Nos últimos 20 anos vem se acentuando a queda na procura pela informação na forma impressa. Uma das principais causas tem relação direta com a busca pelo imediatismo proporcionado pelos canais da internet. A primeira vez que vi o site Google, numa tela de computador, acho que por volta de 1998, foi na sala de um professor amigo meu, numa visita à Unisinos. Que maravilha, aquele oráculo! Você digitava o assunto de interesse e surgiam respostas, referências e dados.
Junto com a admiração por aquele passo gigantesco no processo de pesquisa, e com o que ele significava em termos de economia de tempo, muitos já começavam a se perguntar sobre as consequências. Para novas gerações, significaria o afastamento das bibliotecas, livrarias e das bancas de jornais e revistas, já se percebia que os livros iriam parar no ambiente digital. A grande maioria dos terráqueos das chamadas gerações Z e Alfa (nascidos de 1997 em diante), considerados nativos digitais e hiperconectados, de fato vieram a se comportar assim.
Mas deixemos de tristes constatações, porque o que uma geração pode lamentar, para outras é absolutamente normal. Se jornais e revistas (físicos) perderam assinantes e receitas, a lógica da rapidez dos cliques passou a imperar. Dá-se prioridade aos conteúdos enxutos, as leituras de fôlego passam para segundo plano. Ressalte-se que a internet permite gigantesca circulação de escritos e ideias, em formatos outros que o impresso e pode oferecer espaço para textos longos. Mais autores e leitores podem se aproximar, agora, através de blogs, podcasts, lives e perfis nas redes. Há milhares de lugares no Brasil sem uma boa livraria, e livro é investimento não ao alcance de muitos.
Na semana em que nosso Nova Época passou a chegar aos leitores exclusivamente através das telas e telinhas, essa transformação se deu porque os produtos jornal e revista, no papel, foram os mais atingidos. No tocante aos livros impressos, boas notícias: este mercado está reagindo bem. Diz a pesquisa realizada pela Nielsen BookData para a Câmara Brasileira do Livro, tendo por base o ano de 2025, que houve crescimento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, com o montante de consumidores passando de 16% para 18%, o que equivale a 3 milhões de novos consumidores. 56% dos consumidores de livros compram através das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas. Mas ressalte-se que ainda há os 44% de leitores que preferem ir às livrarias. Para a maioria deles, diz a pesquisa, a livraria é um espaço para relaxar e explorar sem pressa (53%), se conectar com cultura e conhecimento (46%), passear e descobrir novidades (39%). Por fim, o estudo aponta que livros impressos (e digitais, vá lá!) são o quinto produto de maior procura, atrás de roupas, celulares, ingressos para cinema e brinquedos.
Cada um a seu gosto, enfim, é importante que, mesmo quem não folheia, leia.




