O verso e a prosa de Ramiro Barcelos
Ramiro Barcelos, sob o pseudônimo de Amaro Juvenal, ficou notabilizado na literatura com o seu “poemeto campestre” Antônio Chimango. Uma joia da nossa literatura, motivado por uma briga política com seu primo Borges de Medeiros, então presidente do Estado do RS.
Colaborador do jornal “A Federação”, escrevia o espaço Cartas a D. Izabel com o pseudônimo de Amaro Juvenal, o qual continuou adotando em seus poemas satíricos, a exemplo do famoso Antônio Chimango, escrito entre os anos de 1910 e 1915.
Narrando o dia a dia numa estância, sempre criticando o governo de Borges de Medeiros…
“Antes da entrada do sol / estava a tropa encerrada,
a porteira bem atada / com cuidado e segurança;
Não vinha lá muito mansa / e era recém-apartada”.
“E puxando o barbicacho, / pondo o chapéu para a nuca,
como quem sente a mutuca, / levantou-se o tio Lautério,
mulato velho mui sério / cria da dona Maruca”.
(………………..)
“Para les contar a vida / saco da mala o bandônio,
a vida de um tal Antônio, / Chimango – por sobrenome,
magro como o lobisome, / mesquinho como o demônio”.
(………………..)
“O povo é como boi manso, / quando novilho atropela,
bufa, pula, se arrepela, / escarapatea e se zanga;
depois… vem lamber a canga / e torna-se amigo dela.
Home é bicho que se doma / como qualquer outro bicho;
Tem, às vezes, seu capricho, / mas logo larga de mão;
Vendo no cocho a ração / faz que não sente o rabicho”.
(……………..)
“E aqui le ponho o arremate / na presilha da história.
Que um outro tenha a vitória / de cantar n’algum fandango
o mais que fez o Chimango / pra levar São Pedro à glória”.
Ramiro Fortes de Barcelos – Amaro Juvenal – foi político, escritor, jornalista e médico. Nasceu em Cachoeira do Sul a 23 de agosto de 1851e faleceu a 28 de fevereiro de 1916, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul… a nossa terra!




