O Rio Grande do Sul vem registrando aumento nos casos de feminicídio, reacendendo o debate sobre a eficácia das medidas de proteção e os obstáculos que ainda impedem as mulheres de buscar ajuda. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado, a maioria das vítimas de feminicídio não possuía medida protetiva ativa no momento do crime. O dado aponta para uma falha crítica: a violência, em muitos casos, não chega a ser formalizada antes de atingir seu estágio mais extremo. Embora o assassinato de mulheres representar o desfecho mais grave, ele raramente acontece de forma isolada. Na maior parte dos casos, há um histórico marcado por violência psicológica, controle e dependência emocional. Esse processo, muitas vezes silencioso, dificulta a ruptura da relação e retarda a denúncia. Outro fator recorrente é a cultura do silêncio. Em ambientes familiares e sociais, a violência doméstica ainda é tratada como questão privada, o que contribui para a continuidade das agressões e impede intervenções precoces. Mesmo quando a vítima procura ajuda, a resposta institucional nem sempre é suficiente. Em diversas regiões, as medidas protetivas existem no plano formal, mas carecem de mecanismos eficazes de acompanhamento e fiscalização. Em cidades do interior do Estado, os desafios se somam à limitação de políticas públicas estruturadas. Iniciativas locais acabam assumindo papel central no acolhimento e na proteção das vítimas. Para aprofundar esse cenário, o Jornal Nova Época entrevistou a juíza Simone Chalela, titular da 2ª Vara Judicial da Comarca de Canela, com atuação em casos de violência doméstica. ENTREVISTA: JUÍZA SIMONE CHALELA NE – Dados oficiais mostram que muitas vítimas de feminicídio no RS não haviam registrado ocorrência e não tinham medida protetiva ativa. O que isso revela sobre os obstáculos que ainda afastam as mulheres do sistema de proteção? Simone – A maior parte das vítimas de feminicídio já sofreu, previamente, outros tipos de violência, especialmente a psicológica. Trata-se de uma forma de agressão silenciosa e profundamente desgastante, capaz de minar, aos poucos, a autonomia e a esperança da vítima de se desvincular de um relacionamento abusivo. Nesse contexto, o agressor passa a exercer controle por meio do denominado “ciclo da violência”, mecanismo que alterna momentos de tensão, agressão e aparente reconciliação. Como consequência, a mulher pode desenvolver dependência emocional em relação ao agressor, o que contribui para que, mesmo diante de reiteradas agressões físicas e psicológicas, opte por não denunciá-lo ou, ainda, por desistir de medidas protetivas anteriormente requeridas. NE – Mesmo com o aumento nas denúncias, o poder público e órgãos de defesa ainda encontram resistência, por parte das próprias vítimas, em efetuar as denúncias ou chamar por socorro? Simone – Sim. Cerca de 20% das medidas protetivas deferidas em Canela são posteriormente revogadas a pedido da própria vítima, o que revela a complexidade do fenômeno. Tal circunstância está diretamente relacionada ao “ciclo da violência” anteriormente mencionado, bem como à dependência emocional frequentemente desenvolvida pela vítima em relação ao agressor. Esse contexto contribui para a manutenção do vínculo abusivo, levando, não raras vezes, à retração da denúncia ou à desistência das medidas de proteção, mesmo diante de situações reiteradas de violência. NE – Muitos feminicídios acontecidos com vítimas que já estavam sob a guarda de medidas protetivas não configura fragilidade e morosidade desta rede de proteção? Simone – Acredito que, em alguns locais, sim. Canela, por exemplo, apresenta-se como uma exceção em relação à maior parte do Estado e do país. No município, é possível afirmar que muitas mulheres se sentem mais seguras para realizar a denúncia, sobretudo em razão do acolhimento proporcionado pela Casa Vitória, da atuação da Patrulha Maria da Penha e da celeridade no deferimento das medidas protetivas, além das iniciativas voltadas à reeducação de homens agressores, por meio de grupos reflexivos de gênero. Contudo, essa ainda não é a realidade predominante no Brasil. Em grande parte das cidades, o deferimento de medidas protetivas acaba se limitando ao plano formal, sem a existência de mecanismos eficazes para sua implementação prática. Nessas circunstâncias, a medida judicial, por si só, não se mostra suficiente para garantir a efetiva segurança da vítima, o que evidencia a necessidade de políticas públicas estruturadas e de uma rede de proteção verdadeiramente integrada e atuante. NE – Na sua opinião, quais fatores impulsionaram o recente crescimento de feminicídios no RS? Simone – Os feminicídios não são um fenômeno recente, mas resultado de desigualdades históricas, culturais e estruturais, como o machismo e a naturalização da violência contra a mulher. Nesse contexto, a internet pode agravar o problema ao ampliar a disseminação de discursos que reforçam visões distorcidas sobre as relações de gênero, o que pode ser uma das causas desse crescimento. Algumas comunidades online, como certos grupos associados à chamada “red pill”, difundem ideias que estabelecem padrões rígidos de comportamento feminino e reforçam estereótipos negativos. Em determinados casos, esses espaços também transformam frustrações individuais em discursos de ressentimento, o que pode levar alguns participantes a enxergar tais visões como justificáveis ou até racionais. No entanto, é fundamental reconhecer que crimes como o feminicídio não podem ser explicados por um único fator. Em geral, eles resultam de uma combinação complexa de elementos, como histórico pessoal de violência, questões psicológicas, contexto social e familiar, além do contato com discursos que podem legitimar atitudes agressivas. NE – Que orientação objetiva a juíza daria hoje para uma mulher que sofre ameaças, para familiares, vizinhos ou amigos que percebem sinais de violência, mas ainda têm dúvida sobre quando e como agir? Simone – Às mulheres: procurem ajuda. Nunca é tarde, tampouco cedo demais para romper o ciclo da violência. As agressões, em regra, começam de forma sutil e tendem a se intensificar com o tempo, tornando-se progressivamente mais graves e insustentáveis. Não permitam que o bem mais precioso (a vida) seja colocado em risco. Aos amigos, familiares e à sociedade em geral: denunciem. A violência contra a mulher não é um problema privado, mas uma questão coletiva, que exige a atuação de todos. O silêncio contribui para a perpetuação da violência; a
SÉRIE COMIDAS DE PARQUE – Mini Mundo
Brownie Divertido é uma das delícias preferidas da Ursa AnaFoto: Divulgação Alimento para o corpo e a alma: o novo papel da gastronomia no entretenimento Existe um momento silencioso e decisivo em qualquer vivência de entretenimento: aquele em que o visitante para, senta, prova algo e, sem perceber, transforma o passeio em uma memória que irá perdurar. A gastronomia deixou de ser um serviço de apoio para se tornar um dos pilares estratégicos dos parques e de todo negócio ligado ao entretenimento. Porque comer não é apenas uma necessidade fisiológica, é parte do espetáculo e da história que será recordada. Quem entende e usa isso como uma estratégia de conexão reforça posicionamento de marca. Aqui na Serra Gaúcha temos muitos atrativos, e alguns deles são referências incontestáveis nesse quesito. Através da coluna, faremos juntos esse passeio para conhecer diferentes propostas. Mini Mundo: o sabor como extensão dos detalhes Em Gramado, o Mini Mundo construiu sua reputação com base em um princípio simples e poderoso: o encantamento está nos detalhes. Vivenciar um lugar também é provar seus sabores. A proposta gastronômica do Mini Mundo está em três pontos que dialogam diretamente com o ritmo do visitante, respeitando pausas, contemplação e o prazer de estar presente. Vamos a elas. Bistrô O Bistrô Mini Mundo é um espaço que acompanha diferentes momentos do dia. Pela manhã, o passeio pode começar com o cheiro do café acompanhado de um croissant macio, um pão de queijo quentinho ou até mesmo o famoso croque monsieur. Para quem chega mais tarde e ainda não almoçou, basta sentar e escolher entre risotos, massas, saladas, sopas e pratos kids que trazem conforto para completar a alegria do passeio. Mas é no território lúdico que o Bistrô se destaca, apresentando sobremesas que dialogam com o universo do parque, como o brownie divertido, o waffle, o milkshake e o apfelstrudel, criando uma ponte entre imaginação e paladar bem apresentadas pelos ursos Ana e Gui. O cardápio ainda conta com lanches, cafés e chocolates especiais, bebidas e drinks. O local permanece aberto das 9h30 às 17h40, diariamente. Fettuccine com iscas de carne é uma das opções no cardápio do BistrôFoto: Divulgação Süss Haus Lá nos anos 2000 a Süss Haus surgiu como o primeiro ponto de alimentação do parque vendendo água, picolé e pipoca. Hoje essa origem está preservada e conecta afeto ao paladar: o cheirinho do churros guia os visitantes que, atraídos pela memória sensorial, vivem – e saboreiam a sua porção criança – em qualquer idade. Na versão atual, a “casa doce”, como o próprio nome já diz, também serve sorvete, milkshake, hot dog, calzone, guloseimas, bebidas e cafés especiais. O local tem funcionamento diário, das 9h às 17h30. Com uma vista panorâmica espetacular, o local reforça um dos grandes ativos do Mini Mundo: o tempo desacelerado para contemplar. Churros: Memória de infância resgatada na Süss HausFoto: Divulgação Jardim Mini Mundo Do lado de fora do atrativo há um espaço que dá ao visitante aquele último abraço antes de partir. A ludicidade segue sendo o fio condutor do paladar no Jardim Mini Mundo, com os donuts e o waffle no palito, duas delícias que têm receitas exclusivas. O local abre diariamente das 8h50 às 17h e por isso tem opções pensadas para diferentes momentos. Do companheiro de todas as horas como o café, até um inusitado refrigerante de fermentação natural de origem alemã chamado sprietzbier – tudo foi pensado para deixar impressa na memória do visitante qual é a proposta do primeiro parque temático de Gramado: é único, é feito aqui, é impossível copiar. SERVIÇO O QUÊ: Mini Mundo ONDE: Rua Horácio Cardoso, 291, Bairro Planalto, Gramado/RS HORÁRIO: Diariamente, das 9h às 17h INGRESSOS: www.minimundo.com.br
RECONHECIMENTO TARDIO
Foto: Divulgação Na tarde de segunda-feira (13), o prefeito Gilberto Cezar (PSD) recebeu, em seu gabinete, Susana Maria Marques, recentemente reconhecida como autora da letra do Hino de Canela pela Biblioteca Nacional, por meio do Escritório de Direitos Autorais e também pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição dos direitos autorais das músicas aos autores (Ecad).Após décadas de espera, o reconhecimento oficial marca um importante resgate histórico e cultural para o município. O Hino de Canela foi escrito por Suzana na década de 1950. A letra é de sua autoria, enquanto a melodia foi composta por seu marido, Dilmo Oppitz. MUNDO A VAPOR O Mundo a Vapor se reinventou, de novo. Reabriu suas portas com a sua maior transformação desde que foi idealizado pelos irmãos Omar e Benito Urbani há mais de três décadas. São 10 novas salas imersivas, além de um novo e belo laytout, logo na entrada. ÁREAS DE RISCO A Defesa Civil de Gramado dá continuidade ao mapeamento e cadastramento de moradores que residem em áreas de risco identificadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). As equipes estão realizando visitas domiciliares, com o objetivo de consolidar dados essenciais para o monitoramento contínuo e a segurança dessas regiões.Um estudo feito pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), após os deslizamentos de 2024, aponta que 9.728 gramadenses moram em áreas de risco. No total, são 2.432 domicílios em risco, aponta o estudo feito por geólogos em Gramado. ARBORIZAÇÃO Poucos sabem, mas Gramado possui uma certificação internacional da área ambiental. É a Tree Cities of the World, programa vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece cidades com boas práticas de arborização urbana.Até o mês passado, apenas Gramado e Porto Alegre tinham a certificação. Agora, o município de Rio Grande se junta a este seleto grupo.Para conquistar a certificação, as cidades precisam atender a cinco critérios: estrutura de manejo arbóreo, legislação específica, diagnóstico da arborização e áreas verdes, investimento financeiro e ações de valorização das árvores. NOVO DIÁCONO Com intensa participação na comunidade católica, o técnico agrícola Alexandre Meneguzzo está se preparando para se tornar Diácono. Na semana passada, ele recebeu a primeira ordem do caminho, que é a do Leitorato. No dia 20 de agosto, Meneguzzo receberá a Ordem do Colitato, que permitirá a ele atuar no altar e distribuir a eucaristia. O terceiro e último passo será a ordenação como Diácono Permanente, em 2027.Casado, pai de dois filhos, Alexandre Meneguzzo mostra-se feliz com a caminhada religiosa: “Quando Deus faz as coisas da gente, nós precisamos ser gratos e corresponder ao chamado”.Meneguzzo é conhecido em Canela por sua atuação na Emater/RS. HOTEL DE 45 ANOS O Hotel Vovó Carolina é um dos empreendimentos que ajudam a contar a história da hospitalidade em Gramado. Criado pelo casal Octavio e Ana Rossi, o hotel chega a 45 anos de atividades. FIM INEVITÁVEL Bem que a Prefeitura de Gramado tentou. Nos últimos anos, o Executivo procurou, sem sucesso, aprovar a Taxa de Turismo Sustentável. Houve resistência das entidades e das empresas, fortemente impactadas pela pandemia de 2020 e pela enchente de 2024. Na segunda-feira (13), a Câmara de Vereadores aprovou o projeto do próprio Executivo, extinguindo a taxa. Na justificativa dizia que “a medida busca eliminar a cobrança, facilitando o acesso de turistas e moradores aos serviços locais, além de contribuir para o fortalecimento da atividade turística e da economia de Gramado”.Em 2024, este colunista escreveu uma nota com o título “A nova Taxa de Turismo morreu de morte morrida. Ainda bem!”. Na argumentação falamos que “os empresários não aguentam mais tantos encargos para administrar, ainda mais em um período em que os prognósticos apontam para uma queda acentuada na principal aposta do ano: o Natal Luz!”.Nos estertores, em busca de aprovação da taxa, o Executivo acenou com a divisão dos recursos advindos do Fundo, incluindo repasses ao Mocovi, apoio indispensável da Segurança Pública. Mas o empresariado estava cansado. E a Taxa de Turismo morreu de morte morrida. PÓRTICO ABALADO Está suspensa, de forma temporária, a passagem de veículos sob o pórtico da RS-235, em Gramado. A medida foi necessária após avaliação técnica, que constatou abalo na estrutura devido um acidente registrado na noite do dia 6 de abril, quando um caminhão desrespeitou a altura permitida e colidiu contra o pórtico. O fluxo de veículos segue ocorrendo no trecho, pelas vias laterais da estrada
Social da Samanta – 723
A loja de souvenirs do Mundo a Vapor está incrível e claro que tem dedos da Karina Celli neste projeto! Foto: Divulgação Prestigiando a reinauguração para imprensa e convidados do Lá Estacion estiveram Lucas Dias e Bárbara Müller Dias! Foto: Divulgação O Varanda Boutique Hotel, em Gramado, apresenta a coleção de aquarelas “Pássaros da Serra”, que passa a integrar o café da manhã dos hóspedes. Assinada por Adriana Höppner, propõem uma experiência em que a arte se insere no cotidiano da hospedagem Foto: Divulgação Dagma Wender e sua neta Isabela também deixaram seus bilhetinhos no tradicional Bar do Arante, em Pântano do Sul, Florianópolis. Foto: Divulgação Caren e Rosa Urbani com o prefeito de Canela, Gilberto Cézar no evento emocionante de reabertura do Mundo a Vapor! Foto: Cleiton Thiele Anna Sylla está a frente da Platz Cosméticos de Gramado e Canela, o de recentemente inaugurou um novo espaço e apresentou o resultado da Musa Platz! Foto: Divulgação Lenise Urbani, Aldair Machado e Caren Urbani na inauguração do Mundo a Vapor, orgulhosos do sucesso desta noite! Foto: Cleiton Thiele Assinando eventos icônicos de Gramado e Canela, Flávio Prestes do Acontece Gramado Foto: Divulgação
NO PALCO, NA ESTRADA,NUNCA LONGE DO MICROFONE
Uma inquieta que, aos 27 anos, já trilhou muitos caminhos da arte mas tem outros tantos a descobrir, Taine Dufau é uma mulher que se agiganta ao cantar. Essa porto-alegrense, por enquanto residindo em Canela, tem potência na voz e afinação que brotam da alma, bom gosto nos repertórios que vem da convivência com a família e os grandes profissionais com quem se cercou e cerca. Privilegiada por ter nome real tão bonito e sonoro que parece, desde o batismo, lhe destinar aos palcos, a cantora, atriz e performer Taine herdou da mãe o sobrenome Dufau (se você não sabe, peça a algum conhecido que domina o francês para lhe ensinar a pronúncia). O destino em ação, Taine só poderia mesmo cantar com muito charme na língua de Voltaire. Mas o jazz e a soul music do mundo, o pop e os standards americanos acabam prevalecendo no seu repertório, incluindo a MPB. Opção de uma legião de meninas, Taine Dufau sentiu o que é um palco ao ingressar no balé de Neusa Martinotto. Quando descobriram seu timbre vocal de pré-adolescente, surgiu o convite para brilhar, mesmo sem aparecer, em um grande evento. Era a Fantástica Fábrica de Natal, espetáculo do Natal Luz de Gramado, em 2007. Precisavam de uma voz infantil afinadíssima e ela emprestou a dela, aos oito anos de idade. Detalhe: foi dublada por um protagonista menino. Dali em diante, muita música e teatro nunca pararam de rolar na vida desta cantora autodidata no francês (agora estuda), que aperfeiçoou o inglês na Austrália e cruzou com garra as portas que se abriram. O currículo de Taine enumera participações cantando ao vivo, além de no Natal Luz, no Sonho de Natal de Canela, nos espetáculos Korvatunturi e Belle Époque, em apresentações contratadas da D’Arte Multiarte em diversas cidades e em eventos festivos e corporativos. Alguns convites de Lisi Berti foram muito bem aceitos pela Taine que também quis ver como é ser atriz – ela atuou nos espetáculos Auto da Barca do Inferno, As Bruxas de Salém e Cabeças Autônomas, de Lisi. Apresentar-se na noite é outra escola onde nossa entrevistada é bem formada. Começou integrando o show da pizzaria Cara de Mau, em Gramado, cujos proprietários investiram na classuda Gatzz, casa noturna à la grandes metrópoles, convidaram Taine e onde ela integra o elenco até hoje. Nas terças e quartas, ela canta no não menos prestigiado Hard Rock Cafe (sem acento) de Gramado, interpretando magistralmente Amy Winehouse. O Instagram @tainedufau mostra um panorama dessa artista que, tendo gente boa para dar o tom, manda ver com muito talento e versatilidade. E tem também um link oculto (procure-o) chamado@tocandoviagem. Ali entra em cena a Aline Dufau mochileira, viajante mais feliz que nunca com seu marido Lucas. Não é à toa que ela canta o mundo, pois já rodou bastante. Lá no início escrevi que ela mora por enquanto em Canela porque, a partir deste maio, o Brasil espera ela, Lucas e as duas calopsitas. Vão percorrê-lo a bordo de uma Kombi-home onde depositaram boas economias para torná-la perfeita para viver na estrada, sem prazo de retorno. Serena, a Kombi, também servirá de cenário móvel para Taine cantar. Imaginaram a cena… você se deparar, à noitinha, em uma beira-mar, com uma Kombi iluminada de onde se ouvirá uma voz encantadora interpretando Valerie ou Non, Je Ne Regrette Rien ? Boa jornada, Taine! Se a vida voa, corra também Nunca é tarde pra nada, se o corpo continuar obedecendo bravamente o que a mente mandar. Às vezes ele reclama, a gente se restabelece mas segue em frente. E como a cabeça gosta! De quando em vez, traremos aqui alguns depoimentos. “Não é sobre velocidade, é sobre constância. Iniciei sem comparação, entendendo o que eu posso entregar e o que o meu corpo consegue aceitar. Entendi que minha corrida é outra. Aos 59, quase 60 anos, comecei do zero. Tive incentivo, apoio e orientação dos profissionais da academia On Fit e isso foi fundamental para minha experiência com corrida. Hoje, corro e caminho devagar, mas sem parar.O mais importante é que me sinto mais forte e feliz a cada momento. Participei pela primeira vez de uma corrida aos 59 anos, neste mês, a Corrida do Coelho em Gramado e já estou inscrita em outras duas. Correr é terapêutico, sem falar da saúde física que melhora e a saúde social fica potencializada pela oportunidade de conhecer e conviver com outras pessoas!” Maude Celuppi Piva
Marcas & Negócios
Mega Stock Goods Br A primeira edição da Mega Stock Goods Br encerrou com números expressivos que confirmam o sucesso da iniciativa. Durante os cinco dias de evento (8 a 12 de abril), mais de 1.000 pessoas frequentaram os pavilhões do centro de distribuição da marca, no Vale das Montanhas, em Gramado, e mais de 2.000 itens foram comercializados. Os números refletem a receptividade do público à proposta inovadora de garimpo de design com oportunidades genuínas de valor. Segunda edição Com o sucesso, a segunda edição já está confirmada para 6 a 10 de maio, coincidindo com o final de semana do Dia das Mães. Novos produtos, ofertas ainda mais relevantes e atrações especiais estão sendo planejadas para a data que se transforma em uma oportunidade de presentear ou renovar ambientes. Anuário de Turismo 2025 A Prefeitura de Gramado, por meio da Secretaria de Turismo, divulgou recentemente seu Anuário, trazendo a consolidação dos principais indicadores do turismo de Gramado referentes ao ano de 2025, sistematizando informações para acompanhamento do desempenho do setor. O documento merece ser analisado com atenção, pois estimula a reflexões necessárias. De onde vem os dados A elaboração do relatório foi baseada nos boletins mensais do Observatório do Turismo de Gramado e integra múltiplas fontes de dados, incluindo registros de geolocalização de visitantes, informações da Secretaria da Fazenda de Gramado, dados do Gramado, Canela e Região das Hortênsias Convention & Visitors Bureau e da Autarquia Municipal de Turismo e Cultura (Gramadotur). Recuperação e consolidação Na visão do secretário de Turismo de Gramado, Ricardo Bertolucci, os resultados evidenciam não apenas a recuperação dos fluxos, mas a consolidação de Gramado como um destino resiliente e estrategicamente posicionado no cenário nacional. Desde que assumiu a pasta, é visível seu empenho em buscar dados que possam embasar a tomada de decisões do município dentro da estratégia de posicionamento da marca. RS na frente Alguns números do Anuário chamam a atenção, como o fato do Rio Grande do Sul permanecer como principal mercado emissor de visitantes para Gramado. Em 2025, respondeu por 61,5% do total de visitantes nacionais. Parte desse percentual seguramente também contempla Canela e Nova Petrópolis, visto que o público costuma circular pelas cidades vizinhas, especialmente em datas comemorativas como o Natal. A pergunta sem resposta A 40a edição do Natal Luz – que teve 88 dias – e trouxe, segundo o Anuário, 2,8 milhões de visitantes no período. Qual foi o tamanho do impacto deixado na economia dos nossos municípios? Conversando com diversos setores, é latente a percepção de que 2025 foi desafiador, 2026 ainda está acanhado e que o perfil do visitante vem mudando significativamente (e não é para melhor). A próxima temporada natalina é daqui a seis meses e ela chega junto com uma eleição que, dependendo do resultado, vai impactar profundamente a economia do País. A hora de pensar e agir é agora. Tem algo para contar? Se você também tem algo a contar sobre negócios, desenvolvimento, oportunidades e marcas que estão em movimento envie a sua de pauta para mim: adriana@ateraz.com.br
Juros, impostos e inflação
Frequentemente somos questionados por investidores sobre a necessidade de diversificar, já que a taxa de juros atual, em torno de 15% ao ano, entrega retornos que parecem “sem riscos”. A resposta não é simples. Poderíamos falar de vários tipos de risco, mas vamos focar e um bem importante: o risco de não conseguir alcançar seus objetivos — especialmente o de manter o padrão de vida na aposentadoria.Juros altos podem ser grandes aliados do poupador. Não estou falando de colocar dinheiro na caderneta de poupança, mas de guardar dinheiro hoje para poder gastar no futuro com o mesmo (ou maior) poder de compra. Imagine alguém que, há 20 anos, decidiu guardar dinheiro em títulos públicos atrelados à taxa Selic. Essa pessoa viu o valor nominal do seu dinheiro valorizar 595% — uma média de 10,2% ao ano. O patrimônio nominal foi multiplicado por quase sete vezes. Parece um ótimo negócio, não é?Contudo, é necessário deduzir o impacto dos impostos sobre os rendimentos. A alíquota mínima de Imposto de Renda sobre aplicações no Tesouro Direto atinge 15% após dois anos. Nesta simulação teórica — visto que não existem títulos atrelados à Selic com prazos de vencimento de 20 anos ininterruptos —, o retorno após a incidência do imposto diminui para uma média de 9,4% ao ano.Mas não para por aí, o custo de vida também se multiplicou. O índice de inflação IPCA acumulou aproximadamente 195% no período, o equivalente a uma média de 5,5% ao ano. Descontando a inflação do retorno real líquido de impostos, o poder de compra do poupador aumentou 105% (média de 3,65% ao ano). É um retorno interessante, mas bem diferente dos “quase sete vezes” que vistos anteriormente.Os próximos 20 anos certamente serão diferentes. Porém, entender o passado nos ajuda a tomar decisões mais conscientes, especialmente quando o objetivo principal é preservar o padrão de vida na aposentadoria. Felizmente, existem caminhos mais inteligentes para navegar entre juros, impostos e inflação. Com a orientação de um profissional, é possível estruturar uma estratégia que protege melhor o seu futuro, ao mesmo tempo em que otimiza a carga tributária e organiza o processo de sucessão.Hoje, por exemplo, é possível investir em títulos públicos indexados à inflação — as conhecidas NTN-B — que oferecem juros reais acima de 7% ao ano. Mas o ganho não está apenas na taxa. A grande diferença aparece quando combinamos esses ativos com uma estrutura mais eficiente, como os fundos de previdência. Neles, além da possibilidade de acessar essa mesma classe de ativos, o imposto de renda pode cair para apenas 10% após 10 anos. E não para por aí. A previdência permite ajustar a estratégia ao longo do tempo sem a incidência de imposto a cada movimentação e ainda simplifica o planejamento sucessório, com transferência ágil dos recursos aos beneficiários e, em muitos casos, sem a incidência de ITCMD.Na prática, essa escolha muda o jogo. Em vez de um crescimento real de cerca de 3,65% ao ano, como em estratégias tradicionais atreladas à Selic, o patrimônio pode avançar próximo de 6,2% ao ano. Parece uma diferença pequena no curto prazo, mas, ao longo de 20 anos, isso pode resultar em um patrimônio aproximadamente 65% maior. No fim das contas, são decisões como essa que determinam se o dinheiro vai acompanhar você por toda a vida ou se vai ficar pelo caminho. Conversar com um profissional para fazer um planejamento financeiro e entender os riscos e vantagens das diversas alternativas ajudam nessa jornada. Por:Nikolas KrolikowskiSócio da Black Investimentosnikolas@escritorioblack.com.br | @nikolaskro
Eleições 2026
Todos sabem que este ano teremos eleições. Elegeremos, para os próximos quatro anos, deputados estaduais, deputados federais, governadores de todos os estados e do Distrito Federal, além do presidente da República. Ainda concederemos a dois terços do Senado — ou 54 senadores — um mandato de oito anos. Esta é, sem dúvida, a maior eleição brasileira. Ela ocorre apenas a cada oito anos com essa magnitude, pois, no próximo ciclo, elegeremos apenas um terço do Senado. É, portanto, um momento único e de vital importância para o futuro de nosso país. Dentre todos esses cargos, destaco dois pleitos: o presidencial e o para o Senado. A verdade é que direita e esquerda dividem o país e, novamente, polarizarão a eleição presidencial. Lula venceu Bolsonaro por apenas 1,8 milhão de votos e as pesquisas indicam que o voto que foi para Bolsonaro em 2022 irá, em mais de 90%, para o candidato da direita este ano — ao que tudo indica, o filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro. Seguindo esse raciocínio, bastaria que 1 milhão de eleitores de Lula mudassem seu voto para a direita eleger novamente o presidente. Observando os índices de reprovação do atual governo, essa me parece uma hipótese muito provável. No Senado, ao meu ver, teremos uma grande renovação e a presença de nomes ilustres da política. Com as questões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), ficou latente o desejo da sociedade de um controle mais efetivo sobre os membros da Suprema Corte brasileira. No nosso sistema político, esse papel cabe ao Senado. Portanto, a importância dessa Casa tornou-se central para os interesses dos dois grandes grupos políticos (esquerda e direita). Teremos, por exemplo, Fernando Haddad concorrendo ao Senado por São Paulo e Marcel van Hattem abrindo mão de uma eleição garantida para deputado federal para tentar uma vaga ao Senado aqui no Rio Grande do Sul. Quaisquer que sejam os resultados de outubro, teremos, sem dúvida, um novo mapa político a partir de 2027. Chegará ao fim o ciclo Lula que, mesmo se reeleito, não poderá mais concorrer e teria 85 anos ao final de um eventual quarto mandato em 2030. Jair Bolsonaro poderá ser anistiado no ano que vem ou cair definitivamente no ostracismo. Independentemente do que ocorra, pode-se cravar hoje: o Brasil será muito diferente a partir do ano que vem.
Chimarrão e poesia
(Entre história, tradição e arte…) Num pequeno texto de Barbosa Lessa… As duas coisas que o gaúcho típico mais aprecia são beber chimarrão e declamar poesia. Chama-se chimarrão uma espécie de chá quente, herdado dos índios guaranis. Tal infusão é feita com partículas de folhas tostadas ao fogo de uma árvore muito verde e encorpada chamada caá-mini pelos guaranis, congoinpelos tupis, congonhaou erva-mate pelos brancos, e o botânico Saint-Hilaire “Ilex paraguaiensis”. Mate chimarrão significa mate selvagem, ao natural, amargo; mas o que era adjetivo qualificativo passou a ser, hoje, o substantivo, a coisa, a bebida. É uma bebida amarguinha, mas muito saudável. Revigorante, estimulante, fortificante. Ao contrário do álcool ou do café pode ser servida uma vez atrás da outra, com breves pausas, mas horas a fio, sem nenhum efeito de enfartamento, desapetite ou repulsa. Passando de boca em boca, anima solidariamente os causos de galpão. Tomado a sós, é o mais eficiente remédio contra o silencioso manto da solidão. E chama-se poesia um discurso rimado, à maneira dos menestréis medievais. Geralmente é narrativo: descreve guerras, peleias, proezas campeiras, machismo. Às vezes, é descritivo, mostrando coisas ou cenas do campo. Usa e abusa de comparações e metáforas. E precisa terminar, sempre, com um fecho laudatário. Se a gente misturar chimarrão com poesia, tem-se algo mais ou menos assim: “São avios do chimarrão / de acordo com antiga usança, a erva, a bomba e a cuia, / e o tripé em que esta descansa. Pra que um mate saia bueno, / tem que ser com erva mansa, nem entupido, nem frio, / nem lavado, sem sustança. Tem que ser calmo, tranquilo, / como um sono de criança, ser quente como a carícia / de uma chinoca de trança, amargo como a saudade / e verde como a esperança”! Barbosa Lessa múltiplo… Pesquisador e um dos fundadores do 35 CTG, Secretário da Cultura do Estado do RS (1979-1983), autor de dezenas de canções (Negrinho do Pastoreio, Quero-Quero, entre outras) e em torno de 70 livros sobre ficção, folclore, história do RS e do Brasil, … ………………………………………………………………………………………………………… O chimarrão e o churrasco (que, por sinal, é também alvo de muita poesia) são dois dos maiores símbolos do RS, conforme a Lei Estadual 11.929/2003, comemorados a 24 de abril (Dia do churrasco e do chimarrão). A data, para quem não sabe, celebra e homenageia também, a fundação do 1º CTG do Estado, do Brasil e do mundo: o “35” Centro de Tradições Gaúchas, de Porto Alegre, lá em 1948. Para orgulho do Rio Grande do Sul… a nossa terra!