Você já se fez essa pergunta? As respostas mais lógicas que devem vir a nossa cabeça: Porque gastamos mais do que geramos, ou porque ganhamos pouco e as coisas estão muito caras. Eu antigamente também tinha essas respostas bem claras como as “minhas verdades”. Mas foi quando realmente parei para fazer uma auto analise de por que eu ficava endividada, que a chave virou e pude ver o quanto as respostas para essa pergunta vão muito além do que essas acima citadas. Estamos vivendo dias em que tudo acontece muito rápido, e a tecnologia colabora muito para nisso, as informações chegam de qualquer lugar no mundo com extrema velocidade até nós, estamos sempre com pressa, ansiosos, e cada vez mais imediatistas, devido as armadilhas de um sistema capitalista que no induz a termos tudo nas mãos a tempo e a hora. E acabamos muitas vezes ligando o automático, trabalhamos para pagar as contas, e fizemos mais contas, e assim sucessivamente, e neste ritmo acelerado muitas vezes esquecemos quem somos de verdade e o que queremos. Não paramos para reavaliar a nossa vida, se o que estou adquirindo no impulso faz realmente sentido para mim e minha família. Como por exemplo: por que vou esperar para comprar um carro se posso financiá-lo agora, afinal a parcela “cabe no meu bolso”. Assim vivemos sempre no limite e desconsideramos imprevistos que podem acontecer e acontecem sempre, acabamos não fazendo uma reserva de emergência, e quando ela, a emergência acontece, recorremos para empréstimos e fizemos novas parcelas, e agora aquela parcela do carro já compromete a minha renda. A facilidade de parcelar compras no cartão de crédito aliada a esse imediatismo nos torna irracionais na hora das compras, pois aquela parcela que parece inofensiva, na hora de soma-la a outras tantas parcelas da minha fatura do cartão, e extrapola o meu orçamento. Então aqui nos deparamos com a segunda resposta: fazer compras parceladas sem planejamento e pagar o mínimo da fatura do cartão de crédito, são outros motivos pelo quais ficamos endividados. Quem de vocês ainda não aprendeu a dizer não, tem que descobrir o quanto antes o poder libertador dessas três letras, pois muitas pessoas acabam se endividando por não saberem dizer não e também não colocar limites para o conjugue, para os filhos, parentes e amigos. Procure saber em primeiro lugar quem você é, e o que você realmente quer e porque quer. Ser primeiro para depois ter, vai evitar caminhos errados, gastos desnecessários e fora da sua realidade, como várias situações citadas acima pelas quais acabamos nos endividamos. Dívidas nos aprisionam e o conhecimento nos traz liberdade de escolhas, podemos escolher nos liberta, através da mentoria financeira com Inteligência emocional.
Os riscos dos ETFs: o que quase ninguém te conta
Se tem uma coisa que os “influencers” do mercado financeiro adoram, é vender a ideia de solução perfeita. Só que não existe investimento sem risco. Na verdade, não existe nada sem risco. Como costumo dizer aos clientes: “acordou pela manhã, já está correndo risco”. E com ETFs não é diferente. Na coluna passada, vimos que os ETFs são simples, baratos, eficientes… quase “à prova de erro”. Terminamos o texto indagando: “se os ETFs são tão eficientes assim… onde está o risco?” O primeiro ponto, e talvez o mais ignorado, é que o ETF não elimina risco. Ele apenas muda o tipo de risco que você está assumindo. Quando você compra um ETF, não está escolhendo uma empresa. Está escolhendo um índice. E isso parece detalhe, mas não é. Se o índice cair, o ETF cai junto. Parece óbvio, mas muitos investidores compram ETFs com sensação de “segurança”, quando, na verdade, estão apenas diversificando a exposição ao mesmo risco. Outro ponto importante é o chamado tracking error. Na teoria, o ETF deveria replicar exatamente o índice que acompanha. Na prática, isso nem sempre acontece com precisão absoluta. Custos operacionais, estrutura do fundo e até questões de liquidez podem gerar pequenas diferenças de performance. No curto prazo, isso costuma ser irrelevante. Mas, no longo prazo, pode fazer diferença, principalmente em produtos menos eficientes ou com menor escala. E aqui entra um terceiro risco, bastante brasileiro: a liquidez. Enquanto, nos Estados Unidos, alguns ETFs negociam bilhões de dólares por dia, no Brasil muitos produtos ainda têm volume reduzido. Isso pode gerar spreads maiores entre compra e venda e, em momentos de estresse, dificuldade para executar ordens a preços justos. Não é um problema estrutural, mas é algo que precisa ser observado. Outro ponto que costuma passar despercebido é a chamada “diversificação ilusória”. Comprar um ETF não significa, automaticamente, estar bem diversificado. Um ETF de índice pode ter forte concentração em poucos setores ou empresas. Um belo exemplo é o nosso índice Ibovespa, composto atualmente por 84 empresas diferentes, mas com uma concentração de aproximadamente 55% nos setores financeiro e de commodities. Ou seja: você pode estar comprando “84 empresas”… mas, na prática, estar altamente exposto a dois setores específicos. Além disso, existe o risco geográfico e cambial — especialmente relevante para quem investe em ETFs internacionais. Investir fora do Brasil traz diversificação, sem dúvida. Mas também expõe o investidor à variação do dólar e ao comportamento de outra economia. Isso pode jogar a favor ou contra. No último ano, com a valorização do real frente ao dólar, jogou contra. E, por fim, um ponto que raramente aparece nas conversas mais superficiais: tributação. No Brasil, ETFs não têm isenção de imposto de renda para vendas mensais abaixo de R$ 20 mil, como acontece com ações. O lucro é tributado em 15%, independentemente do valor. Além disso, ETFs internacionais listados no Brasil seguem regras específicas que precisam ser bem compreendidas antes de investir. O ETF não é um atalho para investir melhor. Ele é uma ferramenta e, como qualquer ferramenta, pode ser muito eficiente ou muito mal utilizada. Talvez o maior erro seja justamente tratar o ETF como uma solução mágica. Porque, no fim do dia, a pergunta mais importante continua sendo a mesma: Você sabe exatamente no que está investindo? Na próxima coluna, vamos sair da teoria e ir para a prática: como usar ETFs de forma inteligente para construir patrimônio, evitando as armadilhas mais comuns.
Uma pausa para brindar a vida e falar sobre investimentos
Por: José Gonçalves Na última quinta-feira, 02/04, realizamos em nosso escritório de Gramado um evento para falar de investimentos e celebrar a vida. Foi um encontro mais voltado aos clientes da minha carteira. Sempre incentivei palestras na área de finanças, tanto em empresas nas quais trabalhei quanto em escolas para jovens do ensino médio. Agora começo a trazer esse projeto para dentro de casa, no Escritório Black, abrindo espaço para clientes e para pessoas interessadas em começar a investir, mas que ainda se sentem inseguras de alguma forma. Acredito que, em um mundo cada vez mais digital, a melhor maneira de nos conectarmos ainda é criar momentos de troca de conhecimento “olho no olho”. São nesses encontros que conseguimos explicar melhor nossa forma de atuar aqui na Black Investimentos e, principalmente, ouvir e compreender as dúvidas e inquietações de cada investidor. Para brindarmos a vida e aprendermos um pouco mais sobre vinhos, contamos com a presença da Grand Gru Gramado, que compartilhou seus conhecimentos sobre os rótulos apresentados durante o evento. Aqui cabe uma analogia interessante: investimentos e vinhos são muito parecidos. Ambos amadurecem e evoluem com o tempo. Agradeço ao enólogo João Chisté por dividir conosco seu vasto conhecimento. Também tivemos a participação de Alexandre Fontenelle, Investor Offshore da XP Investimentos (XP Internacional), que, por meio de uma live, falou diretamente de São Paulo para nossos convidados.Com sua experiência no mercado global, Alexandre trouxe temas extremamente atuais. Comentou sobre a guerra no Oriente Médio e de que forma esse cenário pode impactar a inflação mundial e a precificação do dólar. Mostrou, com dados sólidos, a importância de manter ao menos 20% do patrimônio investido em ativos fora do Brasil, apresentou a lógica do CDI “dolarizado” e explicou como as eleições, historicamente, influenciam a variação cambial entre real e dólar. Encerramos o encontro com uma apresentação do nosso time, do Escritório Black, sobre o cenário brasileiro para 2026 e sobre como podemos nos preparar para diferentes desfechos em um momento de incerteza político-fiscal. A mensagem central foi simples: alocação estratégica tende a ser mais eficiente do que concentrar aplicações em apenas uma estratégia. Antecipação costuma trazer mais previsibilidade do que reação aos mercados. E, acima de tudo, nosso trabalho não é tentar adivinhar para onde o mercado vai, mas ajudar os clientes a tomar decisões com mais segurança e clareza.Algumas lições ficaram evidentes ao longo da noite: Se cada investidor gravasse essas seis frases em pedra, provavelmente viveríamos em um mundo onde as pessoas investiriam de forma mais racional e menos emocional. De forma geral, foi muito gratificante poder reencontrar clientes antigos e conhecer pessoas novas que vieram entender melhor o trabalho que realizamos no Escritório Black. Tenho a impressão de que todos saímos dali satisfeitos com as trocas que aconteceram.Não posso deixar de agradecer aos meus sócios, que apoiaram a construção desse projeto, e especialmente à Marilia Berti, que abraçou o evento comigo e ajudou a organizar a curadoria dos alimentos que harmonizaram com os vinhos servidos. Tenho certeza de que sozinho nada disso seria possível. Encerramos esse primeiro encontro com a sensação de dever cumprido e já pensando nos próximos passos. Afinal, o universo dos investimentos é vasto e cada vez mais precisa ser desmistificado.
A renda fixa não é fixa… e tem risco!
Na última semana, duas grandes empresas brasileiras de setores diferentes anunciaram pedidos de recuperação extrajudicial: Raizen e Grupo Pão de Açúcar. A Raizen, empresa controlada pela Cosan e pela petroleira anglo-holandesa Shell, possui uma rede de mais de 8 mil postos de combustível no Brasil, dentre outros negócios ligados a etanol e cana de açúcar. O Grupo Pão de Açúcar, apesar de não operar no Estado do Rio Grande do Sul, é uma das maiores redes de supermercado do Brasil, com faturamento anual de mais de R$ 20 bilhões. Pois bem, o cenário de altas taxas de juros por um período prolongado aliado a erros na condução dos negócios, fez com que o endividamento de ambas as companhias ficasse insustentável sem um aporte de capital dos sócios e/ou renegociação dos passivos com credores. A recuperação extrajudicial, diferentemente da recuperação judicial, é um processo negociado de maneira “amigável” entre devedor e credores (bancos, fundos de investimentos, pessoas físicas e jurídicas detentoras de debêntures, CRAs e CRIs), sendo mais rápido, flexível e menos oneroso. Normalmente o processo envolve o alongamento de prazos de pagamento, a redução das taxas de juros, um desconto no valor do principal e/ou a conversão da dívida em ações da empresa. Apesar de ainda não haver detalhes sobre esses dois casos de recuperação extrajudicial, uma coisa é praticamente certa: os credores terão parte de seus ganhos diminuídos, impactando marginalmente suas carteiras de investimento. Aqui entra o trabalho do assessor ou consultor de investimentos: se a exposição a essas empresas foi bem calibrada (1-2% do portfólio, por exemplo), o ajuste será quase imperceptível e recuperado em pouco tempo pelo restante da carteira. Até porque uma boa seleção desses títulos faz com que fiquemos de fora da maior parte dos casos de empresas que apresentam problemas. Nesse momento, alguns clientes nos questionam se vale à pena correr o risco de emprestar recursos para grandes empresas privadas, ou se não é melhor focar em títulos do governo (em teoria os mais seguros do mercado) ou emitidos por bancos, onde se conta com a garantia do FGC. Na nossa visão, podemos e devemos fazer as três coisas. O retorno excedente que ganhamos em títulos de crédito privado costuma compensar perdas muito eventuais nessa classe de ativos. O importante, como mencionado anteriormente, é saber diversificar a carteira dos clientes em diferentes empresas, setores e indexadores (pré-fixados, atrelados ao CDI ou indexados à inflação), garantindo um retorno de médio e longo prazo sólido e com baixas flutuações nos mais variados cenários. Afinal, os ciclos econômicos no Brasil tendem a ser rápidos e de grande magnitude, portanto apostar as fichas em apenas uma estratégia não é recomendável. Eventos como os que aconteceram na última semana nos fazem refletir sobre diversas questões ligadas a risco e retorno das diferentes opções de investimentos disponíveis no mercado. Contudo, nos faz refletir principalmente sobre o perfil de cada investidor e sua tolerância não apenas a flutuações no portfólio como um todo, mas na parcela de renda fixa da carteira. Fica claro, portanto, que muitos investidores ainda não compreenderam que a renda fixa não é fixa…e tem risco! Contudo, se investirmos de maneira disciplinada e responsável, seremos recompensados por essa tomada de risco com maiores retornos ao longo do tempo. Ricardo LudwigSócio administradorricardo@escritorioblack.com.br@rcludwig