(Em respeito…)
Data das mais aguardadas do calendário, e respeitada nos quatro cantos do mundo, segundo as crendices e superstições de cada cultura.
A escolha da data recaiu no dia seguinte ao 1º de novembro – Dia de Todos os Santos.
Quanto ao significado, segundo os dicionários, “Finados” vem de “finar”, originária do latim “finis” que quer dizer acabar, finalizar, encerrar. Em suma, significa tudo que findou, acabou, morreu, finou.
Já na poesia, pode-se ter uma ideia da sua importância para o homem do interior, como no verso de Apparicio Silva Rillo:
“……….
Bolicho de portas largas / que não conhece feriados,
que só fecha nos Finados / e no Dia da Paixão.
……………”
Além dos costumes do RS, vejamos outros por este Brasil afora:
De acordo com o folclorista Câmara Cascudo, essa herança trazida pelos portugueses engloba uma série de superstições, proibições e muito respeito – hábito muito comum em todo o Brasil, especialmente nas populações interioranas e no litoral.
Entre essas crenças:
– Muitas assombrações, cortejos fúnebres, visitas macabras de esqueletos e caveiras; As almas dos afogados passeiam por cima das águas dos mares e açudes; Nesse dia, as almas visitam os lugares onde viveram ou foram assassinados seus corpos, entre outras práticas, pintam bem o quadro desse dia simbólico.
– Enfim, o 2 de novembro é um dia de respeito, quando não se caça nem se pesca, não se faz algazarras, etc. É um dia de silêncio, contemplação, saudades.
Uma pequena narrativa (segundo Marcelo Mugnol – Jornal Pioneiro):
“(…) Um menino, pequeno demais para compreender a eternidade, observava a mãe. Ela chorava, inconsolável, debruçada sobre a lápide fresca do marido. O guri, contudo, desviou os olhos da pedra fria. Por cima do muro alto do cemitério, ele avistara uma pipa colorida, dançando ao sabor do vento, alheia à gravidade da dor humana.
O menino puxou a saia da mãe e, apontando para o alto, disse:
– Olha, mãe…
A mulher em prantos, secando as lágrimas da face, ergueu os olhos e, num sopro de puro lirismo e transcendência, tomou o guri no colo, apertou-o contra o peito e sussurrou:
– É o papai, filho. Ele aprendeu a voar…
O Dia de Finados traz em seu bojo a história e os usos e costumes também aqui do Rio Grande do Sul… a nossa terra!
Da sapiência dos almanaques: Quanto mais amargo o limão, mais doce a limonada!




