(Entre história, tradição e arte…)
Num pequeno texto de Barbosa Lessa…
As duas coisas que o gaúcho típico mais aprecia são beber chimarrão e declamar poesia. Chama-se chimarrão uma espécie de chá quente, herdado dos índios guaranis. Tal infusão é feita com partículas de folhas tostadas ao fogo de uma árvore muito verde e encorpada chamada caá-mini pelos guaranis, congoinpelos tupis, congonhaou erva-mate pelos brancos, e o botânico Saint-Hilaire “Ilex paraguaiensis”.
Mate chimarrão significa mate selvagem, ao natural, amargo; mas o que era adjetivo qualificativo passou a ser, hoje, o substantivo, a coisa, a bebida. É uma bebida amarguinha, mas muito saudável. Revigorante, estimulante, fortificante. Ao contrário do álcool ou do café pode ser servida uma vez atrás da outra, com breves pausas, mas horas a fio, sem nenhum efeito de enfartamento, desapetite ou repulsa. Passando de boca em boca, anima solidariamente os causos de galpão. Tomado a sós, é o mais eficiente remédio contra o silencioso manto da solidão.
E chama-se poesia um discurso rimado, à maneira dos menestréis medievais. Geralmente é narrativo: descreve guerras, peleias, proezas campeiras, machismo. Às vezes, é descritivo, mostrando coisas ou cenas do campo. Usa e abusa de comparações e metáforas. E precisa terminar, sempre, com um fecho laudatário.
Se a gente misturar chimarrão com poesia, tem-se algo mais ou menos assim:
“São avios do chimarrão / de acordo com antiga usança,
a erva, a bomba e a cuia, / e o tripé em que esta descansa.
Pra que um mate saia bueno, / tem que ser com erva mansa,
nem entupido, nem frio, / nem lavado, sem sustança.
Tem que ser calmo, tranquilo, / como um sono de criança,
ser quente como a carícia / de uma chinoca de trança,
amargo como a saudade / e verde como a esperança”!
Barbosa Lessa múltiplo… Pesquisador e um dos fundadores do 35 CTG, Secretário da Cultura do Estado do RS (1979-1983), autor de dezenas de canções (Negrinho do Pastoreio, Quero-Quero, entre outras) e em torno de 70 livros sobre ficção, folclore, história do RS e do Brasil, …
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O chimarrão e o churrasco (que, por sinal, é também alvo de muita poesia) são dois dos maiores símbolos do RS, conforme a Lei Estadual 11.929/2003, comemorados a 24 de abril (Dia do churrasco e do chimarrão).
A data, para quem não sabe, celebra e homenageia também, a fundação do 1º CTG do Estado, do Brasil e do mundo: o “35” Centro de Tradições Gaúchas, de Porto Alegre, lá em 1948.
Para orgulho do Rio Grande do Sul… a nossa terra!









