(“Palmeando porongo…”)
“Muito antes da chegada do homem branco, os deuses dos índios guaranis já haviam desembarcado nas terras da América do Sul, numa grande nave vinda do céu. Na bagagem divina havia uma planta desconhecida, um presente dos deuses aos povos da nação guarani.
A planta encontrou seu habitat à sombra das matas de pinheiro, ao longo dos grandes rios – Paraná, Paraguai e Uruguai – e, tal como os índios, ignorou a política e a geografia dos brancos. Cresceu e multiplicou-se em terras de Espanha e Portugal.
Mas foram ainda os guaranis que decifraram a mensagem de seus deuses. E a planta logo ficou conhecida como CAA – a erva saborosa, usada para preparar uma bebida de grandes virtudes: a CAA-I (água-de-erva-saborosa).
CAA-I era a poção dos índios guaranis. Renovava as forças, mitigava o cansaço, alimentava o corpo e curava as doenças. Fazia de cada índio um bravo, nas lutas contra o inimigo. Mantinha o espírito alerta e o coração alegre”. Palavras que traduzem uma versão sobre o nosso chimarrão, companheiro diário, no trabalho e no lazer.
Tal importância se deu ao chimarrão e à erva mate, que suas ações benéficas cruzaram o atlântico, como vemos nesta reportagem do Correio do Povo, em 11 de setembro de 1910:
Diversas – (grafia da época). Erva-matte: “Lemos em um jornal que foi objecto de uma apreciação, por parte do jornal Il Mondo Moderno, de Roma, o matte brazileiro.
Aquella revista commercial, politica e financeira admira que semelhante arvore, cujas folhas dão excellente bebida, não seja ainda preparada na Europa. Para provar a excellencia do matte, Il Mondo Moderno transcreve a opinião do dr. Guber, cujos termos são os seguintes:
“O matte, de tal maneira sustenta o organismo, que uma simples infusão de suas folhas, sem juncção de outra substancia, mesmo o assucar, póde substituir durante dois dias inteiros qualquer alimento solido, sem atacar o systema nervoso. O matte é uma bebida tonica, estimulante, dijestiva e diurética”.
Neste 21 de março – Dia Internacional das Florestas – lembramos da Erva Mate que, juntamente com a Araucária, forma grande parte das “nossas” florestas.
É o nosso chimarrão sendo alvo há tantos anos, de análises em laboratórios do mundo inteiro. Assim, consolidou-se como o símbolo da hospitalidade da gente do Rio Grande do Sul… a nossa terra.









