Durante quase quatro décadas, centenas de crianças atravessaram as portas da Academia Neusa Martinotto para aprender passos, coreografias e técnicas. Mas, para muitas delas, o que ficou não foi apenas a dança. Ficaram amizades, disciplina, confiança, memórias de palco, viagens, festivais e uma relação afetiva construída dentro de um espaço que se tornou parte da história cultural de Canela. Em 2026, a Academia Neusa Martinotto completa 37 anos de trajetória. Um tempo que atravessa gerações e acompanha as próprias transformações da cidade. Ao longo desse período, alunos cresceram, se tornaram adultos, tiveram filhos e hoje retornam levando uma nova geração para as aulas. Em muitos casos, a ligação criada com a dança nunca terminou. “Pra mim é muito orgulho saber que consegui transmitir o amor que tenho pela dança para muitas bailarinas e bailarinos”, resume Neusa. O que começou de forma simples se consolidou como uma das referências da dança na região, formando bailarinos, produzindo espetáculos e mantendo viva uma atividade cultural que atravessou mudanças econômicas, sociais e comportamentais ao longo de quase quatro décadas. A história começou antes mesmo da academia existir oficialmente. Ainda em São Francisco de Paula, Neusa dava aulas dentro da Escola José de Alencar. No fim daquele ano, uma apresentação organizada apenas para mostrar o trabalho desenvolvido acabou mudando o rumo da sua vida. “O sucesso foi tão grande que mães de meninas que nem estudavam ali vieram falar comigo para que eu montasse um espaço próprio”, relembra Neusa. A partir dali, veio a decisão de buscar formação fora da cidade, ela passou a se aperfeiçoar em ballet clássico, jazz e sapateado americano, entendendo que aquela paixão poderia se transformar em algo maior. “Foi ali que vi que uma paixão poderia se tornar algo além”, conta. DANÇARINOS formados por Neusa Martinotto brilham nos palcos Brasil aforaFoto: Nando Espinosa A ESCOLA QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES Com o passar dos anos, a academia cresceu junto com a própria cidade de Canela. Vieram os espetáculos anuais, os festivais, as apresentações e a construção de uma relação profunda com famílias que passaram a acompanhar a trajetória da escola geração após geração. Ao longo desses 37 anos, milhares de alunos passaram pela academia. Alguns seguiram carreira profissional na dança. Outros levaram a experiência artística para diferentes áreas da vida. Muitos simplesmente permaneceram ligados afetivamente ao espaço. Hoje, uma das cenas que mais emocionam Neusa acontece justamente nos reencontros. “Me emociona ver que deixei marcas positivas na vida delas e que muitas fizeram da dança sua profissão, ” afirma. Ela conta que ex-alunos ainda visitam a academia, acompanham espetáculos e levam os filhos para conhecer o lugar onde cresceram. “Já tenho filhas de ex-alunas fazendo aula conosco.” Mais do que ensinar técnica, a escola acabou criando vínculos humanos duradouros. Em uma cidade marcada pelo turismo e pelas transformações constantes, a academia se manteve como um espaço de permanência, convivência e formação artística. Ao longo da trajetória, grupos da academia participaram de festivais importantes da dança gaúcha, conquistaram premiações e ampliaram o reconhecimento do trabalho desenvolvido em Canela. Paralelamente, a escola também expandiu modalidades e linguagens, incorporando jazz, dança contemporânea, sapateado e outras expressões artísticas ao longo dos anos. RESISTIR FAZENDO CULTURA Manter uma escola de dança ativa durante quase quatro décadas exigiu persistência. Neusa fala sobre um caminho marcado por desafios financeiros, mudanças culturais e pela necessidade constante de defender o valor da arte. “Uma das maiores dificuldades foi perceber que a cultura ainda precisa lutar constantemente por reconhecimento,” lamenta. Ela destaca que muitas pessoas ainda enxergam a arte apenas como atividade complementar, quando, para muitos profissionais, ela representa trabalho, renda e transformação social. “Muitas pessoas ainda enxergam a arte apenas como hobby, quando, na verdade, ela é profissão, educação, transformação e sustento para muitas famílias,” ressalta Neusa. Os períodos de crise econômica, as dificuldades enfrentadas pelo setor cultural e até momentos em que continuar parecia impossível fazem parte da memória dessa caminhada. Ainda assim, a dança permaneceu como eixo central da sua vida. “Trabalhar com arte no Brasil nunca foi fácil. Muitas vezes precisamos lutar para mostrar que a dança é muito mais do que entretenimento”, diz Neusa. Ao longo desse período, Canela também consolidou sua vocação cultural e turística. E a academia acompanhou esse movimento, participando da formação artística de diferentes gerações da cidade. UM LEGADO QUE CONTINUA Ao falar sobre a trajetória construída, Neusa retorna diversas vezes à importância da família. Não apenas pelo apoio recebido nos momentos difíceis, mas porque a dança acabou se transformando em um legado familiar. “Minha família sempre foi à base de tudo,” resume ela. Hoje, a filha Priscila Martinotto trabalha ao lado da mãe na academia. O filho Fernando Martinotto também seguiu ligado à arte, atuando como produtor cultural na região. “Ver que aquilo que começou como um sonho se transformou em uma herança de amor pela cultura é uma das maiores conquistas da minha vida,” afirma Neusa. A ligação da família com a cultura também ganhou forma em outros projetos desenvolvidos em Canela, ampliando espaços voltados à arte e às manifestações culturais da cidade. Mesmo depois de 37 anos, Neusa ainda fala sobre futuro. “Sonho em continuar formando não apenas bailarinos, mas pessoas mais sensíveis, confiantes e felizes através da arte”, destaca ela. Talvez seja justamente essa a dimensão mais profunda da trajetória construída pela academia. Mais do que formar bailarinos, ela ajudou a construir memórias afetivas, relações humanas e experiências que permaneceram na vida de muitas famílias canelenses. Foto: Divulgação ENTREVISTA NE – Quando você olha para trás e vê 37 anos de academia, qual sentimento aparece primeiro? Neusa – “Orgulho. Pra mim é muito orgulho saber que consegui transmitir o amor que tenho pela dança para muitas bailarinas e bailarinos nestas décadas” NE – Muitas gerações passaram pela academia. O que mais te emociona ao reencontrar ex-alunos hoje? Neusa – “Me emociona saber que fiz parte positiva da vida deles e que deixei lembranças especiais.” NE – Como sua família participou dessa trajetória? Neusa – “Minha família sempre foi
Sabores, encontros, memórias e surpresas
Bruno Hoffmann, o Chef SurpresaFoto: Paula Vinhas Há lugares que a gente escolhe pela comida. Outros, pela companhia. Mas existem aqueles raros endereços que nos conquistam pelas memórias que guardam. E foi exatamente isso que senti ao voltar para mais uma edição do Chef Surpresa, no Containner Bistrot, em Canela. Enquanto apreciava o levantar das taças, as conversas fluídas e os sorrisos multiplicados pelas mesas, fui relembrando porque este lugar se tornou tão especial para mim ao longo dos anos. Lembranças O Containner ocupa um espaço que consegue ser sofisticado sem qualquer pretensão. Há uma atmosfera leve, quase afetiva, que faz com que cada visita carregue uma sensação familiar. E talvez por isso tantas lembranças minhas tenham sido construídas ali. Entre elas, um dos Dias das Mães mais emocionantes da minha vida, quando fui surpreendida pela minha própria mãe cozinhando para mim dentro do restaurante. Também me recordei das inúmeras celebrações com amigos, dos encontros que começaram sem horário para terminar, dos almoços e jantares ao lado do meu marido e dos momentos em que escolhemos o Containner para reunir e confraternizar com as equipes da nossa empresa. Lugares especiais guardam histórias. O Containner coleciona muitas delas. Primeiro prato: Plin de polenta e queijoFoto: Paula Vinhas 21 edições E nesta noite, mais uma passaria a fazer parte desse repertório. O Chef Surpresa já se tornou uma das experiências gastronômicas mais criativas e aguardadas da Serra Gaúcha. O projeto estreou em 2018 e teve como primeiro convidado o chef Guilherme Sperry. Desde então, a proposta criada pelo Containner transformou o jantar em uma espécie de jogo gastronômico, onde os convidados não sabem quem assina o menu até o momento da revelação. Ao longo de 21 edições, grandes nomes da gastronomia passaram pela experiência, entre eles Marcelo Schambeck, Marcos Livi, Rodrigo Bellora, Graciela Martins, Jorge Curi, Nati Tussi e muitos outros que ajudaram a consolidar o evento como um verdadeiro palco de talentos da gastronomia contemporânea. Segundo prato: Angus braseadoFoto: Paula Vinhas Revelação Ao final da noite, quando o mistério finalmente foi revelado apresentando o chef Bruno Hoffmannn (do restaurante Benjamin Osteria Moderna) ficou evidente que o Chef Surpresa continua preservando aquilo que fez dele um sucesso: uma história construída entre sabores, encontros, memórias e surpresas. Porque afinal, como eles mesmos fazem questão de lembrar através do seu slogan, “a vida é feita para comemorar.” Cremaux de chocolate branco e iogurteFoto: Paula Vinhas O QUE PROVAMOS CouvertFocaccia de moranga acompanhada de manteiga defumada com missô. EntradaToast de porco e camarão, emulsão de nduja e vinagrete de tomate verde com pimenta-de-cheiro. Primeiro pratoPlin de polenta e queijo etchekoa mergulhado em um dashi de cogumelos defumados e maçã verde. Segundo pratoAngus braseado, servido com texturas de lentilha, glace de café e balsâmico. SobremesaCremaux de chocolate branco e iogurte surgiu acompanhado por gelato de manga, creme de tahine preto e ervas frescas. HarmonizaçãoToda a experiência foi harmonizada pelos rótulos da Vinícola Larentis.
Social da Luísa Rodrigues
As queridas Ana Paula Backes e Bruna Cruz Lauck, mentoras do projeto Ser Jardim, em um encontro que inspira mulheres através de reflexões sobre propósito, espiritualidade, prioridades e os desafios das múltiplas jornadas femininas. A próxima imersão acontece no dia 27 de junho Foto: Una Alma | Camila Hencke Em clima de contagem regressiva para o Connection Terroirs do Brasil, Marta Rossi e Eduardo Zorzanello celebram a chegada de mais uma edição do evento, que movimenta Gramado de 10 a 13 de junho com experiências, conteúdo e os sabores mais autênticos do país Foto: Anselmo Cunha Renata Willrich e Victoria Raymundi curtindo o Olivas de Gramado, e o lançamento da parceria com a Caver Eyewer, uma colab perfeita para os apaixonados pelo lugar e por óculos Foto: Luísa Rodrigues Marcelo Barros, Thalia Alves, Leonardo Krauspenhar e Jaqueline de Jesus, inaugurando o charmoso café Bella Panne , no coração de Canela Créditos : Luísa Rodrigues O Maior Colecionador de Kens do Mundo Bernardo Guedes e a ‘Barbie Gaúcha’ Letícia Swaroviski invadem O Universo da Mattel no Praia de Belas com a influenciadora Isinha, que também conferiu os spoilers de Mattel The Experience Foto: Divulgação Maria Eduarda, a empreendedora jovem, recebendo convidados para a inauguração da sua loja Santa Helena Beauty Foto: Luísa Rodrigues
Social da Samanta – 729
As amigas Glenda Viezzer e Jussara Lucena, realizaram uma viagem ótima. Saindo de Santos de navio MSC até Marseille, na França Foto: Divulgação Vanessa Seibt e Andreia Laranjeira também prestigiaram o evento que teve o chef do 4º melhor restaurante do estado, Bruno Hoffmann, como convidado no Chef Surpresa do Containner Foto: Paula Vinhas A maravilhosa Bina Santos prestigiou o Chef Surpresa e arrasou com seu casaco de pele, toda linda! Foto: Paula Vinhas A Cristais Gramado recebeu artistas e entusiastas do vidro de 12 países, que estavam participando da 3ª Bienal Internacional de Arte em Vidro Íbero-Americano, para um Baile de Máscaras. Na ocasião, Lika Sauer, CEO da Cristais Gramado, e Will Weber, conselheiro de experiências na Cristais Gramado, acompanhados pelo personagem Giovanne Del Corso, celebraram o sucesso do evento que movimentou Gramado na última semana Foto: Divulgação Fernanda Chies recebendo o prêmio da revista Sabores do Sul pelo Magnólia como uns dos 30 melhores restaurantes do RS! Foto: Lisa Roos João Richa e Marcos Dallarosa da Black Investimentos com Guilherme Benchimol, Presidente do Conselho de Administração da XP Investimentos em evento ocorrido em Santiago no Chile Foto: Divulgação
CÃO ATENTO E VIGILANTE
Além do trabalho do delegado Vladimir Medeiros e sua equipe da Polícia Civil, e do brioso time da Brigada Militar, o bairro Canelinha conta com outros atentos vigilantes.A foto de Leonid Streliaev mostra este simpático e bem cuidado cão, olhando a vida através da janela. E, claro, atento à menor movimentação nos arredores. Foto: Leonid Streliaev IBAÑEZ É GRÊMIO! Pela primeira vez na história, Canela terá um atleta na Copa do Mundo de Futebol. É o zagueiro de 27 anos, como todos sabem e falam com orgulho. O que alguns não sabem é que Ibañez é gremista fanático, como abriu esta semana em entrevista para a Globo. “Acho que todo mundo já sabe o que eu sou gremista, eu sou gremista. Eu não escondo isso, não. De repente, um dia, daqui uns anos, talvez aconteça (vestir a camisa do Grêmio), sim – contou Ibañez. OS PETS MERECEM O Centro Municipal de Proteção aos Animais (Cempra), da Prefeitura de Canela, está com a Campanha do Agasalho Pet. Atualmente, o Cempra abriga 92 cães disponíveis para adoção. Mais informações sobre os animais podem ser obtidas pelo telefone (54) 3282-5148 ou pelo WhatsApp (54) 9 9903-3293, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h às 16h. RESTAURANTES TOPS A Revista Sabores do Sul revelou, no dia 19, a segunda edição do Ranking dos 30 Melhores Restaurantes do Rio Grande do Sul. Na lista estão quatro restaurantes de Gramado e dois de Canela. Os quatro restaurantes gramadenses são o Catherine (2° Lugar), Di Pietro (21° Lugar), Cinema Paradiso (25° Lugar) e Cantina Pastasciutta (27° Lugar). Entre os canelenses, aparecem o 1835 Carne e Brasa (3° Lugar) e o Magnólia (23° Lugar) Criado pela Revista Sabores do Sul em 2025, o Ranking dos 30 Melhores Restaurantes do RS nasceu com a proposta de reconhecer estabelecimentos que se destacam pela consistência. A seleção desta edição contou com a participação de 95 jurados especializados, entre jornalistas, chefs, consultores e profissionais ligados à gastronomia, que citaram ao todo 262 restaurantes gaúchos. Este colunista foi um dos jurados na edição deste ano. HONRARIAS A Câmara de Vereadores aprovou, segunda-feira (25), dois projetos que concede o Título de Cidadão Gramadense a Jadir Rogério Schwingel e Gustavo Celiberto Barcellos. Jadir é o criador da Copa Gramado de Futsal, e Gustavo é o Delegado Regional de Polícia. A NOVELA VORCARO No dia 25 de fevereiro de 2022, a Procuradora Geral do Município, Mariana Melara Reis (PP), enviou o ofício 2056/2022 ao promotor Max Roberto Guazzelli, com o parecer favorável do secretário da Saúde, Jeferson Moschen (PP), do adjunto Volnei Dessian (PP) e do interventor do Hospital São Miguel, Carlos Gober Libardi, recomendando a venda da casa de saúde à empresa Seferin e Coelho, que tinha Henrique Vorcaro como suporte financeiro. Na correspondência, os três também pediam o levantamento da intervenção administrativa do hospital. Na justificativa, Jeferson afirmava que “o novo grupo tem consciência e fará aporte necessário para o equilíbrio das contas até que todo o plano seja implementado”. Ele se referia a deficiências da estrutura do Hospital São Miguel. No ofício, o secretário informava que o grupo comprador “já adquiriu uma área de terras em Gramado para a construção de um moderno e inovador hospital, à disposição dos seus serviços para toda comunidade”. Até prova em contrário, a empresa compradora do São Miguel jamais adquiriu área em Gramado para tal projeto. No dia 22 deste mês, Henrique Vorcaro teve um surto no presídio Nelson Hungria, em Contagem (MG). Ele está preso na esteira do escândalo do Banco Master, comandado por seu filho Daniel Vorcaro, também preso. CONCURSO SUSPENSO A Prefeitura de Gramado suspendeu cautelarmente o cronograma das próximas etapas do Concurso Público que ofertava 178 vagas imediatas na área da Educação. A medida foi tomada após candidatos apresentarem questionamentos sobre a etapa eliminatória de avaliação psicológica . Segundo relatos encaminhados à administração municipal, participantes considerados inaptos teriam recebido laudos psicológicos com fundamentações e conclusões muito semelhantes entre si. Os candidatos apontam ainda que os documentos apresentariam uma estrutura padronizada, com alterações basicamente nos dados pessoais, sem a individualização técnica esperada para esse tipo de avaliação. Em nota, a Prefeitura informou que a banca organizadora, o Instituto Legalle, foi oficialmente notificada para prestar esclarecimentos sobre os apontamentos. Com isso, todos os prazos relacionados às próximas etapas ficam interrompidos temporariamente. A administração municipal reforçou que a suspensão é cautelar e atinge apenas a continuidade do cronograma neste momento. As etapas já realizadas, como as provas objetivas e de redação, seguem válidas. FÓRUM DO CLIMA Em meio ao acompanhamento pelos meteorologistas do fenômeno El Niño, de forma oportuna Canela promove o 1º Fórum Municipal de Mudanças Climáticas de Canela. O evento acontece entre segunda-feira (1º) e quarta-feira (3), das 19h às 21h, no auditório do Campus Região das Hortênsias da UCS.
UM PARQUE EM BUSCA DE DIGNIDADE
Usado por muitos anos, décadas atrás, como porta de entrada e passagem para a grande casa de veraneio de governadores que veio pomposamente a ser chamada de Palácio do Governo, o Parque do Palácio, na entrada de Canela, tem lutado para receber uma merecida valorização. Muitos são seus defensores, na mesma medida há os que, historicamente, não percebem o quanto a cidade ganharia com uma reestruturação e com melhorias naquele local. Temos dois exemplos bem sucedidos de parques públicos na zona urbana que premiaram a população de diversos bairros: o Parque do Lago (no Leodoro de Azevedo) e o Parque São Lucas (no Canelinha), restando ao Parque do Palácio aguardar na fila para ver obras acontecerem ali. Uma vez restaurado, o resultado imediato seria o de servir como local de lazer para, no mínimo, três bairros próximos, o São José, o Santa Marta e o Vila Dante. É ponto pacífico a falta de recursos do poder público, face a necessidade de aplicá-los em áreas de apelo mais premente como a saúde, a educação e a assistência à população de uma cidade não mais pequena. Comemorada, recentemente, a posse definitiva daquela área, a prefeitura busca recursos para aplicar no local, o que significa a incógnita quanto ao prazo. Praticamente desativado, mas nunca relegado ao esquecimento pela mobilização dos seus muitos simpatizantes, o Parque do Palácio aguarda por dias melhores. Os Amigos do Parque do Palácio puxaram a frente em ações desenroladas nos últimos anos, sempre associados a entidades e associações voltadas à cultura popular, à arte, à ecologia e à memória. Também contando com a participação de escolas. É um parque de nove hectares, a menos de um quilômetro do Centro que, pelas suas características de flora, fauna e topografia, já proporcionou bons momentos reunindo pessoas com os mais diversos propósitos, seja atividades integrativas, de lazer, educacionais, espirituais, esportivas e musicais. Tudo o que um bom parque pode proporcionar, com a singularidade de ser um raro quinhão de terra, em plena zona urbana, com vegetação nativa dos Campos de Cima da Serra. Alguns projetos arquitetônicos / ambientais foram criados para dar condições ao Parque do Palácio de sediar ações ou, simplesmente, ficar à disposição da comunidade que queira usufruir dele. O primeiro projeto, de mais de trinta anos atrás, de autoria do arquiteto Glauco Larre Borges, foi pioneiro na estipulação das trilhas, foi desenhada a guarita, o pórtico e foi sugerida a vegetação a plantar. Muita coisa se fez, um pouco se conservou, muito se deteriorou – a ponto de, em 2026, praticamente ser impossível a utilização da área pela depredação dos banheiros e as avarias, por exemplo, nas cercas e pergolados. Quando perguntados sobre quantos são os amigos do Parque, três fundadores do coletivo Amigos do Parque do Palácio – Rosane Warken, Isabel Scheid e Ricardo Soncini – dizem sinceramente que não sabem. Mas afirmam que são muitos! Uma prova disso foi a mobilização de uma expressiva parcela da comunidade de Canela, de diversos segmentos, que certa feita lotaram o auditório da Câmara de Vereadores para manifestar sua contrariedade na consulta popular sobre possível permuta da área com empreendedores, que ali ergueriam um centro de eventos. A proposta não vingou. Agindo hoje com racionalidade, apesar de ser um assunto que os emociona, os Amigos do Parque gostariam de ver, ao menos, resgatada a dignidade daquele lugar nobre. Uma reforma nos banheiros, conserto dos pergolados, da guarita e dos bancos e um compromisso formal do poder público assegurando a segurança do local seriam suficientes, enquanto ventos de bonança não sopram, para reabrirem o Parque para encontros e eventos ao ar livre. O Parque do Palácio, após restaurado, vai voltar a oferecer excelentes oportunidades de lazer e integração à comunidade OBSERVANDO O FIRMAMENTO uma das atividades, interessantíssima, que ocorrem no Parque do Palácio é a observação do céu, conduzida pelos Amigos do Parque, na pessoa do astrônomo amador Fábio Feijó, residente em Canela. No dia 3 de maio, um grupo de interessados em Astronomia reuniu-se no Parque para observar o cometa C/2025 R3 PanSTARRS (foto ao lado). Feijó orientou a atividade e disponibilizou equipamento para a observação do firmamento. O cometa foi observado através de telescópio com aumento de 60 vezes. Imagens foram obtidas com câmera equipada com lentes adequadas para fotos em Astronomia. A VOLTA DAS NARRATIVAS Inicia neste dia 3 de junho, quarta-feira, a temporada 2026 do projeto de conhecimento Narrativas, conduzido pelos psicólogos Marco Aurélio Alves e Camila Heidrich. O interessante primeiro encontro será com a Juíza Simone Ribeiro Chalela, que vai abordar o tema da violência contra a mulher. Prestigiem! É no Cidica (rua São Francisco 199), às 19:30, gratuito.
ENTRE O ENCANTO E A FRUSTRAÇÃO
Por Ernani Azevedo Depois do tricampeonato conquistado em 1970, o Brasil passou a carregar um peso diferente nas Copas do Mundo. A Seleção já não entrava em campo apenas para competir. O mundo esperava espetáculo, e os brasileiros acreditavam que o título seria consequência natural do talento. Mas os anos seguintes mostraram um cenário bem diferente. Na Alemanha, em 1974, o Brasil ainda tentava se reorganizar após a despedida de Pelé. A equipe terminou em quarto lugar, em uma Copa marcada por seleções mais físicas, intensas e coletivas, distante daquele brilho que marcou o México.Em 1978, na Argentina, a Copa foi cercada de desconfiança. O país vivia uma ditadura militar, e até hoje o jogo entre Argentina e Peru, vencido pelos argentinos por 6 a 0, alimenta suspeitas sobre possível interferência política para colocar os donos da casa na final. Mas foi em 1982 que nasceu uma das maiores histórias sem título da Seleção Brasileira. Com Telê Santana no comando, o Brasil apresentou um futebol ofensivo, técnico e criativo. Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior e Éder formaram uma equipe que encantava até adversários. Para muitos, era um time que jogava como o brasileiro gostava de se reconhecer: talentoso, confiante e bonito de assistir. A derrota para a Itália, por 3 a 2, no jogo marcado pelos três gols de Paolo Rossi, virou uma ferida permanente no futebol brasileiro. Aquele time não conquistou a Copa, mas permaneceu na memória coletiva de uma geração inteira.Em 1986, parte daquela base ainda resistia. Mas a eliminação para a França, nos pênaltis, encerrou definitivamente o ciclo da Seleção que talvez tenha jogado o futebol mais admirado do mundo sem levantar a taça. HISTÓRIAS DA COPA IV A HOLANDA QUE NÃO PRECISOU SER CAMPEÃ Mesmo derrotada na final de 1974, a Holanda de Johan Cruyff revolucionou o futebol com o chamado “Carrossel Holandês”, modelo baseado em troca constante de posições e movimentação coletiva. O TÍTULO EM MEIO À PRESSÃO POLÍTICA A Copa da Argentina foi disputada durante a ditadura militar no país. O torneio ocorreu em ambiente de forte controle político, e até hoje existem debates sobre possível influência externa em resultados, especialmente na vitória argentina por 6 a 0 sobre o Peru, placar que garantiu a vaga na final. QUANDO O FUTEBOL-ARTE ENTROU EM DEBATE A eliminação do Brasil em 1982 abriu uma discussão que atravessou décadas: jogar bonito era suficiente para vencer uma Copa do Mundo? A derrota para a Itália fez crescer a cobrança por seleções mais pragmáticas e defensivas. A MÃO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA Nas quartas de final de 1986, Diego Maradona marcou contra a Inglaterra um dos gols mais polêmicos da história das Copas. O lance ficou conhecido como “La Mano de Dios” depois que o próprio argentino afirmou que o gol havia sido marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus”.
ETFs na prática: como usar de forma inteligente
Depois de entender o que são ETFs (na coluna do dia 01 de maio) e, principalmente, onde estão os riscos (na coluna do dia 16 de maio), chega a parte mais importante: como usar isso na prática. Existe um ponto que muita gente ignora: ETF não é estratégia, é ferramenta. E ferramenta boa, na mão errada, não resolve nada. O uso mais inteligente dos ETFs começa com uma lógica simples: eles funcionam muito bem como base de carteira. Em vez de tentar descobrir quais ações vão performar melhor, o investidor pode usar ETFs para capturar o desempenho de mercados inteiros, de forma eficiente, barata e diversificada. É o que muitos chamam de estratégia “core”. Por exemplo: um ETF atrelado ao Ibovespa para exposição ao Brasil, combinado com um ETF internacional para diversificação global. Simples, direto e funcional. A partir dessa base, entram os ajustes. Os ETFs também permitem movimentos mais táticos, como aumentar exposição a determinados setores, geografias ou temas específicos. Recentemente, por conta da guerra no Irã, um cliente me pediu para investir em ETFs americanos ligados à indústria de armamentos. Até agora a estratégia vem funcionando, mas aqui mora um cuidado importante: quanto mais específico o ETF, maior tende a ser o risco. Outro ponto relevante é a combinação com renda fixa. Para o investidor brasileiro, com a Selic acima de 1% ao mês, essa talvez seja uma das estruturas mais poderosas disponíveis hoje. Os ETFs entram para trazer crescimento e diversificação, enquanto a renda fixa cumpre o papel de proteção, previsibilidade e geração de caixa. É o equilíbrio clássico, porém usando instrumentos mais eficientes. E é justamente aí que aparecem dois erros muito comuns. O primeiro é achar que ETF elimina risco. Não elimina. Ele apenas distribui o risco. Se o mercado cair, o ETF cai junto. A diferença é que o investidor deixa de depender de uma única empresa, mas continua exposto ao cenário econômico como um todo. O segundo erro é o excesso de diversificação, algo mais comum do que parece. Muitos investidores começam a comprar vários ETFs diferentes acreditando que estão sofisticando a carteira. No fim, acabam criando sobreposição de ativos, aumento de custos e perda de clareza. Na maioria das vezes, menos é mais. Outro uso interessante, e que vem crescendo bastante no Brasil, são os ETFs voltados para geração de renda. Alguns produtos distribuem dividendos diretamente ao investidor, criando uma espécie de “renda mensal” com diversificação automática. Outros acumulam os proventos e reinvestem tudo dentro do próprio fundo. Cada modelo faz sentido em uma etapa diferente da vida financeira. Quem está na fase de construção de patrimônio tende a se beneficiar mais do reinvestimento automático. Já quem busca geração de renda pode encontrar nos ETFs distribuidores uma alternativa interessante. Mas talvez o maior benefício dos ETFs não esteja na estrutura, e sim comportamental. Investir bem tem muito menos relação com encontrar o ativo perfeito e muito mais com conseguir manter uma estratégia ao longo do tempo. Consistência e longo prazo raramente dão errado, seja nos investimentos ou em praticamente qualquer área da vida. E é exatamente aí que os ETFs ajudam. Ao simplificar decisões e reduzir a necessidade de intervenção constante, eles funcionam quase como um “freio” para os erros mais comuns do investidor: excesso de giro, decisões emocionais e a eterna tentativa de acertar o timing do mercado. Investir em ETFs não substitui disciplina, mas facilita bastante a vida de quem já entendeu que consistência é mais importante do que genialidade. Talvez essa seja a principal mensagem desta série de colunas sobre ETFs (Exchange Traded Funds): investir melhor não precisa ser mais complicado. Na maioria das vezes, é exatamente o contrário. Recebi alguns pedidos para trazer exemplos práticos de ETFs disponíveis no mercado. Então, na próxima coluna, vou listar alguns dos principais ETFs negociados no Brasil e nos Estados Unidos que hoje estão acessíveis ao investidor.
Marcas e a Copa do Mundo
A Copa do Mundo vai começar no próximo mês e se torna o grande palco para exposição de marca, ações de marketing e de mídia. Certo? Depende. A Fifa (Federação Internacional de Futebol) determinou a alteração temporária do nome de 15 dos 16 estádios que sediarão a Copa do Mundo de 2026 para adotar nomenclaturas neutras vinculadas às cidades-sede. A medida, baseada no conceito de “estádio limpo”, veda o uso de marcas comerciais que não patrocinam oficialmente o torneio e exige a remoção ou cobertura de logotipos externos das arenas. MILHÕES POR NAMING RIGHTS 30, 20 e 19 milhões de dólares por ano. Esse é o valor que SoFi, MetLife e AT&T pagam, respectivamente, para terem seus nomes ligados a alguns dos estádios mais valiosos dos Estados Unidos. Os naming rights existem para gerar reconhecimento, associação e presença de marca. E na hora de aparecer no evento de maior audiência global, essa possibilidade é banida. Recado claro: a Fifa é soberana em suas decisões. MERCEDES-BENZ STADIUM A única marca “poupada” foi em Atlanta, em que a Fifa abriu exceção por risco de dano milionário ao telhado em formato de estrela no Mercedes-Benz Stadium, que receberá oito partidas, incluindo uma semifinal. A cobertura retrátil do estádio é formada por oito painéis móveis que, vistos de cima, reproduzem a estrela da montadora alemã e entram em um conflito direto com os parceiros oficiais de mobilidade da Fifa, Hyundai e Kia. Ou seja, a exceção causa ainda mais conflito e mostra que o controle da narrativa que a Fifa tenta impor, na verdade não está tão controlado assim. GRAMADO E NAMING RIGHTS Este tema também está vivo na esfera local, visto que em 18 de maio a Câmara Municipal de Gramado aprovou o Projeto de Lei Ordinária (PLO) nº 027/2026, de autoria do Executivo Municipal. A nova legislação regulamenta a captação de recursos junto ao setor privado por meio de contratos de patrocínio e da cessão onerosa do direito de nomeação, modalidade conhecida como naming rights. A política abrange imóveis de uso comum ou especial administrados pelo Poder Executivo, o que inclui parques, praças, logradouros, teatros, centros culturais, bibliotecas, ginásios de esportes, estádios e centros de eventos. FERRARI LUCE Potente, sim. Desejada, não. O lançamento de uma Ferrari azul com visual assinado por um coletivo de designers ligados à linguagem visual de produtos da Apple, provocou mais que um choque. Provocou uma pergunta que parece não ter sido feita na sala: “Por que precisamos ser modernos se somos iconicamente tradicionais, luxuosos e desejados justamente por sermos assim?” A LIÇÃO O peso da tradição da Ferrari é algo que sempre esteve no imaginário, no desejo pela marca, no simbolismo dessa conquista. No entanto, este lançamento deixa uma lição sobre o valor da herança estética e cultural: marcas carregam significados que transcendem seu próprio criador. Cuidado com as mudanças na sua.
Degustando vinho a bordo da Maria Fumaça
A gente ama unir viagens e vinhos! Quem também aprecia experiências diferentes em torno da bebida já tem um bom motivo para colocar o tradicional passeio da Maria Fumaça, entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, no próximo roteiro. O atrativo acaba de renovar a carta de vinhos do L’Essenza del Vino — um passeio temático em um vagão exclusivo criado especialmente para os apaixonados por enoturismo. A experiência funciona assim: durante o trajeto de trem, os passageiros recebem uma taça exclusiva e degustam quatro rótulos gaúchos cuidadosamente selecionados para a estação. Ao longo do percurso, um sommelier apresenta detalhes sobre cada vinho, explicando características, aromas, estilos e curiosidades das uvas. Na seleção de outono e inverno, válida de maio a outubro, os passageiros poderão provar o branco Pinot Grigio da Miolo, os tintos Marselan da Garibaldi e Arinarnoa da Peruzzo, além do espumante Brut Ouro Rosé da Salton. Aliás, vale abrir um parêntese aqui para destacar duas uvas que despertam curiosidade. A Marselan, por exemplo, é um cruzamento entre Cabernet Sauvignon e Grenache, conhecida por produzir vinhos macios, aromáticos e muito gastronômicos. Já a Arinarnoa é uma variedade francesa menos conhecida do grande público, mas que vem ganhando espaço por entregar vinhos intensos, estruturados e com excelente potencial de harmonização para os dias mais frios. O L’Essenza del Vino acontece desde 2018 e une a tradição da Maria Fumaça ao universo do vinho em um vagão exclusivo, transformando o passeio em uma verdadeira imersão na cultura da Serra Gaúcha. O ingresso inclui o bilhete do trem, a taça exclusiva, as degustações e ainda a entrada para o Parque Cultural Epopeia Italiana, que conta a história da imigração italiana na região. O passeio acontece aos finais de semana, mediante consulta de datas no site oficial da Giordani Turismo. Uma ótima sugestão para quem busca unir paisagem, história, vinho e experiência em um único programa.