Achado centenário
O aparecimento de uma antiga caderneta instiga a uma breve pesquisa. O livreto, com registros a partir de julho de 1926 e estendidos a março de 1938, contém os “deveres” e os “haveres” do movimento comunitário pró-construção da igreja católica, poucos meses depois da instalação de Canela como 6º distrito de Taquara. A breve pesquisa decorrente dessa descoberta revela ser aquele o passo inicial do que hoje se conhece como Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, apelidada “Catedral de Pedra”, um dos principais cartões postais de Canela e do Rio Grande do Sul.
A importância dos acervos
Um achado como esse ressalta a importância dos acervos particulares, constituídos a partir do interesse e da dedicação de colecionadores. Ainda que de usufruto mais reservado do que os de uma instituição pública, são a essas iniciativas que recorrem a própria Municipalidade, as empresas, os meios escolares e acadêmicos e a imprensa local, sempre que necessários – e nem sempre com os devidos créditos.
Coleções
São objetos, fotografias e documentos que narram, mesmo que às vezes silenciosamente, a história de Canela, cuja existência se alonga de seus 100 anos como distrito e de 82 como município. Esse formidável conjunto de valor histórico, cultural e patrimonial, que poderia estar à disposição da sociedade se houvesse um museu histórico municipal, só existe, resiste e permanece pela dedicação de pessoas como José Domingos Prates Batista (in memoriam) e seus familiares; e de Antonio Olmiro dos Reis (a quem devemos a descoberta da caderneta centenária), de Ana Glenda Viezzer, de Dida Bertoluci, de Marcelo Wasem Veeck e de Pedro Oliveira.
Garimpo cultural
Poderiam (ou deveriam) ser as instituições públicas as gestoras de espaços que mostrem a história dos lugares. Este ainda não é o caso de Canela. Aqui, são as coleções particulares que proporcionam essas importantes revelações, essas relevantes descobertas, esses imprescindíveis registros. O Memorial Canela existe para contribuir com a missão da preservação da cultura local e tem a honra de ter entre seus integrantes os mais dedicados guardiões de nossa memória, que permitem que os canelenses evitem o esquecimento e transmitam conhecimento às novas gerações.
3º Encontro da Memória
Trazer questões como essa é dever do Memorial Canela, que se expressa por meio de iniciativas como este próprio espaço jornalístico e dos eventos que promove regularmente. Assim será, mais uma vez, nos dias 5, 6 e 7 de agosto, com a realização do 3º Encontro da Memória de Canela. Nessas três noites, a partir das 18h30, ocorrerão palestras, painéis, apresentações e mostras, sempre no Espaço Sicredi João Pessoa (ver notícia nesta edição).
Conselho de Política Cultural
O jornalista, professor, advogado e escritor Márcio Cavalli passa a integrar o Conselho Municipal de Política Cultural. Ele foi eleito durante a Conferência Municipal de Cultura, no último dia 18 de julho, em sucessão a uma série de reuniões setoriais preparatórias, das quais o Memorial Canela, que o indicou, marcou presença e participação. Cavalli torna-se conselheiro pela segunda vez, agora na área de Museologia, Acervos e Patrimônio, com mandato de dois anos.
“Canela na História”
Esta edição teve por base materiais do acervo de Antônio Olmiro dos Reis, acrescidos de pesquisa e cobertura jornalística, com redação do jornalista Nikão Duarte.





