O plano era perfeito: sair de Munique de trem até Viena, alugar um carro na estação central e seguir por autoestrada até Bratislava, para conhecer a cidade e almoçar. Depois, continuar por estradas secundárias até Visegrád e ter uma noite romântica, com jantar no deck de um navio ancorado no Rio Danúbio.

A viagem até Viena foi perfeita. Trem confortável, quatro horas de contemplação.
No aluguel do carro começaram os problemas. O veículo reservado não estava disponível. Depois de muita conversa, consegui um upgrade, com custo reduzido, para uma Volvo XC40 híbrida.
Seguimos para Bratislava.
A cidade é linda, com um boulevard exclusivo para pedestres, arborizado e cheio de bares e restaurantes com mesas ao ar livre. Passeamos pelo centro histórico e almoçamos de frente para a Catedral de São Martinho.
Ao sair do estacionamento, notei um ruído, como se houvesse uma pedra presa nas ranhuras do pneu. Como o sensor de pressão não acusava vazamento, seguimos por uma estrada estreita, sem acostamento, à beira do Rio Danúbio.
Na primeira oportunidade, parei para verificar. E veio o susto: um tremendo parafuso, com apenas a cabeça para fora.
Pensei: “Dá para seguir até encontrar um posto”.
Alguns quilômetros depois, o sensor acusou perda de pressão. Parei, e o pneu já estava murcho. O parafuso havia caído.
Com o carro meio na grama, meio na estrada, procurei o sobressalente. Não havia. Achei apenas um pequeno compressor e uma lata de spray para estancar o vazamento. Instalei tudo e nada. O pneu não inflava.
Tentei socorro com a locadora, mas meu telefone não completava ligações para a Áustria. Falei até com a filial dos Estados Unidos, sem solução. Estávamos numa estrada secundária, com pouquíssimo movimento.
Pelo Google Maps, vi uma vila a 9 km. Dirigi a 30 km/h até lá, esperando encontrar um posto ou uma borracharia. Posto havia. Borracharia, não.
A atendente, muito atenciosa, falava um pouco de inglês. Pedi o bico de calibragem para tentar localizar o furo. Foi quando vi que o estrago era grande. O spray não resolveria.
Por sorte, o posto vendia um kit de reparo rápido, tipo espaguete. Consegui fechar o furo e encher o pneu.
Seguimos viagem. Poucos quilômetros depois, o sensor voltou a acusar perda de pressão. Retornamos ao posto, recalibrei o pneu e seguimos.
Sem novos contratempos, chegamos ao navio ancorado no Danúbio por volta das 21h30.
O navio nada tinha de romântico. Era velho e malconservado. Perguntamos pelo restaurante. A resposta: já havia fechado e não havia nada para servir.
Lá se foi o jantar romântico sobre o Rio Danúbio.
Consegui duas cervejas e uma Coca-Cola. Com os petiscos que sempre levamos nas viagens, tivemos uma ceia improvisada.
Para completar, ao me levantar pela manhã, uma das ripas do estrado da cama se quebrou.
Saímos do barco-hotel e seguimos para Budapeste, vibrante e acolhedora.
Mas essa é outra história.
Até a próxima, amigos!





