Em Canela, ninguém passa indiferente pelo inverno. Para alguns, ele representa a viagem sonhada. Para outros, exige mais cuidados, mais trabalho e, muitas vezes, mais solidariedade. Todos os anos ele volta. Muda a paisagem, encurta os dias, pinta de branco os campos nas manhãs de geada e faz a fumaça voltar a sair das chaminés. Em Canela, o inverno não é apenas uma estação do calendário. Ele transforma a rotina da cidade, altera hábitos, movimenta a economia, exige prevenção e reforça um modo de viver que faz parte da identidade da Serra Gaúcha. Enquanto milhares de turistas chegam em busca do frio, quem vive aqui sabe que a estação vai muito além das temperaturas próximas de zero. É tempo de tirar os casacos do armário, preparar lareiras e fogões a lenha, proteger crianças, idosos e animais de estimação, reforçar os cuidados com a saúde e estender a mão para quem enfrenta dificuldades para aquecer a própria casa. Neste ano, a previsão indica um inverno típico da Serra Gaúcha, marcado pela atuação frequente de massas de ar polar, geadas e períodos de frio intenso. A possibilidade de neve volta a despertar expectativa, embora dependa de uma combinação muito específica de fatores atmosféricos. Ao mesmo tempo, a estação também pode trazer ventos fortes, chuvas persistentes e mudanças bruscas de temperatura, exigindo atenção permanente da população e dos órgãos responsáveis pelo monitoramento. O inverno, porém, não pode ser resumido aos termômetros. Ele movimenta diferentes setores da cidade. Enquanto equipes da Defesa Civil acompanham as condições climáticas e o Corpo de Bombeiros reforça orientações para evitar acidentes, profissionais da saúde alertam para a prevenção de doenças respiratórias. Médicos-veterinários orientam os cuidados com cães e gatos, e a assistência social intensifica campanhas para que nenhuma família enfrente o frio sem proteção. Ao mesmo tempo, hotéis, restaurantes, parques e o comércio se preparam para receber um dos períodos mais importantes do turismo na região.Nesta matéria, o Jornal Nova Época reúne dicas e informações de especialistas, órgãos públicos e representantes do setor turístico para mostrar as diferentes faces da estação mais característica da Serra Gaúcha. Mais do que apresentar previsões ou dicas, este especial busca retratar como o inverno transforma a rotina, desperta a solidariedade, movimenta a economia e reafirma, ano após ano, a capacidade de Canela de acolher quem vive e quem visita a cidade. O QUE NOS ESPERA FRIO intenso transforma paisagens em espetáculos da naturezaFoto: Claiton Saul Depois de entender como o inverno transforma a rotina de Canela, a pergunta é inevitável, afinal, o que esperar da estação em 2026? As previsões meteorológicas indicam um inverno com características típicas da Serra Gaúcha. A atuação frequente de massas de ar polar deve favorecer a ocorrência de geadas e períodos de frio intenso, principalmente durante julho e agosto, meses que tradicionalmente registram as menores temperaturas do ano. A altitude de Canela e o relevo da região contribuem para um cenário conhecido pelos moradores, manhãs de campos cobertos de geada, tardes de grande amplitude térmica e noites em que os termômetros podem se aproximar ou ficar abaixo de zero. É justamente essa combinação que faz da cidade um dos destinos mais procurados do país durante o inverno. Outro fenômeno que desperta a curiosidade de moradores e visitantes é a possibilidade de neve. Embora faça parte do imaginário de quem escolhe a Serra Gaúcha nesta época do ano, sua ocorrência depende de uma combinação muito específica de fatores atmosféricos. Temperaturas suficientemente baixas em diferentes camadas da atmosfera, umidade e precipitação no momento certo precisam acontecer simultaneamente. Por isso, mesmo em invernos rigorosos, a neve continua sendo um fenômeno raro e de difícil previsão. O frio, no entanto, não é o único aspecto da estação. A passagem de frentes frias também pode provocar períodos de chuva persistente, ventos fortes e mudanças rápidas nas condições do tempo. Esses fenômenos exigem atenção, principalmente em áreas suscetíveis a alagamentos ou deslizamentos, reforçando a importância de acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais. ATENÇÃO REDOBRADA Apesar dos desafios, o inverno continua sendo uma das estações mais aguardadas na Serra Gaúcha. As paisagens ganham novos contornos, a cidade muda de ritmo e o frio passa a fazer parte do cotidiano de moradores e visitantes. Mas, para que a estação seja aproveitada com tranquilidade, o encanto das manhãs de geada deve caminhar lado a lado com informação, prevenção e planejamento. É justamente esse cenário que exige atenção redobrada da população, dos órgãos públicos e dos serviços de emergência durante os próximos meses. Afinal, viver o inverno na Serra Gaúcha significa muito mais do que admirar suas paisagens: é compreender e respeitar as características de uma estação que pode ser tão bela quanto desafiadora. BAIXAS TEMPERATURAS EXIGEM CUIDADOS FRIO é um convite para o turismo em CanelaFoto: Adriana Rabassa Se a paisagem muda com a chegada do Inverno, a rotina também. Além das baixas temperaturas, a estação aumenta a incidência de doenças respiratórias, exige atenção redobrada com equipamentos de aquecimento e traz riscos associados a ventos fortes, chuvas intensas e deslizamentos. Em uma região acostumada ao frio, a prevenção continua sendo a principal aliada da população. Segundo o coordenador adjunto da Defesa Civil de Canela, Carlos Alexandre Buzin da Silva, o monitoramento se intensifica durante o inverno. Embora a geada seja uma das imagens mais marcantes da estação, a maior preocupação está nos períodos de chuva prolongada e ventos fortes, que podem provocar enxurradas, alagamentos e instabilidade em áreas de encosta. O município acompanha as condições meteorológicas por meio de pluviômetros instalados em pontos estratégicos, do Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC) e das áreas de risco mapeadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Os alertas são divulgados pelos canais oficiais da Prefeitura, pela imprensa e por aplicativos de mensagens. Em situações críticas, equipes fazem contato direto com moradores de áreas vulneráveis.O comandante do Corpo de Bombeiros de Canela, 1º Tenente Miguel Oliveira de Souza, explica que um dos problemas mais frequentes é a sobrecarga das instalações elétricas provocada pelo uso simultâneo de
Brunch do Magnólia: onde o tempo desacelera e a mesa conta histórias
Magnólia – atmosfera nostálgica e banquete primorosoFotos: Adriana Silveira Há tradições que atravessam gerações porque nasceram do desejo de reunir pessoas ao redor da mesa. Foi assim que surgiu o brunch na Inglaterra do fim do século XIX: uma refeição criada para ser desfrutada sem pressa, onde café da manhã e almoço se encontram para dar lugar às conversas, aos brindes e à celebração da boa companhia. Poucos cenários poderiam traduzir tão bem esse espírito quanto a histórica mansão que abriga o Magnólia, em Canela. Afinal, tanto a arquitetura da casa quanto o brunch compartilham a mesma vocação: fazer do tempo um ingrediente indispensável. Cenário icônico Queijo brie – massa folhada, chutney de manga e praliné de castanhas Ao cruzar a porta daquela imponente construção da década de 1950, completamente restaurada e transformada em um dos endereços gastronômicos mais encantadores da Serra Gaúcha, sempre tenho a sensação de entrar em outra época. Cada ambiente preserva a elegância das décadas passadas, com móveis garimpados, objetos cheios de história, detalhes vintage e uma atmosfera acolhedora que faz a imaginação viajar. Não é apenas um restaurante. É uma casa onde cada cômodo parece guardar lembranças de encontros felizes, exatamente como imaginamos que aconteciam décadas atrás. E talvez seja justamente por isso que o brunch do Magnólia faça tanto sentido naquele cenário. Duas mesas, muitos sabores Crème brûlée – clássico de crosta caramelizada Chamá-lo apenas de brunch seria simplificar uma proposta que se aproxima muito mais de um banquete. A mesa com opções salgadas incluiu uma refrescante mini bruschetta de guacamole, tomate e ovo e o mini hambúrguer com cheddar, cebola crispy e alface. A torta caprese revelou o equilíbrio entre simplicidade e sabor, enquanto a salada de manga, queijo gorgonzola e coulis de maracujá entregava um contraste delicioso entre doçura, acidez e intensidade. Para aqueles que não abriram mão de algo mais quentinho, a massa e o risoto estavam à sua espera. Eu optei por propostas mais delicadas e elegi como prato preferido o queijo brie envolto em massa folhada, servido com chutney de manga e praliné de castanhas. Celebração Delicadeza – sabores e carinho em cada detalhe Enquanto as taças se enchiam, percebia que o verdadeiro espetáculo acontecia ao redor das mesas. Famílias celebravam juntas, grupos de amigos brindavam sem pressa e casais prolongavam o domingo entre uma conversa e outra. As antigas louças utilizadas no serviço são a minha verdadeira paixão, pois provocam uma nostalgia elegante, enquanto o tilintar das taças se misturava às risadas espalhadas pelos diferentes ambientes da casa. A mesa de doces estava linda e com opções irresistíveis como o brownie marmorizado, à delicada panna cotta de baunilha com frutas, o clássico pastel de nata, à leveza da mini pavlova coberta por chantilly e frutas frescas. Mas a minha escolha preferida ficou com a irresistível crème brûlée, com sua clássica crosta dourada e caramelizada. Bastava romper delicadamente a superfície para encontrar um creme sedoso, perfumado com baunilha e de textura impecavelmente aveludada. Taças e xícaras Para acompanhar esse verdadeiro banquete, comecei brindando com uma taça do espumante brut na taça coupe, uma peça de estética linda que reforça a atmosfera dos grandes salões europeus e dos encontros sociais do início do século XX. Em seguida, não pude deixar de provar a bebida que se tornou um dos grandes símbolos do brunch: a Mimosa, combinação elegante entre espumante e suco de laranja que parece traduzir perfeitamente o espírito descontraído da manhã. E, para fechar esse passeio gastronômico da forma mais acolhedora possível, escolhi um chá de camomila quentinho. Presente Mimosa – drink criado em 1920 Ao deixar a mansão, fiquei pensando que existem presentes que compramos para alguém e outros que escolhemos oferecer a nós mesmos. Reservar uma manhã para viver o brunch do Magnólia é um presente que se transforma em lembrança inesquecível. Uma oportunidade de brindar a vida entre pessoas queridas enquanto sabores, aromas e texturas transformam a refeição em um banquete para todos os sentidos.
Social da Luísa Rodrigues
Prestigiando a inauguração da nova estrutura do Senac Gramado, importantes lideranças estiveram reunidas em um momento que simboliza o fortalecimento da educação profissional e do desenvolvimento regional. Na foto, o presidente do Sindilojas Região das Hortênsias, Sandro Schmidt, a presidente da Gramadotur, Rosa Helena Volk, e o presidente do Sistema Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn Foto: Luísa Rodrigues Maria Vera e Dio Santos prestigiaram a inauguração da nova loja Beagle em Canela. Em clima de celebração e muito estilo, os amigos conferiram de perto as novidades Foto: Luísa Rodrigues A inauguração da Beagle em Canela reuniu convidados especiais e importantes nomes da comunidade. Na foto, Maria Eduarda, o prefeito Gilberto Cezar, Valdinei Silva e Camila Radunz celebram a chegada da marca à cidade Foto: Luísa Rodrigues Com muita alegria e gratidão,Dilce Cavalli comemorou entre amigos e imprensa os 40 anos do Restaurante Sabor e Flor, no Parque do Caracol Foto: Mari Martins Jessica Ramisch , Carlinhos Volk um dos artistas do Espaço com sua coleção de quadros de sua autoria, Samanta Vasques e Fabi Costa na inauguração do Esquina Bar e Cozinha Foto: Mari Martins As amigas Bruna Natália e Simone Prestes prestigiando sempre o que há de melhor na cidade Foto: Luísa Rodrigues
Social da Samanta
Graciela Martins – Chef do Esquina Bar e Cozinha Foto: Paula Vinhas ESQUINA Na terça-feira, 23 de junho, aconteceu a avant-première do Esquina Bar e Cozinha, novo empreendimento gastronômico de Canela localizado na esquina das Ruas Borges de Medeiros e Augusto Pestana. O evento contou com a presença da imprensa local, além de jornalistas e criadores de conteúdo de Porto Alegre, que participaram de uma press tour organizada pela Pauta Conexão e Conteúdo, responsável pela assessoria de imprensa do empreendimento juntamente com a RP Carla Leidens. Graziela Franzen, proprietária do Esquina e Gabriel Souza, sócio e responsável pelo projeto arquitetônico do Esquina Foto: Paula Vinhas Rozangela Allves toda linda na comemoração do seu aniversário, onde recebeu amigos no Soleil, em Gramado! No registro, com Luia Barbacovi, Fernanda Aranha e Vladimir Medeiros Foto: Divulgação Giresse Fries prestigiou o Memórias a Mesa dos 26 anos do Di Pietro, em Gramado! Foto: Divulgação Laura Andrade área do no provador da Rosa Rosalina Boutique, com trends pra o inverno! Foto: Divulgação
ÂNCORAS NO POMPÉIA
Três novas âncoras estão confirmadas no Hospital Pompéia Pryme e o Centro Clínico. A Alfa Medicina será responsável pela coordenação e gestão integrada dos serviços na área Cardiovascular no Hospital e no Centro Clínico. Já a Clínica Kozma fará a coordenação de todos os serviços do Centro de Diagnóstico por Imagem. Prestes a completar 50 anos de atuação na área da saúde, a empresa sediada em Passo Fundo está presente em 23 operações de diagnóstico por imagem nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.Outro reforço de peso é o Grupo São Pietro, que será responsável pelos serviços de Oftalmologia.Foto: Divulgação DISPUTA Uma audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Municipais, no dia 16 deste mês, não trouxe novidades na disputa que a Infraero trava para tirar o Aeroclube do Aeroporto de Canela. Ao conduzir os trabalhos, o deputado Joel Wilhelm (PP) ressaltou que a discussão vai além de uma disputa contratual e envolve o futuro da formação aeronáutica no Estado:Os representantes do Aeroclube de Canela defenderam a permanência da instituição no aeroporto, argumentando que suas atividades contribuem diretamente para a formação de mão de obra qualificada, para o fortalecimento da aviação regional e para a economia das regiões das Hortênsias e Serra.A Infraero sustentou a necessidade de reorganização e modernização da área aeroportuária, além da regularização das ocupações existentes. Em nota distribuída na sexta-feira (19), a empresa pública de aviação diz que promoveu diversas tentativas de regularização da ocupação, e que ofereceu “alternativas administrativas legítimas, incluindo participação em licitação”. A nota complementa dizendo “que identificou exploração comercial irregular de área pública e que teve sua atuação validada pelo Poder Judiciário em grau recursal”. SALDO POSITIVO Nos quatro primeiros meses de 2026, a economia de Canela registrou um aumento de 80 empregos formais. Somente em abril, foram criados 43 novos empregos com carteira assinada.Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Governo Federal. ENQUANTO ISSO… O sentimento da maioria dos empresários gramadenses de que o turismo não vem crescendo em 2026, é corroborado pel Caged. Nos primeiros quatro meses do ano, foram cortadas 296 vagas de trabalho formal no município. CONCURSO SUSPEITO A Prefeitura de Gramado emitiu uma nota oficial suspendendo o recente concurso para o Magistério. “Os indícios sob suspeita assemelham-se a irregularidades que já foram identificadas e são alvo de investigação em outro municípios, envolvendo a atuação dessa mesma instituição contratada”, ressalta a nota da Prefeitura publicada em uma rede social.De acordo com a Prefeitura serão tomadas medidas administrativas e legais para que a empresa terceirizada “responda integralmente por qualquer falha, omissão ou ato ilícito praticado contra o Município e os candidatos”. CENTRO DE PROTEÇÃO Foi publicado no Diário Ofical do Estado desta sexta-feira (19), a autorização do governador Eduardo Leite (PSD) para que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Infraestrutura celebre um convênio com o Município de Gramado, objetivando a instalação, operacionalização e gestão compartilhada de Centro de Triagem e Reabilitação de Fauna Silvestre – CETAS.Em 2024, já havia sido assinado um protocolo de intenções, que agora será efetivado. Com isso, o novo centro irá receber identificar, avaliar, marcar, triar, recuperar, reabilitar e destinar animais silvestres provenientes de resgates ou de fiscalizações realizadas pelos órgãos que compõem o Sistema Estadual de Proteção Ambiental (Sisepra), com foco na região da Serra, sendo eles a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, o Comando Ambiental da Brigada Militar, os municípios e outros órgãos previamente autorizados.O CETAS de Gramado abrangerá uma área de mais de 50 municípios, e será instalado junto ao Parque dos Pinheiros. COMERCIÁRIOS O Sindilojas Região das Hortênsias e o Sindicomerciários concluíram e assinaram a Convenção Coletiva de Trabalho, estabelecendo um reajuste de 5,27% a partir deste mês. O acordo abrange os trabalhadores do comércio varejista nos municípios de Cambará do Sul, Canela, Gramado, Jaquirana, Nova Petrópolis, Picada Café e São Francisco de Paula, e tem validade de um ano.O documento também estabelece pisos salariais a partir de 1º de junho de 2026. Para os empregados com salário fixo ele é de R$ 2.000,00, enquanto os comissionistas puros passam a receber R$ 2.116,00. Já os contratos de experiência até 90 dias terão remuneração de R$ 1.842,00. CARACOL AO VIVO O Parque Bondinhos Canela acaba de lançar uma novidade que aproxima ainda mais visitantes e admiradores das belezas naturais região. Em parceria com o Câmeras da Serra, da RBT Internet, o parque passou a contar com dois pontos de transmissão ao vivo instalados em locais estratégicos do atrativo.As novas câmeras estão posicionadas na Estação Animal e na Estação Cascata, permitindo que o público acompanhe em tempo real as paisagens do parque, a vista privilegiada da Cascata do Caracol e também as condições climáticas no local.
Marcas e Copa
A Copa do Mundo é o maior laboratório de construção de narrativas do planeta. Durante algumas semanas, marcas, países, atletas e consumidores disputam exatamente o mesmo ativo: atenção. Quem vence não é necessariamente quem investe mais, mas quem consegue construir uma história na qual as pessoas desejam acreditar. Disputa pelas narrativas A Copa do Mundo movimenta bilhões de dólares, impulsiona o turismo, aquece o varejo e transforma marcas em protagonistas de campanhas memoráveis. É, sobretudo, embasada por, uma disputa por narrativas. Durante o Mundial, quase ninguém compra apenas uma camiseta, um refrigerante ou um automóvel. O que as pessoas compram é pertencimento. Elas desejam fazer parte de uma história coletiva, compartilhar emoções, celebrar vitórias e suportar derrotas. As marcas que compreendem isso deixam de comunicar atributos e passam a ocupar espaços simbólicos na memória das pessoas. Empresas são como seleções Cada seleção chega à Copa carregando décadas de reputação. Brasil representa criatividade. Alemanha transmite disciplina. Argentina evoca paixão. Essas percepções foram construídas muito antes do primeiro apito. O mesmo acontece com empresas. Reputação não nasce na campanha publicitária; ela é acumulada ao longo do tempo por pequenas decisões coerentes. Toda marca tem um adversário No futebol, rivalidades organizam emoções. Nas empresas, o adversário raramente é um concorrente específico. Pode ser a burocracia, o desperdício de tempo, a insegurança, a baixa qualidade ou qualquer obstáculo que impeça o cliente de alcançar o resultado desejado. Marcas fortes deixam claro contra o que lutam antes mesmo de explicar o que vendem. Marca, produto e significado Uma camisa oficial possui valor material limitado. Ainda assim, milhões de pessoas fazem fila para adquiri-la. Mas não é o tecido que explica esse comportamento. É o significado que ela tem. Ainda vejo empresas que insistem em competir apenas por preço, ignorando que o mercado recompensa muito mais aquilo que representa identidade do que aquilo que entrega somente funcionalidade. Apito final Quando a Copa termina, permanecem as imagens, as histórias, os personagens e as marcas que conseguiram transformar esse evento esportivo em memória afetiva para seus consumidores. Empresas enfrentam exatamente o mesmo desafio. Toda campanha acaba. Todo lançamento termina. O que permanece é a narrativa construída ao longo dos anos. E, no mercado, assim como no futebol, existem vitórias que ficam registradas no placar e outras que permanecem na lembrança das pessoas. São estas últimas que, normalmente, valem muito mais. Sua vez Os temas que trago aqui são fruto de muitas conversas que tenho com clientes, amigos e com o mercado como um todo. Então não deixe de enviar a sua sugestão ou reflexão também. adriana@ateraz.com.br
O álbum da Copa e os investimentos que não cabem na planilha
Existe um perfil de dois humoristas nas redes sociais que costuma pegar coisas absolutamente normais do nosso dia a dia e descrevê-las de forma tão racional que tudo passa a parecer absurdo. Uma das melhores análises deles é sobre o álbum da Copa do Mundo.A lógica é simples: alguém vende fotos de pessoas desconhecidas dentro de envelopes fechados. Você compra sem saber o que está levando, corre o risco de receber várias repetidas e, para completar a coleção, vai acabar gastando mais de mil reais. Quando colocado dessa forma, realmente parece não fazer sentido algum. E olhando apenas pelos números, não faz mesmo.Por isso, quando meu filho chegou em casa falando do álbum da Copa, fiz o que qualquer profissional do mercado financeiro faria diante de uma oportunidade de investimento com retorno duvidoso: desconversei e mudei de assunto.O plano estava funcionando perfeitamente até que um casal de amigos, Odair e Bárbara — e aqui preciso registrar corretamente a autoria da ideia — resolveu presentear meu filho com o álbum. Foi um daqueles momentos em que você percebe que algumas amizades são colocadas à prova de maneiras bastante criativas. Mas, como sou um sujeito que valoriza os amigos e não queria transformar um presente em uma crise diplomática, resolvi tentar achar o lado positivo da situação. E acabei encontrando.Existe uma frase que sempre me acompanha: “se tentarmos colocar tudo em uma planilha, acabaremos não fazendo nada.”A vida não é feita apenas de decisões financeiras. Aliás, algumas das maiores riquezas que acumulamos ao longo dos anos não têm qualquer relação com dinheiro. Colecionar o álbum com meu filho está sendo um ótimo exemplo disso.Existe a expectativa de abrir os pacotinhos, a emoção de encontrar uma figurinha rara, a negociação das trocas, a interação com outras pessoas e a construção de memórias que provavelmente permanecerão muito depois de esquecermos quanto custou completar a coleção.Mas, obviamente, o lado financeiro não poderia ficar totalmente de fora. Afinal, em casa de assessor de investimentos, o espeto precisa ser de ferro. Por isso, desenvolvemos algumas estratégias.A primeira foi perceber que a distribuição das figurinhas parece variar bastante de uma região para outra. Comprando sempre no mesmo local, as repetições aumentavam rapidamente. Então passei a aproveitar viagens de trabalho para comprar alguns pacotinhos em cidades diferentes.Curiosamente, figurinhas adquiridas no Rio de Janeiro e em Florianópolis trouxeram várias que ainda não haviam aparecido nas compras feitas em Canela. Não sei se existe alguma lógica estatística por trás disso, mas, como investidor, aprendi que quando uma estratégia funciona, primeiro aproveitamos; depois tentamos entender.A segunda lição veio da matemática. Quando ultrapassamos aproximadamente 60% do álbum preenchido, o número de repetidas começou a disparar. Nesse momento, percebemos que insistir apenas na compra de pacotinhos deixava de ser eficiente. A melhor estratégia passou a ser a troca.Também aprendemos rapidamente que nem todas as figurinhas possuem o mesmo valor. As especiais, as prateadas e os grandes craques como Messi, Cristiano Ronaldo ou Vini Jr. raramente entram em negociações simples.Existe um mercado paralelo, com regras próprias, onde escassez e demanda definem o preço, exatamente como acontece nos investimentos. A diferença é que, nesse mercado, a cotação do Messi costuma ser mais estável do que a de muitos ativos da bolsa.E surgiu até uma última estratégia: comprar lotes de figurinhas repetidas de outros colecionadores. É uma operação clássica de ganha-ganha. Nós reduzimos o custo para completar o álbum e quem vende recupera parte do valor investido.No fundo, essa experiência tem sido uma espécie de educação financeira lúdica.Vejo que o Caio está aprendendo a negociar, comparar alternativas, avaliar custos, entender valor, lidar com frustrações e tomar decisões.Nem tudo precisa gerar retorno financeiro para valer a pena.Alguns investimentos rendem dividendos. Outros rendem histórias.
A Arte de Prometer Arte
Minha coluna foi motivada pela postagem de uma colega coreógrafa que me causou indignação e reconhecimento. Reconhecimento porque não é uma exceção. Seu grupo de dança se apresentou num evento recente numa cidade vizinha onde eles eram os artistas locais. O palco estava montado até que surgiu um problema: instrumentos de um grupo visitante ocupavam o espaço destinado à apresentação. Ela solicitou que fossem afastados para garantir visibilidade aos bailarinos. E adivinhem? Não foram. Os instrumentos permaneceram onde estavam, afinal o grupo de fora tinha prioridade, o grupo da casa, não! O artista local sempre encontra um jeito! Aliás, talvez essa seja a qualidade mais valorizada em nós: a capacidade de se ajustar. Durante anos ouvimos os mesmos discursos que surgem em campanhas eleitorais, solenidades, inaugurações e eventos culturais. “Precisamos valorizar os artistas locais!” Frase bonita, comovente até! O problema é que valorização não acontece nas palavras e sim nas escolhas que contam uma história bem diferente. Existe, inclusive, uma frase que talvez merecesse ser tombada como patrimônio imaterial da cultura brasileira: “Não temos verba, mas podemos divulgar teu trabalho.” Nenhum eletricista é convidado a refazer uma instalação elétrica em troca de divulgação, nenhum advogado é chamado para atuar em um processo em troca de visibilidade, nenhum fornecedor entrega mercadorias em troca de uma postagem institucional, mas o artista, aparentemente, deveria sentir-se privilegiado. Como se pagasse aluguel com curtidas, abastecesse o carro com reconhecimento público e fosse ao supermercado encher sacolas com exposição em redes sociais como forma de pagamento. O mais curioso é que, muitas vezes, a mesma instituição que não possui orçamento para remunerar adequadamente um artista local encontra recursos para estruturas grandiosas, atrações importadas, campanhas promocionais e solenidades cuidadosamente viralizadas. O problema raramente parece ser a falta de dinheiro e sim para quem o dinheiro falta. Quem trabalha com cultura no Brasil, conhece esse roteiro de cor. Eventos anunciados que não acontecem, agendas prometidas que desaparecem, projetos que ficam para depois, pagamentos atrasados, cachês renegociados pela terceira vez. Ah, mas experimenta questionar para ver o que acontece. Surgem os clássicos: “Os artistas só reclamam.” “Nunca nada está bom.” Talvez o artista ideal seja aquele que produz muito, cobra pouco e agradece sempre. Mas seria injusto colocar toda a responsabilidade apenas sobre os gestores públicos, existe uma ferida que também atravessa a própria classe artística. Porque, enquanto muitos denunciam a desvalorização, outros acabam aceitando qualquer condição, qualquer valor e qualquer acordo. Muitas vezes não por escolha, mas pela escassez de oportunidades. Ainda assim, o resultado é o mesmo. Enquanto disputamos migalhas, deixamos de discutir o tamanho da mesa. A verdade é que o Brasil possui artistas extraordinários. Músicos, atores, bailarinos, escritores, artistas visuais, produtores e educadores culturais que sustentam a vida cultural deste país muito mais pela persistência do que pelas condições oferecidas. Gostamos de homenageá-los, de aplaudi-los mas nem sempre gostamos é de investir neles, afinal investir exige compromisso e isso custa mais que o discurso.
São Pedro e São Paulo (29.06), santos pouco lembrados
(Festejando…) Só para lembrar: Santo Antônio, o casamenteiro; São João, o distraído; e São Pedro e São Paulo, os mais sérios de todos. Representava a última esperança de casamento para os jovens. Diziam que Santo Antônio arranjava logo marido, São João escolhia mais, e o melhor marido era arrumado por São Pedro, pois o santo fazia as coisas bem feitas. Muitas eram as crendices relacionadas a esse santo (vale lembrar que, São Pedro é o mais festejado): – A aliança amarrada a um fio de cabelo, batendo na borda do copo, significa o tempo da espera; – A cera que pinga no fundo de um prato, dá a forma da letra do nome dele (ou dela); – Uma chave debaixo do travesseiro, proporciona “sonhos” com a pessoa amada; – Papeizinhos com versos e juras de amor na soleira da janela. Muitas vezes, alguns versos, pregavam um susto em alguém… “Um velho torto e pançudo, / de nariz de palmo e meio, há de ser teu namorado, / mui breve, segundo creio”. Nas festas em sua honra, além das adivinhações e tantas outras brincadeiras, havia uma vastíssima culinária, com quitutes para todos os gostos: Bolo de São Pedro Ingredientes: 4 colheres (sopa) de manteiga, 1 colher (sopa) de suco e raspas de limão, 4 ovos, 1 lata de leite Moça, canela em pó, 2 xícaras (chá) de fubá, 1 xícara (chá) de queijo ralado, 1 ½ xícara (chá) da farinha da trigo, 2 colheres (sopa) rasas de fermento em pó. Maneira de fazer: bata os primeiros sete ingredientes, junte o fubá, o queijo e, por último, a farinha peneirada com o fermento. Coloque em uma assadeira (nº 3) untada e asse em forno médio (175º) por 25 minutos. Corte em quadrados e sirva. Se preferir, junte em torno de uma xícara (chá) de goiabada à massa, no seu preparo. Creme Junino Ingredientes: 1 lata de leite Moça, 2 colheres (sopa) de suco de limão, 1 colher (chá) de baunilha, 1 colher (sopa) de manteiga. Preparo: coloque todos os ingredientes em uma panela. Misture bem e leve ao fogo médio, mexendo sem parar, durante 5 minutos. Deixe esfriar e sirva, às colheradas. Ou então, polvilhe com canela em pó. Costume típico dos festejos juninos em todo o Brasil (hoje um tanto esquecidos) mas ainda difundidos aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!