A HISTÓRIA DA FESTA COLONIAL

Antes de receber centenas de milhares de visitantes, a Festa Colonial nasceu para um público bem menor, mas com um propósito que permanece atual. Em novembro de 1993, quando Canela realizou sua primeira edição, o objetivo não era criar um grande evento turístico. A proposta era abrir espaço para que as famílias do interior mostrassem à cidade aquilo que produziam ao longo do ano. Em cada pão assado, cada cuca, cada salame, cada geleia e cada peça de artesanato havia uma história construída nas propriedades rurais do município.

CENTRO DE FEIRAS em 1993, palco da 1º edição da Festa Colonial
Arquivo Jornal Nova Época

Naquele tempo, Canela vivia uma realidade diferente. O turismo já ocupava espaço na economia local, mas a agricultura seguia essencial para dezenas de famílias espalhadas pelas comunidades do interior. Faltava, porém, um lugar onde esse trabalho pudesse ser visto, reconhecido e valorizado. A Festa Colonial nasceu para preencher essa lacuna, reunindo produtores rurais, Prefeitura, Emater e Sindicato dos Trabalhadores Rurais em um projeto que aproximava o campo da cidade.

A primeira edição foi realizada entre 27 de novembro e 5 de dezembro de 1993, no antigo Centro de Feiras de Canela, que hoje desativado. Participaram exclusivamente produtores rurais da cidade. As bancas reuniam pães, cucas, queijos, embutidos, geleias, hortaliças e artesanato. A programação também incluía almoços e jantares típicos da culinária alemã e italiana, exposição de pequenos animais, máquinas e implementos agrícolas, além de apresentações de grupos folclóricos e bandas. As famílias rurais passaram a ocupar um espaço que até então não existia. Durante alguns dias, deixaram suas propriedades para apresentar a produção no Centro da cidade, aproximando consumidores e produtores em um encontro que rapidamente conquistou a comunidade. Não foram localizados registros oficiais sobre o público da primeira edição. Naquele momento, a preocupação não estava nos números. O desafio era fazer a ideia dar certo. E deu.

A CONSOLIDAÇÃO

O resultado apareceu rapidamente. Em 1994, a segunda edição já refletia a confiança conquistada no ano anterior. A estrutura foi ampliada, novos fornos de barro foram construídos e mais comunidades decidiram participar. A programação ganhou força com 14 grupos folclóricos, bandas, corais, danças típicas e a participação oficial do primeiro grupo folclórico de Canela.

NA PRIMEIRA FESTA, fornos foram feitos com barro amassado pelos pés
Arquivo Jornal Nova Época

Oito comunidades rurais levaram seus produtos e costumes ao antigo Centro de Feiras. A expectativa da organização era receber um público três vezes maior do que o da estreia. Ao final da programação, cerca de sete mil pessoas passaram pelo evento apenas no último fim de semana. A Festa Colonial deixava de ser uma experiência para tornar-se um compromisso do calendário de Canela.

UM NOVO CALENDÁRIO

As quatro primeiras edições aconteceram entre novembro e dezembro. Em 1997, na quinta edição, o evento passou definitivamente para julho. A mudança tinha duas razões. O Sonho de Natal crescia rapidamente e concentrava boa parte da programação turística do fim do ano. Ao mesmo tempo, o inverno já atraía milhares de visitantes para a Serra Gaúcha.

Levar a Festa Colonial para julho significava oferecer aos produtores rurais um público maior justamente no período de maior movimento turístico. A decisão deu resultado. A festividade ampliou sua estrutura, incorporou novas atrações e consolidou-se como um dos principais eventos do inverno canelense. O crescimento aconteceu sem alterar sua principal característica: colocar as famílias agricultoras no centro da programação.

NA 2ª FESTA COLONIAL, grupo folclórico alemão foi atração artística
Arquivo Jornal Nova Época

Desde sua criação, a Festa Colonial foi realizada praticamente todos os anos. A única interrupção ocorreu em 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou o cancelamento do evento. Em 2021, a festa retornou em formato adaptado, respeitando as restrições sanitárias ainda vigentes. Nos anos seguintes, retomou gradualmente seu formato tradicional.

Ao longo de pouco mais de três décadas, a Festa Colonial acompanhou as transformações de Canela. O que começou reunindo exclusivamente produtores rurais em um antigo pavilhão tornou-se um dos principais eventos do calendário de inverno da cidade. A estrutura cresceu, a programação foi ampliada e a festa passou a ocupar o coração do município, sem perder o vínculo com suas origens.

ESSÊNCIA DO EVENTO SEGUE A MESMA

A gastronomia continua sendo o grande ponto de encontro entre o campo e a cidade. Pães, cucas, bolos, bolinhos, embutidos, queijos, geleias, schmiers, massas e pratos típicos preparados pelas próprias famílias permanecem como a principal atração para quem visita a festa. Ao longo dos anos, novos produtos foram incorporados ao evento, acompanhando a diversificação da produção rural de Canela. Hoje, queijos premiados dividem espaço com receitas tradicionais que atravessaram gerações.

Outro aspecto marcante foi a renovação das próprias famílias expositoras. Muitos agricultores que participaram das primeiras edições passaram a dividir os balcões com filhos e netos. Em diversos casos, novas gerações assumiram a produção sem abandonar os métodos artesanais que deram identidade à Festa Colonial. Famílias tradicionais seguem presentes, enquanto novos produtores incorporam mercadorias e técnicas que ampliam a diversidade da feira.

A programação também ganhou novas dimensões. Além da gastronomia colonial, a festa passou a reunir shows, apresentações folclóricas, espetáculos teatrais, desfiles temáticos, oficinas, feira de artesanato e, mais recentemente, os Jogos Coloniais. A cultura do interior passou a ser apresentada não apenas pela culinária, mas também pela música, pelo teatro, pelos costumes e pelas histórias das comunidades rurais.

A transferência para a Praça João Corrêa consolidou outro avanço importante. Ao levar a Festa Colonial para o Centro, o evento ganhou visibilidade e aproximou ainda mais moradores e visitantes da realidade das comunidades rurais. Durante mais de duas semanas, o espaço transforma-se em uma vitrine da produção agrícola e artesanal de Canela, fortalecendo a geração de renda para dezenas de famílias e valorizando um patrimônio cultural construído ao longo de gerações.

A FESTA no noticiário local de 1994
Arquivo Jornal Nova Época

A 32ª EDIÇÃO

No próximo 17 de julho, a Praça João Corrêa voltará a receber a Festa Colonial para sua 32ª edição. Serão 17 dias de programação com shows, desfiles temáticos, espetáculos teatrais, jogos coloniais, feira de artesanato e, principalmente, a presença das famílias agricultoras que seguem sendo a razão de existir do evento. Segundo a organização, a expectativa é superar os 255 mil visitantes registrados na edição de 2025, impulsionada pela ampliação da programação e pelo aumento dos investimentos.

Quem visitar a festa encontrará uma estrutura muito diferente daquela de 1993. Os antigos pavilhões deram lugar a uma programação espalhada pelo Centro da cidade, o público se multiplicou e Canela consolidou um dos seus principais eventos de inverno. Mas a essência permanece. A Festa Colonial continua sendo o lugar onde o interior encontra a cidade e onde gerações de produtores rurais apresentam, com orgulho, o resultado do próprio trabalho. Foi assim que essa história começou há mais de três décadas. É assim que ela continua sendo escrita a cada nova edição.

CORTE DA FESTA com prefeito Gilberto Cezar, adjunto de Turismo Jaison Remonti e secretário de Turismo Athos Cunha
Foto: Cleiton Thiele

“A Festa Colonial é uma festa do canelense para o visitante desde a sua concepção. Ela tem crescido tanto que neste momento é o único evento com capacidade para ultrapassar o nosso Sonho de Natal em tamanho, este que é a nossa maior festividade atualmente. Então, até o dia 2 de agosto, convidamos a todos para virem a Canela, que será o palco de uma grande e linda representação do nosso produtor rural”, destacou o prefeito Gilberto Cezar.

Durante o lançamento, o diretor de Eventos da Secretaria, Joe Cardoso, destacou que a 32ª Festa Colonial está com uma programação 20% maior que a edição anterior, o que demonstra o quanto vem crescendo. “No ano passado, o Deck Gastronômico foi um sucesso, então aumentamos as atrações que estarão nele de segunda a quinta-feira. Quem estiver na praça de alimentação, poderá aproveitar shows acústicos com o Musical Torena, o Grupo Tarca e outros de muita qualidade”, contou.

ATRAÇÕES ARTÍSTICAS

E no Multipalco, serão nove grandes shows com grupos como Os Serranos, Os Monarcas, Tchê Barbaridade, Tchê Garotos, Os Montanari, Porto do Som, entre outros; quatro shows temáticos das etnias italiana e alemã, além de humor gaúcho; e cinco apresentações artísticas de danças gaúchas com Os Tapejaras, o DTG Novo Horizonte da Apae e da Escola Rodolfo Schlieper, a invernada da Escola Estadual Danton Corrêa da Silva, além do espetáculo Garfo e Bombacha.

Desfile “Raízes da Terra” – Realizado em três sábados, às 17 horas, o tradicional desfile “Raízes da Terra” busca valorizar o produtor rural e convidar a comunidade e os visitantes que estiverem na cidade a prestigiar a Festa Colonial. A comitiva partirá da Catedral de Pedra, seguindo pela Rua Felisberto Soares e Avenida Osvaldo Aranha.

Espetáculo “Retratos” – Espetáculo teatral que será apresentado no Multipalco, misturando poesia, humor e memória, com produção da coreógrafa Carla Reis – que já esteve à frente de atrações que foram sucesso no Sonho de Natal e na Páscoa. Ao longo da história, o público será convidado a embarcar em uma viagem no tempo e às raízes locais junto com os personagens, que vão falar do trabalho das famílias do interior e da beleza de uma cultura moldada no esforço, na fé, na perseverança e na alegria do cotidiano rural, além do orgulho de ser da colônia.

Feira de Artesanato – Na Feira de Artesanato da Festa Colonial, o público vai encontrar peças produzidas por artesãos locais, tanto os das casinhas coloridas da Associação Canelense quanto os nove credenciados pela Prefeitura para o evento, que estarão distribuídos em casinhas de madeira rústicas, seguindo as características da festa. Nesse espaço, o público encontrará ótimas opções para levar como lembrança de Canela. A feira funcionará de segunda a quinta-feira e aos domingos, das 10h às 20h, e nas sextas-feiras e sábados, das 10h às 22h, na Rua Serafim Dias.

Quadro Allegria della Colonia – Neste quadro inédito, dois personagens irão interagir com a plateia entre as atrações que se apresentam no Multipalco, mantendo o público envolvido com o evento. Eles farão brincadeiras, convidarão o público para atividades no palco e manterão vivo o espírito da festa, com alegria e descontração.

PROGRAMAÇÃO:

https://canela.com.br/eventos/festa-colonial

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