No último dia 11 de março, a ACIC realizou sua reunião-almoço mensal com foco no Hospital de Caridade de Canela. O palestrante foi o senhor Cezar Chaves, novo diretor-interventor da instituição. Infelizmente, o quadro desenhado por ele – confesso que não para minha surpresa – segue cada vez mais preocupante.
Canela possui um hospital que carece de alvará sanitário definitivo desde 2003. Para quem não está familiarizado com a área, esse documento é o atestado de conformidade de todas as normas e procedimentos de um estabelecimento de saúde. Em minha clínica, por exemplo, a renovação deve ser anual, sob pena de interdição das atividades. Em termos simples: nenhum estabelecimento de saúde deveria operar sem esse licenciamento, mas não é o que ocorre em nossa cidade.
Essa irregularidade gera uma série de entraves ao fluxo de caixa. A ausência do alvará impede que o hospital participe de licitações para vender serviços de tomografia computadorizada a outros municípios da região, por exemplo. Também inviabiliza a instalação de novas unidades, como a ala de psiquiatria – um serviço de alto valor agregado que traria alívio financeiro à instituição.
O fato é que o hospital hoje drena uma parte considerável do orçamento municipal: cerca de R$ 3,4 milhões mensais. Considerando que o orçamento anual da prefeitura para a saúde é de aproximadamente R$ 80 milhões, estamos falando de quase metade dos recursos destinados a uma instituição que, pela letra fria da lei, sequer poderia estar funcionando.
Penso que o município precisa tratar como prioridade absoluta o fim da intervenção e o repasse da gestão a uma instituição de saúde capaz de assumir, reformar e tornar o hospital orçamentariamente viável. Continuar “empurrando o problema com a barriga” só aumenta o abismo e torna a situação cada vez mais irreversível.









