(Historiando…) Em tempo de Festa da Colônia vamos, hoje e nas próximas duas semanas, destacar os pioneiros imigrantes desta terra… É muito marcante, a religiosidade popular do açoriano que veio povoar estas plagas. Seus descendentes, em sua maioria, ainda confirmam essa disposição religiosa, como bem citou o Sacerdote Leo Pedro Schneider, em seu trabalho “A Contribuição Açoriana Para a Formação do RS” (Santo Antônio da Patrulha, Re-Conhecendo Sua História)… Dentre essas tradições populares, merece destaque A Semana Santa: Inicia tradicionalmente com a procissão do encontro entre as imagens de Cristo carregando a cruz e a de Nossa Senhora das Dores. Em alguns lugares tem grande concorrência com a procissão de Ramos, sem saber-se se é de tradição luso-açoriana ou introduzida posteriormente pelo clero. Sendo a mais provável essa última, pois nas casas não vê-se a veneração dos ramos, como em outras etnias. O ápice da Semana Santa é a grandiosa procissão do Senhor Morto, com seu cortejo de pagadores de promessa, a sua banda musical, culminando com o sermão do enterro e o beijo na imagem do Senhor.Sábado de manhã, fazia-se a queimação do Judas e à noite, o baile de aleluia. Nos dias de hoje, perdeu-se muito da tradição cristã do “jejum quaresmal”, resumindo-se praticamente a comer peixe na sexta-feira da paixão. Em resumo, as celebrações da Semana Santa do luso-brasileiro consiste na reafirmação de que Deus sofreu mais do que nós. Que nós devemos trabalhar, sofre e morrer como Jesus trabalhou, sofreu e morreu vindo daí, possivelmente, a resignação e conformismo ante a dor e a miséria. Nas palavras do sacerdote Leo: “…em todas as partes que estive, nos cemitérios que visitei ainda não encontrei nenhum documento que fale da ressurreição de Cristo e testemunhe a fé em nossa ressurreição…”. No calendário religioso açoriano, até os dias de hoje são guardados costumes que bem exemplificam esse contexto, com a festa do Senhor Bom Jesus no dia 06 de agosto. A Igreja Católica celebra nesse dia a Transfiguração de Cristo no Tabor. O luso-brasileiro festeja o Cristo coroado de espinhos e humilhado: a imagem do sofrimento. Costumes ainda vigentes em muitas regiões do Rio Grande do Sul… a nossa terra! Na próxima semana: os alemães!