Por Ernani Azevedo
Interino
A Festa Colonial reúne receitas conhecidas, ingredientes da Serra e combinações que despertam curiosidade
Em frente aos fornos coloniais da Praça João Corrêa, o vapor sobe antes mesmo de o pão sair do forno. É a cena que resume a 32ª Festa Colonial de Canela, que segue até domingo, 2 de agosto, com fila de gente esperando comida recém-feita, num inverno que pede exatamente isso.
Os fornos coloniais continuam entre os pontos mais procurados. Deles saem pães caseiros, cucas e os tradicionais pãezinhos de linguiça. Nas tendas, o público encontra bolinhos de batata, massas, risotos, pastéis, embutidos, queijos, doces e geleias produzidos pelas famílias do interior.
Um balanço divulgado pela Prefeitura de Canela em 28 de julho ajuda a revelar as preferências do público. Até o domingo, 26, as famílias vinculadas ao Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF) venderam 29,5 mil pãezinhos de linguiça, 11 mil cucas e 9,5 mil pães caseiros. Os bolinhos de batata, feitos pela família Abreu e pela empresa Derivados da Serra, somaram 6 mil unidades. Os pastéis, das famílias Shein, Moraes, Faes e Pereira, chegaram a 6,1 mil. No mesmo período, as agroindústrias do PEAF comercializaram R$ 511 mil — não é o faturamento da festa inteira, e sim a soma das vendas desse grupo específico de produtores, que inclui também flores e artesanato, além da comida.
A cozinha colonial tem preparos diretos e ingredientes conhecidos. Farinha, batata, carnes, frutas, leite e açúcar formam boa parte desse repertório. São receitas desenvolvidas dentro das propriedades, adaptadas ao que cada família produzia e preservadas pelo costume de cozinhar e comer em conjunto.
Mas o cardápio não vive só de receitas antigas. Nesta edição, algumas criações fogem do script. O pastel ganhou recheio de paçoca de pinhão. A massa de cuca passou a ocupar o lugar do pão em um hambúrguer artesanal. E o arroz doce virou inspiração para um risoto de chocolate.
A Cuca Burger reúne massa levemente adocicada, hambúrguer, queijo, bacon, picles e abacaxi caramelizado. O risoto de chocolate é preparado com arroz arbóreo, leite, açúcar, chocolate, creme de leite e manteiga. São combinações capazes de gerar alguma dúvida antes da primeira garfada, mas é exatamente disso que se alimenta quem trabalha com gastronomia.
Os clássicos seguem líderes de vendas, e não é à toa: pãozinho de linguiça recém-saído do forno não perde disputa fácil. Mas as novidades mostram que, na Serra, tradição não é jaula — é ponto de partida. Entre um bolinho crocante e um risoto de chocolate que ninguém pediu mas todo mundo experimenta, fica claro do que se trata a Festa Colonial: gente que cozinha o que aprendeu e não tem medo de misturar o que ainda não existia.
CINCO CLÁSSICOS DA FESTA COLONIAL

Pastel de massa caseira
Preparado pelas famílias expositoras, com opções paçoca de pinhão, carne, queijo e frango.

Bolinho de batata
Frito na hora, com exterior dourado e massa macia por dentro.

Pão caseiro
Pode ser consumido puro ou acompanhado por queijo, salame, nata, manteiga e geleias coloniais.

Pãozinho de linguiça
Massa assada com recheio de linguiça, preparada nos fornos coloniais. Foi o produto mais vendido nos primeiros dez dias da Festa.

Cuca
Massa doce coberta com farofa e encontrada em diferentes sabores e recheios.





