Você já ouviu falar de dismorfia? Muito se ouve falar sobre a dismorfia corporal, no contexto psicológico: é uma visão distorcida da realidade, um transtorno de imagem. Aonde também a pessoa tem uma preocupação excessiva com a sua imagem e aparência. Com a minha experiência como mentora e consultora financeira, tem me chamado a atenção de como essa visão distorcida da realidade financeira está cada vez mais presente do que podemos imaginar, principalmente na nova geração, nos nossos jovens. O que eles sentem sobre a sua situação financeira, e o que realmente eles possuem. Hoje em dia as redes sociais têm uma grande influência na percepção de sucesso nas pessoas, e principalmente nos jovens. Segundo os dados do SPC, temos 15 milhões de pessoas iniciando a vida adulta já com orçamento comprometido, e o poder de compras limitado pela inadimplência.

E é claro que as redes sociais colaboram muito para isso, vem a comparação com a vida do outro, a necessidade de “ter” o que parece fonte da felicidade. E as pessoas acabam ficando insatisfeitas com a sua realidade, achando muitas vezes que o outro é muito mais feliz pelo que aparenta ter e viver. Esse sentimento de que se o outro pode, eu também eu posso, e querer se enquadrar num “padrão” que parece levar a realização, leva muitas pessoas ao endividamento. A ilusão de que adquirindo certos bens, como um carro zero por exemplo, ou uma bolsa de luxo, vai ter uma sensação de que está enquadrada no modelo de sucesso e felicidade. O que é uma ilusão criada pela sociedade e o mundo virtual, que citam um padrão de consumismo, aonde o ter sobressai ao ser.
Muitas pessoas vivem anos buscando aparentar o que a sua realidade financeira não comporta, se endividam, trabalham dobrado, e ainda acreditam que estão fazendo o certo. Mas na verdade têm uma dismorfia financeira. E se enganam achando que pertencem à classe média alta, por exemplo, pelo padrão de vida. Mas o que dita a sua realidade financeira não é somente a sua receita e sim o seu saldo descontando o montante de empréstimos contraídos para bancar os desejos e as aparências. Na realidade essa distorção financeira, nasce com a comparação, com a vida de influenciadores ou até mesmo de colegas de trabalho.
Temos aquelas pessoas com uma situação estável financeiramente, com reservas, e se sentem inseguras, com aquela sensação que nunca é o suficiente, e, com um sentimento de culpa, também se enquadram na dismorfia financeira. Em ambas situações vemos pessoas insatisfeitas, ansiosas e tomando decisões por impulso, pois falta clareza e uma análise da realidade. A distorção financeira nasce com a comparação, com a vida de influenciadores ou até mesmo de colegas de trabalho. Começamos a achar que nunca somos bons ou temos o suficiente, que o gramado do vizinho sempre é mais verde, mesmo quando temos tudo para construir uma vida sólida financeiramente. Começamos a colocar os pés pelas mãos, consumindo mais do que deveríamos, como se estivesse tudo bem. Não acumular coisas sem significado que se perdem no armário e na sua fatura de cartão de crédito, e abortam os seus sonhos.
Como mentora financeira, creio que temos que ter valores pessoais bem definidos, saber quem somos e aonde queremos chegar. Aceitar e viver de acordo com a sua realidade financeira, para assim prosperar construindo algo sólido. Primeiro “ser” para que o “ter” faça sentido na sua vida.





