Eu cresci ouvindo meu pai contar sobre os feitos de Pelé. Ele sempre me dizia que nunca haveria nada parecido com aquele jogador tricampeão mundial pela seleção brasileira e multicampeão pelo Santos. Sempre que ele me contava sobre os feitos do nosso camisa 10, confesso que sentia uma ponta de frustração por não ter testemunhado algo tão único e especial.
Pois, passados 50 anos desde que Pelé parou de jogar, eis que outro fenômeno surge e servirá para que eu, e tantos outros, possamos contar aos nossos filhos e netos sobre seus feitos. O argentino Lionel Messi, aos 39 anos, naquela que é provavelmente sua última Copa do Mundo, decidiu presentear o mundo — e especialmente os argentinos — com uma performance digna de um rei do futebol mundial.
Para mim, não restam mais dúvidas, independentemente de o título ser ou não da Argentina no próximo domingo, de que o argentino criado nas categorias de base do Barcelona é o maior jogador de todos os tempos depois de Pelé. Ou, como disse um amigo, Pelé é o maior jogador da era clássica do futebol, e Messi, da era moderna.
Mas, para além de Messi, figura central dessa seleção argentina, precisamos avaliar e apreciar um time de futebol realmente espetacular. Um grande time não é apenas aquele que vence quando joga bem, mas sim aquele que arranca a vitória mesmo quando tudo parece dar errado. Essa seleção argentina se nega a perder. É um time que possui uma força mental absurda e que nunca, sob hipótese alguma, deixa de seguir os planos traçados por seu treinador.
Quando tudo parecia perdido no jogo contra o Egito, com o time cansado e dois gols atrás, eles tiraram forças de onde não tinham e buscaram a virada. Anteontem, novamente saíram perdendo para a poderosa Inglaterra. Entretanto, ao invés de desanimar, o time argentino encaixotou os ingleses no seu campo, dominou a bola e não sossegou até empatar o jogo e buscar uma vitória épica.
Impossível também não apreciar a relação entre o povo argentino e sua seleção. Uma via de mão dupla, pois os jogadores retribuem a paixão adotando os cantos da torcida e a postura de nunca desistir.
Como ouvi na narração de um locutor argentino em um dos gols contra a Inglaterra: talvez os ingleses tenham inventado o futebol, mas foram os argentinos que deram alma e garra ao esporte mais popular do mundo.





