DA CRÍTICA À REDENÇÃO

Depois das eliminações de 1982 e 1986, o futebol brasileiro passou a conviver com uma dúvida que dividia torcedores e jornalistas: jogar bonito bastava para ganhar uma Copa do Mundo?

A seleção de Telê Santana havia encantado o planeta, mas voltou para casa sem a taça. O jejum brasileiro já chegava a duas décadas e a pressão por resultados aumentava.

Foi nesse ambiente que o Brasil chegou à Copa de 1990, na Itália. Sob o comando de Sebastião Lazaroni, a equipe adotou um estilo mais próximo do futebol europeu, valorizando organização tática e marcação.

Nesse contexto ganhou protagonismo Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga. Nascido em Ijuí e formado pelo Internacional, o volante tinha 26 anos e carregava características que marcariam sua carreira: liderança, disciplina e competitividade. Para parte da torcida, passou a representar uma ruptura com o futebol criativo das gerações anteriores.

O desempenho da Seleção não empolgava e as críticas logo encontraram um personagem central. Nascia ali a chamada “Era Dunga”, expressão associada a um futebol considerado excessivamente pragmático.

A eliminação veio nas oitavas de final contra a Argentina. O Brasil criou as melhores oportunidades, mas uma arrancada de Maradona terminou nos pés de Caniggia, autor do gol da vitória argentina.

Os quatro anos seguintes foram de reconstrução. Quando a Copa de 1994 começou, nos Estados Unidos, o Brasil já não buscava apenas encantar. Precisava voltar a ser campeão. Com Parreira e Zagallo, a Seleção encontrou equilíbrio entre talento e eficiência. Romário e Bebeto decidiam os jogos, enquanto Dunga e Mauro Silva davam sustentação ao meio-campo.

O futebol não possuía o brilho de 1982, mas transmitia segurança. A cada fase superada, o objetivo ficava mais próximo.

Quando Roberto Baggio chutou a última cobrança por cima do travessão, encerrando a disputa por pênaltis, a imagem que ficou para a história foi a de Dunga erguendo a taça do tetracampeonato. Aos 30 anos, o gaúcho de Ijuí completava uma trajetória improvável. O jogador que simbolizava as críticas transformava-se no capitão que encerrava um jejum de 24 anos sem títulos mundiais.

Para muitos brasileiros, aquela cena representou mais do que uma conquista. Era a redenção de um personagem que transformou a cobrança nacional em vitória.

HISTÓRIAS DA COPA V

A COPA QUE APOSENTOU A CAMISA DE ALGODÃO

Na década de 1990, as seleções passaram a utilizar uniformes mais leves e tecnológicos, refletindo a crescente preocupação com preparação física e desempenho dos atletas.

QUANDO MARADONA SE DESPEDIU DAS COPAS

A participação de Diego Maradona em 1994 terminou de forma abrupta após um exame antidoping positivo durante o torneio. Foi sua última Copa do Mundo.

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