Modos e modas do Rio Grande do Sul

Lembrando Barbosa Lessa…)

No ano de 1985, a Prefeitura Municipal de Canela (Adm. Ernani da Silva Reis / Jorge Luiz da Silva), através de sua Secretaria Municipal de Educação (Secr. Júlio Anacleto Zulian) imprimiram – na época, com auxílio de um mimiógrafo –, o “Boletim do Sesquicentenário da Revolução Farroupilha”.

Uma bela encadernação – hoje com valor histórico – de 51 páginas “mimeografadas”. com pesquisa e montagem de Tânia B. Reis Franco e Fernanda Cislagui Stürmer, da equipe da Secretaria Municipal de Educação de Canela…

E, às vésperas das comemorações farroupilhas, destaco aqui um texto do referido volume (em duas partes):

Ele vem surgindo, ao passo tranquilo do seu cavalo, como se brotasse da planície sem fim. Donde veio, ninguém sabe. E não é só uma mistura de raças como também uma mistura de épocas. Sua barba rala e seus olhos rasgados, sua pele curtida de sol, seu amor à natureza, denotam o sangue índio. Mas o seu código de honra traz os brasões de um cavaleiro europeu da Idade Média; sua indumentária é mescla de poncho incaico e de uma bombacha oriental. Mescla há também em suas crenças, em tudo que brota da planície do tempo e do mistério.

Ele apeia. A hospitalidade o recebe com uma cuia de mate-chimarrão. Mate, é a bebida; chimarrão, é adjetivo traduzindo amargor. Mas juntas, as duas palavras na tradição do pampa, é mais que um nome, é um ritual. Ritual dos índios guaranis sorvendo de boca em boca um trago de paz e solidariedade.

Ele canta. Ou é um cântico guerreiro, nascido das centenárias lutas de fronteira, ou é um hino de lirismo endereçado à mulher, “Prenda Minha”, minha joia, meu tesouro – é obra prima do lirismo.

Ele ama. A guerra o ensinou a confiar seu lar e os bens à companheira, quando a luta o chamava para os confins da fronteira. Na escolha da “prenda”, na conquista da mulher, há o cuidado de quem busca uma sacerdotisa para a guarda dos penates. Conquista que se faz com rompantes de bravura e com meneios de dança; nesta mão, a espada, mas na outra, a flor. Guerra e amor unidos sempre e como força de defesa na convulsão fronteiriça.

Em comemoração ao Dia Internacional da Moda (21 de agosto)…

Luiz Carlos Barbosa Lessa, foi (entre tantas outras atividades!) um historiador brasileiro, escritor, jornalista, advogado, músico e folclorista. Nasceu a 13 de dezembro de 1929, em Piratini/RS e faleceu a 11 de março de 2002, em Camaquã/RS… aqui na nossa terra!

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