Essa é a frase de ordem, escolhida pela Apae Brasil, de uma grande campanha de mobilização e conscientização sobre a importância da inclusão e participação das pessoas com deficiência, seja intelectual, seja física e motora, no trabalho e na sociedade. A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla – instituída pela Lei federal nº 13.585, de 2017 – que se iniciou na sexta-feira (21) no Brasil, e cujo engajamento de Canela será expressivo por meio de atividades programadas até o dia 28 de agosto, mais uma vez irá provar que cada pessoa que tem limitações merece ter sua dignidade respeitada e seu potencial reconhecido e valorizado. Deficiência não define, oportunidade transforma, inclua a nossa voz!Foto: Imagem do Magnific Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais. O levantamento dimensiona um desafio que se apresenta de diferentes formas em cada município. A programação da Semana da Pessoa com Deficiência é organizada pela Secretaria Municipal de Assistência, Desenvolvimento Social, Cidadania e Habitação e a Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, em parceria com a Associação Canelense de Pessoas com Deficiência Física (ACPDF), a Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA) da Região das Hortênsias e a nossa tradicional Apae. O Nova Época conversou com dirigentes e voluntários dessas três associações muito atuantes na comunidade canelense na promoção do incentivo de pessoas com deficiência a superarem dificuldades no desenvolvimento, se integrarem na sociedade e assumirem protagonismo em suas ações, combatendo o preconceito do capacitismo. A SATISFAÇÃO DE VER AS PESSOAS ANDANDO NO CENTRO Dieter Webber (in memoriam) foi figura fundamental na criação da ACPDFFoto: ACPDF Criada em 2007, regulamentada com CNPJ e com estatutos revistos e aprimorados, a Associação Canelense de Pessoas com Deficiência Física (ACPDF) surgiu da iniciativa de um pequeno grupo de amigos, cadeirantes, que há quase 20 anos reconheciam pessoas, em situação semelhante à deles, que tinham grande dificuldade em circular pela cidade. Pessoas quase isoladas em seus bairros por um motivo que passa despercebido para muitos de nós, mas para elas é crucial: acessibilidade e condições de movimentar as cadeiras de rodas nas calçadas. Foi uma primeira demanda de tantas outras que cercam a vida dos deficientes físicos. Dieter Webber (primeiro presidente), Larri Rottmann e Jonas Ludwig de Oliveira, fundadores daACPDF, tinham muito trabalho pela frente. Precisavam (como até hoje) de ajuda, seja em aprendizado, seja em recursos. As iniciativas foram surgindo de imediato, como a de alertar para a existência de leis que regulamentam sobre acessibilidade e os direitos dos deficientes, hoje tornadas cientes para todos.Demandas básicas dos cadeirantes passaram a ter, com a existência da ACPDF, um acompanhamento além daquele da Assistência Social, como a obtenção de cadeiras de rodas. “As pessoas mais humildes não tinham acesso, precisavam de orientação e ajuda”, declara Jonas Ludwig, referindo-se à época em que não havia por parte do governo estadual nenhum programa que disponibilizasse as cadeiras. Hoje há um fundo que as custeia, desde que seguidos os procedimentos legais, como o encaminhamento do pedido através das Unidades Básicas de Saúde.Outras conquistas foram se sucedendo, no âmbito local, como surgimento em 2012 de lei municipal regulando assuntos pertinentes como a disponibilidade de vagas de estacionamento para cadeirantes. Foi instituído o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. A acessibilidade no transporte público, com a introdução dos elevadores para acessar os ônibus, foi comemorada, inclusive estendida para a frota da Cia. Citral. ESPORTE PARA TODOS Jonas Ludwig, Carlos Guilherme da Silva e Cláudio HausmannFoto: Imagem do Magnific Uma iniciativa que orgulha a Associação é a ênfase que a entidade está dando para a prática de esportes e atividades físicas junto ao público com limitações físicas. Há em Canela grupos de cadeirantes que jogam basquete (já competiram em Caxias do Sul, ficando em terceiro lugar), vôlei sentados, bocha e praticam o ciclismo adaptado. O basquete e o ciclismo inclusive fazem parte da programação da Semana da Pessoa com deficiência (veja no página 5).Muitas são as pessoas, políticos, vereadores, profissionais liberais e entidades a quem a ACPDF agradece o apoio nesses anos todos. Mas seria importante se as empresas canelenses se conscientizassem de que podem fazem destinação de verbas, para a Associação, dedutíveis do Imposto de Renda a pagar.“Nossa maior luta atual é para conseguirmos, junto à Prefeitura, uma área para instalarmos uma sede”, diz Jonas. Será a concretização material de um sonho. A outra parte, referente às ações, a ACPDF tem cumprido.A direção da Asssociação hoje é composta pelo presidente Larri Rottman , vice-presidente Cláudio Rodrigo Hausmann, 1° Secretário Carlos Guilherme Rocha da Silva, 2° Secretário Fernanda Pimel Maciel, 1° Tesoureiro Jonas Ludwig de Oliveira e 2° Tesoureiro Antonio de Oliveira. ASSOCIAÇÕES EM PROL DA INCLUSÃO E DO VIVER BEM O AMOR JÁ COMEÇA NO NOME Foto: Divulgação Lares onde há um filho autista vivem uma realidade, em grande parte, diversa. Perspectivas de vida se alteram pela consciência de que aquela criança, depois adolescente, depois adulto, sempre vai demandar, além de carinho, cuidados especiais e redobrados. A partir do diagnóstico de que receberam um filho com deficiência intelectual, os pais, nas palavras da mãe de autista Thais da Cunha Souza, precisam inverter a ordem da vida. “Nós precisamos morrer depois deste filho que vai depender de nós para sempre”, diz ela.Os pais de filho atípico precisam ser orientados, qualificados para tal realidade, pois não é tarefa fácil e pode gerar crises. Eles podem se sentir frustrados e incapazes, não só de responder à altura o desafio de integrar o filho na sociedade e fazê-lo feliz, como de prover o alto custo dos atendimentos e eventuais medicações que ele precisa. Mas nada que não se supere com o genuíno amor de mãe e pai. Na Semana da Pessoa com Deficiência, a AMA – Associação dos Pais e Amigos dos Autistas da Região das Hortênsias engajou-se na programação com o propósito de divulgar sua causa
Osteria Di Lucca: a excelência está no que ninguém esqueceu de pensar
Pastel Aberto de Ossobuco TartufatoFotos: Adriana Silveira Antes do jantar, havia uma história emoldurada em uma foto. Não era apenas mais uma mesa. Era a nossa mesa. O porta-retrato anunciava que a noite seria pontuada pelos detalhes, afinal, alguém já havia dedicado tempo para nos receber. Chegamos ao restaurante Osteria Di Lucca, em Gramado, em uma noite agradável na qual a chuva fina havia regado o jardim do Hotel Valle D’Incanto. O restaurante é intimista, sofisticado e seguro de sua própria estética. Ela aparece na recepção, na condução até a mesa, na apresentação dos pratos e até em um inusitado menu de facas, desses pequenos rituais capazes de acrescentar personalidade ao serviço. Mas a singularidade da Osteria Di Lucca aparece, sobretudo, nas pessoas. O maître Felipe Vecchio conduziu nosso jantar com uma competência que merece registro. Conhecimento técnico é parte do ofício, mas perceber a mesa é outra habilidade. Felipe sabe quando se aproximar, quanto explicar, quando sugerir e em que momento devolver o protagonismo à conversa. É um serviço preciso, fluido e genuinamente interessado em quem está sentado diante dele. Saluti di Benvenuto Nosso passeio gastronômico iniciou com o Saluti di Benvenuto, uma surpresa preparada pelo chef Rodrigo Rauth: nhoque de cenoura com molho fiorentina, fonduta de parmesão e lâminas de amêndoas. Na sequência, provamos como entrada o Pastel Aberto de Ossobuco Tartufato. A massa artesanal recebeu ragu de ossobuco, aioli de trufas brancas, picles de mostarda e lascas de trufas negras. Complexidade sob medida Para o prato principal, avancei em busca de complexidade. Escolhi o Petto Di Anatra e Marsala: peito de pato grelhado, arroz Acquerello italiano com queijo de cabra, redução de marsala e lâminas de amêndoas tostadas. Esta é uma composição de sabores afirmativos. O pato traz intensidade; o queijo de cabra acrescenta acidez e personalidade; a redução de Marsala introduz profundidade e uma doçura controlada; as amêndoas tostadas interferem na textura. O arroz Acquerello merece atenção nesse conjunto. Produzido no Piemonte e reconhecido pela qualidade do grão e por um processo particular de envelhecimento, é um ingrediente que revela outra característica da cozinha da Osteria: escolhas que nem sempre serão percebidas por todos à primeira vista, mas que demonstram o rigor empregado na construção do prato. Na taça, seguimos pelo Piemonte e escolhemos o Ratti Colombe Langhe DOC 2023, elaborado com a uva Dolcetto. O percurso das abelhas Chegamos à sobremesa e encontrei no cardápio um nome que imediatamente despertou minha curiosidade: Il Percorso Delle Api. Amêndoas, limoncello e chocolate branco regados com mel silvestre e pólen acompanhados de gelato. O prato possui uma narrativa própria, construída a partir daquilo que as abelhas produzem e da paisagem gustativa que esses ingredientes permitem criar. Vinhos de sobremesa Então veio o Tiramisu. Foi interessante terminar esse capítulo diante de algo reconhecível, afetivo e profundamente ligado ao repertório da Itália. A noite foi coroada com a presença do sommelier Ramón, que assumiu a condução de uma degustação de três vinhos de sobremesa: 11 Filari Primitivo di Manduria, da San Marzano; Il Nostro Vinsanto del Chianti DOC Rossetti; e Gran Vin de Sauternes 2020. Ramón conduziu a apresentação com conhecimento e clareza, sem transformar informação em exibição técnica. Esse equilíbrio importa. Vinho pode ampliar uma refeição ou intimidar quem está diante da taça. Um bom sommelier elimina essa distância e transforma conhecimento em descoberta. SERVIÇO O QUÊ: Osteria Di Lucca – Hotel Valle D’Incanto* ENDEREÇO: Rua Júlio Hanke, 87 – Bairro Avenida Central – Gramado – RS HORÁRIO: Diariamente, das 20h às 23h30 – atendimento mediante reserva antecipada (54) 3286-1777
Social da Luísa Rodrigues
Deia Perini aproveitando toda a beleza e o encanto de Bariloche, na Argentina. Entre paisagens de tirar o fôlego e momentos inesquecíveis. Foto: Divulgação Gabriela Michaelsen em um registro especial ao lado de Flávia Alessandra, durante o badalado Celebra da Vogue. Um encontro marcado por elegância, estilo e muita personalidade em uma noite especial. Foto: Divulgação Kadu Dantas, Franciely Lopes e Wendell Cerqueira marcaram presença no evento da Vogue, em Gramado, em uma noite que reuniu grandes nomes. Foto: Divulgação Débora Falabella, Naruna Costa, Rejane Faria e Augusto Madeira aproveitaram os sabores da tradicional Cantina Pastasciutta. Um encontro que reuniu grandes nomes da dramaturgia em um dos endereços mais queridos da Serra Gaúcha. Foto: Divulgação O ator Marcelo Serrado foi recebido por Fabiana Costa no Cinema Paradiso, em um encontro marcado pelo charme e pela magia do cinema. Foto: Divulgação
Social da Samanta
Shana Lima e Cadu Mayresse celebraram o primeiro aninho do Kimi, em uma linda “missão espacial” no Laken, em Gramado. Foto: Gustavo Merolli Deborah Mozzocchi e Paula Vinhas realizaram a cobertura do icônico Baile da Vogue, durante o Festival de Cinema de Gramado! Foto: divulgação Letícia Oliveira festejou mais um ano de vida, muito celebrado no final de semana da Trilha da Equipe Mato ou Morro, em Canela. Foto: divulgação Bruna Rodrigues Tegner prestígio o evento de Gala da Vogue. Foto: divulgação DIPA CHEGA A GRAMADO Tem novidade no coração de Gramado! Desde julho, o Dipa Galeto & Grelhados é o novo endereço do Grupo Di Paolo na cidade, em frente ao Hotel Serra Azul. Com investimento de R$ 2 milhões, o espaço recebe até 160 pessoas e aposta em uma proposta mais prática e descontraída, sem abrir mão dos sabores que carregam as raízes italianas da Serra Gaúcha e claro da sua história. No menu, o tradicional galeto divide espaço com massas, carnes, acompanhamentos e pizzas, além dos vinhos Di Paolo e Paulo Geremia. Mais uma aposta do grupo em Gramado e uma novidade que promete movimentar a gastronomia no centro da cidade. Paulo Geremia recebeu imprensa e convidados para apresentar o Dipa e o momento de expansão do grupo, em Gramado. Foto: divulgação
ÚLTIMA OPORTUNIDADE
Chega ao último final de semana a programação musical da Temporada de Inverno 2026 de Canela. Neste sábado (22) e domingo (23), o público poderá conferir quatro apresentações na Praça João Corrêa. Os artistas são de variados estilos, como sertanejo, pagode e clássicos. Os shows são totalmente gratuitos e acontecem às 15h e 16h30, abertos a moradores e visitantes.No sábado a banda Madame Red – Diva Session abre a programação às 15h, trazendo clássicos executados por vozes femininas. Na sequência, às 16h30, a dupla sertaneja Rui e Mateus canta sucessos e músicas próprias.Já no domingo, dia 23, fechando as atrações da Temporada de Inverno, apresentam-se, às 15h, Hally e banda, com seu pagode, e HS BB, às 16h30, com mais música sertaneja.Foto: Matheus Lima OUTRAS ATRAÇÕES Já na Estação Campos de Canella, neste sábado (22) sábado, às 16h, é a vez do DJ Juliano Cardoso apresentar seu projeto Pholma.A agenda segue no domingo (23) com o tradicional Domingo na Estação, a Rua Coberta de Canella. Das 11h às 20h, acontecerá Mateada, com distribuição de erva-mate e água quente para os apreciadores de chimarrão, troca e doação de livros pela Estação Literária e Espaço Kids com maquiagem artística para crianças, desenhos para colorir, cama de bolinhas e balões da Big Land. MARIA DA PENHA A Lei Maria da Penha completa 20 anos este ano. Marco na proteção para as mulheres vítimas de violência, a lei continua sendo aplicada em Gramado em volume bem acima do imaginado por este colunista. São cinco por semana, de acordo com a juíza Aline Ecker Rissato.Em entrevista, a juíza da 2a Vara de Gramado disse que Gramado está bem servido em termos de policiamento e auxílio às mulheres. “Na média são cinco pedidos de medidas protetivas, e às vezes ocorrem prisões em função de descumprimentos, além de prisões em flagrante pela Brigada Militar”, revela a magistrada.A juíza destaca que um antigo ditado (“em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”) está superado. “Os vizinhos podem chamar a Brigada e a Polícia Civil. Já aconteceu de a Brigada identificar casos em patrulhamentos de rotina”.“O agressor não tem uma cara: não tem cor, classe social e não tem nível de escolaridade, e o crime pode ser praticado em qualquer ambiente. Casos de alcoolismo e drogas também contribuem. O perfil do agressor é de um sujeito machista que não respeita a mulher”, complementa a juíza.Para melhorar este cenário, a juíza Aline Rissato sugere o trabalho de prevenção, especialmente nas escolas, “para que o perfil deste homem machista não seja repetido”. CANCELAMENTO Dois eventos de relevância nacional desistiram de promover edição neste ano em Gramado. Nos dois casos, a justificativa estava baseada em alertas de condições climáticas adversas para o Estado nos próximos meses, com a probabilidade de intensificação do fenômeno El Niño no segundo semestre.A Geronto Fair, encontro gratuito que debate assuntos voltados ao público com 50 anos ou mais, inicialmente marcada para setembro, no Centro de Eventos Serra Park, anunciou a transferência da programação para o formato online. O evento aconteceria entre 9 e 11 de setembro.Já o Festival Mundial de Publicidade de Gramado optou por levar sua 25ª edição para São Paulo. Ele vai ser realizado em outubro, ainda sem uma data definida. Em nota nas redes sociais, a organização do evento diz que a decisão é “preventiva” e considera “o cenário climático projetado para a Região Sul e o compromisso com a segurança de todas as pessoas envolvidas”. PORTAS FECHADAS O Exceed Park, parque de jogos com experiências de realidade virtual localizado na avenida das Hortênsias, anunciou o encerramento de suas atividades e do atendimento presencial ao público. A informação foi divulgada nas redes sociais do empreendimento no início desta semana.Em comunicado, o parque afirmou que o fechamento representa o encerramento de um ciclo e o início de novos caminhos. O empreendimento também agradeceu aos visitantes que passaram pelo espaço ao longo de sua trajetória. O Exceed Park oferecia ao público experiências de jogos e entretenimento com uso de realidade virtual.O comunicado não detalha os motivos que levaram ao encerramento das atividades nem informa, até o momento, se haverá uma nova operação no espaço. A empresa também orientou clientes que possuem ingressos adquiridos a consultar as informações disponibilizadas em seus canais oficiais para saber como proceder. PRIMEIRO SEMESTRE A média mensal de visitantes únicos no primeiro semestre, em Gramado, foi de 401 mil, com mais de 5,6 milhões de pernoites. Os dados integram o boletim do Observatório do Turismo de Gramado, desenvolvido pela Secretaria de Turismo em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS).O monitoramento identificou que o principal pico de movimento ocorreu em 6 de junho (sábado de Corpus Christi), com 112.943 visitantes únicos. A Páscoa (4 de abril, com 104.043 visitantes) e o Dia do Trabalho (2 de maio, com 94.667 visitantes) completam o ranking dos dias de maior fluxo no semestre. GLAMOUR O glamour está de volta! Com o Vogue Celebra, realizado no sábado (15) no Buona Vitta Resort.Promovido pela Vogue Brasil em parceria com a Gramado Parks, o evento exclusivo teve como tema uma homenagem ao cinema brasileiro, reunindo mais de 400 convidados para um jantar de gala assinado pelo chef mineiro Rafael de Carvalho.Entre as personalidades que passaram pelo tapete vermelho estavam nomes como Zezé Motta, Lázaro Ramos, Débora Falabella, Marina Ruy Barbosa e Alexandre Herchcovitch. EMPREGOS A Heróis da Pizza realiza, na terça-feira, 25 de agosto, uma nova etapa do processo seletivo para contratação de profissionais. A seleção presencial acontece das 13h às 16h30 e contempla oportunidades para todos os cargos.A pizzaria temática fica na avenida das Hortênsias, 3599, em Gramado.
Fogo no parquinho
Nos últimos anos, a XP Investimentos, outras corretoras e os bancos digitais democratizaram o acesso aos investimentos. Estratégias mais complexas, que antigamente eram privilégio de grandes investidores, tornaram-se acessíveis ao pequeno e médio investidor. Títulos públicos, privados e o acesso fácil aos ativos negociados em bolsa se tornaram corriqueiros para quem, até pouco tempo atrás, investia apenas em poupança, CDBs e fundos dos grandes bancos. Uma geração inteira foi forjada investindo em ativos não muito rentáveis, mas que nunca oscilaram. A reta do gráfico de rentabilidade sempre apontava para cima. Mesmo em momentos de crise, a rentabilidade praticamente não balançava. Hoje, muitos se aventuram em mercados onde os ganhos no médio e longo prazo normalmente superam o CDI. Porém, quando o mercado “estressa”, é sempre a mesma história: a maioria não está preparada para ver seu patrimônio oscilar. Uma classe que ganhou destaque nos últimos anos foram os fundos imobiliários. Se você gosta de receber dividendos, provavelmente gosta de fundos imobiliários. Afinal, quem não gosta de ver dinheiro pingando na conta todos os meses? Ainda mais quando esses rendimentos são isentos de imposto de renda para a pessoa física, observadas as regras atuais. O problema começa quando a cota cai. E, em algum momento, ela vai cair. Fundo imobiliário é renda variável e, por mais incrível que pareça, renda variável varia. Nas últimas semanas, os fundos imobiliários, e diversos outros ativos de renda variável, sofreram quedas relevantes. E aí aparece uma curiosa contradição do investidor médio. É como gostar muito de um determinado produto e descobrir que ele entrou em promoção. A reação natural deveria ser aproveitar a oportunidade e comprar mais barato. No mercado financeiro, porém, acontece frequentemente o contrário. Quando o produto está caro, todo mundo quer comprar. Quando aparece a liquidação, muitos investidores querem correr para a saída. Por quê? Porque fomos educados, durante muitos anos, a pensar que investimento bom é aquele que não oscila. O CDI virou uma espécie de porto seguro. E, com juros elevados, essa estratégia realmente parece imbatível. Basta aplicar o dinheiro e acompanhar a rentabilidade subir mês após mês, praticamente sem sustos. Mas existe uma pergunta que poucos fazem: e quando chegar a hora de reinvestir esse dinheiro? O CDI de hoje não estará necessariamente disponível amanhã. Quem está acostumado exclusivamente à renda fixa precisa entender que investir em outros ativos exige uma mudança de comportamento. Não basta olhar o rendimento mensal. É preciso aceitar que determinados investimentos vão oscilar no caminho, mesmo quando os fundamentos continuam bons. Um Fundo Imobiliário pode ter bons imóveis, contratos sólidos e continuar distribuindo dividendos regularmente, enquanto sua cotação cai. A queda do preço não significa, automaticamente, que o imóvel deixou de existir, que o aluguel parou de ser pago ou que o fundo se tornou ruim. Claro que nem toda queda é oportunidade. Existem fundos problemáticos, empresas endividadas e ativos que realmente perderam valor. Por isso, investir durante uma queda exige análise e conhecimento do que se está comprando. Mas existe uma diferença enorme entre vender porque o ativo piorou e vender simplesmente porque o preço caiu. Sempre lembro de uma frase que define o mercado financeiro como um lugar onde ocorre a transferência de riqueza dos impacientes para os pacientes. Em momentos de juros altos, o mercado oferece uma escolha desconfortável: receber um retorno elevado em investimentos mais previsíveis ou aceitar alguma volatilidade para comprar ativos que podem se beneficiar quando o ciclo de juros mudar. Não existe fórmula mágica. Se queremos os dividendos, precisamos aceitar que as cotas podem oscilar. Se queremos retornos maiores no longo prazo, precisamos conviver com algum desconforto no caminho. A evolução em todas as áreas de nossas vidas passa por momentos de dor e desconforto. O investidor maduro não é aquele que nunca vê sua carteira cair. É aquele que consegue olhar para uma queda e perguntar: “O que ficou mais barato e continua fazendo sentido?” Porque, no mercado, promoção de verdade raramente acontece quando todo mundo está tranquilo geralmente acontece quando tem fogo no parquinho!
Nossa região e os eventos
Em uma região turística como a nossa, os eventos cumprem um papel fundamental na economia, movimentando uma cadeia que depende de um fluxo de pessoas circulando, permanecendo e consumindo por, no mínimo, dois dias. Recentemente Nova Petrópolis realizou o Festival Internacional de Folclore, Canela a sua Festa Colonial. Agora Gramado está em pleno Festival de Cinema e São Francisco de Paula vive o ronco do Bugio. Cada uma, a seu modo, encontrou um caminho para atrair visitantes a partir de um tema, mas a análise merece uma atenção mais aprofundada. Festa Colonial de Canela Realizada de 17 de julho a 2 de agosto, a Festa Colonial de Canela transforma a agricultura familiar e os saberes comunitários em um produto que aproxima quem produz de quem visita e consome. Dados oficiais do evento apontam para a marca de 268 mil visitantes em 17 dias de evento. Agroindústrias e fornos coloniais tiveram um aumento de 15% nas vendas de alimentos. Como pode melhorar? O evento tem crescido em resultados, mostrando que existe uma oportunidade para transformar a Festa Colonial em uma plataforma permanente de valorização da produção rural de Canela. Criar uma assinatura territorial para esses produtos indicando procedência, selo, circuito gastronômico, pontos de venda e storytelling das famílias produtoras pode ser um caminho para o evento ser a porta de entrada para o turismo ligado às origens e costumes. Festival Internacional do Folclore Realizado de 16 de julho a 2 de agosto, o Festival Internacional de Folclore representa um grande intercâmbio cultural. Nesta edição o evento reuniu cerca de 150 mil pessoas, 47 grupos e cerca de 2.000 dançarinos representando Brasil, México, Canadá, Letônia, Chile, Peru, Argentina e Equador. Exemplo Nova Petrópolis não precisou criar artificialmente uma associação com o folclore. O evento simplesmente amplifica algo que já existe no território. Os grupos folclóricos não aparecem em julho e desaparecem em agosto. Eles fazem parte da vida comunitária. A herança germânica está na arquitetura, gastronomia, dança, música, associações e interior do município.Portanto, a cidade não interpreta uma personagem para o turista durante o Festival. Ela transforma elementos reais de sua cultura em produto turístico. Festival de Cinema Realizado de 12 a 22 de agosto, o Festival de Cinema de Gramado chega à 54ª edição com uma arquitetura de marca extremamente consolidada. A programação principal reúne 74 filmes, dos quais 44 estão em competição. Gramado conseguiu transformar um evento em símbolo, apropriou-se simbolicamente do cinema sem ser uma cidade produtora de cinema.Foi o próprio evento, ao longo de mais de cinco décadas, que criou essa associação, na qual o prêmio máximo – o Kikito -, funciona como um distinctive brand asset: um símbolo imediatamente reconhecível e associado simultaneamente ao Festival e ao território. Já a presença de patrocinadores nacionais demonstra outra capacidade: Gramado consegue monetizar sua reputação também junto às marcas, e não somente junto ao turista.
CANELA VOLTOU A ENSAIAR
A cortina não está mais emperrada. O pó do camarim foi mexido, os espelhos voltaram a refletir rostos em transformação e os corredores do teatro voltaram a estalar sob os passos de quem chega para o ensaio. Há atores aquecendo, marcações no chão, figurinos esperando corpos e textos ganhando vida entre a coxia e o palco. Canela voltou a ensaiar, porém o questionamento inicial seria : estamos ensaiando uma temporada ou apenas mais uma apresentação? Porque começar, a gente sabe! Começa-se com entusiasmo, com salas cheias, projetos nascendo, atores descobrindo personagens e plateias ocupando cadeiras. Depois vem a rotina, o calendário, os custos, a falta de espaço, a dificuldade de manter público, a vida que chama para outros trabalhos. E muitos ensaios, que começaram com o terceiro sinal tocando forte, acabam perdendo a força antes mesmo de chegar à estreia. Por isso, o movimento que se percebe agora merece mais do que aplauso, merece continuidade. As turmas de montagens teatrais encerram seus processos com 72 alunos subindo ao palco com quatro peças, mais duas obras de Teatro Musical da Start Artístico e novos atores entram em cena de 26 a 30 de agosto no Teatro Municipal. O Perfume, inspirado em Nelson Rodrigues, aproxima artistas de diferentes gerações com direção de Tiago Melo, misturando experiência e descoberta na mesma luz, que fará sua estreia e curta temporada de 23 a 27 de setembro no Esporte Clube Serrano. Em outubro, a VI Maratona de Monólogos – Em Cena ELAS, retoma uma história que ficou sete anos fora do palco, focando na formação do artista da Serra Gaúcha e valorizando o trabalho das mulheres nas Artes. São acontecimentos diferentes, mas pertencem à mesma pergunta: o que precisamos fazer para que o teatro deixe de ser acontecimento e passe a ser permanência? Acredito que a resposta esteja justamente em transformar ensaio em hábito, espetáculo em calendário, público em comunidade e artistas em movimento. Uma cena teatral não se sustenta apenas com quem sobe ao palco. Precisa de quem produz, divulga, financia, ensina, registra, assiste e volta. Precisa de espaços adequados com o mínimo de estrutura, políticas culturais, formação e, sobretudo, de uma cidade que reconheça o teatro como parte de sua identidade e não apenas como uma atração ocasional. Canela voltou a ensaiar. Agora é preciso descobrir se teremos fôlego para permanecer em cartaz. Porque quando uma cidade olha para o seu teatro, ela olha para sua história! Que história queremos contar agora?
Modos e modas do Rio Grande do Sul
Lembrando Barbosa Lessa…) No ano de 1985, a Prefeitura Municipal de Canela (Adm. Ernani da Silva Reis / Jorge Luiz da Silva), através de sua Secretaria Municipal de Educação (Secr. Júlio Anacleto Zulian) imprimiram – na época, com auxílio de um mimiógrafo –, o “Boletim do Sesquicentenário da Revolução Farroupilha”. Uma bela encadernação – hoje com valor histórico – de 51 páginas “mimeografadas”. com pesquisa e montagem de Tânia B. Reis Franco e Fernanda Cislagui Stürmer, da equipe da Secretaria Municipal de Educação de Canela… E, às vésperas das comemorações farroupilhas, destaco aqui um texto do referido volume (em duas partes): Ele vem surgindo, ao passo tranquilo do seu cavalo, como se brotasse da planície sem fim. Donde veio, ninguém sabe. E não é só uma mistura de raças como também uma mistura de épocas. Sua barba rala e seus olhos rasgados, sua pele curtida de sol, seu amor à natureza, denotam o sangue índio. Mas o seu código de honra traz os brasões de um cavaleiro europeu da Idade Média; sua indumentária é mescla de poncho incaico e de uma bombacha oriental. Mescla há também em suas crenças, em tudo que brota da planície do tempo e do mistério. Ele apeia. A hospitalidade o recebe com uma cuia de mate-chimarrão. Mate, é a bebida; chimarrão, é adjetivo traduzindo amargor. Mas juntas, as duas palavras na tradição do pampa, é mais que um nome, é um ritual. Ritual dos índios guaranis sorvendo de boca em boca um trago de paz e solidariedade. Ele canta. Ou é um cântico guerreiro, nascido das centenárias lutas de fronteira, ou é um hino de lirismo endereçado à mulher, “Prenda Minha”, minha joia, meu tesouro – é obra prima do lirismo. Ele ama. A guerra o ensinou a confiar seu lar e os bens à companheira, quando a luta o chamava para os confins da fronteira. Na escolha da “prenda”, na conquista da mulher, há o cuidado de quem busca uma sacerdotisa para a guarda dos penates. Conquista que se faz com rompantes de bravura e com meneios de dança; nesta mão, a espada, mas na outra, a flor. Guerra e amor unidos sempre e como força de defesa na convulsão fronteiriça. Em comemoração ao Dia Internacional da Moda (21 de agosto)… Luiz Carlos Barbosa Lessa, foi (entre tantas outras atividades!) um historiador brasileiro, escritor, jornalista, advogado, músico e folclorista. Nasceu a 13 de dezembro de 1929, em Piratini/RS e faleceu a 11 de março de 2002, em Camaquã/RS… aqui na nossa terra!