Trabalhamos muito para gerarmos mais e mais dinheiro e cada vez temos menos tempo para cuidar de nós e dos nossos. E para amenizar a culpa, da nossa ausência, tentamos compensar nossos filhos e a nós mesmos com coisas materiais. E eu falo por experiência própria, quando as minhas filhas eram pequenas eu era jovem e trabalhava muito. E muitas vezes me culpava e tentava sim, compensar a minha ausência com presentes. Mas com o passar do tempo vi que o que mais valioso para elas era a minha presença, a qualidade dos nossos momentos juntas. Vejo muitos pais colocando os pés pelas mãos em relação a isso, se endividam muitas vezes para tentar “pagar” o que não tem preço, que é o tempo com a sua família. E essa situação vai muito além do endividamento, criam filhos que tem que serem “compensados”, o tempo todo, e o mundo não é assim que funciona. Hoje nas minhas consultorias e mentorias vejo o quanto cada vez mais, as pessoas esquecem de si mesmas, de ter um tempo para si, para refletirem, terem momentos de solitude, de buscar uma espiritualidade, ter um hobby, fazer exercícios, enfim, uma vida equilibrada. Entre o ter e o ser tem uma linha tênue, e por isso muito fácil de se perder entre um e outro.

Queremos dar o melhor para os nossos filhos, mas ao mesmo tempo, muitos pais acabam dando o que não comporta no seu orçamento, fazem parcelas a perder de vista por um tênis de marca, o celular do ano por exemplo. E na sequência de várias parcelas, acabam estourando o orçamento e tendo que fazer horas extras, e ou renda extra. E consequentemente ficam mais ausentes, estressados, cansados e irritados, e assim consomem mais e pagam mais juros. Entram nesta roda viva de trabalhar para pagar contas. E acabamos formando indivíduos com vazios internos, e com a falsa ideia que o ter preenche o ser, o estar presente. Muitas vezes nós mesmos somos quem não sabemos ouvir um não ou um basta para as compras e parcelas, queremos nos “compensar”, e não sabemos e não queremos esperar o momento certo para adquirir determinadas coisas. Pois o ter agora me traz uma sensação de bem estar, só que lamento dizer que é somente uma sensação passageira, pois a consequência das minhas atitudes de hoje, não vão demorar a chegar, e vou ter que encará-las. Na questão de nossos filhos não saberem lidar com frustrações, não saberem lidar com o não, e quererem que seus desejos sejam atendidos a tempo e a hora, temos a nossa grande responsabilidade nisso. Pois estamos criando um ser humano que talvez irá se frustrar facilmente e terá dificuldade de lidar com isso.
Ressaltando também o quanto esse imediatismo afeta a nossa vida pessoal e os nossos relacionamentos, como por exemplo colocar a família em uma situação difícil financeiramente. Você já parou para pensar se tem sido um bom exemplo para seu filho? De como você tem gerenciado o seu dinheiro, ou você tem colaborado para esta geração do imediatismo agir assim em relação as decisões das quais vão ter que ser responsáveis e assumirem as consequências?
Não podemos compensar o ser com o ter. E é claro que cada vez mais os pais tem que trabalharem, e é aí que entra o equilíbrio, em buscar crescer, gerar mais resultados, mas não deixar de lado os seus valores, a sua qualidade de vida, o seu tempo precioso com a sua família. Devemos dar um sentido as coisas, a importância do nosso autoconhecimento e auto controle diante de tantas possibilidades e ofertas de consumo. Se você ainda usa a falsa compensação para justificar as suas atitudes, saiba que este não é o caminho, pois só vai piorar as coisas. Não comprometa o seu orçamento, com desejos, que acabarão tirando a sua paz e a qualidade de vida, e podem te levar ao endividamento. Não caia na farsa da compensação financeira. Procure equilibrar as suas finanças, e ter o conhecimento e a sabedoria para gerenciar o tão famoso “porque eu mereço”.




