A região vive a expectativa do período de Páscoa com a realização de ofertas e atrações gratuitas. Comércio, parques e rede hoteleira já se preparam para a temporada, ajustando operações, ampliando ofertas e estruturando atendimento para o aumento da demanda. A expectativa é de que o período consolide mais uma etapa do calendário turístico, reforçando a Páscoa como um período lucrativo para Canela e região. A temporada de Páscoa no município começa oficialmente neste sábado (21) com uma programação que se estende até 19 de abril e mobiliza diferentes pontos da cidade. A abertura ocorre às 16h, na esquina das ruas Felisberto Soares e Dona Carlinda, seguida pela primeira apresentação do Desfile Encantado de Páscoa, às 17h, com saída da Catedral de Pedra. A edição deste ano marca um avanço na organização do evento, com 45 atrações artísticas distribuídas ao longo de um mês. A proposta combina atividades culturais, entretenimento para crianças e referências religiosas, em uma tentativa de equilibrar tradição e experiência turística. Uma das principais novidades é o desfile temático, que passa a integrar o calendário com apresentações em cinco sábados consecutivos. Com cerca de 80 artistas envolvidos, a atração percorre o Centro com alegorias e personagens, buscando dialogar com o público por meio de elementos visuais e narrativos ligados à Páscoa. Além do desfile, a programação do primeiro fim de semana inclui apresentações musicais, teatro, mágica e atividades interativas no coreto instalado na Rua Serafim Dias, próximo à Casa de Pedra. O espaço também concentra a Feira de Artesanato, reunindo produtores locais com itens temáticos e peças voltadas ao público visitante. A cidade já começou a mudar de cenário nos dias que antecedem o evento. Desde a primeira quinzena de março, equipes trabalham na instalação da decoração, que se espalha por ruas centrais, praças e acessos ao município. Elementos como coelhos, estruturas iluminadas e peças cenográficas passam a compor o ambiente urbano, com predominância de cores como laranja, rosa e amarelo. O investimento municipal na decoração gira em torno de R$ 547 mil, valor destinado à recuperação de peças do acervo, aquisição de novos elementos e implantação de iluminação especial. Entre os pontos destacados estão a avenida Osvaldo Aranha, que recebe iluminação ao longo de toda a extensão, e a rua Felisberto Soares, onde foi criado um circuito com ambientação temática que combina aspectos lúdicos e simbólicos. Páscoa mais integrada Segundo o secretário de Turismo e Cultura, Athos Cunha, a proposta deste ano foi estruturar uma experiência mais integrada. “A Páscoa foi pensada para envolver toda a cidade, com programação diversificada e espaços preparados para receber famílias e visitantes”, afirma Cunha. “A Páscoa em Canela foi planejada como uma experiência completa, tanto para quem nos visita quanto para a nossa comunidade. Teremos uma programação diversa e nova, que combina elementos lúdicos, culturais e religiosos, respeitando a essência da data, mas também trazendo inovação. A cidade estará totalmente envolvida, com decoração temática, atrações artísticas e espaços pensados para famílias, criando um ambiente acolhedor e encantador”, ressalta o secretário. Ele destaca que o trabalho inclui ações de divulgação, articulação com o trade e organização de um calendário que estimule a permanência dos turistas por mais dias. A estratégia também passa por ampliar o impacto econômico do período. “Será uma Páscoa mais integrada, que conecta decoração, programação e experiência turística de forma harmônica. Além disso, ampliamos a interação com o público e qualificamos as entregas, tornando o evento mais atrativo e organizado”, comenta o secretário. MAIS VISITANTES Foto: Marina Gil A expectativa é de aumento no fluxo de visitantes, com reflexos diretos em setores como gastronomia, comércio e hotelaria. A construção do evento, segundo o secretário, busca equilíbrio entre investimento público, parcerias e retorno para a economia local. “A cada ano, a Páscoa em Canela ganha mais identidade, mais qualidade e mais relevância no calendário turístico. Posso afirmar que será uma edição muito especial, construída com planejamento, sensibilidade e foco na experiência do público”, destaca Cunha. Outro ponto observado na edição deste ano é o reforço na identidade do evento. A proposta não é apenas ampliar a programação, mas consolidar um formato que una estética, conteúdo e experiência. A decoração, por exemplo, foi pensada para ocupar espaços públicos de forma mais consistente, criando pontos de circulação e permanência. A presença da comunidade também é um dos eixos do evento. A Feira de Artesanato e as atrações gratuitas indicam uma tentativa de manter o caráter aberto da programação, ao mesmo tempo em que se busca atrair visitantes de outras regiões. Ao longo das próximas semanas, Canela deve intensificar esse movimento. A combinação entre programação cultural, ambientação temática e fluxo turístico coloca a Páscoa como um dos principais períodos do calendário local no primeiro semestre AUMENTO NAS VENDAS Embora não haja, até o momento, uma projeção oficial consolidada de faturamento para Canela durante a Páscoa, indicadores do setor turístico da Serra Gaúcha apontam para um cenário de aquecimento. Levantamentos do segmento de parques e restaurantes temáticos da região indicam crescimento expressivo nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado, acompanhado de aumento no tíquete médio dos visitantes. Na prática, isso sinaliza maior circulação de turistas e maior disposição de consumo, com impacto “Caminhos de Páscoa” no Caracol Foto: Deangelis Pereira Além de uma cidade ornamentada e colorida em clima de Páscoa, visitantes e moradores poderão aproveitar atividades especiais que serão promovidas por alguns parques temáticos. No Parque do Caracol, entre 19 de março e 5 de abril, será realizado o “Caminhos da Páscoa”, que reúne atividades como Busca ao Coelho, Casa do Coelho e seus Ajudantes, Paradinha, pintura facial, Sabores da Páscoa e decoração temática. Para quem deseja aproveitar o passeio de forma completa e contemplar a Cascata do Caracol por diferentes ângulos, o Parque do Caracol oferece combos de ingressos. Moradores de Canela e Gramado têm isenção no ingresso do parque, pagando apenas R$ 15 pelo estacionamento. Mais informações e ingressos disponíveis em oficiais do www.parquecaracol.com.br Mini Mundo promoverá oficinas Foto: Divulgação Para celebrar a Páscoa, o Parque Mini Mundo,
Tango: cinco anos de sabores que atravessam fronteiras
Há lugares que não são apenas restaurantes, são pequenos deslocamentos no tempo e no espaço. Foi exatamente essa sensação que tive ao conhecer o Restaurante Tango, que neste mês celebra seus 5 anos de história. Como alguém que aprecia profundamente a gastronomia e a cultura argentina, e que visita o país todos os anos em diferentes épocas e regiões, posso afirmar que o Tango cumpre muito bem seu compromisso em representar as nuances dessa tradição. De um jeito descontraído, o lugar equilibra elementos que traduzem essa origem portenha. A iluminação quente, os detalhes em couro, os elementos visuais que remetem ao universo do tango… tudo ali busca criar uma narrativa sensorial. O prédio, que carrega história desde 1955, quando abrigava o Banco Industrial e Comercial do Rio Grande do Sul, hoje dá lugar a um espaço que honra o passado enquanto entrega uma experiência contemporânea. Inspirado em ícones como o tradicional Café Tortoni, em Buenos Aires, o Tango se posiciona como um bistrot argentino que convida à permanência sem pressa. A brasa como protagonista Se existe um elemento central na experiência, é a parrilla, porque a brasa não é apenas técnica, é linguagem. O som da carne selando, o aroma que se espalha no ambiente e o tempo respeitado de preparo criam uma expectativa de que algo muito especial vai chegar à mesa. E foi nesse cenário que comecei minha jornada gastronômica. A entrada escolhida foi a burrata Tango, delicadamente servida sobre folhas de rúcula fresca, com tomate confit, limão siciliano confit e um toque de aceto balsâmico, acompanhada de focaccia e pães caseiros. Um prato equilibrado, fresco e elegante, que abre o paladar com precisão. Mas foi no prato principal que o Tango revelou toda a sua força. O entrecot parrillero combina filé de costela preparado na parrilla, acompanhado de queijo provolone derretido, batatas rústicas com páprica, tomate confit, vinagrete da casa, chimichurri e farofa. Um conjunto robusto, intenso e absolutamente coerente com a proposta da casa. Encerrando a experiência, provei a panqueca de doce de leite com sorvete, uma combinação clássica, bem executada. Malbec argentino Para acompanhar esta refeição, optei por um Las Perdices Malbec 2024, uma escolha simbólica quando se fala em Argentina. A Viña Las Perdices é uma vinícola familiar argentina renomada, localizada em Agrelo, Luján de Cuyo, na lida região de Mendoza (recomendo o circuito das vinícolas). A Malbec, afinal, é a uva que se tornou sinônimo dos vinhos tintos do país. Este rótulo, em especial, apresenta corpo médio a encorpado, taninos macios e notas marcantes de frutas negras maduras, com um leve toque especiado. Na prática, isso se traduz em um vinho que abraça a carne. E foi exatamente o que aconteceu. A suculência do entrecot encontrou nos taninos do Malbec o contraponto ideal, enquanto as notas frutadas equilibraram a intensidade da parrilla. Uma harmonização precisa, daquelas que não competem, pois se complementam. Vale destacar que no quesito vinhos o Tango vai muito além de uma boa escolha individual: a casa possui uma carta com mais de 200 rótulos entre nacionais e importados e um estoque de aproximadamente 3.500 garrafas, cuidadosamente selecionadas para dialogar com o menu. Um verdadeiro convite à descoberta. Um cardápio, diferentes momentos Embora a parrilla seja o grande destaque, o cardápio do Tango é amplo e inteligente. O restaurante oferece entradas, saladas, sopas, massas, risotos, hambúrgueres e opções kids, o que amplia significativamente as possibilidades de público e ocasião. Há também o almoço executivo, de segunda a sexta ao meio-dia, que posiciona o restaurante não apenas como destino gastronômico, mas como parte da rotina local. Ponto de encontro O Tango também se revela como um espaço social. Com música ao vivo nos finais de semana e iniciativas como a “Quarta Delas”, em que mulheres são recebidas com uma taça de espumante, o restaurante se posiciona como um ambiente de convivência, encontros e celebrações. Funciona todos os dias, das 11h30 às 23h30, permitindo diferentes propostas: um almoço despretensioso, um jantar especial, um café ao pôr do sol ou um happy hour que se estende. Ao completar cinco anos, o Restaurante Tango consolida algo que vai além da proposta gastronômica. Ele entrega atmosfera de contemplação e de sabores marcantes sob o comando do proprietário Rafael Vinícius da Silva. Para canelenses, gramadenses e visitantes, fica o convite: sentar-se à mesa sem pressa, permitir-se viver uma noite temática em Canela e redescobrir os pequenos e grandes prazeres da vida.
A FÉ NÃO COSTUMA FALHAR
A 66ª edição da Romaria de Caravaggio segue em fase intensiva de preparação e deve atrair milhares de romeiros ao município ao longo do mês de maio. A programação contará com diversas atividades, como novena, missas, caminhada de jovens, Jornada Diocesana da Juventude, cavalgada, romaria motorizada e de ciclistas.O ponto culminante da programação é a tradicional Romaria a Pé, que ocorre no dia 26 de maio.Foto: divulgação CANELA NA COPA Os canelenses torcem para que um conterrâneo vá bem em dois jogos amistosos da Seleção Brasileira. Ibañez, do Al-Ahli (Arábia Saudita), foi uma das novidades da lista de Carlo Ancelotti, anunciada segunda-feira, para os últimos amistosos da Seleção antes da Copa do Mundo contra Croácia e França nos dias 26 e 31 de março, respectivamente.Se for bem, os canelenses terão uma razão a mais para torcer pela Seleção na Copa do Mundo. FICHA SUJA Na última sexta-feira (13), a Promotoria de Justiça de Gramado notificou o prefeito Nestor Tissot (PP) para que comprove, no prazo de 48 horas, a exoneração de Rafael Ronsoni (PP) do cargo de chefe de Gabinete da Prefeitura. A medida foi adotada pelo promotor de Justiça Max Roberto Guazzelli, em cumprimento ao disposto na Lei Municipal da Ficha Limpa, que estabelece restrições à nomeação de pessoas condenadas por órgão judicial colegiado (ou seja, Câmara Criminal de Tribunal), por crimes contra a Administração Pública.De acordo com a manifestação encaminhada pela Promotoria, Ronsoni foi condenado pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado pela prática do crime de peculato em 10 ocasiões. Nos termos da legislação municipal, esse tipo de condenação impede o exercício de cargos em comissão, chefia ou assessoramento no âmbito da Administração Pública de Gramado.Diante do impedimento legal, a promotora Natália Caliari instaurou expediente para o cumprimento da legislação municipal. Após a juntada de documentos ao expediente, foi determinada a expedição de notificação ao prefeito. No momento da notificação, Nestor foi cientificado do teor da determinação e do prazo de 48 horas para comprovar a exoneração de Ronsoni.“A confirmação da condenação pelo Tribunal reafirma o compromisso do Ministério Público com a proteção do patrimônio público e com a responsabilização de agentes que utilizam o cargo para fins particulares”, destaca a promotora Natália Cagliari. A ORIGEM DA LEI A Lei 3.623, de 28 de fevereiro de 2018, sancionada pelo prefeito João Alfredo Bertolucci, Fedoca, (PDT), instituiu a Ficha Limpa Municipal na nomeação de servidores a cargos comissionados ou designação de funções gratificadas. No inciso 2º do artigo 1º está expressa a vedação que atingiu o Chefe de Gabinete Rafael Ronsoni (PP): “Os que forem condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiada desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 anos após o cumprimento da pena, pelos crimes”. E a alínea “a” especifica: “Contra a economia popular, a fé pública, a Administração Pública e o patrimônio público”.Foi esta lei que obrigou o prefeito Nestor Tissot (PP) a exonerar o seu Chefe de Gabinete.Ronsoni foi condenado por unanimidade, no dia 26 de fevereiro deste ano pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por peculato. Ele é acusado de desvio de materiais da Prefeitura no ano de 2013, quando era Secretário de Obras. APOSTA DE RISCO Quando Rafael Ronsoni (PP) assumiu o cargo de chefe do Gabinete da Prefeitura de Gramado, alertei na minha coluna digital que “era aposta de alto risco de Nestor”. 67 dias após a posse de Ronsoni, a previsão se concretizou de forma negativa, com a saída do vereador do paço municipal, após notificação do Ministério Público.Na época, alertei para as 22 condenações de Ronsoni na Justiça, todas elas em Primeiro Grau. Integrantes da administração municipal também fizeram o mesmo. Depois do julgamento na 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, no dia 26 de fevereiro, restaram 10 condenações por peculato. Com a decisão do Colegiado, Rafael Ronsoni passou a ser um “ficha suja”, de acordo com Lei Municipal aprovada em 2018. Ficaria no cargo, mesmo assim, não fosse a intervenção do Ministério Público (MP).A curta passagem de Ronsoni pela atual gestão causou desgastes. Especialmente dentro do Progressistas e seus aliados. NOVO COMANDO O novo comandante do CRPM Hortênsias – Comando Regional de Polícia Militar é o coronel Luis Fernando Becker.O coronel Becker tem larga experiência no comando de unidades da Serra. A da Região das Hortênsias era a última que faltava em seu currículo de policial militar, carreira iniciada em 1982.Durante entrevista ao colunista, o novo comandante destacou que a unidade abrange 11 municípios, com realidades diferentes, desde Rolante até São Francisco de Paula. Mas ele reforçou que pretende manter em todos eles uma postura de proximidade com as comunidades. Em relação aos municípios turísticos, como Gramado e Canela, destacou o desafio de manter os índices de criminalidade próximo de zero. AMPLIANDO A famosa pizzaria dos piratas está ampliando sua atuação em Porto Alegre. A partir da segunda quinzena de março, Cara de Mau contará com um quiosque móvel no jardim do Boulevard Laçador.A nova operação vai funcionar sempre aos sábados e domingos, das 14h às 17h30. No local, serão comercializadas pizzas sandwich. O novo produto é uma fusão entre a saborosa pizza da casa e o tradicional lanche. 47 VAGAS Esta semana, o Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Canela, estava com 47 vagas de trabalho abertas em diferentes áreas.
Social da Samanta – 719
Jorge Vasques completou 70 anos no dia 13 de março! No registro, comemorando como ele gosta ao lado dos irmãos Osvaldo Vasques e Nete Vasques o violão e pessoas queridas por perto! Foto: Divulgação Eduardo Rosa, Claudia Maldaner, Roberta Bisol, Josiano e Isabel Schimitt, Fernanda Aranha, Cris Schokal e Maria Antônia Schmitt no Movimento por Elas, uma ação entre o restaurante Catherine e município ao ar Livre em prol da casa de apoio para mulheres vítimas de violência, do Gabinete da primeira dama de Gramado! Foto: Jéssica Ramisch Manuela Marques estava irradiante na sua festa de 15 anos, realizada no último sábado, no Planeta Golden Gramado, para orgulho dos papais Fernando e Catiúcia Marques Foto: Bárbara Ribeiro Vilsa Noel, Ilene Witmann Noel e Ivanete Noel Boff em Campo Bom na feta da Família Noel! Foto: Divulgação Maciel Bruttet no lançamento da nova atração em Gramado que une museu, gastronomia e imersão na maior cutelaria artesanal do Brasil: Experiência SG Facas que estará aberta ao público diariamente aberta para o público na Arena SG Foto: Divulgação Guilherme Reinhart e Tici Hanel curtindo a paradisíaca Ilha de San Andres! Foto: Divulgação A linda Cecília escolheu os Ursinhos Carinhosos como tema do seu aniver este ano! Na foto ela recebe o carinho dos pais Juliana Silveira e Átila Amorim! Foto: Divulgação Wilma Caberlon celebrou 86 anos de muito amor, sabedoria e alegrias! Parabéns e muita saúde! Foto: Divulgação
Um sonho que flutua
Fotos: Acervo Pessoal A navegação serviu para que se escrevesse grande parte da história do mundo. Conquistas e batalhas se deram pelo mar, tesouros foram levados, naufrágios chocaram, degradados foram exportados, canhões dispararam… tudo tendo como cenário marinheiros, corsários, piratas, pescadores, caravelas, navios de todos tipos, tamanhos e épocas. E estar a bordo também sempre significou a paz de percorrer estradas feitas de água. Por isso, em qualquer lugar que se vá, sempre tem alguém que gosta de navegar. Luiz Ubiratan Gil é um canelense que, desde guri, tem interesse por barcos a vela. Pertence ao grupo que prefere o som do vento ao barulho do motor. Desde a época em que trabalhou no setor financeiro em Porto Alegre, na década de 1980, com o que ganhava lá começou a adquirir pequenos barcos, que levava para aprender o manejo nas praias do (lago?) Guaíba. Começou com um Laser, depois adquiriu modelos Hobie Cat, Day Sailer, Brumas (cabinados) e chegou a ter um O´Day 23. O aprendizado no Guaíba, onde participava de pequenas regatas, Bira Gil é mais um dos que tiveram (e têm) o privilégio de aprimorar na Barragem do Salto. Trazia seus barcos para cá e foi um dos fundadores do Clube Náutico do Salto, um empreendimento que envolveu esforços de um grupo de aficionados, seja de veleiros ou lanchas. A amizade com Márcio Pinto Ribeiro fez avançar a trajetória de Bira como caçador de ventos. Ele fez parte da tripulação de Márcio, (também aviador), em duas viagens a bordo de um grande veleiro (de 58 pés), o Tuchaua 3, de Porto Alegre ao Rio de janeiro, jornadas de nove dias sem parar. O nascimento do filho Martim, em 2002, iniciou um período em que Bira se afastou das navegadas. Mas em paixões genuínas dificilmentre se põe um ponto final, elas apenas hibernam. Dezoito anos depois, o retorno de Martim, após um período no exterior, e uma inspiradora palestra de Amyr Klink serviram para não só sacudir o navegador experiente e legalizado (Ubiratan é habilitado na Marinha como Arrais Amador), como para fazê-lo abraçar um projeto arrojado: construir seu próprio veleiro, em casa. Sozinho, somente com Martim como ajudante. Primeiro passo: adquirir em 2020 o projeto, de um profissional gabaritado, de um bom modelo de veleiro, com cabine para abrigar quatro pessoas com conforto e tecnologia. O escolhido foi uma planta de Roberto Mesquita Barros, conhecido como Cabinho, um renomado designer naval brasileiro radicado na Austrália. Com o barco no papel, começava a luta de Bira para adquirir todos os materiais. Do compensado naval aos moitões, dos cabos às placas solares, das cunhas às velas, de Canela e de diversos locais (até da China) vieram os insumos. Sem pressa, trabalhando somente quando estava inspirado (para não precisar refazer nada), Bira venceu o descrédito de alguns e, em quase cinco anos, construiu o Fair Play. Cada centímetro da estrutura do barco verde, de uma tonelada, com mais de seis metros de comprimento e 2,2 metros de largura foi montado e revestido no quintal de casa. Passou por vistoria, tem laudo de aprovação emitido por engenheiro naval e já está atracado, desde dezembro de 2025, no Salto. Por enquanto leva Bira, a família e amigos para velejadas curtas. Provavelmente irá um dia, no velho conhecido Guaíba, estufar as velas para ir mais longe.
A renda fixa não é fixa… e tem risco!
Na última semana, duas grandes empresas brasileiras de setores diferentes anunciaram pedidos de recuperação extrajudicial: Raizen e Grupo Pão de Açúcar. A Raizen, empresa controlada pela Cosan e pela petroleira anglo-holandesa Shell, possui uma rede de mais de 8 mil postos de combustível no Brasil, dentre outros negócios ligados a etanol e cana de açúcar. O Grupo Pão de Açúcar, apesar de não operar no Estado do Rio Grande do Sul, é uma das maiores redes de supermercado do Brasil, com faturamento anual de mais de R$ 20 bilhões. Pois bem, o cenário de altas taxas de juros por um período prolongado aliado a erros na condução dos negócios, fez com que o endividamento de ambas as companhias ficasse insustentável sem um aporte de capital dos sócios e/ou renegociação dos passivos com credores. A recuperação extrajudicial, diferentemente da recuperação judicial, é um processo negociado de maneira “amigável” entre devedor e credores (bancos, fundos de investimentos, pessoas físicas e jurídicas detentoras de debêntures, CRAs e CRIs), sendo mais rápido, flexível e menos oneroso. Normalmente o processo envolve o alongamento de prazos de pagamento, a redução das taxas de juros, um desconto no valor do principal e/ou a conversão da dívida em ações da empresa. Apesar de ainda não haver detalhes sobre esses dois casos de recuperação extrajudicial, uma coisa é praticamente certa: os credores terão parte de seus ganhos diminuídos, impactando marginalmente suas carteiras de investimento. Aqui entra o trabalho do assessor ou consultor de investimentos: se a exposição a essas empresas foi bem calibrada (1-2% do portfólio, por exemplo), o ajuste será quase imperceptível e recuperado em pouco tempo pelo restante da carteira. Até porque uma boa seleção desses títulos faz com que fiquemos de fora da maior parte dos casos de empresas que apresentam problemas. Nesse momento, alguns clientes nos questionam se vale à pena correr o risco de emprestar recursos para grandes empresas privadas, ou se não é melhor focar em títulos do governo (em teoria os mais seguros do mercado) ou emitidos por bancos, onde se conta com a garantia do FGC. Na nossa visão, podemos e devemos fazer as três coisas. O retorno excedente que ganhamos em títulos de crédito privado costuma compensar perdas muito eventuais nessa classe de ativos. O importante, como mencionado anteriormente, é saber diversificar a carteira dos clientes em diferentes empresas, setores e indexadores (pré-fixados, atrelados ao CDI ou indexados à inflação), garantindo um retorno de médio e longo prazo sólido e com baixas flutuações nos mais variados cenários. Afinal, os ciclos econômicos no Brasil tendem a ser rápidos e de grande magnitude, portanto apostar as fichas em apenas uma estratégia não é recomendável. Eventos como os que aconteceram na última semana nos fazem refletir sobre diversas questões ligadas a risco e retorno das diferentes opções de investimentos disponíveis no mercado. Contudo, nos faz refletir principalmente sobre o perfil de cada investidor e sua tolerância não apenas a flutuações no portfólio como um todo, mas na parcela de renda fixa da carteira. Fica claro, portanto, que muitos investidores ainda não compreenderam que a renda fixa não é fixa…e tem risco! Contudo, se investirmos de maneira disciplinada e responsável, seremos recompensados por essa tomada de risco com maiores retornos ao longo do tempo. Ricardo LudwigSócio administradorricardo@escritorioblack.com.br@rcludwig
MARCAS & NEGÓCIOS
COMEÇOU HÁ 25 ANOS Olá leitores do NE, hoje estou estreando mais uma coluna. Neste espaço a proposta será para falar do que move a economia da nossa pujante Serra Gaúcha. Ao falar sobre negócios e desenvolvimento falarei, sobretudo, de marcas. Sejam elas corporativas ou pessoais, são elas que alavancam nossa economia, são elas que nos tornaram referência em turismo. Minha total dedicação a este assunto já soma mais de 25 anos e por isso me permito compartilhar essa história. VOCAÇÃO E OPORTUNIDADE Ainda como repórter no Jornal de Gramado, assinei por muitos anos uma coluna que tratava deste tema. Também tive o privilégio de contar histórias de muitas marcas de Canela, Gramado e região com incontáveis matérias e os cadernos especiais. A facilidade com que transitava por este meio abriu caminho para uma oportunidade incrível que foi a de assumir a gestão do JG por três anos. PRIMEIRA MULHER Fui a primeira mulher a ocupar este cargo e a permanecer por mais tempo nele no segundo maior grupo de comunicação do RS, na época. Então, antes de falar de outros negócios, faço questão de agradecer ao Gilberto Michaelsen, o querido Mica, por abrir essa porta por onde iniciei minha carreira. Seu coração e sua visão seguem sendo um grande ensinamento. Agradeço também ao Fernando Gusmão e ao Marcus Klein por confiarem a mim a responsabilidade de liderar essa marca. Vocês são pessoas e profissionais especiais. ĀTERAZ Quando o desejo de empreender falou mais alto, segui meu caminho com a certeza de que aprendi e também ensinei muito sobre a nossa região, empresas e pessoas que vivem aqui. Desde então, venho construindo uma jornada alicerçada no meu propósito: o de trabalhar somente com marcas que eu acredito. Já são mais de 40 delas. A frente da Āteraz Consultoria Empresarial faço aquilo que mais me realiza: conectar marcas, criar estratégias e gerar negócios. A vivência prática consolidada em comunicação, negociação e vendas se somou aos conhecimentos acadêmicos. Depois do Jornalismo vieram os MBAs em Marketing, Branding, Growth e Personal Branding. NOVA ÉPOCA Nessa evolução, a escrita sempre seguiu presente e é por isso que o convite para estar no Nova Época foi aceito. A Marina sempre esteve por perto, vivendo a comunicação e o desenvolvimento das cidades da Serra assim como eu. O seu desafio de manter-se comprometida com as comunidades entregando semanalmente um apanhado daquilo que é vivido todos os dias pelas pessoas e negócios merece reconhecimento. Parabéns Marina Gil. CONVITE A partir de agora, a cada 15 dias estarei trazendo aqui de forma resumida o que compartilharei também em minhas páginas no Instagram e LinkedIn com um olhar mais amplo. Meu convite é para que possamos fazer valiosas trocas juntos. É isso mesmo, esse espaço nasce com o objetivo de falar de negócios, desenvolvimento, oportunidades e marcas que estão em movimento. Sugestões de pauta podem ser encaminhadas para o e-mail adriana@ateraz.com.br
O Nosso Hospital Agoniza
No último dia 11 de março, a ACIC realizou sua reunião-almoço mensal com foco no Hospital de Caridade de Canela. O palestrante foi o senhor Cezar Chaves, novo diretor-interventor da instituição. Infelizmente, o quadro desenhado por ele – confesso que não para minha surpresa – segue cada vez mais preocupante. Canela possui um hospital que carece de alvará sanitário definitivo desde 2003. Para quem não está familiarizado com a área, esse documento é o atestado de conformidade de todas as normas e procedimentos de um estabelecimento de saúde. Em minha clínica, por exemplo, a renovação deve ser anual, sob pena de interdição das atividades. Em termos simples: nenhum estabelecimento de saúde deveria operar sem esse licenciamento, mas não é o que ocorre em nossa cidade. Essa irregularidade gera uma série de entraves ao fluxo de caixa. A ausência do alvará impede que o hospital participe de licitações para vender serviços de tomografia computadorizada a outros municípios da região, por exemplo. Também inviabiliza a instalação de novas unidades, como a ala de psiquiatria – um serviço de alto valor agregado que traria alívio financeiro à instituição. O fato é que o hospital hoje drena uma parte considerável do orçamento municipal: cerca de R$ 3,4 milhões mensais. Considerando que o orçamento anual da prefeitura para a saúde é de aproximadamente R$ 80 milhões, estamos falando de quase metade dos recursos destinados a uma instituição que, pela letra fria da lei, sequer poderia estar funcionando.Penso que o município precisa tratar como prioridade absoluta o fim da intervenção e o repasse da gestão a uma instituição de saúde capaz de assumir, reformar e tornar o hospital orçamentariamente viável. Continuar “empurrando o problema com a barriga” só aumenta o abismo e torna a situação cada vez mais irreversível.
A Erva mate no RS
(“Palmeando porongo…”) “Muito antes da chegada do homem branco, os deuses dos índios guaranis já haviam desembarcado nas terras da América do Sul, numa grande nave vinda do céu. Na bagagem divina havia uma planta desconhecida, um presente dos deuses aos povos da nação guarani. A planta encontrou seu habitat à sombra das matas de pinheiro, ao longo dos grandes rios – Paraná, Paraguai e Uruguai – e, tal como os índios, ignorou a política e a geografia dos brancos. Cresceu e multiplicou-se em terras de Espanha e Portugal. Mas foram ainda os guaranis que decifraram a mensagem de seus deuses. E a planta logo ficou conhecida como CAA – a erva saborosa, usada para preparar uma bebida de grandes virtudes: a CAA-I (água-de-erva-saborosa). CAA-I era a poção dos índios guaranis. Renovava as forças, mitigava o cansaço, alimentava o corpo e curava as doenças. Fazia de cada índio um bravo, nas lutas contra o inimigo. Mantinha o espírito alerta e o coração alegre”. Palavras que traduzem uma versão sobre o nosso chimarrão, companheiro diário, no trabalho e no lazer. Tal importância se deu ao chimarrão e à erva mate, que suas ações benéficas cruzaram o atlântico, como vemos nesta reportagem do Correio do Povo, em 11 de setembro de 1910: Diversas – (grafia da época). Erva-matte: “Lemos em um jornal que foi objecto de uma apreciação, por parte do jornal Il Mondo Moderno, de Roma, o matte brazileiro. Aquella revista commercial, politica e financeira admira que semelhante arvore, cujas folhas dão excellente bebida, não seja ainda preparada na Europa. Para provar a excellencia do matte, Il Mondo Moderno transcreve a opinião do dr. Guber, cujos termos são os seguintes: “O matte, de tal maneira sustenta o organismo, que uma simples infusão de suas folhas, sem juncção de outra substancia, mesmo o assucar, póde substituir durante dois dias inteiros qualquer alimento solido, sem atacar o systema nervoso. O matte é uma bebida tonica, estimulante, dijestiva e diurética”. Neste 21 de março – Dia Internacional das Florestas – lembramos da Erva Mate que, juntamente com a Araucária, forma grande parte das “nossas” florestas. É o nosso chimarrão sendo alvo há tantos anos, de análises em laboratórios do mundo inteiro. Assim, consolidou-se como o símbolo da hospitalidade da gente do Rio Grande do Sul… a nossa terra.