O complexo de vira-lata é genuinamente brasileiro. Consiste numa atitude de pessimismo ou de achar que tudo o que é brasileiro é inferior ou ruim. Enquanto outros povos têm sentimentos de orgulho de sua nacionalidade, por aqui ocorre um fenômeno contrário. Essa “epidemia” acaba sendo prejudicial, pois o povo reclama de tudo e nada faz para mudar essa condição. Prefere reclamar e aceitar as consequências.
O pessimismo está presente na política, na religião, nos esportes, na cultura e em todas as áreas da sociedade. Isso lembra muito o desenho animado do estúdio Hanna-Barbera, onde a hiena Hardy repetia: “Oh céus, oh vida, oh azar! Isso não vai dar certo!”. Enquanto isso o mundo gira e as coisas acontecem. E fica mais evidente nessa época de Copa do Mundo, onde o nacionalismo vai por água abaixo. Até mesmo quem nunca chutou uma bola e não sabe nem quantos jogadores têm uma equipe de futebol, reclama do esporte. Pode parecer brincadeira falar de futebol, mas existe o velho ditado que “brincando, se dizem verdades”.
A situação atual lembra muito o ano de 1994, onde a Seleção Brasileira chegou totalmente desacreditada na Copa do Mundo, com fortes críticas a jogadores e ao técnico. A economia estava em transição com o Plano Real. O Brasil estava há 24 anos sem ganhar um título, exatamente como agora. Jogou com zagueiros reservas e mesmo assim trouxe o título. Teve um jogador que era dúvida e que foi chamado, na época Romário, assim como agora foi com Neymar.
Aliás, tem muito gaúcho que reclama dele, mas talvez não lembre que ele colocou seu helicóptero e seu avião à disposição das equipes de resgate nas enchentes de 2024 aqui no Estado.
Inclusive estiveram aqui no aeródromo de Canela. Também outro jogador deu exemplo de superação, o capitão Dunga que foi criticado pela Copa de 1990, superou as opiniões alheias e levantou a Taça de 1994. Mas talvez eu esteja errado querendo o impossível. Ver um povo com orgulho do terra onde nasceu e se dedicando para tornar um lugar melhor. Tivemos brasileiros que se destacaram mundialmente como D. Pedro II, Ruy Barbosa, Tom Jobim, Santos Dumont, Vital Brasil, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Pelé, entre tantos outros. Quem sabe o dia que o povo reclamar menos, votar sem interesse pessoal, melhorar sua memória e se dedicar no seu trabalho e na sua cidadania, as coisas mudem e poderemos voltar a acreditar naquilo que pode dar certo.
Mas enquanto que o pensamento de negatividade se sobrepor ao resto, estamos fadados a permanecer com o complexo de vira-lata.









