A Festa Colonial de Canela, que chega à 32ª edição, começou em 1993 com pouca estrutura, muita improvisação e um objetivo bem definido: criar uma oportunidade de renda para as famílias do interior. Na primeira edição, a chuva alagou o salão e os próprios produtores precisaram retirar a água com baldes e formas de pão. Há duas semanas, o Jornal Nova Época recuperou a trajetória da Festa Colonial desde aquela primeiro evento. Agora, voltamos a essa história por outro caminho, pela memória de quem participou das decisões, colocou a mão no trabalho e viu a iniciativa crescer e se transformar na vida das famílias rurais. Para compreender esse processo, porém, é preciso recuar um pouco mais. Durante a década de 1980, comunidades do interior de Canela já promoviam festas dedicadas aos colonos. Registros reunidos pelo historiador Pedro Oliveira, no livro Do Campestre à Cidade das Hortênsias, apontam eventos na Linha São Paulo, em 1984; Linha Amoreiras, em 1986; Linha Chapadão, em 1987; e Canastra Alta, em 1988. FOTO de um estande de vendas da segunda Festa Colonial Eram festas realizadas nas próprias comunidades, com feira do agricultor, exposições, leilão de produtos agrícolas, gastronomia, música e dança. Um cartaz de 1988 anuncia, inclusive, a VII Festa do Colono e a VII Feira do Agricultor, mostrando que essa movimentação vinha de anos anteriores. Em 1993, essas experiências comunitárias serviram de base para um novo formato, o de reunir diferentes localidades em um evento municipal, aproximando a produção do interior do público da cidade e do movimento turístico de Canela. REPRODUÇÃO do cartaz da 7ª Festa do Colono da Linha Canastra Alta, em 1988 UMA OPORTUNIDADE PARA QUEM VIVIA DO CAMPO Uma das pessoas diretamente envolvidas nesse processo foi Maria Madalena Capeletti Casola, extensionista rural e ex-chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar em Canela. Durante muitos anos, ela acompanhou de perto famílias do interior em ações de organização, produção, capacitação e geração de renda. Também participou da articulação que deu origem à Festa Colonial de 1993. “A Festa Colonial surgiu para integrar as famílias rurais ao turismo local e, principalmente, como uma fonte de renda”, recorda ela. Foi com esse propósito que representantes de diferentes instituições e comunidades se reuniram no escritório da Emater. Participaram Reni Roque Oss, Deoni Casola e Maria Madalena Casola, pela Emater; Pedro Góis Viezzer, então secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico; Asilko Herrmann, representando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais; além de integrantes das comunidades de Amoreiras, Bugres, Morro Calçado, Linha São Paulo, Linha São João, Chapadão e Quilombo. A ideia era criar um canal de comercialização para aquilo que as famílias já produziam nas propriedades. A partir daquele movimento, os agricultores passaram a se organizar para ampliar a oferta. Geleias, derivados de cana-de-açúcar, pães, cucas, bolachas e embutidos começaram a ganhar espaço. Receitas guardadas dentro das famílias foram recuperadas. Nos fornos, além dos pães, eram preparadas galinhas recheadas e carnes, principalmente suínas. A sopa de agnolini e outros pratos da comida colonial também chegaram às mesas. “Os fornos não assavam apenas pães. Tinha galinha recheada, carne suína, sopa e a comida colonial sendo servida”, lembra Maria Madalena. Foi assim que o projeto começou a tomar forma no antigo pavilhão da Sonelli. POUCO DINHEIRO E MUITA IMPROVISAÇÃO A estrutura disponível estava longe da atual. O antigo pavilhão precisou ser preparado para receber produtores e visitantes. Pedro Góis Viezzer, que representava o Executivo municipal naquele processo, lembra que os recursos eram limitados. “A Secretaria tinha uma verba muito pequena. Conseguimos alguns patrocínios e tocamos o barco”, conta Viezzer. Outro desafio era convencer os próprios agricultores de que valia a pena participar. Eles estavam acostumados a plantar, criar animais e produzir alimentos, mas vender diretamente ao público em um evento era uma experiência nova para muitos. “Foi difícil convencer alguns agricultores a participar, mas eles foram convencidos e saíram contentes com o resultado, inclusive financeiro”, afirma Viezzer. A experiência de festas realizadas em outros municípios também serviu como referência. “A ideia veio de outros lugares que já realizavam a sua Festa Colonial. E por que Canela não fazia a sua?”, relembra ele. Além da estrutura e da busca por recursos, houve um trabalho de preparação das famílias para atender o público. Nesse processo, Pedro destaca a participação da esposa, Clélia Viezzer.“Ela fazia palestras para o pessoal sobre limpeza, higiene, modo de servir e apresentação”, recorda ele. A primeira edição da Festa Colonial no formato iniciado em 1993 foi realizada nos dias 27 e 28 de novembro e 3, 4 e 5 de dezembro. O cartaz daquele ano anunciava exposição de produtos agrícolas, artesanato e pequenos animais. QUANDO AS FAMÍLIAS ENTRARAM NA FESTA Entre os produtores que aceitaram participar estava a família de Luciana Livi Schmitt. Na época, ela e o marido eram jovens, tinham uma filha de três anos e viviam da produção de batata, cebola, feijão e milho. Também faziam alguns queijos para vender durante a semana e complementar a renda. Na Festa, o trabalho era coletivo. Pais, irmãos, marido e outros familiares dividiam as tarefas. “No começo, a gente participava em família. Não era cada um por si. Era todo mundo junto, trabalhando”, conta Luciana. Uns cuidavam dos fornos. Outros preparavam pães, cucas, pastéis e refeições. Não havia a estrutura individualizada que hoje caracteriza os espaços de comercialização. E então veio a chuva. “Choveu, o salão alagou e a gente tirava água com balde e até com forma de pão. Mas, por ser o primeiro ano, foi um sucesso”, recorda Luciana. DELÍCIAS do interior são protagonistas durante o eventoFoto: Divulgação Financeiramente, o resultado inicial ainda era modesto, mas representava uma renda que antes não existia. “No início, a renda era pequena, mas ajudava. A gente já pensava ‘no ano que vem tem a Festa Colonial e vai entrar um dinheirinho’”. Com os anos, a participação das famílias se transformou. Algumas atividades se individualizaram, novos produtos surgiram e parte daquela produção doméstica ganhou estrutura comercial. No caso de Luciana, a Festa também esteve ligada ao início de uma
Guia da Diversão – 2ª edição
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Comunicação e sensações precedem sabores
Foto: Adriana Silveira Quando foi a última vez que você entrou em um restaurante antes mesmo de abrir a porta? Parece uma pergunta sem sentido. Afinal, como entrar em um lugar sem cruzar sua entrada? Mas basta pensar por alguns segundos para perceber que fazemos isso o tempo todo. Muito antes de ocuparmos uma mesa, já iniciamos uma vivência. A fachada desperta curiosidade ou identificação, indiferença ou desejo? A iluminação vista através das janelas sugere aconchego ou formalidade? O movimento das pessoas, a arquitetura, o paisagismo e até a forma como o nome do restaurante se apresenta começam a construir uma expectativa. Antes mesmo de provar um prato, o cérebro já está imaginando sabores e sensações que viverá naquele local. Percepções silenciosas Ao atravessarmos a porta, essa conversa silenciosa continua. O aroma é só aquele que vem da cozinha ou foi cuidadosamente pensado para despertar os sentidos de outra forma? A temperatura do ambiente acolhe ou sufoca? A maneira como alguém nos recebe é robótica e apressada ou é genuína e amigável? A trilha sonora deixa você aflito ou faz você relaxar e viver o momento? A distância entre as mesas, a ergonomia das cadeiras faz você sentir vontade de permanecer por mais tempo ou sair correndo? A apresentação do cardápio te empurra para a tela do celular ou se revela como em um livro que conta uma história? A textura dos guardanapos, o peso dos talheres, a louça e o serviço à mesa…. Nada disso faz parte da receita. Ainda assim, tudo isso influencia na forma como nos sentiremos. A ciência explica A ciência ajuda a explicar esse fenômeno. O cérebro não experimenta um alimento apenas pela boca. Visão, audição, olfato e tato antecipam sensações, criam expectativas e condicionam a forma como percebemos o sabor. Não é coincidência que um mesmo prato possa parecer inesquecível em um ambiente e apenas comum em outro. A memória gustativa é construída por muito mais do que ingredientes. Isso revela porque alguns restaurantes permanecem como nossos preferidos durante anos, enquanto outros desaparecem da lembrança poucos dias depois. Nem sempre recordamos exatamente o que comemos, mas dificilmente esquecemos como aquele lugar nos fez sentir. Coerência necessária Ao longo da minha trajetória como jornalista de gastronomia, aprendi que os melhores restaurantes raramente impressionam apenas pela técnica. Eles entendem que cozinhar é apenas uma parte do trabalho. O verdadeiro desafio está em criar uma atmosfera coerente, onde arquitetura, design, iluminação, música, atendimento e gastronomia falam a mesma língua. Não existem excessos nem disputas por atenção. Cada detalhe parece ocupar exatamente o lugar que deveria. Essa harmonia não acontece por acaso. É resultado de escolhas conscientes. Psicologia do consumo, hospitalidade, arquitetura, design e comunicação caminham lado a lado para construir algo que vai muito além de uma boa refeição. Os grandes restaurantes orquestram percepções. O prazer de conhecer ou revisitar lugares É justamente por isso que sair para jantar continua sendo um dos programas mais prazerosos que conhecemos. No fundo, não buscamos apenas um bom prato. Procuramos lugares capazes de despertar emoções, criar memórias e nos oferecer, por algumas horas, a agradável sensação de que tudo está exatamente como deveria estar. Na próxima vez que entrar em um restaurante, experimente fazer um exercício simples: adie por alguns instantes olhar para o cardápio. Observe a luz, escute a música, sinta os aromas, perceba a temperatura do ambiente, acompanhe o movimento da equipe e repare na forma como as pessoas ao seu redor conversam. É bem provável que você descubra que a melhor parte da experiência já havia começado muito antes de o primeiro prato chegar à mesa. As fotos desta matéria me trazem recordações memoráveis à mesa.
Social da Luísa Rodrigues
Há 1 ano, a Gramado Class inaugurava sua nova sede, marcando o início de uma nova fase de crescimento, inovação e ainda mais proximidade com seus clientes. Na foto, o proprietário Cleiton Franke ao lado de sua equipe comercial, celebrando essa trajetória construída com dedicação, profissionalismo e muito trabalho Foto: Luísa Rodrigues A empresária Gabi Michaelsen, proprietária do Hard Rock Cafe Gramado, prestigiou nesta semana o lançamento da exclusiva Bag Rock. A peça unissex, criada pela designer Mônica Cardoso especialmente para a marca, traduz a essência, a autenticidade e o espírito do Hard Rock em um acessório sofisticado e cheio de personalidade Foto: Luísa Rodrigues Gabriela Moresco Oaigen, ao lado de sua mãe, Nilva Bonotto Moresco, recebeu familiares e amigas para um encantador chá de bebê em homenagem à pequena Antonela, que em breve chegará para completar a felicidade da família Foto: Luísa Rodrigues Beri de Gramado, Paulo Ortiz, Caio Afiune e Pio, da TV Gramado, prestigiaram uma visita especial ao restaurante, em um momento de boas conversas, gastronomia de excelência e celebração da tradição italiana que faz da Cantina Di Capo uma referência na Serra Gaúcha Foto: Luísa Rodrigues Michelle Wodarski e Plínio Ghisleni marcaram presença na celebração dos 10 anos da Revista Essencialle, prestigiando uma noite especial que reuniu convidados, parceiros e grandes nomes da sociedade em um evento repleto de elegância, networking e comemorações Foto: Luísa Rodrigues
Social da Samanta
Paloma Freitas “trintou lindamente” neste mês! Parabéns pelo teu novo ano! Foto: Divulgação Empresário e influencer gramadense Giovani Ghisleni com o Influencer Firmino Cortada durante evento beneficente no Hotel Valle D’incanto na última terça, dia 14 de julho. O evento arrecadou fundos em prol do Instituto Santíssima Trindade. O influencer se hospedou no hotel e aceitou palestrar voluntariamente para ajudar a instituição. Foto: Divulgação Any Brocker Boeira Guimarães realizou um sonho e volta rebocada após percorrer o Caminho de Santiago de Compostela! Foto: Divulgação Helenice Damaris Catalan festejou seus 39 anos cheia de energia e vida! Felicidades! Foto: Divulgação Sandra Ferraz, Gerente Geral do Parque do Caracol, com a apresentadora Patrícia Poeta, durante a transmissão ao vivo do Programa Encontro, no parque! Foto: Divulgação
COMO ANDA O AEROPORTO DE VILA OLIVA
A Prefeitura de Caxias do Sul realizou no dia 8 deste mês a primeira reunião presencial com o consórcio Serra Gaúcha – Vila Oliva, vencedor da licitação para construção da primeira etapa do Aeroporto da Serra Gaúcha.Segundo o secretário de Planejamento de Caxias do Sul, Antônio Feldmann (Podemos), o prazo de entrega da primeira etapa do aeroporto é de 36 meses.O projeto do aeroporto foi desenvolvido de acordo com os padrões técnicos da aviação civil e prevê uma pista de 1.930 metros de comprimento por 45 metros de largura, dimensionada para receber grandes aviões.Foto: Divulgação NOVOS GESTORES Nova fase para a Estação Campos de Canella. Artur Grin e Natasha Reina assumem a gestão do empreendimento, que pertence a Novalternativa Incorporadora. Os novos gestores terão a missão de consolidar ainda mais a Estação Campos de Canella como um dos principiais pontos turísticos da cidade, promovendo o desenvolvimento do empreendimento nos âmbitos da cultura, turismo e comércio. A preservação e o fomento do patrimônio e da história do espaço será uma das prioridades. INELEGÍVEL A desembargadora Rosane Wanner da Silva Bordasch, 2ª vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), negou recursos especial do vereador Rafael Ronsoni (PP) para suspender a sua inelegibilidade. A decisão ocorreu na quarta-feira (15). “Não admito o recurso especial e não conheço do pedido de suspensão de inegibilidade”, pontuou a desembargadora. A defesa de Ronsoni havia protocolado o recurso contra acórdão da Quarta Câmara Criminal do TJRS, alegando, entre outros argumentos, que “a decisão que recebeu a denúncia carece de fundamentação concreta, limitando-se a empregar conceitos jurídicos indeterminados”. No mesmo dia, a desembargadora Rosane Bordasch, negou recurso extraordinário de Rafael Ronsoni pela “suspensão da inelegibilidade com base no artigo 26-C da Lei Complementar no 65/90”. A magistrada justificou dizendo que compete a 2ª Vice-Presidência “proceder ao juízo de conformidade e de admissibilidade dos recursos Superiores na matéria criminal”. A defesa de Ronsoni buscava levar o exame da suspensão da inelegibilidade para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF). A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul já havia condenado Rafael Ronsoni por peculato. Ele é acusado de desvio de materiais da Prefeitura no ano de 2013, quando era Secretário de Obras. A pena foi fixada em 4 anos 5 meses e 10 dias em regime semiaberto. Com a decisão, o atual vereador também permanece inelegível. 70 PROFESSORES A portaria de funcionamento do Campus Gramado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) foi publicada no Diário Oficial da União – Portaria do Ministério da Educação nº 591/2026. Com o documento, a unidade está autorizada a oferecer cursos técnicos, de graduação e pós-graduação. A portaria estabelece também a tipologia do Campus Gramado como 70/45, o que significa que poderá ter até 70 docentes e 45 técnicos administrativos em educação. Esse formato representa uma capacidade de atendimento de 1,4 mil estudantes quando o quadro de servidores estiver completo. El NIÑO Prefeitura de Gramado contratará até oito Agentes de Proteção e Defesa Civil, com carga horária de 40 horas semanais. A preocupação do Executivo é decorrente da previsão de que os efeitos do El Niño — aquecimento das águas superficiais do Oceano, serão mais fortes este ano. RESORT EM VINÍCOLA Empreendedora do Hard Rock Hotel Gramado, a Mundo Planalto acaba de inaugurar o Castelos do Vale, o primeiro resort dentro de uma vinícola no Brasil, em Bento Gonçalves. Com investimento de R$ 50 milhões, o empreendimento reúne hospedagem de alto padrão, spa, cave subterrânea e imersão nos vinhedos, em parceria com a Vinícola Dom Cândido. FESTIVAL DE FONDUE Estão definidos os restaurantes que vão participar do 1º Festival do Fondue de Gramado, promovido pela Abrasel Hortênsias. O prato será celebrado por 18 estabelecimentos especializados de 24 de julho a 2 de agosto, em formato de roteiro gastronômico. DECISÃO ADIADA A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) comunicou na quarta-feira (15) que a partida decisiva entre Gramadense x Brasil de Pelotas, foi adiada de domingo (19) para quarta-feira (22). Com a mudança, o confronto decisivo, que definirá o campeão da competição, será disputado às 20 horas, no Estádio Bento Freitas, em Pelotas. O Trem da Serra chega para a decisão em vantagem após vencer o jogo de ida por 1 a 0, no último domingo, em Porto Alegre. Segundo o Brasil, o adiamento foi motivado pela previsão de tempestades em grande parte do Rio Grande do Sul a partir de sexta-feira (17). Em nota, o clube citou o alerta emitido pela Defesa Civil para a Zona Sul. A Gramado TV transmite a decisão. GRENAL O documentário “Grenal: o Maior Clássico das Américas”, produzido pela Giros Filmes em parceria com a Panda Filmes e a Sportv, terá sua primeira exibição no 54° Festival de Cinema de Gramado. O filme estreia no tradicional evento em sessão especial no Hotel Serra Azul. BOMBEIROS No dia 9, foi realizada a cerimônia de troca de comando da 2ª Companhia de Bombeiro Militar do 5º Batalhão, responsável pelo atendimento regional, que abrange municípios como Canela, Taquara, entre outras cidades da região. O Capitão João Pedro Leal Pellegrini assumiu o posto, sucedendo o Capitão Sanhudo, que deixa o comando local após ser transferido para Caxias do Sul.
CRIATIVIDADE BRASILEIRA, TÉCNICA RUSSA
Ensaio é atividade recorrente na vida de muitos. Ele leva à perfeição. Tem a ver com disciplina, também. Ensaio e exemplo, muitas vezes, são iniciativas educadoras que partem da mesma pessoa. Por saber mais que ninguém o valor dessa palavra, a bailarina clássica uruguaianense Andreza Borges (foto à direita), radicada em Canela há três anos, deu o nome de Casa de Ensaio ao estúdio de dança que fundou aqui, bem na entrada para o bairro São José. Dançando desde os sete anos, aos 12 anos ela optou – precoce e corajosamente – pela vida de bailarina, abdicando das diversões de menina na sua cidade de então, Bento Gonçalves, para encarar a árdua rotina de ensaios (olha eles de novo!) e aprendizado na única Escola do Teatro Bolshoi fora da Rússia, a de Joinville. Convivendo com colegas de várias origens e acompanhada da mãe, foram oito anos em Santa Catarina viabilizados pelo fato de Andreza ter conseguido uma bolsa, selecionada que foi com o grupo de 15 bailarinas que superou outras 300. A estada na Bolshoi também descortinou para essa bailarina a possibilidade de ensinar a dança. No fim da formação, Andreza estagiou como professora para pequenos iniciantes e gostou. Outro impulso foi um convite, via Bolshoi, para ensinar ballet e dança contemporânea para público variado na Coreia do Sul. Em 2019, cruzou oceanos de volta e veio pleitear vaga para dançar no Natal Luz de Gramado, sempre uma grande vitrine. Conseguiu, pisou com a sapatilha na Região das Hortênsias e está aqui até hoje. Além do evento natalino, performou em casas temáticas e parques como a Terra Mágica Florybal. Passada a pandemia, em abril de 2023 abriu as portas da Casa de Ensaio, auxiliada por outras três professoras para as modalidades de dança contemporânea, urbana e jazz. Por trás da ideia de implantar sua própria escola, Andreza enxergou nessa iniciativa uma forma de devolver à sociedade o conhecimento e a técnica com que foi agraciada – ela entrou na dança em um projeto social da indústria Todeschini em Bento Gonçalves. Espelhando-se na tradição e legado de grandes da dança local, como a Academia Neusa Martinotto e Darte Entretenimento, a escola da nossa entrevistada começa a conquistar espaço com diferenciais de qualidade como a presença, além da própria Andreza no ballet, de Luana Serrão (à frente da dança contemporânea) também com formação na Escola Bolshoi. São sete modalidades para colocar gente em movimento, a partir dos três anos. As premiações começam a acontecer ao estrearem em competições, como no MUV de Sapiranga, no Festival CBDD Kids POA e muito recentemente, no Teatrão de Canela, na fase aberta do evento Winter in Dance, onde a Casa e Ensaio brilhou em meio a 500 dançarinos do Paraguai. Nas imagens, de cima para baixo, a participação da Casa de Ensaio no Festival de dança do Conselho Brasileiro da Dança (CBDD), a bailarina Amanda Milicchio na coreografia A Morte de Nykia e a turma comemorando o prêmio no Winter in Dance PARA APRECIAR SEVERO NO MARGS O artista plástico porto-alegrense André Severo, residente em Canela, transita o seu talento, além da pintura, na prática diversificada com instalações, performances, livros, fotografia, filme e vídeo. Neste sábado (18), no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, acontecerá a abertura da Exposição André Severo – A Onda de Gustave Courbet, que marca a sua primeira individual no Museu — do qual passou a integrar o acervo em anos recentes. Tivemos a oportunidade de conhecer, na casa do artista em Canela, algumas das telas que estarão ocupando todo o primeiro andar do mais importante museu gaúcho. Monográfica, a originalidade da mostra está na quase obsessão do artista em analisar e desvendar a elaboração de mais de 80 telas do francês Gustave Courbet que localizou em acervos de museus, coleções e casas de leilões pelo mundo, explorando a sua recriação pictórica a partir de imagens de referência. “O que me capturou, desde o início, foi a sensação de que aquelas pinturas concentravam matéria, gesto, peso e energia em um grau incomum para o século XIX”, declarou André, que criou então as pinturas da série A Onda/La Vague, principalmente, entre 2021 e 2024. Vale a pena, quem for a Porto Alegre, ir ao MARGS, na Praça da Alfândega, apreciar a exposição que definitivamente coloca André no patamar dos grandes pintores gaúchos. A mostra fica aberta até 15 de novembro, com entrada gratuita. SABADÃO NA FLORESTA Na Floresta Nacional do IcmBio (antigo parque do IBDF), em Canela, o dia 18 de julho será pleno de atividades legais. Se faz tempo que você não vai lá, aproveite. Se não conhece, vá ver aquela beleza toda. Terá birdwatching (opbservação de pássaros), atividades educativas com a Patram, esporte (futebol, corrida e bikes), trilha guiada, sessão de filmes com pipoca e competição de fotografia. Entrada gratuita.
Pais, filhos e a educação financeira
Vocês pais também tem essa responsabilidade, e oportunidade de ser presente na educação financeira de seus filhos. Não apenas “dar” uma mesada, mas ensinar a criança a administra-la, ajuda em muito a criar hábitos saudáveis, que iram acrescentar na educação e formação do caráter dela. É uma oportunidade de educá-los com noções básicas de organização, planejamento e de persistência quanto aos seus desejos e objetivos, mas tudo de acordo com a idade e a maturidade deles é claro. Além de criarmos mais um vínculo, e um momento especial de interação com o seu filho, de entender como ele pensa sobre o dinheiro, sobre fazer compras, ou adquirir coisas, aprender a lidar com o “não” e como esperar o tempo certo. Não posso deixar de salientar que a melhor maneira de ensinar qualquer coisa é através do exemplo. Mas temos que ter o cuidado também, quanto a valores determinados, valores que sejam dentro da realidade deles, como por exemplo: um lanche na escola, ir ver um filme no cinema, ter o seu próprio valor para comprar algo em uma viagem, cada idade e realidade tem o “seu valor ideal”. Uma criança não pode ter uma meta muito longa, pois a percepção de tempo delas é diferente da nossa. E o que costuma funcionar muito bem se o valor de um jogo por exemplo é alto em relação a mesada, é você complementar o que falta, ou a metade. Uma técnica usada são os 4 potinhos, tipos cofrinhos, nominados: É muito importante sim termos um momento com os nossos filhos para ajudá-los a lidar com a mesada ou semanada, ajudá-los a organizar como pretendem gastar e ou poupar aquele valor, esse tipo de planejamento é muito mais saudável do que possa parecer, pois nos ajuda a ouvi-los e observá-los, a percepção que eles tem do dinheiro, pois assim poderemos saber qual é o perfil do meu filho quanto ao dinheiro e as compras, se é o imediatismo, temos que trabalhar isso, o saber esperar, e aprender a lidar com frustrações e os “não” da vida, e com o valor do dinheiro em si. Ao dar uma mesada, estamos dando uma oportunidade de aprendizado, tanto para nossos filhos, como também para nós como pais. Porém a mesada não pode ser usada como “prêmio” ou como um “castigo”. E a escola também começa a ganhar espaço para sua participação na vida do aluno, neste universo financeiro. Pois hoje podemos contar com a Educação Financeira com inteligência emocional para as escolas. Aprender a planejar, por mais simples que seja, a separar para gastos imediatos e ou para adquirir um jogo, por exemplo, que requerer mais tempo e paciência. Sem falar que cada vez mais cedo vemos crianças empreendendo, e a mesada vai ajudar nisso também. Enfim saber planejar o tempo ideal necessário para adquirir determinado produto. Como também saber a importância de guardar, de ter uma reserva sempre, e isso com certeza vai virar um hábito saudável para toda a sua vida, e gerar uma experiência rica entre pais e filhos.
A COPA NÃO MENTIU
Depois de 48 seleções e 104 jogos, a Copa chega à decisão sem aventureiros. A Espanha, campeã em 2010, eliminou a favorita França. A atual campeã Argentina virou sobre a Inglaterra nos minutos finais. Houve surpresas, mas organização, talento e tradição chegaram à final. A Copa mudou fora do campo. Durante décadas, ver o Mundial era ligar a televisão e aceitar a voz que vinha dela. Em 2026, o público escolheu. A CazéTV levou os 104 jogos ao YouTube. Inglaterra x Noruega reuniu 21,2 milhões de aparelhos conectados ao mesmo tempo. Segundo o YouTube, mais de 70% do tempo assistido veio das TVs conectadas. A tela continuou na sala, mas o controle mudou de mãos. A televisão não morreu. Perdeu o monopólio. Nova na tela, a Copa repetiu velhos problemas para o Brasil. 2030 começou na eliminação. Ancelotti fica, mas reportagens durante o Mundial apontaram denúncias negadas, vazamentos internos e disputa de poder na CBF. E permanece a pergunta: que Seleção o Brasil quer ser? Jogar na Europa parece ter virado selo de qualidade, mesmo para quem pouco mostrou com a camisa amarela. Não se trata de fechar a porta para quem atua fora, mas de parar de confundir endereço com merecimento. Alguns nomes atravessaram duas ou três Copas sem levar o Brasil a uma semifinal e seguem obrigatórios. A camisa não pode ser herança. O Brasil tentou ser europeu sem sotaque e terminou sem identidade. A Copa mudou de tamanho, mudou de tela e confirmou algo antigo: chega mais longe quem sabe o que é. Espanha e Argentina sabem. O Brasil ainda precisa decidir. Até 2030. Quem sabe…
CANELA NA HISTÓRIA 11
Visita técnica O Memorial Canela realizou, no dia 16 de julho, uma visita técnica ao Centro da Memória, vinculado ao Instituto Memória Histórica e Cultural (IMHC) da UCS, em Caxias do Sul. O encontro, mediado pelo diretor do Campus Hortênsias, Gilberto Hummes, buscou subsídios técnicos e científicos às ações de preservação da cultura e do patrimônio. Na liderança da comitiva, o presidente Paulo Drechsler foi recebido pelo diretor Anthony Beux Tessari. Certificação Pelo terceiro ano consecutivo, o Memorial Canela recebeu a certificação de seu projeto Encontros com a Memória, contemplado desde 2024 com recursos do Fundo Social Sicredi. A entrega foi feita em cerimônia realizada na sede da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e mobilizou outras instituições locais igualmente beneficiadas. O Memorial participou do ato por meio de seu presidente, Paulo Drechsler e de sua vice-presidente, Ana Glenda Viezzer. Presenças Em sua reunião mensal ordinária, de planejamento e organização, o Memorial recebeu, no último dia 10 de julho, os responsáveis pela área cultural da Estação Campos de Canella, Artur Grin e Natasha Reina. Eles foram informados das ações desenvolvidas pelo Memorial, nestes seus pouco mais de três anos de existência. E anunciaram a intenção de fazer da Estação um espaço de presença das manifestações artístico-culturais de Canela. Também esteve presente o diretor do Departamento de Cultura do município, Leonardo de Abreu. 3º Encontro da Memória Será nas noites de 5, 6 e 7 de agosto próximo o 3º Encontro da Memória de Canela, iniciativa anual que o Memorial promove desde 2024. Mostras, palestras e painéis ocorrerão diariamente, a partir das 18h30, no Espaço Sicredi João Pessoa, com abertura oficial, pelas autoridades locais, na quarta-feira, dia 5. Os temas, os participantes e os debatedores estão em fase final de formulação, e serão anunciados em breve. Como nas edições anteriores, os conteúdos buscarão refletir sobre o passado, o presente e o futuro de Canela, sob a ótica do desenvolvimento sócio-econômico-cultural. Encontros temáticos Entre setembro e dezembro deste ano, ocorrerão ainda, quatro outros Encontros com a Memória, somando-se aos dois realizados no primeiro semestre e que trataram sobre a Sonelli e sobre José Domingos Prates Batista. As datas previstas são 17 de setembro, 22 de outubro, 12 de novembro e 10 de dezembro. Os temas serão anunciados previamente. Abertos e gratuitos Tanto o Encontro da Memória, de caráter anual e multitemático, quanto os Encontros da Memória, com seis edições por ano e a cada uma um tema específico, são iniciativas do Memorial Canela, patrocinadas pelo Fundo Social Sicredi e realizadas no Espaço Siicredi João Pessoa, abertas ao público e de graça. Músicos locais Desde suas primeiras realizações, os Encontros com a Memória e o Encontro da Memória de Canela prestigiam os artistas locais e da região. Em ambas iniciativas são destinados espaços a músicos convidados, mediante pagamento de cachê. O Memorial busca, assim, reconhecer e valorizar os talentos locais, abrindo-lhes oportunidades para que mostrem sua arte.