Muito antes das passarelas, as férias de inverno de Deise Nunes em Canela marcaram a sua infância. A relação com a cidade começou com o convívio com familiares canelenses, a família de seu tio Edy Saul Putten, pessoa querida na cidade e conhecido como Tenente Edy. Deise passava longos períodos na casa dos tios, convivendo com a rotina serrana. “Eu adorava porque eles tinham fogão a lenha, a casa era bem quentinha”, recorda. Durante muitos anos, ela retornou com frequência para visitar os parentes e passar temporadas em Canela. A Cidade das Hortênsias fazia parte da memória afetiva da jovem porto-alegrense, mas acabaria se tornando também o ponto decisivo de uma das histórias mais simbólicas da cultura brasileira nos anos da década de 1980, que completa 40 anos no domingo (17). Quatro décadas depois, o vínculo segue vivo. Foi daqui que surgiu a oportunidade para que ela disputasse o Miss Rio Grande do Sul de 1986, depois de não encontrar apoio em Porto Alegre. O prefeito da capital na época era Alceu Collares, vizinho da família. A ajuda não veio. Canela disse sim. A ligação afetiva construída na infância acabaria se transformando em oportunidade concreta. Sem Canela, provavelmente o Brasil não conheceria a primeira mulher negra a vencer o principal concurso de beleza do país. O SONHO QUE COMEÇOU NA ESCOLA Deise Nunes Ferst nasceu em Porto Alegre, em 30 de março de 1968. Filha de lavadeira, cresceu em uma família simples. Anos depois, definiria sua origem como “classe média baixa, onde nada sobrava, mas nada faltava”. Ainda menina, começou a participar de concursos escolares. Em 1977, aos nove anos, venceu o Miss Simpatia da escola depois de vender votos entre colegas e vizinhos. “Às vezes eu achava aquilo tão longe de mim que nem me permitia sonhar muito”, conta Deise.A mãe, Ana Maria, no entanto, acreditava desde o começo. Segundo Deise, ao apresentá-la, recém-nascida, a uma madrinha, disse: “Toma aqui a tua afilhada, a futura Miss Brasil”. Na adolescência, já no Colégio Santa Inês, estudou graças a uma composição de ajuda familiar e apoio da então deputada estadual Dercy Furtado, vizinha da família. Parte da mensalidade era custeada pela mãe e pelo avô; a outra parte, por Dercy. Foi ali que Deise foi escolhida para disputar o Rainha do Colégio. Ficou em segundo lugar. Depois, representando como princesa a escola no concurso promovido pela União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre conquistou, em 1983, o título de Miss UMESPA, que começou a lhe dar projeção na capital. O primeiro grande passo profissional veio em 1984, quando foi descoberta pelo diretor social do Sport Club Internacional, Paulo Franchini. Representando o clube, venceu o concurso Rainha das Piscinas. Mais tarde, soube que a apuração havia enfrentado resistência de um dos jurados à vitória de uma concorrente negra, o que atrasou a divulgação do resultado. DO MISS UNIVERSO À TELEVISÃO SILVIO SANTOS e Deise: uma grande amizade e mais notoriedade no Brasil Com a faixa nacional, Deise representou o Brasil no Miss Sudamérica, na Venezuela, onde ficou em terceiro lugar. Depois, seguiu para o Miss Universo, realizado no Panamá, alcançando o sexto lugar — resultado expressivo para o país na época. “Entrei no Miss Universo como uma menina de 18 anos e saí de lá mulher”, resume Deise. O concurso mudou completamente sua vida. A jovem modelo gaúcha passou a viajar pelo Brasil e pelo exterior, abriu espaço na televisão e se tornou uma figura conhecida nacionalmente. Participou de programas como Cassino do Chacrinha e Os Trapalhões, gravou para o Fantástico, atuou em novelas e desfilou no Carnaval carioca como rainha de bateria da União da Ilha. Mesmo depois de quatro décadas, a identificação popular permanece. “As pessoas dizem que talvez não lembrem quem foi a miss do ano passado, mas lembram da Deise Nunes”, comenta ela. A NOITE QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA DEISE conquistou o Rio Grande em 1986, o Brasil logo depois Em 1986, representando Canela, Deise foi eleita Miss Rio Grande do Sul por unanimidade. No mesmo ano, no dia 17 de maio, conquistou o título de Miss Brasil, tornando-se a primeira mulher negra da história do concurso nacional.Ela lembra que, num primeiro momento, não percebeu a dimensão do que havia acontecido. “Fui entender uns quatro dias depois, quando sentei para ler os jornais e revistas”, conta Deise. Na época, sem internet e redes sociais, as notícias circulavam mais lentamente. Foi então que compreendeu o peso da representatividade que carregaria dali em diante. “Eu sabia que levava uma bagagem muito maior, que era a questão da representatividade”, afirma ela. Deise costuma dizer que nunca se viu como “a mulher mais bonita do Brasil”, mas como uma representante da beleza da mulher brasileira. A vitória teve repercussão imediata e também expôs resistências de uma época em que os concursos de beleza ainda seguiam padrões muito estreitos. A contagem dos votos chegou a ser conferida mais de uma vez antes da entrega da faixa e da coroa. “Foi mágico aquele 17 de maio de 1986”, recorda ela. A recepção em Canela entrou para a memória da cidade. Houve desfile em carro aberto pelo Centro, com moradores acompanhando a nova Miss Brasil pelas ruas. O concurso também aproximou Deise de um dos nomes mais populares da televisão brasileira. Sílvio Santos, que organizava o Miss Brasil na época, esteve presente tanto na etapa gaúcha quanto na nacional. Décadas depois, em 2015, ela voltou a encontrá-lo no programa Três Pistas, do SBT. UM TÍTULO QUE DEMOROU 30 ANOS PARA SE REPETIR O feito de Deise Nunes demorou três décadas para se repetir. Somente em 2016, com Raíssa Santana, e em 2017, com Monalysa Alcântara, outras mulheres negras voltaram a conquistar o Miss Brasil. Em mais de sete décadas de concurso, apenas três chegaram ao título máximo. Hoje, aos 58 anos, Deise mantém em Porto Alegre a Escola de Modelos Deise Nunes, onde forma novos profissionais da moda e reserva vagas sociais para jovens sem condições financeiras. Entre suas ex-alunas estão misses
Alegria, criatividade, amizades à mesa
Hoje resolvi falar sobre como somos mais felizes quando compartilhamos lugares, histórias e amizades à mesa. A comida é o elo que encurta distâncias, abre espaço para brincadeiras e nos faz bem não apenas porque nutre o corpo, mas também porque sustenta a alma com boas risadas. Escrever sem exemplificar seria apenas discorrer sobre algo que talvez seja difícil de explicar. Então busquei em quatro mulheres muito queridas que carregam no rosto um sorriso por onde passam, são criativas, gostam de pessoas e circulam por aí mostrando como comer e ser feliz “no simples” (entendedoras entenderão) é algo tão bonito. Espero que elas gostem da surpresa. IARA URBANI A Iara é aquela pessoa que tem a alma leve, um sorriso que abraça e nos faz querer estar perto. Criativa e sensível em sua essência, ela criou uma “obra de arte comestível” para uma das atividades do seu lindo projeto Clube Inspira. Com ingredientes que vieram do seu jardim, Iara cobriu uma tela que foi sendo “descoberta” pelas participantes enquanto degustavam uma saborosa pastinha. Quem quiser conhecer o Clube Inspira (ou pedir a receita da obra de arte comestível) procure por ela: instagram.com/iara.urbani Iara Urbani – Comida, arte e sensibilidadeFoto: Divulgação ANA LARA DE MARCHI A Ana Lara é aquele tipo de amiga que gosta de falar de viagens, livros, filmes (e também ama Jorge Drexler assim como eu). Ana é atenta e gentil, qualidades essenciais para quem trabalha no turismo como ela. Recentemente ela registrou no seu perfil um momento descontraído com amigos em que escreveu o seguinte: “Que honra levar o Pará, o Paraná e São Paulo para o XEROX, o entretenimento, o street walking e o street food reunidos, turismo também é sobre comunidades!” Aposto que tem muita gente que também já fez como a Ana, incluindo o famoso “Bar do Xerox” no seu circuito gastronômico em Canela. Quem ainda não conhece, procure por ela para descobrir essa e outras dicas: instagram.com/analaraclossdemarchi Ana Lara De Marchi – Comida, turismo e amizadesFoto: Divulgação TATI NOEL Você sabe o que significa “Mogusha”? Eu não fazia ideia, até a Tati Noel me contar. Relações Públicas de formação, a Tati é o tipo de pessoa que nunca passa despercebida por sua criatividade e carisma. Inspirado em um gesto cheio de carinho no filme Menina de Ouro, “Mogusha” vem de Mo chuishle, uma expressão irlandesa que significa: minha querida. Com o nome escolhido, Tati abriu um quiosque na Vila Santa Claus, em Gramado, onde serve fondue no pote. Para ela, a comida deve ser assim: feita com afeto, intenção e significado porque, segundo ela, o sabor de verdade vem do coração. Quem quiser conferir basta seguir: instagram.com/mogushafonduenopote/ Tati Noel: Comida, criatividade e carinhoFoto: Divulgação JESSICA RAMISCH A “moça do marketing” Jessica Ramisch como ela mesma adora brincar, é daquelas pessoas que contagia com sua alegria. Trabalho e lazer se misturam em suas redes, mostrando que a vida é boa a qualquer hora. Publicitária de formação e blogueira por opção, Jéssica circula por Canela e Gramado contando o que tem de bom para comer, visitar, passear, comprar e é claro… se divertir, afinal ela adora uma festa, família e amigos. Para conferir suas dicas, basta seguir o perfil: instagram.com/vempragramado/ Jéssica Ramisch: Comida, alegria e as melhores dicasFoto: Divulgação
Social da Samanta – 727
Ana Luísa Franzen que está em um intercâmbio, aproveitou para um registro na bela Torre Eiffel Foto: Divulgação Carla Facchin, Renato Fensterseifer Junior, Fernando Maldaner e Tiago Schmidt no Palco Negócios Conscientes Sicredi e Icatu. Na ocasião Renato falou da nova identidade e novo trenó que este ano marcaram a história do Alpen Park Foto: Divulgação Debora Zini em SP, numa selfie bem rock’n roll no show da Banda Megadeth! Foto: Divulgação A entrega do ARS Residence, no último sábado foi um marco neste 15º aniversário da Senso Properties. O CEO e fundador da empresa, Mateus B. Facchin, acompanhado pela esposa, Ana Carolina, recebeu convidados no evento realizado no novo empreendimento, que está localizado na esquina das ruas Dona Carlinda com Rodolfo Schilieper, no Centro de Canela Foto: Divulgação Arquitetas Ana Carolina Belotto e Rafaela Beazutti com o sócio do Grupo Tomazelli, Bernardo Tomazelli durante entrega do empreendimento Vero, que tem assinatura da empresa Foto: Divulgação Nos 15 anos do Studio Vânia: Arianna Reyes, Dieny Arend, Vânia Selau, Juliana Fogaça, Josi Fogaça e Brenda Barbosa! Foto: Divulgação Marta, João Batista e Maristela Rossi, em comemoração aos 45 anos do Hotel Vovó Carolina, em Gramado, lançaram uma charmosa opção de hospedagem na acolhedora Casa do Vovô Octavio e da Vovó Anita Foto: Divulgação Paula Puhl, proprietária da belíssima loja da Columbia, recém inaugurada em Canela ao lado de Mari Puhl e Vânia Selau Foto: Divulgação
PETS QUE ENCANTAM
O Bondinhos de Canela continua encantando os visitantes. E não é só pela beleza da vista da Cascata do Caracol, ou pela emoção de seus novos equipamentos de diversão.Logo na chegada, todos são acolhidos pelo encanto dos pets com crachás, cães que estavam abandonados e que agora vivem uma vida de rei, com todo o conforto real. QUASE COMPROU O empresário Henrique Vorcaro foi preso na manhã de quinta-feira (15), na sexta fase da operação que investiga fraudes financeiras no Banco Master. Henrique iria embarcar nesta quinta-feira para Brasília para visitar seu filho na carceragem da Superintendência da PF. O pai de Daniel Vorcaro é suspeito de se beneficiar de desvios do Banco Master, por meio de operações fraudulentas com fundos de investimento. Segundo a investigação da Polícia Federal, o dono do Master tentou esconder R$ 2 bilhões na conta do pai. Henrique Vorcaro era o braço financeiro do grupo Prolife, que chegou a ser anunciado como comprador do Hospital Arcanjo São Miguel, em Gramado, em agosto de 2021. PREOCUPAÇÃO Os médicos que trabalham no Hospital São Miguel. de Gramado, estão preocupados com a forma como está sendo conduzida a concessão da instituição. Na próxima semana deveremos ter novidades a respeito do imbroglio. RUA ADOLFO SEIBT Importante o anúncio da requalificação da rua Adolfo Seibt, no bairro São José. Avia é de fundamental importância para desafogar o trânsito na chegada ao município. No anúncio, o prefeito Gilberto Cezar (PSD) lembrou que a Adolfo Seibt é considerada uma das ruas com maior dificuldade de tráfego de veículos e sobre a qual há muitos anos se fala da necessidade de melhorias no local. O AGRO É POP Uma grande notícia para Canela: o doce de leite produzido pela agroindústria Queijaria Alvorada Missioneira está entre os finalistas do Prêmio Brasil Artesanal 2026, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. A agroindústria é comandada pelo agricultor Vanderlei Kaefer, na Linha São João. A propriedade já é reconhecida pela produção de queijos coloniais e também pela excelência na fabricação de doce de leite, acumulando premiações. Entre as conquistas da queijaria está o título de melhor doce de leite no 1º Concurso Estadual de Doce de Leite, promovido pela Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios do Rio Grande do Sul. DESVIO A notícia triste da semana foi a apreensão de materiais na casa de um fiscal de tributos de Canela, suspeito de desviar R$ 1,4 milhão. Ele teria atuado em parceria com a esposa, uma advogada. Segundo a Prefeitura, o servidor estava de licença de saúde desde dezembro. O mesmo servidor trabalhou na Prefeitura de Gramado durante quase 10 anos, entre 1006 e 2016. ROOM TAX Após a extinção da Taxa de Turismo Sustentável (TTS), o Gramado, Canela Convention & Visitors Bureau retomará a cobrança do Room Tax (contribuição voluntária realizada pelos visitantes por meio da hotelaria) agora em um novo formato, baseado em atuação conjunta com o Sindicato da Hotelaria (Sindtur). O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (13), no Mini Mundo. A medida marca uma mudança estratégica no modelo de arrecadação para o turismo local. Diferente da antiga taxa compulsória, o Room Tax volta a operar de forma voluntária, com recursos integralmente destinados à promoção do destino e à captação de eventos, dois dos principais vetores de desenvolvimento econômico da região. Neste primeiro momento, a arrecadação será concentrada em Gramado, que já conta com uma estrutura mais consolidada para a operação e foi o município que manteve a cobrança da TTS por mais tempo. Na prática, significa que as duas entidades terão menos dependência da Prefeitura, que antes concentrava a arrecadação da TTS. O Convention recebia cerca de R$ 71 mil mensais. Agora, o valor de R$ 3,43 por pernoite irá direto para a conta do Convention, que, junto com o SindTur, pretende aumentar a assertividade nos investimentos na promoção turística de Gramado e região. INJEÇÃO NA ECONOMIA A parceria do Convention Bureau com o Sindtur, anunciada para a gestão da Room Tax, quarta-feira (13), mostra uma nova fase, permitindo ampliar a base de adesão dos empreendimentos e fortalecer o engajamento do trade turístico. “Na prática, a união entre as entidades deve resultar em maior arrecadação e, por consequência, mais investimentos em ações de divulgação e posicionamento nos mercados nacional e internacional”, diz a nota conjunta distribuída pelas duas entidades. O cenário mostra a relevância da iniciativa. Apenas em 2025, o turismo de eventos foi responsável por injetar mais de R$ 958,8 milhões na economia de Gramado e Canela, com a realização de 681 eventos e a participação de cerca de 272,6 mil pessoas.
VIVA OS VOLKSWAGENS
Só quem tem ou teve um Volkswagen antigo sabe o quanto são bons e úteis. Seja “fuca” (pronúncia de gaúcho), Brasília, Variant ou Kombi, a simplicidade sempre foi o segredo do sucesso. Como aprendiz de motorista em Kombi da família – a décima delas, do nosso ex-comércio e de passeio do meu pai ainda está estacionada em frente à minha casa -, andando em um Volkswagen “mais moderno” e silencioso não deixo de lembrar das bateções de porta, do frio e dos cuidados que tínhamos que ter para, andando com elas vazias em terrenos acidentados, cuidar para não “acavalar” as Kombis. Que bons tempos!Gosto de compartilhar momentos vividos (ainda a uso) dentro de Kombi com os viajantes que estacionam no Parque do Lago ou em outros lugares de Canela e Gramado, coletando os relatos que publico aqui, na seção “De Kombi no mundo”. Já são, com esse de hoje, quase trinta em cerca de três anos. Gente vinda de tudo quanto é parte do Brasil, de tudo quanto é país, os kombeiros são um estilo de vida. E os fuscas? Em Canela, divulgando o empreendimento, chama a atenção dos saudosistas o fusca do Parque Big Land. O veículo colorido, que começou participando da “paradinha” ao lado de carros de outros atrativos, tornou-se figurante obrigatório nas celebrações do município. Já foi o carro oficial das soberanas da Festa Colonial e também do Sr. Coelho na Páscoa do município.No Sonho de Natal, o fusca do Big Land virou o carro do Papai Noel nos cortejos diurnos e noturnos, reforçando a parceria ativa do parque com a cultura, o turismo e a vida comunitária da cidade. DE KOMBI NO MUNDO – XXIX Enquanto em vida, o que aconteceu até dezembro de 2025, a paranaense Mallu Ponce constituiu, com o filho Rafael, a única dupla de viajantes mãe e filho, viajando pelo Brasil de Kombihome, de que se tem notícia. Ela foi uma entusiasta do viver na estrada que abraçou com o filho a ideia de desapegar do que tinham e passar a morar na Kombi para conhecer lugares. Hoje sem Mallu (com ele na foto à direita), Rafael Ponce segue esse plano de vida na companhia de Charlotte, uma golden retriever.Ex-jogador profissional de basquete que morou em Florianópolis e na Espanha, ele próprio fez muitas das adaptações que estão deixando Malluzinha, a Kombi 1995 com pintura “saia e blusa” (duas cores), cada vez mais bem equipada. Ela ainda era só branca quando, no final da pandemia, este londrinense e a mãe foram até São Luiz, Maranhão. Na segunda grande jornada que está empreendendo, Rafael partiu de Curitiba em abril, passa uns dias em Canela e está indo rumo a Ushuaia. Sem pressa, sem prazos.
DO MARACANAZO AO NASCIMENTO DO BRASIL CAMPEÃO
Em 1950, o Brasil acreditava que conquistaria sua primeira Copa do Mundo diante de um Maracanã lotado. O país havia construído o maior estádio do planeta para receber o torneio e via no futebol um símbolo de modernidade e afirmação nacional. Bastava um empate contra o Uruguai para levantar a taça. Mas a derrota por 2 a 1 transformou aquela tarde em uma das maiores frustrações da história do esporte brasileiro. O silêncio no Maracanã virou símbolo do trauma. O goleiro Barbosa acabou marcado injustamente como um dos responsáveis pela derrota e carregou esse peso por décadas. Depois do choque de 1950, a Seleção passou por um processo de reconstrução. O uniforme branco foi abandonado, surgiram mudanças na organização da equipe e o futebol brasileiro começou a buscar uma identidade própria. O resultado apareceu oito anos depois. Na Copa de 1958, na Suécia, um jovem Pelé, então com 17 anos, ajudou o Brasil a conquistar seu primeiro título mundial. Garrincha encantou o mundo, e a Seleção transformou definitivamente a imagem do futebol brasileiro no cenário internacional. Em 1962, no Chile, veio o bicampeonato. Mesmo com Pelé lesionado durante a competição, Garrincha assumiu o protagonismo e conduziu o Brasil a mais uma conquista. O país deixava para trás o trauma do Maracanã e iniciava sua trajetória como potência mundial do futebol. HISTÓRIAS DA COPA II A VOLTA DA COPA E UM FORMATO DIFERENTE Quando a Copa do Mundo retornou, em 1950, no Brasil, não houve final em jogo único. O campeão foi definido em um quadrangular decisivo. Brasil e Uruguai fizeram a partida que acabou entrando para a história como a “final” da Copa. POR QUE A TAÇA SE CHAMAVA JULES RIMET? A primeira taça da Copa do Mundo recebeu o nome de Jules Rimet em homenagem ao dirigente francês que presidiu a FIFA e liderou a criação do torneio em 1930. O troféu permaneceu com o Brasil após o tricampeonato de 1970. O ANJO DAS PERNAS TORTAS Garrincha foi o grande nome do Brasil em 1962, após a lesão de Pelé. Conhecido pela habilidade incomum e pelo drible desconcertante, virou símbolo daquela conquista no Chile. Sua atuação ajudou a manter o Brasil no topo do futebol mundial.
Os riscos dos ETFs: o que quase ninguém te conta
Se tem uma coisa que os “influencers” do mercado financeiro adoram, é vender a ideia de solução perfeita. Só que não existe investimento sem risco. Na verdade, não existe nada sem risco. Como costumo dizer aos clientes: “acordou pela manhã, já está correndo risco”. E com ETFs não é diferente. Na coluna passada, vimos que os ETFs são simples, baratos, eficientes… quase “à prova de erro”. Terminamos o texto indagando: “se os ETFs são tão eficientes assim… onde está o risco?” O primeiro ponto, e talvez o mais ignorado, é que o ETF não elimina risco. Ele apenas muda o tipo de risco que você está assumindo. Quando você compra um ETF, não está escolhendo uma empresa. Está escolhendo um índice. E isso parece detalhe, mas não é. Se o índice cair, o ETF cai junto. Parece óbvio, mas muitos investidores compram ETFs com sensação de “segurança”, quando, na verdade, estão apenas diversificando a exposição ao mesmo risco. Outro ponto importante é o chamado tracking error. Na teoria, o ETF deveria replicar exatamente o índice que acompanha. Na prática, isso nem sempre acontece com precisão absoluta. Custos operacionais, estrutura do fundo e até questões de liquidez podem gerar pequenas diferenças de performance. No curto prazo, isso costuma ser irrelevante. Mas, no longo prazo, pode fazer diferença, principalmente em produtos menos eficientes ou com menor escala. E aqui entra um terceiro risco, bastante brasileiro: a liquidez. Enquanto, nos Estados Unidos, alguns ETFs negociam bilhões de dólares por dia, no Brasil muitos produtos ainda têm volume reduzido. Isso pode gerar spreads maiores entre compra e venda e, em momentos de estresse, dificuldade para executar ordens a preços justos. Não é um problema estrutural, mas é algo que precisa ser observado. Outro ponto que costuma passar despercebido é a chamada “diversificação ilusória”. Comprar um ETF não significa, automaticamente, estar bem diversificado. Um ETF de índice pode ter forte concentração em poucos setores ou empresas. Um belo exemplo é o nosso índice Ibovespa, composto atualmente por 84 empresas diferentes, mas com uma concentração de aproximadamente 55% nos setores financeiro e de commodities. Ou seja: você pode estar comprando “84 empresas”… mas, na prática, estar altamente exposto a dois setores específicos. Além disso, existe o risco geográfico e cambial — especialmente relevante para quem investe em ETFs internacionais. Investir fora do Brasil traz diversificação, sem dúvida. Mas também expõe o investidor à variação do dólar e ao comportamento de outra economia. Isso pode jogar a favor ou contra. No último ano, com a valorização do real frente ao dólar, jogou contra. E, por fim, um ponto que raramente aparece nas conversas mais superficiais: tributação. No Brasil, ETFs não têm isenção de imposto de renda para vendas mensais abaixo de R$ 20 mil, como acontece com ações. O lucro é tributado em 15%, independentemente do valor. Além disso, ETFs internacionais listados no Brasil seguem regras específicas que precisam ser bem compreendidas antes de investir. O ETF não é um atalho para investir melhor. Ele é uma ferramenta e, como qualquer ferramenta, pode ser muito eficiente ou muito mal utilizada. Talvez o maior erro seja justamente tratar o ETF como uma solução mágica. Porque, no fim do dia, a pergunta mais importante continua sendo a mesma: Você sabe exatamente no que está investindo? Na próxima coluna, vamos sair da teoria e ir para a prática: como usar ETFs de forma inteligente para construir patrimônio, evitando as armadilhas mais comuns.
Grande Hotel Canela
Com 110 anos e sob gestão da mesma família, o Grande Hotel Canela foi destaque recente no portal Exame. A publicação revela que o empreendimento aposta em profissionalização e usos de seus espaços para competir com redes modernas e alcançar R$ 10 milhões faturamento neste ano. Eventos Hoje, uma das principais apostas do Grande Hotel Canela está no segmento de eventos, que já responde por cerca de 20% do faturamento. Com área de mais de 8 hectares e 90 unidades entre apartamentos e chalés, o hotel consegue receber desde casamentos até eventos corporativos para mais de mil pessoas. Investimento Neste ano, o hotel está investindo R$ 1,5 milhão na revitalização da fachada e na modernização da área da piscina, em um movimento para atualizar a experiência sem perder a identidade histórica. Ao mesmo tempo, a família começa a estudar novas possibilidades de uso para o terreno, incluindo a atração de operações externas, como projetos gastronômicos e culturais. Grupo Tomazelli No dia 8 de maio o Grupo Tomazelli fez a entrega oficial de seu mais novo empreendimento, o Véro. do O evento reuniu cerca de 100 convidados entre compradores, parceiros, fornecedores, equipe técnica e autoridades em uma celebração que contou com coquetel, homenagens e um tour guiado pelos ambientes do residencial, localizado na Várzea Grande, no Vale das Montanhas. Alpen Park Novidade anunciada no ano passado, o novo trenó no estilo mountain coaster do Alpen Park já está em Canela. O equipamento é importado da Áustria e será o primeiro trenó de trilho único da América Latina. Para levar do porto de Rio Grande até à serra os 530 metros de trilhos, os 15 trenós e o restante dos equipamentos que fazem parte do projeto foram necessários quatro carretas. Bienal da Arte Um dos maiores eventos de arte em vidro do mundo irá ocorrer pela primeira vez no Brasil. Nos dias 21, 22 e 23 de maio, Gramado receberá a 3ª Bienal Internacional da Arte do Vidro Ibero-Americano, tendo a empresa Cristais de Gramado como anfitriã. O evento reunirá mais de 150 artistas de diversos países em uma programação supreendente. Desfile e Baile de Máscaras Na quinta-feira, dia 21, às 20 horas, a Rua Coberta receberá um desfile com vestimentas e acessórios em vidro, celebrando essa arte de forma inédita. Acesso gratuito. Na sexta-feira, dia 22, será realizado um Baile de Máscaras de Vidro que promete ser inesquecível. Ingressos à venda no valor de 335 reais, na Cristais de Gramado. Tour, exposição e premiações No sábado, dia 23, das 9h30 às 17h, a Cristais de Gramado abre suas portas para o tour guiado Murano Experience e Exposição Bienal. Às 11 horas haverá a cerimônia de abertura das exposições e premiações. Acesso gratuito.
Apertem os cintos, o piloto sumiu!
Em 1980, era lançada essa comédia em que, durante um voo, o piloto do avião simplesmente sumia e o caos se instaurava dentro da aeronave. Hoje, passados 45 anos dessa pérola cinematográfica, esse filme me volta à mente por conta de um problema que aflige a nossa cidade de Canela: o Plano Diretor. Faço essa analogia pois o Plano Diretor de um município é uma espécie de piloto que nos leva, em tese, ao local onde gostaríamos de chegar. É através dele que a comunidade expressa seu desejo de cidade; ali se encontra a maior parte das diretrizes que indicam o modelo pretendido por aquela coletividade. Ou seja, trata-se de uma construção coletiva que deveria expressar a vontade de quem reside no município. Canela teve sua última revisão do Plano Diretor em 2012 — uma revisão tímida e que não teve, nem de longe, a necessária amplitude. Para o leitor ter uma ideia, o Estatuto da Cidade determina que os planos diretores municipais devem ser revisados a cada dez anos. Em agosto de 2023, a Prefeitura Municipal contratou a Fundação Engler, que realizou uma ampla pesquisa e levantamento de dados do nosso município. Economistas, geólogos, hidrólogos, urbanistas, engenheiros de trânsito e biólogos, entre outros profissionais, mapearam a cidade de cima a baixo. Após alguns atrasos e aditivos ao processo, em setembro do ano passado, a Fundação entregou o pré-projeto do novo Plano Diretor de Canela, que, em tese, estaria pronto para ser enviado à Câmara de Vereadores para debate, alterações e, finalmente, sua aprovação. Entretanto, após alegações de que o projeto continha diversos problemas, o mesmo passa por uma revisão desde então. Confesso que acho esse argumento, no mínimo, curioso, afinal, a mesma equipe jurídica que escreveu o Plano Diretor da cidade de Gramado trabalhou no nosso plano. Para quem não lembra, essa equipe foi contratada após intervenção do Ministério Público no processo de elaboração do Plano Diretor de Gramado. Inclusive, o modelo de elaboração do plano canelense seguiu diretrizes semelhantes para termos segurança jurídica. O fato é que, passados já oito meses dessa entrega, o projeto ainda não chegou à Câmara de Vereadores. Apenas a título de comparação: o projeto do Plano Diretor de Porto Alegre, cidade com 1,3 milhão de habitantes, tramitou por sete meses na Câmara até finalmente ser aprovado nesta semana. Parece-me que o plano de uma cidade de 50 mil habitantes deveria ser mais simples do que o de uma metrópole. Por isso a minha analogia ao filme. Se Canela não está sem piloto, ao menos estamos sendo guiados por um plano de cidade que foi definido há 15 anos. De lá para cá, nossa cidade praticamente dobrou de tamanho e nossa arrecadação ampliou-se em quase 500%. Precisamos de um piloto atualizado e que saiba exatamente que cidade seus moradores desejam.
A Sabença Popular
(Na boca do povo…) Lembrando… Hoje é o dia do gari (instituído em 31.10.1962), dia internacional da luz, dia da convivência em paz… E, em alguns contextos, dia do médico geriatra e do português (língua de herança). O folclorista paulista João Chiarini, com muito humor dizia que “o Folclore é como um buraco na areia: quanto mais se cava, mais largo fica. Quanto mais se pesquisa e estuda, mais se alarga o seu campo. Deixa de ser apenas o “Popular Antiquites” de Willian J. Thoms, para se tornar em limite quase impossível de ser traçado, segundo Arnold Van Gennep”. Ou seja, a sabedoria popular – permanentemente presente na “boca do povo”, é enorme. Diariamente proferimos frases, conceitos tradicionais, sentenças resultantes do conhecimento acumulado através da observação. É a sabedoria popular que habita a memória coletiva. Sabença cuja permanência e conservação se deve em grande parte ao poder de uso dela, no dia a dia. O povo tem conhecimento de fenômenos relacionados com a astronomia, meteorologia, medicina, enfim, os mais variados ramos do conhecimento humano. Para sua transmissão usa, não raro, de provérbios, frases feitas, de adivinhas, etc, fórmulas nas quais procura-se de maneira prática condensar os conhecimentos ou seja, o acervo de observações transmitidas de geração em geração, vindas muitas vezes dos milênios, porém retemperados pelo uso cotidiano, emprestando a esses conceitos o papel de verdadeiros guias práticos orais. Os verdadeiros “códigos de sabença popular”. Criando uma coleção de leis ditadas pelo “ouvi dizer”, “os antigos faziam assim”, “meu avô já dizia”… que persistem graças à oralidade, e estão aí, presentes na atual realidade, graças ao uso que o povo dela faz. De onde vem essa sabença? Sabença popular enquadra-se em Linguagem Popular; um guia prático, um orientador, uma espécie de oráculo que estas variadas fórmulas do conhecimento dão ao homem, principalmente ao homem do meio rural. Segundo Alceu M. Araújo, em “Cultura Popular Brasileira”: “Sabença Popular é um capítulo da sociologia rural por que traz em seu bojo algo informativo, oferece aspectos da vivência das comunidades rurais, no campo da meteorologia, medicina, agricultura, pastoreio”. O folclore, em todas as suas nuances, pode-se dizer, é uma das maiores riquezas do povo interiorano, principalmente no Rio Grande do Sul… a nossa terra.