijo gruyère, mostarda Dijon, presunto e um ovo com gema mole coroando o conjunto. Já o Anton Eco revela uma combinação ousada de mortadela Bologna, muçarela de búfala, pesto, pistache e um delicado toque de mel. Para quem aprecia sabores delicados, o Croissant Provençal, com abacate, muçarela de búfala, tomate-cereja e pesto, traduz muito bem a leveza da cozinha mediterrânea que tanto dialoga com os cafés franceses contemporâneos.
Brunch, um deleite
O brunch também merece destaque. Inspirado no lendário Café Angelina, fundado em Paris em 1903, reúne croissants, ovos mexidos com queijo brie e abacate, waffles, frutas frescas, iogurte artesanal com granola e mel, espumante e chocolate quente em uma composição pensada para duas pessoas. Mais do que um café da manhã reforçado, é um convite para prolongar a conversa.
Chá e waffle

Waffle, morangos e calda quente de chocolate
Foto: Adriana Silveira
Na minha mesa, escolhi um waffle servido com morangos frescos e calda quente de chocolate, acompanhado de um delicado chá de infusão preparado em um bule de vidro que permitia observar lentamente as ervas e flores liberando aromas e cores de camomila, gengibre, laranja e alecrim na água quente. Um ritual simples, mas muito reconfortante.
Cafés na prensa francesa
Também me chamou atenção o cuidado dedicado aos cafés especiais preparados na prensa francesa. O cliente pode escolher diferentes perfis sensoriais dos grãos, do Arábica Clássico, com notas de chocolate, caramelo e mel, ao Arábica Entardecer, que entrega nuances de maçã verde, pera, pêssego e especiarias.
Detalhes que contam histórias
Enquanto observava os detalhes – os macarons protegidos sob a redoma de vidro, a pequena Torre Eiffel decorando o balcão, as porcelanas florais, os arranjos coloridos e as referências discretas espalhadas pelo ambiente – percebi que o Dom de Sucre compreende algo que muitos estabelecimentos ainda ignoram. A gastronomia começa muito antes de provar qualquer prato. O Dom de Sucre conseguiu trazer para Gramado não apenas receitas, mas preservar um modo de viver em que um café nunca é apenas um café. É um encontro com a beleza das pequenas pausas. E isso, convenhamos, sempre será um excelente motivo para voltar.





