Epopeia. Gesta. Façanha!
A Revolução Farroupilha foi além fronteiras.
E, como era de se esperar, os “farrapos” ou “farroupilhas” deixaram um rastro não só de glória, mais uma imagem que marcou fundo na história brasileira: o “Decênio Heroico”.
O professor Mário Gardelin, numa citação sobre o tema, trouxe à luz um pequeno impresso de ninguém mais, ninguém menos, que Ruy Barbosa onde, sob o título de “Culto Cívico”, nos diz:
“Terra de tantas qualidades excelsas, privilegiada pela sua inesgotável maternidade de talentos, virtudes e heroísmos, o Rio Grande tem no tesouro incalculável de seus merecimentos, glórias para encher a paz e a guerra, cimo de luz para se medir com as mais altas grandezas, imprevistas sobras de magnificência para se lembrar até dos mais pequeninos e lhes deixar cair um pouco do que lhe transborda dos seios opulentos. De coração e com amor lhe rendo aqui este preito………….”.
Ao comentar esse trexto, o saudoso professor Mário Gardelin, relata: “Não é nenhum favor afirmar que o RS, entre todos os Estados ou Províncias do Brasil, foi um dos que, popularmente, conquistaram o maior prestígio. Quem residiu fora de nossas fronteiras, sabe que a palavra ‘gaúcho’ tem algo de especial, de nobre e de representatividade………”.
Outro brasileiro – esse, poeta – contado e cantado em prosa e verso – chamado Olavo Bilac – assim falou:
“FARRAPO!
Este nome criado pelo desprezo foi nobilitado pela glória; a inevitável glória da justiça do tempo transformou o epíteto injurioso em título de suprema honra.
Eram desgraçados, sim; eram pobres; eram maltrapilhos, aqueles guerreiros que, para não morrer de fome, contentavam-se com um bocado de carne crua; acampavam e dormiam ao relento, com a face voltada para as estrelas; não tinham dinheiro, nem uniforme, e não podiam renovar as botas e os ponchos que o pó da estrada, as balas, as cutiladas, as chuvas estraçalhavam e apodreciam; – mas, prezavam o seu nome de ‘farrapos’ e tinham orgulho de sua pobreza; e eram mais ricos assim, possuindo apenas o cavalo, a sua garrucha, a sua lança e a sua bravura…”.
Mas, sem sombra de dúvidas – e ao meu ver – a maior prova de “brasilidade” do povo gaúcho está em sua bandeira: a cor vermelha, entre o verde e amarelo. O sangue aqui derramado, a unir as cores da nossa pátria.
A bem da verdade, a Revolução Farroupilha (sem falar em vitória ou derrota) mostrou ao Brasil que aqui no “garrão” sul-brasileiro está, de pé e à ordem, o Rio Grande do Sul… a nossa terra!




