SOMOS O QUE VOTAMOS

Há algo curioso nas eleições. Durante alguns meses, todo mundo parece especialista em política. O vizinho sabe quem vai salvar o país, o colega de trabalho sabe quem vai destruí-lo, a família se divide na mesa do almoço, amigos deixam de se falar e nas redes sociais, o argumento muitas vezes desaparece e sobra apenas a torcida. E assim chegamos a 2026!

Mais uma vez, o Brasil vai às urnas. No dia 4 de outubro, escolheremos presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Se houver segundo turno para presidente ou governador, ele acontecerá em 25 de outubro. Mas será que sabemos, de verdade, o que estamos escolhendo? Porque eleição não é apenas escolher um presidente. Nós falamos muito do presidente, mas pouco falamos de quem estará sentado no Congresso.

O deputado federal trabalha na Câmara dos Deputados. São eles que discutem e votam projetos de alcance nacional, participam da elaboração do orçamento e fiscalizam o Executivo. O deputado estadual atua na Assembleia Legislativa do estado, tratando de leis e questões que dizem respeito à realidade estadual. Ou seja, quando escolhemos um deputado, não estamos escolhendo simplesmente alguém para “representar nossa cidade”. Estamos escolhendo alguém que vai participar das decisões que podem afetar nossa vida durante anos.

E é por isso que a polarização é tão perigosa, porque ela simplifica aquilo que é complexo, transformando política em campeonato. De um lado, os “bons”, do o outro, os “maus”. De um lado, os que “salvarão o Brasil”, do outro, os que “acabarão com o Brasil”. E nós, cidadãos, vamos sendo convidados a escolher não necessariamente pelo que acreditamos, mas pelo medo que sentimos do outro. A política brasileira parece ter adquirido uma estranha necessidade de inimigos.

Já não basta discordar, é preciso desqualificar, não basta defender uma ideia, é preciso destruir quem pensa diferente, e democracia não nasceu para que todos pensem igual. Nasceu justamente para que pudéssemos pensar diferente sem precisar nos destruir. “Ah, mas se eu não quiser votar em ninguém?”Pode votar em branco ou nulo, mas é importante saber o que isso significa.O voto em branco acontece quando o eleitor escolhe a opção “Branco” na urna. O voto nulo ocorre quando o eleitor digita uma combinação que não corresponde a um candidato e confirma. Para efeito do resultado, ambos não são contabilizados como votos válidos e isso muda tudo! A eleição continua e nós entregamos poder através desses números.

Quando for votar pense: “Quem você vai escolher para ocupar cada espaço de poder?”Temos liberdade para escolher e, ao mesmo tempo, vemos crescer a hostilidade contra o próprio sistema que nos permite escolher.É como reclamar da existência da porta enquanto se discute quem pode entrar.Democracia não é perfeita, nunca foi!Somos o que votamos!E, depois de apertar “CONFIRMA”, começa a parte mais difícil:conviver com aquilo que escolhemos e continuar cuidando da democracia que nos permitiu escolher. Portanto, pesquise e vote consciente!

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