Tem gente que corre por saúde. Outros, por desafio. Há quem encontre na corrida um espaço de silêncio, de organização mental, de equilíbrio. O fato é que correr deixou de ser apenas uma prática esportiva e passou a ocupar um lugar mais amplo na vida de milhares de brasileiros Nos últimos anos, a corrida de rua cresceu de forma consistente no país. O aumento no número de provas, grupos de treinos e praticantes indica uma mudança de comportamento. Não se trata apenas de desempenho ou competição. Para muitos, correr virou hábito — e, em alguns casos, necessidade. Esse movimento chegou com força também em Canela.

Na manhã do domingo 19 de abril ocorreu a 1ª Rústica de Canela, reunindo mais de 550 atletas pelas ruas do Centro. A prova, promovida pela Prefeitura, aliou esporte e solidariedade, com a arrecadação de três toneladas de alimentos destinados a famílias em situação de vulnerabilidade. Mais do que os números, o evento revela um cenário em construção. A presença crescente de corredores nas ruas, a formação de grupos e a adesão de novos praticantes mostram que a corrida está se consolidando como parte do cotidiano local.
A prática tem características que explicam esse avanço entre elas o baixo custo, flexibilidade de horários e possibilidade de adaptação a diferentes níveis físicos. Ao mesmo tempo, entrega resultados rápidos na percepção de quem pratica — mais disposição, melhora no condicionamento e impacto direto no bem-estar. Em Canela, o ambiente favorece. O clima, as paisagens e a própria dinâmica da cidade contribuem para a adesão. Mas o que sustenta esse crescimento vai além das condições externas. Está na experiência individual de quem corre. Para entender esse movimento, o Nova Época ouviu três corredores da cidade, com trajetórias diferentes, mas um ponto em comum: a corrida passou a ter papel relevante na vida de cada um.
Martina Bethge Corrêa, 46 anos – Academia ONFIT e STREET RUNNERS

Martina iniciou na corrida a partir de uma adaptação. Jogadora de tênis, precisou interromper a prática por dores no ombro e encontrou na musculação um novo caminho. Foi ali que surgiu o incentivo para correr. “Por incentivo dos professores comecei a correr e a treinar para uma prova de corrida do Noel, em Gramado em 2022”, lembra ela. Com o tempo, a corrida ganhou outro significado. “Quando percebi que não era só sobre condicionamento físico. A corrida virou um momento de clarear a mente, aliviar o estresse e até organizar pensamentos. Ali ela deixou de ser só exercício e passou a ser uma ferramenta de equilíbrio”.
Segundo Martina, a sua evolução foi progressiva. No início, não passava de três quilômetros. Hoje, já completou uma meia maratona. “Comece devagar, caminhadas, trotes, corridas, respeitando sempre o seus limites e com o passar do tempo verá a evolução”, recomenda. Para ela, os benefícios da corrida são diretos. “Melhorou o condicionamento físico ajudou no controle do estresse e ainda trouxe uma sensação de bem-estar. É um hábito simples, mas com um retorno muito grande tanto físico quanto mental”, destaca.
Jorge Moreira, 61 anos – bombeiro civil e socorrista

Começou a correr há 11 anos, incentivado por um amigo. A primeira tentativa foi simples, cerca de 500 metros. A partir dali, a prática evoluiu até se tornar rotina. Hoje, ele treina três vezes por semana e percorre entre 50 e 60 quilômetros semanais. Já completou um desafio de 67 quilômetros em um único dia, em Canela, e mantém uma rotina disciplinada, com treinos iniciando ainda antes das 6h da manhã. “A corrida é um vício, no bom sentido. Ela me estimula, me desafia e me faz bem” relata Moreira. Além do aspecto físico, ele destaca o ambiente da corrida. “A gente cria amizades, conhece pessoas, viaja para provas. É um mundo diferente”, resume ele. Entre os objetivos atuais, está a preparação para a meia maratona de Porto Alegre e o desejo de participar da Corrida de São Silvestre. Para Moreira, a evolução vem com constância. “Eu já fiz dez quilômetros em uma hora e quinze. Hoje faço em menos de 51 minutos. É o treino que faz a diferença”, afirma ele.
Gabriel Vinagre, 44 anos – Assessoria 040

Vinagre começou a correr a partir de um incômodo. Em um período sedentário, sentiu dificuldade física ao ajudar um colega em uma mudança, enquanto outras pessoas mantinham o ritmo. “Aquilo me marcou e foi quando decidi mudar de vida”, afirma ele. Começou com caminhadas, bicicleta e ajustes na rotina.
A mudança do Rio de Janeiro para a Serra Gaúcha também fez parte desse processo. A corrida entrou nesse contexto, não como algo isolado, mas como parte de uma reorganização da rotina, física e mental. “Quando o corpo cansa a mente descansa. A corrida passou a ser um espaço de organização mental, disciplina e conexão comigo mesmo”. Pratica a modalidade há cerca de quatro anos. No início, tentou avançar rápido demais e sofreu uma lesão, o que o levou a rever a forma de treinar. “Foi um verdadeiro banho de realidade. A partir dali, passei a dar mais atenção ao reforço muscular e a levar a saúde com mais responsabilidade”, garante. Atualmente, relata mudanças concretas no dia a dia. “A corrida contribui diretamente para o meu bem-estar físico e mental: o corpo responde com mais resistência e energia, enquanto a mente desacelera, organiza os pensamentos e traz mais clareza. No fim, ela se tornou um norteador de equilíbrio que impacta em todas as áreas da minha vida”, finaliza.
Por que correr e como começar
Por que correr
- Melhora o condicionamento cardiovascular
- Aumenta a disposição no dia a dia
- Ajuda no controle do estresse e da ansiedade
- Contribui para o sono e o bem-estar geral
- Favorece o controle de peso e a saúde
- Estimula a liberação de endorfina, associada à sensação de bem-estar e prazer após a atividade
Como começar
- Inicie com caminhadas e trotes leves
- Respeite o seu ritmo e evite excessos no início
- Mantenha regularidade ao longo da semana
- Faça aquecimento antes e desaceleração após
- Cuide da hidratação e da alimentação









