Produção da Sonarte inspirada na vida de Anita Franzen Corrêa reúne cerca de 80 artistas e transforma personagens e episódios da cidade em música e teatro. No dia 17 de outubro, a Ópera Anita terá sua apresentação experimental no Teatro Municipal de Canela. Com início às 15h e destinada a convidados, a montagem, construída desde 2022 une música e teatro em uma obra inspirada na vida de Anita Franzen Corrêa. A Sonarte surgiu em 2006, em São Leopoldo. Violinista e bacharel em Música, Mauro Gomes deixou a rotina das orquestras profissionais para concentrar seu trabalho no ensino e criou o Projeto Sonarte. Em 2010, um projeto de educação musical o trouxe a Canela. No Centro Social Padre Franco, conheceu Angélica Gomes, que já trabalhava com música e crianças na cidade. Os dois se casaram em 2012 e fizeram da construção da Sonarte em Canela também um projeto de vida.Um encontro ajudou a definir os rumos da instituição. Em 2014, Camila Krause Corrêa assistiu a uma apresentação da Sonarte na Casa de Pedra e, ao final, procurou Mauro. Ela o convidou a desenvolver atividades no Grande Hotel Canela. Vieram concertos, ensaios e eventos que deram visibilidade ao trabalho e aproximaram novos apoiadores. Alunos e integrantes da Sonarte reunidos durante o Dia do Aluno, realizado no Grande Hotel CanelaFoto: Divulgação Entre eles, Mauro fala com especial gratidão de Idemor Piva (in memoriam). O empresário tornou-se conselheiro e benfeitor, ajudou alunos e, em 2016, presenteou a instituição com a sede própria. Seu nome permanece na Camerata de Cordas Idemor Piva. Ao recordar por que tantas pessoas abraçaram a Sonarte, Mauro relaciona essa aproximação à simplicidade com que ele e Angélica conduziram o trabalho e aos vínculos construídos com a comunidade. A Sonarte também enfrentou momentos difíceis. Durante a pandemia, quando a continuidade da instituição chegou a ser ameaçada, o apoio de pessoas próximas foi decisivo para manter o trabalho. Foi nesse mesmo período que Mauro aprofundou suas pesquisas sobre Anita Franzen Corrêa e encontrou uma personagem que, em sua avaliação, permanecia menos conhecida que os homens da família. “Eu me apaixonei pela história dela”, conta. Hoje, a Sonarte reúne cerca de 150 alunos, aproximadamente 80% de Canela. Atua como mantenedora da Academia de Música Palmyra Colombo, da Sonarte Ação Social e da Sonarte Eventos. Com o apoio de parceiros, a ação social permite oferecer bolsas a crianças e jovens para os quais o custo da formação musical pesaria no orçamento familiar. DA GRATIDÃO NASCEU UMA ÓPERA A pesquisa de Mauro revelou uma Anita que ele queria levar ao palco; a gratidão ajudou a transformar a ideia em ópera. Mauro e Angélica queriam retribuir à família Corrêa e ao Grande Hotel o espaço e o apoio oferecidos à Sonarte desde 2014. Em 2022, cerca de oito anos depois do início dessa relação, Mauro apresentou a proposta aos familiares de Anita, recebeu autorização e começou a construir o libreto. A composição ficou a cargo de Bruno Silva de Araújo, músico canelense formado pela Sonarte. A escolha seguia uma intenção de Mauro: ter na criação da obra um músico formado dentro da instituição e ligado à cidade retratada no libreto. DOS 15 ANOS DE ANITA À VIDA ADULTA A narrativa parte dos 15 anos de Anita. A preparação do aniversário apresenta uma jovem criada em um ambiente familiar marcado pela música. A partir dali, ela amadurece diante do público. A trama acompanha o encontro com Danton, o casamento, a família, o Grande Hotel e as perdas enfrentadas ao longo da vida. São dois atos e 22 cenas. Três alunas da Sonarte interpretam Anita em diferentes fases. Toda em português, a obra utiliza o formato Singspiel, alternando partes cantadas e faladas. Personagens reais convivem com figuras ficcionais, enquanto a vida da protagonista se cruza com acontecimentos da história de Canela. A chegada do trem a Canela ganha um dos núcleos ficcionais da ópera. A cena é contada com humor a partir de uma família formada por um ébrio, sua mulher Carminha, uma fofoqueira atenta ao que acontece ao redor, e a filha do casal, que tenta colocar algum equilíbrio entre os dois. O personagem reaparece no segundo ato, décadas mais tarde, durante as comemorações dos 50 anos do Grande Hotel, em 1966. Já transformado, ele agradece a Anita e Danton pela ajuda recebida por sua família. O que começa como uma passagem pitoresca acaba ligado à preocupação com o social da protagonista e à sua atuação benemerente, como a criação da Sociedade Canelense de Amparo à Infância e Indigentes (SCAI). Na construção do libreto, Mauro procurou colocar Anita no centro da narrativa. Ela não surge simplesmente como esposa de Danton Corrêa. É sua vida que conduz a ópera, passando pela juventude, família, atuação comunitária, perdas e amadurecimento. Ao falar sobre essa escolha, Mauro amplia o olhar para outras mulheres que, como Anita, assumiram responsabilidades na família, no trabalho e na comunidade, mas nem sempre receberam a mesma atenção nos registros de seu tempo. Na ópera, a perspectiva se inverte: Danton passa a fazer parte da narrativa de Anita. UMA PRODUÇÃO FEITA POR MUITAS MÃOS A montagem mobiliza crianças a partir dos seis ou sete anos, jovens, cantores, atores e músicos profissionais, com forte participação de artistas locais. A orquestra de câmara reúne alunos avançados da Sonarte e músicos com formação ou atuação profissional. Mauro Gomes assina o libreto e a regência; Bruno Silva de Araújo, a composição; Angélica Gomes responde pela direção artística; Lisiane Berti, pela direção de palco; e Jamile da Rosa, pela direção de produção. Das 22 cenas concebidas, 21 serão levadas ao palco na apresentação experimental em outubro. O objetivo é testar orquestra, canto, interpretação, iluminação e movimentação de palco e identificar os ajustes necessários para uma futura montagem completa. O trabalho tem cobrado intensidade de Mauro, que traduz o tamanho do desafio com humor: “Se me perguntarem se está sendo difícil, eu diria que envelheci 20 anos.” A continuidade dependerá da captação de recursos para novos ensaios, figurinos, cenografia e estrutura. SEMANA
SABORES DE CANELA: A CIDADE REVELADA EM PRATOS
Quantas “Canelas” cabem em uma mesma mesa? O Festival de Gastronomia e Cultura Sabores de Canela reúne cozinhas, técnicas e referências tão distintas que percorrer seus pratos também é uma forma de descobrir a diversidade gastronômica que a cidade construiu ao longo do tempo.Aproveitando o feriado de 7 de setembro, o evento se estende até a próxima segunda-feira, com criações de onze restaurantes na Praça João Corrêa. Depois, de 8 a 30 de setembro, os mesmos pratos seguem disponíveis nas casas participantes. Mais do que escolher um favorito, proponho outro exercício: aproveitar o festival para provar uma “Canela diferente” até o final do mês. ÁSIA O percurso pode começar pela Ásia. O Galangal apresenta o Poke Acevichado com salmão, peixe branco e leite de tigre de bergamota. No Takeshi Express, o Uramaki Araucária aproxima a cozinha japonesa da Serra ao combinar salmão, pinhão tostado, redução de shoyu e geleia de pimenta. Galangal – Poke AcevichadoFoto: Bárbara Ludke MAPA IMAGINÁRIO Do outro lado desse mapa imaginário está o La Estacion, com seu Bife de Chorizo, acompanhado de farofa de limão bergamota e purê defumado. O Magnólia aposta na Costela ao Vinho, com purê de aipim defumado e farofa de erva-mate, enquanto o Capullo serve Nhoque com Ragu de Costela Defumada, fonduta de parmesão e farofa de pão de milho. A padaria artesanal também encontrou seu lugar neste evento. Estreante no festival, a Panni criou o Croissant Serrano recheado com carne de panela na cerveja stout, creme de queijo colonial e mini rúcula com versão vegetariana de cogumelos. DIVERSIDADE E PERSONALIDADE Comida boa não pede formalidade e aqui apresento bons exemplos disso. O Empório Canela apresenta sua Baguete de Linguiça Calabresa com Provolone; o Burguer 105, o Cento e Cinco Serrano, com queijo serrano, bacon e cebola caramelizada no vinho; e O Maquinista, a Baguete da Locomotiva, com filé-mignon, gorgonzola e cogumelos. Em sua estreia no Sabores de Canela, o Esquina Bar e Cozinha chega com Arroz de Cupim ao molho de vinho tinto, cebola crispy e agrião. A Pizzaria Santa Clarita completa o roteiro com uma pizza de linguiça, cebola roxa, azeitonas pretas, tomate-cereja e requeijão cremoso. Burguer Cento e Cinco – Cento e Cinco SerranoFoto: Bárbara Ludke SURPRESA Para quem é apreciadora de cafés especiais como eu, foi uma surpresa descobrir que há dois anos tem uma marca de Canela torrando cafés selecionados e que neste ano está no festival apresentando seus sabores e histórias. O Leña trabalha exclusivamente com cafés especiais com rastreabilidade e provenientes de cultivos responsáveis dediferentes regiões e produtores brasileiros. Além de poder provar cafés na hora, quem visita o stand pode comprar o café em grão ou moído para levar. Leña CaféFoto: Bárbara Ludke SERVIÇO O QUÊ: Festival de Gastronomia e Cultura Sabores de Canela 2026ONDE: Praça João Corrêa: até 7 de setembro | diariamente, das 11h às 22hVALORES: Pratos salgados: R$ 58 | Doces: R$ 32 a R$ 38CIRCUITO NOS RESTAURANTES: 8 a 30 de setembroPARTICIPANTES: Capullo, Galangal, Empório Canela, Panni, Takeshi Express, Magnólia, Burguer 105, Esquina Bar e Cozinha, O Maquinista, La Estacion e Pizzaria Santa Clarita.
Social da Luísa Rodrigues
Fernanda Chies e Mona Oppitz prestigiaram o lançamento do Sabores de Canela, celebrando mais uma edição deste importante evento da gastronomia canelense. Foto: Luísa Rodrigues Graziela Franzen, Lisiane Urbani, Rodrigo Cadorin e Cinzea Nunes prestigiaram a apresentação da nova Estância Origens da Serra, em Canela. Foto: Rafael Cavalli Amanda Ramires, diretora da Brocker Eventos, durante a apresentação da Estância Origens da Serra. Foto: Rafael Cavalli Dani Muck e Letícia Swaroviski abrilhantaram a tradicional Feijoada das Estrelas, realizada no Hotel Buona Vitta, em Gramado. Foto: Luísa Rodrigues Conexões, energia e muita sintonia marcaram a Maratona Laghetto! Marina Macari, Carol Lourenço, Cristiane Mörs e Naira Cordeiro reunidas em um momento especial que celebra movimento, relacionamento e a força de uma grande equipe. Foto: divulgação
Social da Samanta
A diretora Paula Krause Correa, apresentou as novidades do Grande Hotel em Canela Foto: Daniela Battastini O Grande Hotel Canela reuniu nomes do mercado de eventos, imprensa e influenciadores para o Conexões que Celebram, encontro que marcou a apresentação das novidades do empreendimento, que completa 110 anos em 2026. A programação incluiu brunch e uma experiência pelos espaços do hotel, com destaque para a nova área da piscina e a proposta gastronômica renovada. O evento foi conduzido por Paula Krause Corrêa, diretora e operacional do empreendimento, e Débora Barden, coordenadora de eventos e experiências, que apresentaram as diferentes possibilidades do hotel para a realização de casamentos, celebrações sociais e eventos corporativos. Maurício Boniatti, presidente da ACIC e Milena Parmegiani, coordenadora executiva da ACIC, associação que está à frente da organização do Festival Sabores de Canela, que acontece até dia 7 de setembro na Praça João Corrêa e posteriormente até dia 30 nos restaurantes parceiros. Foto: Renata Willrich Diretores da Goods Br – Thais Luft Neumann, Mateus Secco Neumann e Josué Neumann Spengler – em evento realizado no Pátio Goods Br para reposicionamento do grupo e lançamento do novo empreendimento Olympic Terrace Foto: Gustavo Meroli O lançamento do Festuris 2026, na Pizzaria Cara de Mau em Porto Alegre, foi mais um daqueles momentos que traduzem o que acreditamos na Rossi & Zorzanello: criar conexões, aproximar pessoas e construir oportunidades que impulsionam o turismo. No registro, os sócios Eduardo Zorzanello e Marta Rossi! Foto: Cunha Anselmo NA PRIMEIRA INFÂNCIA, A ARTE ACONTECE No dia 27 de agosto, a Escola Oficina da Criança – ASSEDOC realizou uma encantadora exposição com o tema “Na Primeira Infância, a Arte Acontece”. Cada turma participou com entusiasmo, realizando uma releitura de um artista e produzindo uma obra autoral, valorizando a criatividade, a imaginação e as diferentes formas de expressão das crianças. No registro: Bianca Brião Fagundes, Andrisa Caberlon, Ana Beatriz Ângelo, Gilberto Tegner, Bruna Brião Fagundes, Pricila Felippetti, Adir Júnior e Rodrigo Rodrigues. Foto: Divulgação
OS OITO ANOS DE AMORA
O mês de agosto foi de festa, conscientização e muito carinho no Parque Bondinhos Canela. A mascote Amora, uma simpática cadela caramelo que conquistou o coração de visitantes e colaboradores, completou 8 anos de vida e ganhou uma comemoração especial dedicada também à valorização da causa animal. Adotada pelo Parque em 2018, quando tinha apenas sete meses de idade, Amora veio de um lar temporário e encontrou sua casa em meio à natureza. Desde então, tornou-se parte da identidade do Bondinhos Canela, recebendo diariamente os visitantes com seu jeito único e mostrando, na prática, como a adoção transforma vidas.Foto: Divulgação 179 EMPREGOS A economia de Canela gerou 179 empregos com carteira assinada durante o mês de julho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Governo Federal.No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo de empregos é positivo em 219 postos de trabalho.Interessante observar que entre agosto de 2024 e julho de 2026, houve um crescimento de 3,4% do emprego em Canela, contra 1% de Gramado. Ou seja, o crescimento em Canela é três vezes maior do que em Gramado. MOBILIDADE AÉREA Prefeitura recebe estudos para concessão de Mobilidade AéreaNa última semana, a Secretaria de Inovação de Gramado recebeu os estudos de viabilidade técnica elaborados pela empresa Droneportos do Brasil, com foco em uma futura concessão para a Mobilidade Aérea Avançada.O levantamento reúne dados estruturais e operacionais para subsidiar a regulamentação local de entregas por drones e de transporte de passageiros por veículos elétricos de pouso e decolagem vertical (eVTOLs). Para dar andamento ao processo, a secretaria já começou a expedir os ofícios aos órgãos envolvidos para a composição do Grupo de Trabalho Intersetorial Preparatório. A comissão apoiará a elaboração da Minuta do Projeto de Lei do Executivo e dos Decretos Regulamentadores do Programa Municipal de Mobilidade Aérea Avançada, servindo de base para o futuro Comitê de Governança Integrada e abrindo espaço para consulta pública à comunidade. TRISTEZA A semana foi marcada pela tristeza da morte do músico Luciano Soul, o vocalista da banda Cinnamon, aos 51 anos.Uma perda irreparável para o cenário musical da região. REFIS O prazo para adesão ao programa de recuperação fiscal da Prefeitura de Canela, o Refis, entra no último mês. A Secretaria Municipal da Fazenda e Desenvolvimento Econômico alerta que os contribuintes têm até o dia 30 de setembro para regularizar seus débitos com o fisco, garantindo descontos de até 100% em juros e multas relativos a débitos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto Sobre Serviços (ISS), entre outros.Até a última segunda-feira (31), já haviam sido efetivadas 911 adesões ao Refis por pessoas físicas e jurídicas, que resultaram em cerca de R$ 12 milhões em parcelamentos. PRESSÃO Gramadense joga pressionado neste sábado (5) contra o Guarani de Venâncio Aires, na Vila Olímpica, a partir das 15 horas. A equipe é a penúltima da Série A2, e está na zona do rebaixamento.Só uma vitória interessa. “Jogo de 9 pontos”, resume o Diretor de Futebol, Lucas Roldo.A avaliação é de que não houve o tempo de preparação para a Segundona, em função dos jogos da Copa FGF. XÔ WIND BANNERS! Em nota divulgada nesta quarta-feira (2), entidades de Gramado sugeriram aos partidos políticos e às respectivas candidaturas um compromisso conjunto com a preservação das principais áreas turísticas da cidade durante o período eleitoral. Na nota, as entidades ressaltam que o cuidado com a paisagem urbana e a preservação de sua identidade visual “são atributos fundamentais para sua consolidação como um dos principais destinos turísticos do Brasil”.“Sugerimos aos partidos e candidatos que evitem a instalação de wind banners, bandeiras e estruturas similares de propaganda político-eleitoral nas principais áreas e corredores de interesse turístico de Gramado, especialmente nos locais de maior circulação e concentração de visitantes”, ressalta a nota.. “A proposta não busca limitar a legítima manifestação político-partidária, mas construir, por meio do diálogo e da colaboração entre as diferentes forças políticas, um compromisso voluntário com a preservação da paisagem urbana, da imagem da cidade e da experiência oferecida a moradores e visitantes”, complementa.Assinam a nota o Sindilojas, Gramado.Canela Convention & Visitors Bureau, SindTur, Visão, Apasg, Abrasel, Planta e CDL. 911 INSCRITOS O XIII Gramado In Concert – Festival Internacional de Música encerrou o período de inscrições com um resultado expressivo: 911 músicos inscritos, representando o Brasil e outros 16 países. O número supera em mais de duas vezes e meia as 350 vagas disponíveis para a próxima edição do festival.Do total de candidatos, 693 são brasileiros e 218 estrangeiros. Entre os países com maior participação estão Argentina, Peru, Chile, Uruguai e Colômbia, reforçando o caráter internacional do evento. MAGNÓLIA Desde agosto, um dos ícones da gastronomia regional tem novo chef. Arthur Cadmiel assume o comando da cozinha do Magnólia, em Canela, sucedendo o chef Laion Ross, que encerra seu ciclo no restaurante para seguir novos projetos em Portugal.Natural de Porto Alegre, Arthur atua há 15 anos na gastronomia e reúne experiências no Brasil e no exterior. Em Nova York, trabalhou no restaurante La Bastide by Andrea Calstier. No Rio Grande do Sul, passou pelo Sagrado Gastropub e pelo O Grão Real Food.
OS 15 ANOS DO CLUBE
Em outubro de 2011, durante uma Feira do Livro de Canela, o canelense adotivo Fernando Gomes e um amigo circularam pela Feira ostentando um grande cartaz onde anunciavam que estava sendo criado um clube de leitura em Canela, com apoio da Fundação Cultural. Foi a primeira e singela iniciativa do que viria a ser o Clube do Livro de Canela, com o objetivo de “ser um lugar para sentar e debater livros”. Simples assim, importante assim, tanto que o CLC está prestes a completar 15 anos de atividade praticamente ininterrupta. A ideia original da criação do Clube do Livro recebeu grande incentivo quando Fernando Gomes comentou o assunto com um dos seus professores na pós-Graduação em Produção Cultural, que cursava na Escola Castelli, em Canela. Luís Augusto Fischer lhe incentivou a ir em frente e a iniciativa vingou. O primeiro encontro do Clube para analisar uma obra – depois de escolhido o livro Enquanto a noite não chega, do Josué Guimarães que dá nome à nossa feira – aconteceu já em novembro de 2011. Com Fernando, mais cinco pessoas fundavam ali um movimento que progrediu em abrangência e em formato. Adriana Guimarães, filha de Josué, é uma entusiasta do Clube do Livro desde seus primórdios, assim como Fernanda Chies disponibilizou desde então o seu Empório Canela para sediar os encontros mensais. Sim, mensais, porque um clube do livro realmente ativo não se reúne só esporadicamente. Há que se criar o hábito rotineiro.Em uma década e meia, mais de 160 livros foram lidos e debatidos pelos membros do Clube (hoje são 25 ativos e muitos outros, simpatizantes) não somente no Empório. Aconteceram reuniões no ex-Aroma Literário (em dois endereços), no Magnólia, nas bibliotecas de Canela e Gramado, no Gazebo Cultural e na própria Feira do Livro de Canela. Os últimos encontros vêm acontecendo no Araçá Bistrô, próximo à Catedral de Pedra. Informal, o funcionamento das reuniões do Clube não segue uma regra fixa. Assim como é geralmente dada, a quem sugeriu a obra escolhida, a incumbência de conduzir os debates. Como cada cabeça tem a sua sentença, as opiniões sobre o que foi lido nem sempre são elogiosas, muitas vez ocorrem decepções, expectativas de certa forma frustradas. Literatura também é isso. Melhor, é fato, se o próprio autor da obra estiver presente para explicá-la e defendê-la. Esse passo à frente o Clube do Livro de Canela conseguiu dar, principalmente quando adotou (consequência da pandemia) o formato híbrido, ou seja, o grupo reunido passou a contar com a presença online, via Google Meet, de grandes autores, direto de seus redutos, e de mais debatedores, até do exterior. Antes do híbrido, a bem da verdade, o CLC já recebia autores convidados, como aconteceu com Luiz Rufatto e Luiz Antonio de Assis Brasil. Escritores de renome mundial também participaram de encontros online no nosso Clube do Livro, como a sul-africana Futhi Ntshingila. Futhi viria a Gramado logo após, em 2022, convidada para a Filigram. Do Rio Grande, do Brasil e dos quatro cantos do planeta, o mundo da literatura cabe em Canela. ALGUMAS DAS 160 OBRAS DEBATIDAS NO CLUBE Primeiro encontro, em 2011 Novembro de 2014 Agosto de 2018 Centésimo livro, em novembro de 2020 Agosto de 2024 Último encontro, em agosto de 2026
O preço da informação
Na última coluna falei sobre as oportunidades que aparecem quando o mercado está nervoso. Citei como exemplo alguns investimentos que estão passando por momentos únicos de oportunidade. Ao longo destas duas semanas de intervalo entre as colunas, o mercado estressou mais e as correções nas cotações de alguns fundos se acentuaram. E, para minha total falta de surpresa, me deparei com clientes apavorados querendo se desfazer destes ativos, ao invés de aproveitar as “promoções”. Meu papel como assessor e planejador financeiro é manter o plano traçado e a disciplina, principalmente em momentos conturbados. E, para isso, sempre trago analogias comparando os investimentos com ativos reais. Vejo que existe uma diferença curiosa entre o investidor e o proprietário de um imóvel: ambos podem ter um patrimônio que perdeu valor, mas apenas um deles recebe essa informação a cada minuto. Imagine que você tenha comprado um apartamento por R$ 500 mil. Passam-se alguns meses e o mercado imobiliário esfria. Você descobre que, para vender rapidamente, talvez precise aceitar R$ 400 mil. Provavelmente ficaria incomodado, mas dificilmente colocaria uma placa na janela no mesmo dia e aceitaria qualquer oferta. Agora imagine a mesma situação dentro de um Fundo Imobiliário. O imóvel continua lá, o inquilino continua pagando aluguel, o contrato continua vigente, mas a cota aparece na tela 20% abaixo do preço que você pagou, pelo mesmo motivo que o apartamento desvalorizou: juros nas alturas. De repente, surge uma urgência: “Preciso vender antes que caia mais”. O que mudou? Nada! Apenas que o investidor tem uma informação que o proprietário de imóvel não tem: o preço do seu patrimônio atualizado a cada segundo. Esse é um dos maiores desafios psicológicos do investidor médio: confundir volatilidade com deterioração do investimento. Como o preço está disponível em tempo real, somos constantemente convidados a tomar decisões sobre algo que, na verdade, deveria ser analisado em anos. O problema é que nosso cérebro não foi programado para pensar dessa maneira. Perdas incomodam mais do que ganhos proporcionais nos satisfazem. Quando vemos nossa carteira cair, a vontade de fazer alguma coisa aumenta. Vender dá uma sensação imediata de alívio, mesmo que a decisão não faça sentido do ponto de vista financeiro. É o chamado “curto-prazismo”: queremos os benefícios do longo prazo, mas temos dificuldade de suportar o desconforto que aparece no caminho. Essa é a nova moda na área da saúde. Todo mundo quer emagrecer, mas poucos suportam o sacrifício da dieta e do exercício físico e recorrem a atalhos. O problema é que, no mercado, não existe a “canetinha mágica”. Quem investiu em Fundos Imobiliários quando os juros estavam baixos vislumbrou a oportunidade de obter, por muitos anos, uma rentabilidade recorrente e ainda com isenção de impostos. A tese era receber renda, reinvestir os dividendos e construir patrimônio. Bastou o cenário ficar mais difícil para o horizonte de décadas transformar-se em algumas semanas. O investidor de longo prazo precisa aprender a separar duas coisas: “o preço caiu” de “o investimento piorou”. São frases completamente diferentes. Tenho a convicção de que hoje o maior inimigo do investidor não seja a volatilidade, mas a necessidade de acompanhar tudo o tempo inteiro. Quem olha diariamente para a carteira tende a transformar movimentos normais de mercado em eventos extraordinários. Encaro que um dos meus maiores desafios é ensinar os clientes a suportar a informação que temos em excesso. Investir é fazer um contrato com o tempo. E contratos longos exigem tolerância ao desconforto. No mundo real, ninguém recebe uma notificação dizendo quanto seu apartamento valeu às 10h17 desta manhã. No app da corretora, recebemos essa informação a cada minuto. Talvez o segredo seja aprender a olhar menos para o preço e mais para o propósito. Porque, no fim, quem não consegue suportar a viagem dificilmente chegará ao destino.
Quatro meses para o final do ano
Entramos em setembro e já começa a contagem regressiva, afinal, são quatro meses para o final do ano. Em um ano eleitoral em que o horizonte se mostra tão incerto, o sinal de alerta precisa estar ligado e o modo ação ativo. Na prática significa focar no que realmente pode trazer resultados. Então vamos analisar: só existe capacidade de conversão econômica quando indentidade, produto e circulação de pessoas se encontram. Esse é o nosso grande desafio na Serra. Movimento é diferente de resultado No turismo, o fluxo impressiona. Mas na empresa, é o caixa que sustenta o negócio. Movimento na rua não significa automaticamente venda. A lotação do destino não garante rentabilidade individual. Restaurantes, lojas, hotéis, parques e prestadores de serviços precisam acompanhar menos apenas o número de pessoas que entram e mais indicadores como ticket médio, taxa de conversão, recompra, origem do cliente e margem por produto. Setembro e Outubro Não vai dar para esperar pela temporada de Natal para resolver o ano. Setembro e outubro não podem ser considerados uma ponte para chegar até novembro e dezembro, pois essa ponte pode se desfazer e a gente nem chegar lá do outro lado. Tenho conversado com clientes e ouvido muitas pessoas sobre o “estranho ano de 2026″ no qual o movimento existe, mas é diferente. O cliente mudou. Com a informação na palma da mão, seu poder de escolha está diretamente relacionado ao que consome no universo digital. Quando está presente fisicamente, que manter este poder de escolha. E é aí que estão escondidas as oportunidades. Venda é narrativa A inteligência está em apresentar produtos e serviços específicos para cada contexto. Como? Venda o que você já tem, mas mude a narrativa. Construa caminhos diferentes na cabeça do cliente. Seja por curiosidade, provocação, desejo, impulso ou pela necessidade, ele precisa chegar até você. Cada atendimento deve ser uma pequena campanha de marketing involuntária. E ela precisa acontecer todos os dias – online e offline. Mas não basta contar uma história, é preciso ser de verdade Até o Natal chegar é preciso organizar a casa construindo um banco de reputação da sua marca. Milhares de avaliações são publicadas no Google, TripAdvisor, Booking e diversas redes sociais. Milhões de fotografias e vídeos são compartilhados. Não adianta fazer o marketing construir essa narrativa se não formos “de verdade”, se as avaliações feitas pelos clientes contam outra história. O efeito dessa incongruência pode ser devastador. A importância das pessoas Isso modifica uma questão importante na gestão de negócios. Treinamento de equipe é para ontem. O operacional só vai funcionar bem se o emocional estiver sendo nutrido. É necessário preparar continuamente as pessoas para lidar com volume, pressão, expectativas elevadas, conflitos, recuperação de falhas de serviço, clientes exigentes (e também os abusados). Se precisamos de pessoas para nossos negócios andarem – e precisamos – não existe outro caminho senão o de construir cultura de marca. Por que o marketing promete, mas a operação precisa entregar. E reputação nasce justamente na distância entre essas duas coisas. Sua vez Os temas que trago aqui são fruto de muitas conversas que tenho com clientes, amigos e com o mercado como um todo. Então não deixe de enviar a sua sugestão ou reflexão também. adriana@ateraz.com.br
VOTAR A FAVOR
Quando aceitei ocupar este espaço, minha ideia era escrever sobre assuntos leves e curiosos, até para proporcionar uma leitura agradável, aos sábados, aos leitores do Nova Época. Mas, diante do momento importante que vamos viver nos próximos dias, resolvi abrir uma exceção e falar sobre as eleições. Novamente, ao que me parece, nesse ambiente polarizado, a intenção de voto não é para o candidato que consideramos seja o melhor, e sim contra o candidato que não queremos que se eleja. Antilulistas votam em Bolsonaro e antibolsonaristas votam em Lula. Como se não houvesse outras opções. Inclusive, na minha modesta opinião, nenhum dos dois seria a melhor opção para o País. Não é coincidência que os países com melhor qualidade de vida tenham, em seus governos, elementos de centro, longe dos extremos. O mesmo vale para as eleições de governador. A polarização estreita o debate e esconde alternativas. Mas há, também, uma eleição tão ou mais importante que a eleição para o Executivo. É a eleição de deputados, federais e estaduais, e senadores. Nos dias atuais, no Brasil, esses legisladores estão definindo a pauta governamental e se apoderando do orçamento da Nação e dos Estados. Então, a escolha de em quem votar deveria ser motivo de uma avaliação criteriosa de seus currículos, seus antecedentes e de suas propostas. Existem opções bastante interessantes em todos os espectros, mas precisamos ter cuidado para não cair em armadilhas retóricas e falácias impossíveis de cumprir. Meu desejo é que cada eleitor pesquise bastante, não pensando apenas em quem não eleger, mas considerando a real qualidade e capacidade de cada candidato. No primeiro turno, isso deveria ser levado muito a sério. Avalie os candidatos, seu passado, seu currículo, sua experiência na vida pública e até sua honestidade, e vote no que considerar melhor para o futuro de nosso Estado e País. Boas eleições a todos e até a próxima, amigos.