Solidariedade ponto a ponto

Marina e Giane, à frente do Tricô Solidário

Há quatro anos está em atividade um projeto que ajuda pessoas de uma grande variedade de faixas etárias. Algo do tipo “de zero a sessenta, ou mais”. Explicação: tricotando, um grupo de mulheres entusiasmadas pratica o bem através de suas habilidades com as agulhas.
Essa ação recompensa, em primeiro lugar, elas próprias, tricoteiras, que viram nessa iniciativa uma forma de sociabilizarem. De quebra, aprendendo ou aprimorando a arte do tricô. Em segundo lugar (daí a faixa etária zero) os favorecidos são os recém-nascidos de famílias em situação econômica desfavorável, que recebem todo tipo de roupinhas, reunidas em forma de enxovais. Centenas de crianças já receberam as confecções, fruto desse trabalho abnegado e, por que não, prazeroso, a começar pelo local de execução, que começa a sair da sala fechada.

As tricoteiras, aproveitando o outono


O projeto Tricô Solidário, criado em maio de 2022, tem a chancela do Lions Clube de Canela, por iniciativa de sua atual presidente, Marina Susin Siota, que convidou para ser ministrante a sua companheira de Lions Giane Rockembach. Funciona em parceria com a UCS – Campus Hortênsias, dentro do Programa UCS Senior. É lá que as aulas de tricot ocorrem às quartas-feiras.
Sobre a origem da arte do tricot, há registros de que foram encontradas evidências de tecidos de fios trançados, em forma de meias, em túmulos do Egito datando de cerca de 1.000 a.C.. O resto é história, vem a evolução da técnica, a popularização no mundo e o surgimento das máquinas. Bem… a partir daí, se o tricô perdeu um pouco da graça, sempre haverá quem resgate o seu valor (quando manual) terapêutico e como instrumento de cooperação. E sempre haverá grupos como o Tricô Solidário do Lions de Canela.

O prazer de fazer e entregar pessoalmente

“Pelo que lembro, comecei aos 12 anos a me aventurar em fazer peças de tricô para mim. Eu aprendi os pontos básicos em um daqueles clubes de mães que tinham antigamente e me enfiei para aprender com elas, mesmo sendo adolescente”. Quem lê essas palavras de Giane Rockembach, residente em Canela, pode imaginar que ela viria a ter um futuro profissional ligado a tecidos, moda, confecções… algo, enfim, associado a roupas.
Uma prova da diversidade das aptidões e das decisões que se toma na vida, Giane se tornou, por anos, a diretora da casa prisional de Canela. A menina das agulhas comandou (e muito bem) aquele ambiente muitas vezes hostil. Ela disse à coluna que, no entanto, se apoiava no amor pelo tricô para varar noites inteiras no interior do presídio. O tricô é a única terapia que sempre fez parte da sua vida.
O que a fez voltar com força total ao manuseio das lãs foi a descoberta do trabalho voluntário do Lions Clube – ela adora o slogan “Onde há uma necessidade, há um Leão -, e pôde então usar a sua expertise para ensinar a tricotar, dentro do projeto Tricô Solidário.
“A maravilha do grupo é que eu não só ensino, como também aprendo e, assim, umas ajudando as outras, vamos montando os enxovais com peças lindas, confeccionadas com carinho”. Giane acha marcante o momento em que uma mãe (ou futura mãe) vem até o grupo para retirar um kit completo para o bebê. É quando essa mãe consegue olhar nos olhos de quem fez, ponto a ponto, o enxoval que ela está levando.


Segue a jornada do conhecimento

O projeto “Bonecos Contam Histórias – Jornada do Conhecimento”, que está contando a história de Canela por meio dos bonecos, já passou pelas escolas Severino Travi, Dante Bertolucci e João Alfredo. Focou recentemente na cultura dos povos originários de Canela. Entre as atividades realizadas estiveram a contação de história “A Lenda da Gralha Azul” e oficinas de artesanato, proporcionando uma experiência educativa.
As atividades de contação de histórias e as oficinas de artesanato foram ministradas pela comunidade Kaingang, residente em Canela, gerando atenção para os saberes e tradições deste povo.
“A ideia é aproximar os alunos da história e da identidade local, pois Canela tem uma história muito rica que não podemos deixar de registrar para não ser esquecida”, destaca Daiene Cliquet, proponente do projeto.


Pra correr em gramado

A dica boa do fim de semana, para o pessoal do suor que faz bem, é a corrida de 6km Live Run XP Gramado. Com largada no domingo (26), às 7h, o cenário será as ruas de plátanos do Bairro Planalto, com uma esticada até o Lago Negro. Entre no site
www.liverun.com.br, se der sorte talvez ainda haja inscrições abertas.

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