Dois séculos
Este ano de 2026 marca o segundo centenário daquela que é considerada a primeira fotografia da história, feita pelo francês Joseph Nicéphore Niépce (1765/1833). A “Vista da Janela em Le Gras” foi captada após oito horas de exposição, em técnica batizada de heliografia. Esse registro antecedeu em 13 anos a criação, por Louis Jacques Mandé Daguerre (1787/1851), do aparelho que aperfeiçoou a técnica do conterrâneo, o daguerreótipo.
Evolução
Múltiplas cópias de uma mesma captação tornaram-se possíveis em 1888, a partir do uso de uma matriz em negativo, para impressão em papel. Inventor do filme em rolo, o estadunidense George Eastman (1854/1932) foi o fundador da Kodak, empresa que imperou no mercado até o advento da fotografia digital.
Todos são fotógrafos?
O avanço tecnológico dos anos finais do século passado, no qual estão inseridos a internet, as redes sociais e os aparelhos móveis de múltiplas funcionalidades, deu a toda pessoa detentora de um smartphone a possibilidade de registrar imagens de qualquer momento e de armazená-los no próprio dispositivo, sem a necessidade da impressão. A fotografia está, assim, ao alcance de todos, independentemente de talento e de valor artístico.
No Brasil
Hercules Florence (1804/1879), francês naturalizado brasileiro, realizou experiências de captação de imagens em 1833. Sete anos mais tarde, em 17 de janeiro de 1840, o abade francês Louis Comte, de passagem pelo Rio de Janeiro como capelão de um navio, usou um daguerreótipo para fotografar o Paço Imperial, deixando o imperador Pedro II fascinado com a novidade.
Primeiro selfie?
O apoio do governante foi fundamental ao desenvolvimento da fotografia no Brasil. A predileção do imperador levou ele próprio a praticá-la, a ponto de ser apontado como o autor do primeiro autorretrato fotográfico, o que teria sido possível a partir de um mirabolante sistema de cordas em que a câmera ficava pendurada e direcionada ao objeto a ser fotografado.
No RS
Porto Alegre viu a fotografia tomar corpo a partir de 1848, com o estadunidense Charles DeForest Frederiks (1823/1894) e o italiano Luigi Terragno (1821/1891), a abertura de estúdios e as excursões dos seus praticantes ao interior. Pelotas, então a segunda maior cidade gaúcha e Rio Grande, como o mais importante porto, também receberam fotógrafos estrangeiros em viagens itinerantes, que na sequência tiveram seus próprios estúdios, com atuação regional.
Em Canela
Em 1937, foi fundado em Canela, então sexto distrito de Taquara, o Zimmermann Foto Estúdio, como primeiro estúdio fotográfico da cidade, em atuação até hoje, agora mantido pela terceira e pela quarta gerações da mesma família. Território fotogênico por natureza, Canela sempre atraiu a atenção de fotógrafos amadores e profissionais e por anos sediou o Canela Foto Workshop, realizado pelo Canela Instituto de Fotografia e Artes Visuais.
Encontro com a Memória
“A fotografia em Canela” será o tema de um dos próximos Encontros com a Memória – dos três que o Memorial ainda realizará em 2026 e que se somarão aos três já ocorridos. Os eventos ocorrerão nos dias 22 de outubro, 12 de novembro e 10 de dezembro.
Conteúdo
Apuração, pesquisa e redação desta coluna são de autoria do jornalista Nikão Duarte. Para a presente edição, foram usadas como fontes de consulta obras do pesquisador Miguel Antônio de Oliveira Duarte e do historiador Boris Kossoy.




