Todos sabem que este ano teremos eleições. Elegeremos, para os próximos quatro anos, deputados estaduais, deputados federais, governadores de todos os estados e do Distrito Federal, além do presidente da República. Ainda concederemos a dois terços do Senado — ou 54 senadores — um mandato de oito anos.
Esta é, sem dúvida, a maior eleição brasileira. Ela ocorre apenas a cada oito anos com essa magnitude, pois, no próximo ciclo, elegeremos apenas um terço do Senado. É, portanto, um momento único e de vital importância para o futuro de nosso país. Dentre todos esses cargos, destaco dois pleitos: o presidencial e o para o Senado.
A verdade é que direita e esquerda dividem o país e, novamente, polarizarão a eleição presidencial. Lula venceu Bolsonaro por apenas 1,8 milhão de votos e as pesquisas indicam que o voto que foi para Bolsonaro em 2022 irá, em mais de 90%, para o candidato da direita este ano — ao que tudo indica, o filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro. Seguindo esse raciocínio, bastaria que 1 milhão de eleitores de Lula mudassem seu voto para a direita eleger novamente o presidente. Observando os índices de reprovação do atual governo, essa me parece uma hipótese muito provável.
No Senado, ao meu ver, teremos uma grande renovação e a presença de nomes ilustres da política. Com as questões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), ficou latente o desejo da sociedade de um controle mais efetivo sobre os membros da Suprema Corte brasileira. No nosso sistema político, esse papel cabe ao Senado. Portanto, a importância dessa Casa tornou-se central para os interesses dos dois grandes grupos políticos (esquerda e direita). Teremos, por exemplo, Fernando Haddad concorrendo ao Senado por São Paulo e Marcel van Hattem abrindo mão de uma eleição garantida para deputado federal para tentar uma vaga ao Senado aqui no Rio Grande do Sul.
Quaisquer que sejam os resultados de outubro, teremos, sem dúvida, um novo mapa político a partir de 2027. Chegará ao fim o ciclo Lula que, mesmo se reeleito, não poderá mais concorrer e teria 85 anos ao final de um eventual quarto mandato em 2030. Jair Bolsonaro poderá ser anistiado no ano que vem ou cair definitivamente no ostracismo. Independentemente do que ocorra, pode-se cravar hoje: o Brasil será muito diferente a partir do ano que vem.









