A proposta de extinção da escala 6×1 e de redução da jornada semanal de trabalho está entre os temas mais debatidos atualmente no Congresso Nacional. O assunto desperta interesse de trabalhadores, empresários, sindicatos e especialistas porque envolve mudanças que podem afetar diretamente a rotina de milhões de brasileiros e a organização de diversos setores da economia.Embora a discussão tenha ganhado força nos últimos anos, a origem da escala 6×1 remonta ao início da regulamentação trabalhista no país. Em 1932, o governo federal passou a estabelecer limites para as jornadas de trabalho em diferentes categorias profissionais, fixando a jornada diária de oito horas. Como a carga semanal era de 48 horas, consolidou-se o modelo de seis dias trabalhados para um dia de descanso.Quando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi criada, em 1943, essa estrutura já fazia parte da realidade de boa parte dos trabalhadores brasileiros. A legislação fixou a jornada máxima de oito horas por dia, 48 horas por semana e o descanso semanal remunerado. Durante décadas, a escala 6×1 tornouse uma das formas mais comuns de organização do trabalho no comércio, nos serviços, na indústria, na hotelaria e em diversas atividades que exigem funcionamento contínuo.A principal mudança ocorreu em 1988. Com a promulgação da Constituição Federal, a jornada máxima semanal foi reduzida de 48 para 44 horas. Apesar da redução, a lógica da escala permaneceu praticamente inalterada. O trabalhador passou a cumprir menos horas ao longo da semana, mas continuou, na maior parte dos casos, trabalhando seis dias para descansar um. Desde então, o Brasil convive há quase quatro décadas com esse modelo. O QUE ESTÁ SENDO PROPOSTO A discussão atual prevê o fim da escala 6×1 e a adoção de modelos que garantam dois dias de descanso semanal. O texto que avançou na Câmara dos Deputados estabelece uma transição gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Caso a proposta seja aprovada em definitivo, trabalhadores que hoje cumprem seis dias consecutivos de trabalho poderão passar a atuar em escalas de cinco dias de trabalho para dois de descanso.Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a matéria ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Senado Federal antes de entrar em vigor. UM DEBATE QUE VAI ALÉM DA JORNADA A discussão envolve argumentos favoráveis e contrários. Entre os pontos frequentemente apontados pelos defensores da mudança estão a possibilidade de mais tempo para descanso, convivência familiar, qualificação profissional e redução do desgaste físico e mental dos trabalhadores.Já entre as preocupações apresentadas por entidades empresariais e especialistas estão os impactos sobre os custos das empresas, a necessidade de novas contratações, a reorganização das escalas de trabalho e os desafios de adaptação em setores que funcionam todos os dias da semana.A questão central é que os efeitos não tendem a ser iguais para todos os segmentos econômicos. Enquanto algumas atividades podem absorver mudanças com maior facilidade, outras dependem de operação contínua e exigem equipes completas justamente nos períodos de maior movimento. O OLHAR PARA A REGIÃO DAS HORTÊNSIAS É nesse ponto que o debate ganha relevância especial para Canela e Gramado. A economia da região possui forte ligação com o turismo, a hotelaria, a gastronomia, os parques temáticos, o comércio e os serviços. São atividades que registram grande movimentação nos finais de semana, feriados e períodos de alta temporada, justamente quando a maior parte dos visitantes está na cidade.Uma eventual mudança na jornada de trabalho pode exigir readequação das escalas, novas contratações e revisão dos processos internos das empresas. Ao mesmo tempo, pode influenciar a atração e a permanência de profissionais em setores que historicamente enfrentam dificuldades para preencher vagas e reduzir a rotatividade de funcionários.Outra preocupação envolve a disponibilidade de mão de obra. Empresas da região relatam, há anos, dificuldades para contratação em diversas funções ligadas ao turismo e aos serviços. A necessidade de ampliar equipes para atender novas jornadas é um dos pontos observados por empresários e especialistas.Por outro lado, sindicatos de trabalhadores argumentam que jornadas mais equilibradas podem tornar o setor mais atrativo, melhorar a qualidade de vida e contribuir para a permanência dos profissionais nas empresas. UM TEMA SEM RESPOSTAS DEFINITIVAS Apesar da intensidade do debate, ainda não existe consenso sobre quais serão os impactos efetivos da mudança. Os efeitos podem variar de acordo com o porte da empresa, o setor econômico, a disponibilidade de mão de obra e as características de cada região.Por isso, o tema tem sido analisado sob diferentes perspectivas. Enquanto trabalhadores enxergam a possibilidade de mais tempo para a vida pessoal e familiar, empresários avaliam os desafios operacionais e financeiros da adaptação. Já especialistas destacam a necessidade de observar os efeitos sobre emprego, renda, produtividade e competitividade.Para compreender como essa discussão é vista por quem acompanha de perto a realidade econômica e social da Região das Hortênsias, o Jornal Nova Época ouviu representantes da universidade, entidades empresariais e sindicatos ligados aos setores que movimentam a economia local. O equilíbrio entre pessoas e empresas Análise dos impactos Para a coordenadora do Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Lodonha Maria Portela Coimbra Soares, a discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve aspectos positivos para os trabalhadores, mas também desafios importantes para empresas e setores que dependem de funcionamento contínuo. Segundo ela, entre os possíveis benefícios estão o aumento do tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e ao lazer. A economista observa que jornadas mais equilibradas podem contribuir para reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores, além de favorecer melhores condições de saúde e bem-estar. Lodonha também destaca que, em alguns segmentos, uma melhor qualidade de vida pode ajudar a reduzir a rotatividade de funcionários. A permanência dos profissionais nas empresas é um dos desafios enfrentados por atividades ligadas ao comércio, aos serviços e ao turismo. Por outro lado, a coordenadora alerta para os impactos operacionais e financeiros que a mudança pode gerar. Dependendo da atividade econômica, empresas poderão precisar reorganizar escalas, contratar novos profissionais e absorver custos adicionais para
Quatro versões de parmegiana: O Maquinista chega a Gramado
Parmegiana clássica é finalizada na mesa do clienteFoto: Adriana Silveira Depois de consolidar o restaurante na Estação Canela, o empresário Diego Sachete Fernandes e sua esposa Mariana Cardoso Fernandes decidiram levar também para Gramado os sabores do O Maquinista. A nova unidade está localizada na Avenida Borges de Medeiros, 3143, um dos endereços mais movimentados da cidade. O funcionamento diário, das 11h30 às 22h, é um diferencial importante para moradores e turistas. O horário amplo permite desde um almoço pontual para quem possui compromissos ao longo do dia até refeições mais tardias, para quem está a passeio. Também é uma excelente opção para o happy hour e para o jantar, especialmente porque além do ambiente interno acolhedor, a casa conta com um agradável deck externo que permite observar o movimento da principal avenida de Gramado. AS PARMEGIANAS Embora seja considerada por muitos um clássico da gastronomia italiana, a origem da parmegiana é cercada de curiosidades. Acredita-se que o prato tenha surgido a partir da tradição italiana da melanzane alla parmigiana, preparada originalmente com berinjelas. Com o passar dos anos, especialmente na América do Sul, a receita ganhou novas interpretações até chegar às versões preparadas com carnes empanadas, molho de tomate e queijo gratinado que hoje ocupam lugar de destaque nos restaurantes brasileiros. Parmegiana quatro queijosFoto: Adriana Silveira No Maquinista, o chef Thomas Silveira decidiu levar essa tradição a outro nível, criando quatro versões diferentes para este prato. As parmegianas chegam à mesa em uma travessa de ferro que as mantém quentinhas durante toda a refeição. A finalização acontece diante do cliente, quando os filés são cobertos pelos molhos. Entre todas, a versão quatro queijos foi a que mais me surpreendeu. O motivo está justamente no molho. A combinação de gorgonzola, parmesão, mussarela e requeijão resulta em uma textura aveludada e extremamente cremosa, sem recorrer a qualquer ingrediente adicional para ganhar corpo. É um molho aveludado, construído exclusivamente pela fusão dos próprios queijos. Quando encontra a crocância do filé mignon empanado, cria um contraste que eleva o prato. O Maquinista versão GramadoFoto: Adriana Silveira CARDÁPIO Mas limitar O Maquinista apenas às suas parmegianas seria injusto. O cardápio é amplo e contempla diferentes momentos do dia e perfis de clientes. Para começar, há opções como provolone empanado, bruschettas e bolinhos de bacalhau, excelentes para compartilhar. Nos dias frios da Serra Gaúcha, a tradicional sopa de capeletti e as sopas servidas no pão surgem como escolhas naturalmente convidativas. Quem aprecia hambúrgueres encontra três versões disponíveis, já para quem busca refeições mais leves, as saladas oferecem alternativas equilibradas sem abrir mão do sabor. Os apaixonados por carnes também têm motivos para comemorar. Entre os destaques estão o filé mignon ao molho quatro queijos, a costelinha barbecue, o filé mignon com risoto de alho-poró, o pernil de cordeiro e o filé mignon acompanhado de legumes salteados. Massas e risotos recebem atenção especial. O restaurante oferece variações de talharins e espaguetes, além de seis opções de risotos. Os peixes também marcam presença com quatro preparações distintas, incluindo receitas com tilápia, bacalhau e duas versões com salmão. Para encerrar a experiência, a casa apresenta quatro sobremesas: a mousse de chocolate ao leite, o big cookie assado, o tradicional petit gâteau e a rabanada. A carta de bebidas acompanha a versatilidade do cardápio. Chopp, cervejas, whiskies, caipirinhas, drinks, vinhos, espumantes e opções sem álcool permitem harmonizações para diferentes ocasiões. Parmegiana com mussarela de búfalaFoto: Adriana Silveira DIA A DIA Para quem busca refeições mais cotidianas, mas igualmente saborosas, O Maquinista oferece prato executivo do dia e três opções de à la minuta. As famílias também encontram praticidade no menu kids, pensado para que os pequenos aproveitem as refeições tanto quanto os adultos.
Social da Luísa Rodrigues
Entre os tons dourados do outono e a beleza das ruas que encantam a cidade, Fernanda Schonardie e Sophia protagonizam um registro repleto de carinho Foto: Divulgação Em clima de festa, tradição e muita animação, Dani Arend e Josué Meireles marcaram presença na tradicional Festa do Peão de Hortolândia Foto: Divulgação Sandro Luis Schmidt, Presidente Sindilojas região das Hortênsias, Guido José Thiele , Vice-Presidente e Nilvio Castanheira na 41 CNSE, congresso nacional de sindicatos empresariais em Blumenau Foto:s Divulgação Athos Cunha e Rafaela Quieto , conhecendo e apreciando de perto o restaurante Libanês das Arábias em Canela Foto: Divulgação O Toda Hora está de cara nova e ainda mais encantador. Agora com um conceito temático, o espaço proporciona uma experiência única, unindo ambiente acolhedor, criatividade e uma gastronomia irresistível. Os proprietários Wilian Assis e Raquel Pereira recebendo amigos e convidados para esse grande momento Foto: Luísa Rodrigues Na abertura da Temporada de Inverno da Villa Santa Claus, Manu Schlieper e Tati Noel celebraram um momento especial, marcado pelo encanto, pela hospitalidade e pelo clima acolhedor que faz da cidade um dos destinos mais desejados do país nesta época do ano Foto: Luísa Rodrigues
Social da Samanta
Deise Oliveira e Bernardo Guedes no American Old Trucks, que agora conta com passeios de caminhão! Foto: Divulgação Mariana Prochsch Caberlon, 1ª Prenda Juvenil da 27ª Região Tradicionalista, representante do CTG Manotaço, de Gramado, participou da 55ª Ciranda Cultural de Prendas do Rio Grande do Sul, realizada entre os dias 21 e 23 de maio, em Erechim Foto: Divulgação Rafael recebeu no último dia 25 de maio, Pedro Ernesto Denardin no Tango para uma noite muito especial Foto: Divulgação Graziela Franzen e o Chef Bruno Hoffmann, da Osteria Benjamin, que foi o Chef Surpresa desta edição Foto: Paula Vinhas Chris Carpes e Oséas Tomasi neste cenário icônico de SP! Foto: Divulgação
EFEITO MC DONALD’S
Agora é oficial: ainda este ano, inaugura em Canela uma unidade da rede McDonald’s. As obras do novo empreendimento começaram na semana passada, após aprovação da Prefeitura e a previsão é de que ele abra as portas ao público no segundo semestre de 2026.A vinda para Canela é um marco. Grandes marcas internacionais costumam validar a vinda de outros. Um exemplo: o Hard Rock Cafe de Gramado foi fundamental para a vinda do Kempinski e do Club Med para a região. Foto: Divulgação NOVELA DO HOSPITAL Os médicos das Unidades de Pronto-Atendimentos (UPAs) Central e Zona Norte de Caxias do Sul voltaram a paralisar os atendimentos. A situação é registrada desde a segunda-feira (1º), e ocorre uma semana depois do fim da última greve. A justificativa seria a falta de pagamento de valores que haviam sido acordados entre sindicato, profissionais e prefeitura.As UPAs são administradas pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), mesma entidade que venceu a licitação para administrar o Hospital São Miguel de Gramado, em janeiro deste ano. NOVA FASE A partir do próximo dia 1º de agosto, Gramado passará a contar com um novo sistema de transporte público coletivo. Operado pela empresa Gramado Transportes Públicos, vencedora do processo licitatório para execução do serviço, a nova modelagem prevê o aumento de rotas, itinerários e horários, bilhetagem eletrônica e uma frota renovada para atender gramadenses e turistas. Na sexta-feira passada (29), a empresa recebeu 10 novos ônibus, todos zero quilômetros e com ar-condicionado.Os veículos, modelo Torino Mercedes Benz Euro 6, e um micro-ônibus modelo Marcopolo Sênior Urbano, vieram de Caxias do Sul. Os ônibus passarão por processos de emplacamento e instalação de equipamentos de tecnologia, como câmaras e GPS, que possibilitarão o acompanhamento real da frota. PESQUISA O novo Campus Gramado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) realiza uma pesquisa on-line para auxiliar na definição das áreas dos cursos a serem ofertados na unidade. A comunidade de Gramado e municípios vizinhos pode participar, respondendo às questões do formulário eletrônico.No levantamento, os participantes são convidados a escolher duas áreas profissionais que consideram mais importantes para a região, entre cinco opções: Turismo, Hospitalidade e Lazer, Gestão e Negócios, Informação e Comunicação, Produção Cultural e Design e Ambiente e Saúde.O Campus Gramado do IFRS poderá contar com cursos técnicos integrados ou subsequentes ao ensino médio, graduações, especializações e mestrados, além de cursos de curta duração (Formação Inicial e Continuada), todos gratuitos. A unidade está em construção no bairro Várzea Grande, porém já começa a funcionar, provisoriamente, em um espaço da Escola Municipal de Ensino Fundamental Mosés Bezzi. SIERRA MÓVEIS Reconhecido como um dos principais prêmios de design internacional, o SIT Furniture Design Award 2026 concedeu uma menção honrosa à Poltrona Blanc criada pela designer Marta Manente para a Sierra Móveis. O prêmio celebra a união entre a criatividade autoral brasileira e a alta movelaria.O SIT Furniture Design Award 2026 foi realizado na Suíça, e reuniu mais de 450 projetos. SNOWLAND Fora do Top 10 em 2024, Gramado figura na 10ª posição no ranking entre os destinos mais vendidos pelas operadoras de turismo do Brasil no ano passado. Se não chega a ser uma surpresa a posição da cidade entre as que recebem mais turistas no País, o Relatório Braztoa 2026 traz outra boa notícia para o município: o parque Snowland foi a quarta atração turística mais procurada pelos brasileiros em 2025, ficando à frente, por exemplo, do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.Antes do parque gramadense, estão o Beto Carrero, em Santa Catarina, o Beach Park, em Fortaleza, e as Cataratas do Iguaçu, no Paraná. PIZZA DE PINHÃO Uma receita sofisticada de pinhão, tuile de pinhão, mix de cogumelos e produtos orgânicos garantiu ao chef Igor Cândido o segundo lugar na 7ª edição da Copa Brasileira de Pizzaria. O prestigiado campeonato, que acontece a cada quatro anos, foi realizado entre os dias 26 e 29 de maio, em São Paulo, como uma das grandes atrações da Fispal Food Service — a maior feira do setor de alimentação fora do lar da América Latina.Igor comanda a Candido’s Pizza, que opera no sistema Delivery e Take Away em Gramado e Canela. PIZZA DE FONDUE Com a chegada das temperaturas mais baixas, a Heróis da Pizza anuncia o retorno de um dos sabores mais aguardados de seu cardápio sazonal: a Pizza de Fondue. A receita, que já se tornou tradição durante o inverno da pizzaria temática, volta a integrar o rodízio reforçando a conexão da casa com os sabores típicos e o clima característico de Gramado. EM PRIMEIRA MÃO Gramado ganhará nos próximos meses uma loja de chocolates da suíça Lindt, a Casa de Barbie e um museu dedicado a Ayrton Senna. TIQUETEIRA Os grandes eventos promovidos pela GramadoTur, autarquia municipal de turismo, terão como tiqueteira oficial a Imply ElevenTickets. A empresa foi a vencedora do processo licitatório e fornecerá soluções integradas para gestão, vendas online e físicas e controle de acesso para os eventos e produtos oficiais da GramadoTur: Festival de Cinema de Gramado, Natal Luz, Gramado in Concert, Vindima em Gramado, ChocoPáscoa Gramado e Festa da Colônia.
MARATONAR
Cenas de evento internacional: avistar ao longe o partidor e conhecer a lenda maratonista Vanderlei Cordeiro de LimaFotos: Claiton Saul Em uma época em que maratonar passou a significar permanecer horas defronte a uma tela assistindo episódios em sequência de uma série, a antítese e verdadeira acepção da palavra às vezes também é assunto.Muito se falou, neste mês de maio, sobre a 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, evento dividido em rústicas, meia maratona e a principal, com os tradicionais 42.195 metros de extensão, em dois dias de programação (30 e 31). Crescendo em participação à razão de mais de 20% ao ano, a maratona de Poa caminha a passo rápido, ou melhor, corre para se tornar a maior de Brasil. Duas das razões são o fato de o circuito percorrido ser de baixíssima altimetria (é todo plano, o que torna a maratona da Capital a mais rápida do país) e o clima (o frio favorece melhores tempos). Uma cidade receber cerca de 30.000 corredores não é coisa pouca. Na fila para a retirada do número para competir, nas tantas modalidades oferecidas, chamam a atenção os muitos corredores chegando com malas do aeroporto ou da rodoviária. Quase metade dos participantes vêm de fora do Estado. Só quem vai lá, para ver ou correr, tem a real dimensão da história toda. Largar no meio dos 8.000 que correram as rústicas de 10km e 5km, o que foi meu caso, já dá uma disparada no coração. Uma multidão transformada em pernas, várias faixas etárias, vários desafios (como empurrar cadeirantes, que merecem se sentir como corredores), vários extenuados comemorando no final: “eu sou RP!”, ou seja, bateram o recorde pessoal, que é o que importa para cada um. Deixando de lado o café pequeno, que é percorrer um quarto ou um oitavo do que corre o pessoal que realmente se puxa, na meia maratona e, principalmente, na maratona é que moram o desafio e o verdadeiro esforço. Ninguém corre sozinho uma maratona. Por trás de cada corredor e corredora tem uma família dando força, tem treinos de dia e de noite, tem a dor. O dia da prova é a cereja de um bolo que demora para crescer, e a linha de chegada é o retrato da superação. Tem gente que chega bem, trotando com garbo, tem gente sendo amparada por paramédico. Gente que se ajoelha para agradecer ou porque as pernas vergaram. Gente com parentes e amigos correndo juntos o último quilômetro, nas laterais do funil de chegada, aos gritos de estímulo para os seus heróis. Até mulheres sendo aguardadas com pedidos de casamento. Não importa se chegaram depois de mais de cinco horas, é gente que não se entregou. Correram com a faca na boca, para depois morder a medalha. A VIDA VOA, ENTÃO CORRA Canela esteve representada nas rústicas, na meia e na maratona de Porto Alegre com gente que surpreendeu, provavelmente não a eles mesmos, que treinaram muito. Os canelenses Tiago Port (à esquerda, na foto abaixo) e Andrews Macedo (à direita), da Academia On Fit, encararam a Maratona de Porto Alegre disputando numa categoria especial, o chamado Desafio Gaúcho. Significa nada menos que correr os 21km da meia maratona em um dia e os 42km da maratona no seguinte. Para Andrews, foi o mais difícil da sua carreira como corredor e personal trainer. No sábado dos 21km, Tiago não teve maiores problemas, mas para Andrews o joelho incomodou desde o início. Como ele prometera fazer a meia maratona ao lado do filho, superou a dor. Planejado e feito! No domingo da maratona, Tiago sentiu as pernas pesarem a partir do km 36, o que fez alterar um pouco o ritmo. Mas finalizou “inteiro”. Já Andrews teve o infortúnio de torcer um tornozelo, em um desnível no chão, no km 18, o que lhe presenteou com uma dor incrível, só aliviada no km 31. Daí ele foi num pace (ritmo) confortável até o final. Léo Glüher cresceu em Canela e estudou no Maria Imaculada. Botou na cabeça que faria a maratona em um bom tempo e cravou 3h44min, correndo em um pace nada mau para quem maratonou pela primeira vez. Na chegada, restou energia para arrancar sua irmã da torcida e carregá-la no colo. Liziane Borba, da mesma Academia On Fit que enviou 32 corredores para Porto Alegre, completou a prova dos 21km mantendo um ritmo consistente e, principalmente, sentindo-se forte e confiante durante todo o percurso. O que levou com ela é a sensação de dever cumprido. “A corrida ensina lições valiosas para a vida. Ensina paciência, persistência e respeito aos próprios processos. Nem sempre é sobre velocidade; muitas vezes é sobre continuar avançando, mesmo quando o caminho parece difícil”, diz Lizi. Foto: Clauber Maciel “A próxima agressão é sempre pior que a primeira” Dra. Simone Chalela A Juíza de Direito da Comarca de Canela relatou, em encontro de Série Narrativas no dia 3 de junho, um pouco do muito que vive no dia a dia em defesa de mulheres vítimas da violência e do machismo estrutural, enraizado em muitos homens.
DA CRÍTICA À REDENÇÃO
Depois das eliminações de 1982 e 1986, o futebol brasileiro passou a conviver com uma dúvida que dividia torcedores e jornalistas: jogar bonito bastava para ganhar uma Copa do Mundo? A seleção de Telê Santana havia encantado o planeta, mas voltou para casa sem a taça. O jejum brasileiro já chegava a duas décadas e a pressão por resultados aumentava. Foi nesse ambiente que o Brasil chegou à Copa de 1990, na Itália. Sob o comando de Sebastião Lazaroni, a equipe adotou um estilo mais próximo do futebol europeu, valorizando organização tática e marcação. Nesse contexto ganhou protagonismo Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga. Nascido em Ijuí e formado pelo Internacional, o volante tinha 26 anos e carregava características que marcariam sua carreira: liderança, disciplina e competitividade. Para parte da torcida, passou a representar uma ruptura com o futebol criativo das gerações anteriores. O desempenho da Seleção não empolgava e as críticas logo encontraram um personagem central. Nascia ali a chamada “Era Dunga”, expressão associada a um futebol considerado excessivamente pragmático. A eliminação veio nas oitavas de final contra a Argentina. O Brasil criou as melhores oportunidades, mas uma arrancada de Maradona terminou nos pés de Caniggia, autor do gol da vitória argentina. Os quatro anos seguintes foram de reconstrução. Quando a Copa de 1994 começou, nos Estados Unidos, o Brasil já não buscava apenas encantar. Precisava voltar a ser campeão. Com Parreira e Zagallo, a Seleção encontrou equilíbrio entre talento e eficiência. Romário e Bebeto decidiam os jogos, enquanto Dunga e Mauro Silva davam sustentação ao meio-campo. O futebol não possuía o brilho de 1982, mas transmitia segurança. A cada fase superada, o objetivo ficava mais próximo. Quando Roberto Baggio chutou a última cobrança por cima do travessão, encerrando a disputa por pênaltis, a imagem que ficou para a história foi a de Dunga erguendo a taça do tetracampeonato. Aos 30 anos, o gaúcho de Ijuí completava uma trajetória improvável. O jogador que simbolizava as críticas transformava-se no capitão que encerrava um jejum de 24 anos sem títulos mundiais. Para muitos brasileiros, aquela cena representou mais do que uma conquista. Era a redenção de um personagem que transformou a cobrança nacional em vitória. HISTÓRIAS DA COPA V A COPA QUE APOSENTOU A CAMISA DE ALGODÃO Na década de 1990, as seleções passaram a utilizar uniformes mais leves e tecnológicos, refletindo a crescente preocupação com preparação física e desempenho dos atletas. QUANDO MARADONA SE DESPEDIU DAS COPAS A participação de Diego Maradona em 1994 terminou de forma abrupta após um exame antidoping positivo durante o torneio. Foi sua última Copa do Mundo.
CANELA NA HISTÓRIA 8
Calendário histórico O próximo dia 15 marca o 49º ano do falecimento do cônego João Marchesi (1903/1977), pároco da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes por mais de três décadas, idealizador e construtor da Catedral de Pedra, em cuja cripta está sepultado. No dia 22 de junho de 1981, a Festa Nacional do Disco realizou-se pela primeira vez em Canela, no Hotel Laje de Pedra. A iniciativa do jornalista e empresário Fernando Vieira (1948/2020) tornou Canela a capital nacional da música, trazendo para a cidade nomes como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Vanusa, Wanderley Cardoso, Chico Buarque, Nara Leão, Ivan Lins, Lucinha Lins, Jorge Ben Jor, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Lulu Santos, entre outros. Festas juninas Em vez do traje caipira, a pilcha. No lugar do casamento na roça, o casamento no campo. E à diferença do forró, entram o bugio, a vanera, o pau-de-fitas, o chamamé. Assim costumam ser as festas juninas no Rio Grande do Sul, em evidente adaptação entre a herança portuguesa de devoção a Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo e as influências espanholas e platinas. Essa fusão constitui o modo de viver do gaúcho (e do gaucho), nas planuras deste extremo sul brasileiro e latino-americano. Origens As festas juninas chegaram ao Brasil no século XVI, trazidas pelos portugueses, e originalmente tinham conotação religiosa e referência à transição da Primavera ao Verão (em junho, na Europa) e às expectativas por boas safras. Com o tempo, alcançaram enorme popularidade e passaram a incorporar características da gente do campo. Essa incorporação assume peculiaridades no Rio Grande do Sul, a tal ponto que em muitos municípios sua organização cabe ao Centro de Tradições Gaúchas. Santos das festas Na versão original, vinda com os ibéricos, as festas de junho eram dedicadas a Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24), São Pedro e São Paulo (ambos em 29). Talvez pelo vínculo do Rio Grande do Sul com o seu santo padroeiro, por aqui se costuma referir o dia 29 (e a eventual festividade popular) apenas a São Pedro. Em Canela Embora de memória hoje menos presente no imaginário coletivo, Canela também teve sua origem na colonização portuguesa, depois ampliada. Dessa fusão de influências resulta o que chamamos cultura local. As festas juninas, incorporadas ao modo de ser da população, foram absorvidas pelos novos colonizadores e por eles influenciadas, resultando no seu modelo atual, de natural, compreensível e rico hibridismo. Antigamente O Memorial considera importante propor essa reflexão sobre elementos de nossa cultura, conduzindo-a ao “olhar local”, buscando uma visão panorâmica que vem da memória ao presente e, assim, constitui a “nossa” história. Nessa fusão religiosa/leiga; ibérica/ africana/alemã/italiana; brasileira/gaúcha/serrana há lugar para recordar hábitos hoje revogados, como o das fogueiras; e enfatizar os que permanecem, como a religiosidade e a mesa farta por uma culinária criativa e generosa. Vácuo Na atualidade, não se tem conhecimento de programação junina em Canela. Em outros tempos, chegaram a ser tradição, muito por iniciativa escolar e, em particular, por parte dos irmãos maristas. “Canela na História” Esta edição teve por fontes diversas publicações sobre Canela e região, além de cobertura das atividades do Memorial, com redação do jornalista Nikão Duarte.
COMPLEXO DE VIRA-LATA
O complexo de vira-lata é genuinamente brasileiro. Consiste numa atitude de pessimismo ou de achar que tudo o que é brasileiro é inferior ou ruim. Enquanto outros povos têm sentimentos de orgulho de sua nacionalidade, por aqui ocorre um fenômeno contrário. Essa “epidemia” acaba sendo prejudicial, pois o povo reclama de tudo e nada faz para mudar essa condição. Prefere reclamar e aceitar as consequências. O pessimismo está presente na política, na religião, nos esportes, na cultura e em todas as áreas da sociedade. Isso lembra muito o desenho animado do estúdio Hanna-Barbera, onde a hiena Hardy repetia: “Oh céus, oh vida, oh azar! Isso não vai dar certo!”. Enquanto isso o mundo gira e as coisas acontecem. E fica mais evidente nessa época de Copa do Mundo, onde o nacionalismo vai por água abaixo. Até mesmo quem nunca chutou uma bola e não sabe nem quantos jogadores têm uma equipe de futebol, reclama do esporte. Pode parecer brincadeira falar de futebol, mas existe o velho ditado que “brincando, se dizem verdades”. A situação atual lembra muito o ano de 1994, onde a Seleção Brasileira chegou totalmente desacreditada na Copa do Mundo, com fortes críticas a jogadores e ao técnico. A economia estava em transição com o Plano Real. O Brasil estava há 24 anos sem ganhar um título, exatamente como agora. Jogou com zagueiros reservas e mesmo assim trouxe o título. Teve um jogador que era dúvida e que foi chamado, na época Romário, assim como agora foi com Neymar. Aliás, tem muito gaúcho que reclama dele, mas talvez não lembre que ele colocou seu helicóptero e seu avião à disposição das equipes de resgate nas enchentes de 2024 aqui no Estado. Inclusive estiveram aqui no aeródromo de Canela. Também outro jogador deu exemplo de superação, o capitão Dunga que foi criticado pela Copa de 1990, superou as opiniões alheias e levantou a Taça de 1994. Mas talvez eu esteja errado querendo o impossível. Ver um povo com orgulho do terra onde nasceu e se dedicando para tornar um lugar melhor. Tivemos brasileiros que se destacaram mundialmente como D. Pedro II, Ruy Barbosa, Tom Jobim, Santos Dumont, Vital Brasil, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Pelé, entre tantos outros. Quem sabe o dia que o povo reclamar menos, votar sem interesse pessoal, melhorar sua memória e se dedicar no seu trabalho e na sua cidadania, as coisas mudem e poderemos voltar a acreditar naquilo que pode dar certo. Mas enquanto que o pensamento de negatividade se sobrepor ao resto, estamos fadados a permanecer com o complexo de vira-lata.
O dia dos namorados
(Em homenagem…) Comemorado mundo afora (em várias partes) em fevereiro – no dia 14 (Dia de São Valentim – Valentine’s Day) – o dia dos namorados é comemorado no Brasil no dia 12 de junho. E, segundo a aceitação popular, foi escolhido por ser um dia antes do Dia de Santo Antônio (o santo casamenteiro)… No Rio Grande do Sul, conforme nos relata a história, o gaúcho sempre pronto a dizer versos, cantar, falar, raras vezes “abre” o coração para falar da prenda amada. Por isso, as poucas poesias (em comparação, claro, com outros assuntos!) na literatura rio-grandense. Mas há, claro, poetas que dedicam versos ao tema… Uns, mostrando o lado da paixão e, outros, o lado cômico… Súplica (Antônio Augusto Fagundes) “Me empresta a luz dos teus olhos / negros, brilhantes e puros, que eu tenho cantos escuros / guardados dentro do peito; Me empresta todo esse jeito / tão feliz diante da vida que em minh’alma dolorida / só existe sonhos desfeitos. (……………………………….. ) Me empresta os teus quinze anos /que são tão cheios de encanto, prá quem o orvalho do pranto / nem sempre quer dizer dor; Me empresta todo o calor / que eu sinto no teu carinho e dá-me, ao menos um pouquinho, / do muito que é teu amor!” ……………………………………… Deu caruncho no namoro (Dionisio C. da Costa / por Os Buenachos) “Prá um índio pobre, tá bem ruim de namorar não dá nem prá disfarçar, / quando não tem um vintém. E a mulherada, tá pior que perdigueiro, conhece até pelo cheiro, / se a gente tem ou não tem. (………………………………..) Mas deu caruncho no namoro! / Prá pelada é muito arisca, atirei a minha isca / mas nem balançou a linha. Mas deu caruncho no namoro! / Ela disse pra Quitéria prá juntar duas misérias / é melhor ficar sozinha”. Assim, também, a homenagem à minha prenda Solange e a todos os “enamorados” (aqueles que estão apaixonados). E aos que se destacam em versos sobre o amor pode-se citar, entre outros, Apparicio da Silva Rillo, Jayme Caetano Braun, Antônio Augusto Fagundes, Dimas Costa que falam de mate, de campo, enfim, falam do amor pela prenda e pela natureza do Rio Grande do Sul… a nossa terra!