A COPA JOGADA NO ÁLBUM

Enquanto as atenções do mundo se voltam para os gramados dos Estados Unidos, Canadá e México, uma outra disputa se espalha por escolas, bancas, papelarias, mercados, grupos de WhatsApp e rodas de amigos: a corrida para completar o álbum oficial de figurinhas da Copa do Mundo 2026. Em Canela, a mobilização já alcança diferentes gerações. Crianças, adolescentes e adultos passaram a comparar listas, separar figurinhas repetidas e participar de trocas para avançar na coleção. Com o início da Copa, o álbum passou a ocupar espaço nas conversas sobre seleções, jogadores, apostas e expectativas para o Mundial. A coleção lançada pela Panini chega em um momento histórico para o futebol mundial. A Copa de 2026 é a primeira disputada com 48 seleções, ampliando o número de participantes e também o tamanho do desafio para os colecionadores.

O álbum reúne 980 figurinhas, tornando-se o maior já produzido para uma Copa do Mundo. Mas a força do álbum não está apenas nos números. Há mais de cinco décadas, ele acompanha o principal torneio do futebol mundial e se tornou uma tradição que atravessa gerações. Há adultos que retomam o hábito ao lado dos filhos ou netos, enquanto crianças e adolescentes vivem a experiência pela primeira vez. A cada edição da Copa, o fenômeno se repete. O álbum cria uma agenda própria onde grupos de troca se organizam nas redes, encontros tomam os fins de semana e colecionadores desenvolvem estratégias para completar páginas específicas. Uma movimentação que acontece fora dos estádios e das transmissões, mas que faz parte da Copa tanto quanto os jogos.

AS REPETIDAS

A própria dinâmica da coleção incentiva esse comportamento. É praticamente impossível avançar sem acumular figurinhas repetidas. Com o passar das semanas, elas deixam de ser apenas peças excedentes e passam a funcionar como moeda de troca entre os colecionadores. Quem tem uma figurinha procurada consegue negociar por outras que ainda faltam, criando uma movimentação que mistura sorte, estratégia e convivência. Em uma época marcada pelas conexões digitais, o álbum continua criando algo simples e cada vez mais raro, os encontros presenciais entre pessoas que compartilham o mesmo interesse. Enquanto a Copa acontece nos estádios, outra disputa segue em andamento nas escolas, nos grupos de troca e nas mesas onde as figurinhas são organizadas uma a uma.

Completar o álbum segue sendo uma tradição
Foto: Divulgação

QUANDO A FIGURINHA ENTRA NA CONTA

A abertura de cada pacote dura poucos segundos. O impacto no orçamento, porém, pode se estender por semanas ou meses. Com 980 figurinhas distribuídas em pacotes de sete unidades, a edição de 2026 também trouxe uma pergunta que acompanha praticamente toda coleção da Copa do Mundo. Quanto custa completar o álbum?
Em teoria, seriam necessários 140 pacotes para completar a coleção caso nenhuma figurinha viesse repetida. Na prática, um colecionador que dependa apenas da compra de pacotes pode precisar de quase 1.000 — a explicação para essa diferença está na matemática. A resposta varia de acordo com a estratégia adotada por cada colecionador. Há quem compre apenas alguns pacotes por semana, quem estabeleça limites de gasto e quem participe ativamente de grupos de troca para reduzir a necessidade de novas compras. Em comum, todos convivem com um elemento inevitável: as figurinhas repetidas.

Na prática, são elas que transformam o álbum em algo mais complexo do que uma simples coleção. À medida que as páginas vão sendo preenchidas, aumenta a dificuldade de encontrar figurinhas inéditas. O resultado é um crescimento gradual no número de figurinhas sobrando e uma busca cada vez mais intensa pelas que ainda faltam. Esse processo criou uma pequena economia paralela em torno da coleção. Pacotes são comprados individualmente ou em grupo. Colecionadores organizam listas de necessidades e disponibilidades. Trocas acontecem entre familiares, colegas de escola, amigos e desconhecidos que compartilham o mesmo objetivo. Em muitos casos, a capacidade de negociação se torna tão importante quanto a sorte ao abrir um envelope.

Foto: Divulgação

O impacto também chega ao comércio local. A cada Copa do Mundo, a procura pelos pacotinhos movimenta bancas, papelarias, mercados e outros pontos de venda. O álbum deixa de ser apenas um produto e passa a gerar fluxo de pessoas, conversas e novas relações entre consumidores que, muitas vezes, retornam ao mesmo local diversas vezes ao longo da coleção. Para muitos participantes, completar o álbum é um objetivo importante. Mas existe um consenso entre os colecionadores mais experientes, onde quem depende apenas da compra de pacotes tende a gastar muito mais do que quem constrói uma rede de trocas. É justamente dessa necessidade que surgem os grupos organizados que se multiplicam a cada edição da Copa. A explicação para isso não está apenas na sorte. Ela também pode ser encontrada na matemática.


O ÁLBUM QUE APROXIMA PESSOAS

A COLEÇÃO QUE REUNIU A FAMÍLIA

O que começou como uma brincadeira para Beatriz e Antônio (foto) acabou envolvendo toda a família. Em casa, o álbum da Copa passou a fazer parte da rotina dos pais, que acompanham cada nova página preenchida e cada troca realizada pelos filhos. “Aqui em casa, o álbum da Copa virou uma diversão para toda a família. A Beatriz e o Antônio adoram conferir as figurinhas, e nós acabamos entrando na brincadeira junto com eles”, contam Eveline e Igor Becker. Segundo o casal, os pontos de troca se tornaram parte importante da experiência. “Além de ajudar a completar o álbum, eles permitem conhecer outras famílias e compartilhar a emoção da Copa”, resume o casal.

O BAZAR DAS FIGURINHAS

Na família de Andressa e Djeremi Lírio (foto), o álbum da Copa entrou na rotina pela filha Júlia, mas logo envolveu todos em casa. As trocas, a busca por cromos difíceis e a organização das repetidas viraram oportunidades de convivência. Comerciante, Djeremi vê o fenômeno também no bazar da família. Nas tardes de sábado, quando acontecem as rodadas de troca, a loja reúne colecionadores “de absolutamente todas as idades”. Entre listas, repetidas e negociações improvisadas, ele observa crianças, pais e avós em busca das figurinhas que faltam. Em alguns momentos, a cena ganha ainda mais movimento com o tradicional jogo do bafo.

CADA PACOTE PRECISAVA SER CONQUISTADO

Na casa de Jerusa Bohrer (foto), completar o álbum envolveu mais do que abrir pacotinhos. A família criou um sistema de recompensas para transformar a coleção em uma atividade ligada à responsabilidade e à organização. João Felipe precisava cumprir tarefas como arrumar a cama, guardar os brinquedos e fazer os temas para acumular pontos. Ao final da semana, a pontuação determinava quantos pacotes ele receberia. “Foi a primeira vez que conseguimos completar um álbum da Copa”, conta Jerusa. Segundo ela, a experiência uniu diversão e aprendizado. “Cada figurinha repetida virava uma oportunidade de encontro. Cada troca se transformava em conversa, amizade e colaboração, ” destaca Jerusa.

MAIS IMPORTANTE DO QUE COMPLETAR

Quando decidiu montar o álbum ao lado do filho Ayrton (foto), de 6 anos, Flávia Stelmaszczyk enxergou uma oportunidade de acompanhar descobertas e desafios da infância. “Mais do que colecionar figurinhas, vivemos momentos de troca, conversa e aprendizado”, relata ela. Educadora parental, ela destaca que a coleção permitiu trabalhar temas como paciência e persistência. “Procurávamos juntos as figurinhas que faltavam, comemorávamos cada conquista e aprendíamos a lidar com as frustrações quando saíam repetidas.” Para Flávia, a principal conquista não foi completar o álbum. “Ver o entusiasmo dele ao concluir a coleção foi emocionante.”

ENTRE PACOTINHOS, TROCAS E PLANILHAS

Economista, João Richa encontrou no álbum da Copa uma forma de dividir com o filho Caio uma experiência que mistura futebol, convivência e educação financeira. Caio tem 11 anos e estuda no Colégio Marista. Pai e filho (foto) perceberam que, após determinado ponto da coleção, as trocas eram mais eficientes do que continuar comprando pacotinhos. João também passou a aproveitar viagens para adquirir figurinhas em cidades diferentes e reduzir o número de repetidas. Para ele, o álbum acabou funcionando como uma experiência prática de educação financeira. “Vejo que o Caio está aprendendo a negociar, comparar alternativas, avaliar custos, entender valor e tomar decisões,” diz Richa. “Alguns investimentos rendem histórias, experiências e lembranças. E esses não cabem em nenhuma planilha,”afirma ele.

DO ÁLBUM PARA O CAMPO

Aos 12 anos, Rafael Braga Ozório associa a Copa do Mundo a uma mudança importante em sua vida. Estudante do 7º ano da Escola Municipal Barão do Rio Branco, ele conta que a paixão pelo futebol começou após acompanhar o último Mundial. “Eu senti vontade de jogar, só para poder ajudar o Brasil a ganhar novamente. Foi então que comecei a praticar futsal”, lembra ele. Atualmente, Rafael atua no futsal e no futebol de campo pelo Esporte Clube Serrano. Neste ano, também completou o álbum da Copa. “O mais legal foi conseguir completar o álbum e conhecer outras pessoas que também gostam de futebol”

O ÁLBUM CHEGOU AO RECREIO

Na Escola Estadual de Educação Básica Neusa Mari Pacheco, o álbum da Copa rapidamente deixou de ser uma atividade individual. As trocas começaram nos intervalos das aulas e continuaram fora da escola. Uma pesquisa realizada com os estudantes mostrou que a maioria está montando um álbum da Copa pela primeira vez, muitas vezes incentivada por pais, tios e irmãos mais velhos. As estratégias para completar a coleção vão além da compra de pacotinhos. Os alunos organizam listas, separam repetidas e participam de trocas tanto na escola quanto nos encontros realizados nos finais de semana. Entre os estudantes de 12 e 13 anos, as figurinhas também aparecem em brincadeiras tradicionais, como o “jogo do bafo” (foto).

A pesquisa revelou ainda que a parte preferida da maioria dos participantes não é a compra dos pacotes, mas as trocas. Ao reunir colegas, amigos e familiares em torno de um objetivo comum, o álbum criou uma rede de convivência que ultrapassa os limites da escola. É esse movimento que ajuda a explicar porque a tradição das figurinhas continua mobilizando novas gerações.

Edições impressas

Segue a gente:

Mais Lidas

  • All Post
  • Agenda Cultural
  • Além do Papel
  • Colunistas
  • Entrevistas
  • Especiais
  • Esporte
  • Impressos
  • Jornal Impresso
  • Matéria de Capa
  • Publieditorial
  • Tecnologia
  • Últimas notícias
  • Viagem
  • Viva Cidade
    •   Back
    • No Ponto
    • Gastronomia
    • Salada Cultural
    • Folcloreando
    • Miron
    • Social
    • Economia
    • Andando por aí
    • Saúde
    • Conexão Punta - Serra Gaúcha
    • Renato Fensterseifer
    • Happy Wine
    • Chef Glau
    • Gastronomia & Turismo
    •   Back
    • Ano 12
    •   Back
    • Happy Wine
    • Chef Glau
    • Gastronomia & Turismo
    •   Back
    • Renato Fensterseifer

SALADA CULTURAL

  • All Post
    •   Back
    • No Ponto
    • Gastronomia
    • Salada Cultural
    • Folcloreando
    • Miron
    • Social
    • Economia
    • Andando por aí
    • Saúde
    • Conexão Punta - Serra Gaúcha
    • Renato Fensterseifer
    • Happy Wine
    • Chef Glau
    • Gastronomia & Turismo

Categorias

Tags

  • Agenda Cultural (2)
  • Além do Papel (1)
  • Colunistas (0)
  • Andando por aí (55)
  • Conexão Punta - Serra Gaúcha (12)
  • Economia (92)
  • Folcloreando (125)
  • Gastronomia (93)
  • Chef Glau (11)
  • Gastronomia & Turismo (35)
  • Happy Wine (10)
  • Miron (19)
  • No Ponto (125)
  • Salada Cultural (104)
  • Saúde (58)
  • Social (234)
  • Entrevistas (5)
  • Geral (278)
  • Impressos (1)
  • Matéria de Capa (120)
  • Publieditorial (8)
  • Viva Cidade (24)

Autores

André Aguirre

Jornalista

Claiton Saul

Publicitário

Adriana Silveira

Jornalista

Liliana Reid

Jornalista

Samanta Vasques

Relações-Públicas

Renato Fensterseifer

Empresário

Lisiane Berti

Atriz e produtora cultural

Felipe Oiveira

Dentista

Estevan Blankenheim

Oficial de Justiça

Marco Aurélio Alves

Psicólogo

Pedro Oliveira

Pesquisador Folclorista

Carla bohrer

Empresária

Edit Template

Av. Júlio de Castilhos, 990 | Canela - RS

Nunca perca nenhuma notícia importante. Entre no nosso grupo do WhatsApp

...

© 2024 Desenvolvido por EssencialMedia