Quantos pensavam em, ao chegar na terceira idade, ter uma vida mais tranquila, sem ter que cumprir horários e se preocupar com o dinheiro, mas sabemos que a realidade de milhares de brasileiros tem sido outra. Segundo a Serasa Experian, o Brasil tem 15,8 milhões de idosos endividados (um aumento de 132% em relação a 2016). Diante desta realidade de endividamento, temos o famoso crédito consignado, um crédito fácil, pré-aprovado, pois debita diretamente do pagamento do benefício, altamente tentador e perigoso. Parece ser o “salvador da pátria” ou da família, pois muitos dos aposentados contraem o empréstimo consignado para pagar contas dos filhos e netos.

Na realidade é um vilão se não for cuidadosamente analisado e verificada a real necessidade de contraí-lo, e do quanto a parcela vai comprometer a sua renda (às vezes para o resto da vida), como também as suas despesas mensais. Pois devido à oferta insistente por meio das instituições financeiras, e a facilidade para tomar esse tipo de crédito, muitos idosos deixam-se levar e começam a contraí-lo logo que se aposentam, primeiro um, depois o segundo, o terceiro, e quando veem a sua renda da aposentadoria está tomada de parcelas a longuíssimo prazo. Parcelas estas debitadas diretamente na fonte, e que comprometem até mesmo a sua sobrevivência, pois acaba faltando para as contas básicas, como água, luz, farmácia, etc. Mesmo o empréstimo consignado tendo uma das taxas mais baixas do mercado, deve ser evitado, pois as parcelas viram uma bola de neve, e quando já estão com a sua margem do salário da aposentadoria (porcentagem máxima da renda, permitida para comprometer em parcelas), os idosos passam a viver com restrições, e a contrair empréstimos pessoais com taxas altas, e que dificilmente terão condições de cumprir com esse compromisso.
Para quem está endividado, independentemente da idade, nunca é tarde para sair do vermelho, e também evitar entrar nas situações citadas acima. O autocontrole na hora de fazer compras, e ou contrair compromissos, e saber dizer não, nos ajuda a ter um equilíbrio em nossas finanças, não gastar mais que o valor da aposentadoria.
Aqui vai algumas sugestões: aprenda a dizer não, pois eu mesma, que fui bancária, já presenciei relacionamentos abusivos no banco, de filhos, por exemplo, pressionando o pai ou a mãe a contrair um empréstimo para seu favor. Procure ajuda e orientação. Tenha um padrão de vida de acordo com a sua renda da aposentadoria. Sabemos que a renda das aposentadorias, em geral são mais baixas que a da vida ativa, e é por isso que venho falando sempre da importância de termos uma reserva para o futuro, para a terceira idade, e de não criarmos o hábito de parcelar a perder de vista, ou até mesmo de fazer empréstimos para adquirir objetos de desejos.
O empréstimo consignado parece ser uma saída, mas na realidade é uma armadilha financeira, que leva as pessoas, os idosos, a contraírem parcelas a perder de vista, que como consequência tomam parte de seu pagamento, e estes têm que se submeter a baixar o seu padrão de vida. Podemos adquirir e desenvolver a qualquer tempo a inteligência emocional e financeira para lidarmos com as nossas emoções e o dinheiro de uma maneira equilibrada, que não comprometa o nosso futuro, a nossa paz e a nossa qualidade de vida.




