Juros, impostos e inflação

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Frequentemente somos questionados por investidores sobre a necessidade de diversificar, já que a taxa de juros atual, em torno de 15% ao ano, entrega retornos que parecem “sem riscos”. A resposta não é simples. Poderíamos falar de vários tipos de risco, mas vamos focar e um bem importante: o risco de não conseguir alcançar seus objetivos — especialmente o de manter o padrão de vida na aposentadoria.
Juros altos podem ser grandes aliados do poupador. Não estou falando de colocar dinheiro na caderneta de poupança, mas de guardar dinheiro hoje para poder gastar no futuro com o mesmo (ou maior) poder de compra.

Imagine alguém que, há 20 anos, decidiu guardar dinheiro em títulos públicos atrelados à taxa Selic. Essa pessoa viu o valor nominal do seu dinheiro valorizar 595% — uma média de 10,2% ao ano. O patrimônio nominal foi multiplicado por quase sete vezes. Parece um ótimo negócio, não é?
Contudo, é necessário deduzir o impacto dos impostos sobre os rendimentos. A alíquota mínima de Imposto de Renda sobre aplicações no Tesouro Direto atinge 15% após dois anos. Nesta simulação teórica — visto que não existem títulos atrelados à Selic com prazos de vencimento de 20 anos ininterruptos —, o retorno após a incidência do imposto diminui para uma média de 9,4% ao ano.
Mas não para por aí, o custo de vida também se multiplicou. O índice de inflação IPCA acumulou aproximadamente 195% no período, o equivalente a uma média de 5,5% ao ano. Descontando a inflação do retorno real líquido de impostos, o poder de compra do poupador aumentou 105% (média de 3,65% ao ano). É um retorno interessante, mas bem diferente dos “quase sete vezes” que vistos anteriormente.
Os próximos 20 anos certamente serão diferentes. Porém, entender o passado nos ajuda a tomar decisões mais conscientes, especialmente quando o objetivo principal é preservar o padrão de vida na aposentadoria.

Felizmente, existem caminhos mais inteligentes para navegar entre juros, impostos e inflação. Com a orientação de um profissional, é possível estruturar uma estratégia que protege melhor o seu futuro, ao mesmo tempo em que otimiza a carga tributária e organiza o processo de sucessão.
Hoje, por exemplo, é possível investir em títulos públicos indexados à inflação — as conhecidas NTN-B — que oferecem juros reais acima de 7% ao ano. Mas o ganho não está apenas na taxa. A grande diferença aparece quando combinamos esses ativos com uma estrutura mais eficiente, como os fundos de previdência. Neles, além da possibilidade de acessar essa mesma classe de ativos, o imposto de renda pode cair para apenas 10% após 10 anos.

E não para por aí. A previdência permite ajustar a estratégia ao longo do tempo sem a incidência de imposto a cada movimentação e ainda simplifica o planejamento sucessório, com transferência ágil dos recursos aos beneficiários e, em muitos casos, sem a incidência de ITCMD.
Na prática, essa escolha muda o jogo. Em vez de um crescimento real de cerca de 3,65% ao ano, como em estratégias tradicionais atreladas à Selic, o patrimônio pode avançar próximo de 6,2% ao ano. Parece uma diferença pequena no curto prazo, mas, ao longo de 20 anos, isso pode resultar em um patrimônio aproximadamente 65% maior.

No fim das contas, são decisões como essa que determinam se o dinheiro vai acompanhar você por toda a vida ou se vai ficar pelo caminho. Conversar com um profissional para fazer um planejamento financeiro e entender os riscos e vantagens das diversas alternativas ajudam nessa jornada.

Por:
Nikolas Krolikowski
Sócio da Black Investimentos
nikolas@escritorioblack.com.br | @nikolaskro

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