Arthur Cadmiel Foto: Cristiano Carniel/Divulgação Com 15 anos de trajetória, passagem por Nova York e uma relação afetiva com o restaurante de Canela, Arthur Cadmiel, novo chef do Restaurante Magnólia, apresenta criações que aproximam a tradição gaúcha de técnicas contemporâneas. Fui conhecer essa nova fase do “Mag” e descobri histórias que merecem ser saboreadas. Uma costelinha de porco pode nos levar às férias da infância. Uma melancia pode guardar lembranças de uma viagem a Israel. E uma torta basca, ao encontrar a ambrosia, pode estabelecer uma conversa surpreendente entre a confeitaria europeia e a tradição gaúcha. Durante um jantar especialmente preparado para apresentar algumas de suas criações, percebi que as referências gastronômicas passam por lugares, pessoas e acontecimentos que continuam inspirando sua carreira. Aos 32 anos, com 15 deles dedicados à gastronomia, Arthur chega ao comando de uma das cozinhas mais reconhecidas da Serra Gaúcha trazendo uma combinação interessante de repertório internacional, domínio técnico e inquietação criativa. Sua intenção é ampliar as possibilidades gastronômicas do Magnólia, respeitando a história construída pela casa e surpreendendo quem já conhece seu cardápio. INFÂNCIA, ARTE, NOVA YORK E CHEF REVELAÇÃO Arthur descobriu o prazer de cozinhar observando a mãe. Enfermeira, ela procurava preparar refeições saudáveis para os filhos, mesmo depois de longas jornadas de trabalho. Os livros de receitas e a curiosidade do menino que ainda não sabia ler, mas apontava as fotografias dos pratos que gostaria de experimentar, formaram suas primeiras referências. Ele observava, participava e, aos poucos, passou a preparar suas próprias receitas. Durante nossa conversa, Arthur contou que os testes vocacionais realizados no Ensino Médio sempre indicavam aptidão para as artes. Na época, não compreendia muito bem aquela resposta. Hoje, encontra nela uma explicação para sua escolha profissional. A cozinha é o seu espaço de expressão artística. Sua trajetória o levou por diferentes estabelecimentos no Brasil e ao La Bastide by Andrea Calstier, em Nova York, onde teve contato com uma cozinha francesa de elevada exigência técnica. Os preparos demorados, os cozimentos prolongados e a precisão dos processos ampliaram seu repertório. No Rio Grande do Sul, também atuou como professor de culinária e panificação no Instituto Mix, passou pelo Sagrado Gastropub e pelo O Grão Real Food, desenvolveu negócios próprios e manteve parceria com a Gastromundi, de Novo Hamburgo. Mais recentemente, comandou a cozinha do resort Buona Vitta, em Gramado, trabalho pelo qual recebeu o reconhecimento de Chef Revelação pela revista Sabores do Sul, em 2025. MELANCIA PARA PROVOCAR OS SENTIDOS A primeira surpresa do jantar chegou discretamente, servida em uma colher de porcelana sobre um delicado prato de flores. Arthur apresentou uma melancia curada por 24 horas com sal e açúcar, processo que reduz sua umidade e concentra o sabor. A preparação vinha acompanhada de azeitona e coalhada. A proposta era degustar tudo em uma única bocada. O resultado é uma combinação pouco convencional, que aproxima doçura, salinidade, acidez e frescor. O chef contou que a inspiração surgiu de uma viagem de mochila por Israel, exemplo de como suas descobertas pelo mundo acabam encontrando lugar no cardápio. Melancia Foto: Adriana Silveira/Divulgação O preparo também revela uma característica de sua cozinha: o interesse por transformar ingredientes conhecidos, explorando outras texturas e percepções. Naquela noite, a melancia ainda estava em fase de experimentação para definir sua presença no novo menu. Foi uma pequena demonstração do que Arthur pretende desenvolver no Magnólia. GAZPACHO COM SOTAQUE DA SERRA A entrada seguinte trouxe uma composição de cores intensas, delicadas lâminas de peixe branco e gomos de laranja levemente tostados. Foi assim que Arthur apresentou sua interpretação do gazpacho, tradicional sopa fria de origem espanhola. Na versão criada para o Magnólia, a base leva pepino e tomate. Sobre ela, um peixe branco curado com sal e açúcar. A composição recebe ainda alcaparras fritas, que se abrem como pequenas flores, e gomos de laranja submetidos a uma leve caramelização na superfície. A origem da fruta acrescenta um detalhe especialmente interessante: as laranjas vêm do sítio da família de Fernanda Chies, proprietária do Magnólia. Gosto de perceber essas conexões entre o ingrediente, sua procedência e a intenção de quem cozinha. Elas trazem personalidade ao prato e aproximam a gastronomia do território em que está inserida. Gazpacho Foto: Adriana Silveira/Divulgação Arthur sugeriu reunir peixe, sopa e laranja em uma mesma garfada para perceber o conjunto de sabores. Também recomendou utilizarmos o pão para experimentar o gazpacho e os azeites servidos à mesa. Aliás, a degustação de azeites é outra proposta em desenvolvimento na casa. A ideia é apresentar uma seleção para que o cliente possa conhecer diferentes perfis e escolher aquele que deseja apreciar durante a refeição. Entre os produtos demonstrados naquela noite estava um azeite extravirgem espanhol Marqués de Tomarés, da região de La Rioja. Maravilhoso, por sinal. Azeite Foto: Adriana Silveira/Divulgação MEMÓRIAS DE PANAMBI: INFÂNCIA SERVIDA À MESA Entre os pratos apresentados, um deles sintetiza de maneira expressiva a identidade que Arthur começa a imprimir à cozinha do Magnólia. Batizado de Memória de Panambi, nasceu a partir do tema “Galpão”, proposto para o Festival Gaúchos. Embora seja natural de Porto Alegre, Arthur passou muitas férias escolares em Panambi, no interior do Rio Grande do Sul. Seus pais faziam questão de proporcionar aos filhos o contato com a vida rural. Eram dias de pés sujos de terra, convivência com os costumes do campo e participação nas atividades que aconteciam ao redor do galpão. Ao recordar esse período, o chef encontrou os ingredientes que dariam origem à receita. A costelinha de porco, preparada lentamente na panela, faz referência à cozinha das avós gaúchas. O cozimento recebe vinho branco e manteiga, trazendo uma influência europeia ao preparo tradicional. A carne repousa sobre um quibebe de abóbora, mantido propositalmente com pedaços, preservando a aparência de uma preparação caseira. A farofa de torresmo acrescenta crocância. A cebola queimada faz referência à terra e ao fogo de chão. O óleo de erva-mate estabelece uma conexão direta com o chimarrão, presença inseparável do imaginário dos galpões gaúchos. Costela de porco Foto: Adriana Silveira/Divulgação
Social da Luísa
Jeferson Secco e Simone Chalela celebram os dois anos da Burger 105, em Canela e anunciam novidades para o almoço, além de uma futura expansão. Foto: Divulgação Naira Lira Cordeiro, gestora de Comunicação e Parcerias da Rede Laghetto, foi destaque como painelista da HSM AI – Commercial Strategy Conference, realizada em Gramado. A profissional compartilhou sua experiência e visão estratégica sobre comunicação, marketing, inovação e os novos caminhos do mercado hoteleiro. Foto: Divulgação Paula Lira em um registro especial ao lado da consagrada dupla sertaneja João Bosco & Vinícius, que marcou presença na Oktoberfest de Gramado, levando muita música, alegria e grandes sucessos ao público. Foto: Divulgação Durante a 19ª edição do Troféu Infinito, promovida pela Brocker, João Corrêa (em memória) foi homenageado com o Troféu Amigo Parceiro por seu legado e contribuição ao desenvolvimento de Canela. Sua bisneta, Paula Krause Corrêa, diretora executiva do Grande Hotel Canela, representou a família nesse momento especial de reconhecimento e emoção. Foto: Rafael Cavalli Elen Borges e Méria Borges prestigiaram a inauguração do Espaço Bravia Lounge, da Amis Urbanizadora, no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. Um momento especial que celebrou novos projetos e conexões. Foto: Divulgação
Social da Samanta
A Cantina Pastasciutta celebra mais uma edição do Festival da Pasta. No registro, elas que estão à frente do projeto, Jessica Ramish, Angelita Ecker e Eliane Rodrigues. Foto: Divulgação Foi belíssimo o lançamento da 39ª edição do Sonho de Natal, que aconteceu no Mundo a Vapor. No registro, o prefeito Gilberto Cézar, Lenise e Caren Urbani (do Parque), Jaison Remonti da Secretaria de Turismo e o secretário Athos Cunha. Foto: Cristiano Bravo No evento Top de MKT ADVB/RS, a Era do Fogo ganhou o prêmio de 2° melhor case de marketing do Rio Grande do Sul. O troféu está nas mãos do CEO Will Weber. Tauana Olczevski representa a força do empreendedorismo feminino em Gramado. Há nove anos à frente da Kongo, a empresária comanda uma trajetória marcada por gestão, inovação e reconhecimento. Foto: Bety Sulzbach Tamara e Tiago Dillenburg festejaram o primeiro aninho da Isabella em uma viagem incrível para o RJ, com direito ao parabéns nesse lindo cenário carioca! Foto: Divulgação O evento Gramado Natural homenageou o arquiteto Ricardo Peccin. O curador Alessandro Müller e André Sartori, artesão que confeccionou a escultura em homenagem, ao lado do homenageado. Foto: Divulgação
CANELA NA HISTÓRIA – 17
O valor social da memória Há valores facilmente quantificáveis, em geral expressos por números que comunicam de imediato. E há valores significativos e não menos importantes, mas cujos resultados não podem ser tomados metricamente. O Memorial Canela, que em breve chegará ao seu quarto ano de existência – e este é um dado objetivo -, atua com ambos tipos de valores, mas, especialmente, nos de efeitos que se estendem no tempo, porque se refletem na sociedade para além do imediato. Antes de abordarmos estes últimos, vale discorrer um pouco sobre os primeiros. Vamos chamá-los de valores objetivos. São as iniciativas descritas por números, como os quatro virtuais anos de existência, a dezena de saídas de campo para absorção de experiências, os três eventos multitemáticos anuais que trouxeram luz a temas ligados à história, ao patrimônio e, portanto, à cultura; e os 18 eventos temáticos que, realizados em seis edições a cada ano desde 2024, revivem por meio de depoimentos as vivências da nossa terra octogenária e da gente que nos deixou como legado a Canela da atualidade. Acrescentem-se a essas atividades as cerca de 50 audiências com as autoridades locais e teremos, enfim, um relato aproximado do quanto o Memorial tem feito desde 2023, quando surgiu como iniciativa independente e plural. Mas a esses dados facilmente quantificáveis estão relacionadas – e isso não é tão visível assim – importantes consequências cuja percepção precisa ser lembrada à coletividade e, em especial, aos seus representantes. A valorização da memória inclui efeitos admiráveis, mas de quantificação subjetiva. São valores simbólicos que, embora não enumeráveis como os valores objetivos, se inserem na vida comunitária por meio das lembranças trazidas à luz nos encontros da e com a memória, nos comunicados regulares sobre o calendário histórico local, nas correspondências às autoridades sobre fatos relevantes, na transmissão do conhecimento acumulado, na guarda de acervos, objetos e informações relacionados à história municipal – entre outras contribuições que o Memorial Canela tem compartilhado nessa sua ainda curta existência. A memória é importante elemento constituidor de repertório coletivo que é um dos pilares do pertencimento e da identidade que, se espera, estejam presentes em cada comunidade. Canela é um espaço cujas origens ocupacionais estão nos povos originários e nos movimentos migratórios que se sucederam e se sucedem; cujas origens administrativas remontam há 100 anos – em dado, aliás, trazido à luz pelo Memorial desde o final de 2025 e, registre-se, admiravelmente absorvido pelas autoridades e pelos meios educacionais municipais -; cuja economia tem passado por diferentes ciclos econômicos; cuja cultura tem se construído nos alicerces da diversidade em permanente constituição. Da combinação entre valores objetivos e esses valores simbólicos, nos quais o Memorial se movimenta como vocação natural, surge a memória social. Assim, a cada iniciativa que o Memorial promove, se está colocando um tijolo na construção coletiva da identidade canelense, que nos cumpre emular, fazendo das raízes locais e das histórias individuais os principais patrimônios a serem transmitidos às atuais e futuras gerações. Ainda que não seja quantificável, esse é um valor social de imenso significado e que como tal precisa ser compreendido. Nikão Duarte, jornalista, assessor de imprensa (voluntário) do Memorial Canela.
POR QUE NÃO SEGUIMOS METAS FINANCEIRAS?
Quantas vezes você já traçou metas financeiras, para mudar a sua situação financeira e/ou atingir objetivos, e não cumpriu? Algumas não saíram nem do pensamento e outras do papel. E quanto tempo duraram as mudanças de atitudes para que o proposto acontecesse? Costumamos dar desculpas para nós mesmos como: é muito difícil, não vou conseguir, no próximo ano eu começo novamente. Mas em nosso subconsciente fica a frustração de tentar e não conseguir, como na alimentação. E volta aquele velho hábito de terceirizar a culpa para os outros e para as situações, e aí vem a vitimização como: “a grama do vizinho sempre é mais verde”, ele consegue e eu não. A revista Forbes publicou recentemente um artigo sobre as dificuldades dos brasileiros de seguirem um plano financeiro, aonde citou: aumento de custo de vida, acúmulo de dívidas, gastos inesperados com saúde e a falta de educação financeira e acompanhamento. Dentre estes motivos gostaria de salientar o acúmulo de dívidas, que, com a minha experiência como mentora e consultora financeira, vejo como um vilão desta história. Pois quando nos frustramos emocionalmente com alguma situação, queremos nos “compensar” comprando algo que irá nos dar uma sensação boa, só que momentânea e passageira. Uma verdadeira armadilha que costumamos cair facilmente, pois tentamos preencher buracos emocionais com coisas materiais. E na realidade só pioramos a situação, acumulando parcelas no cartão de crédito, que rapidamente viram uma bola de neve, ou seja, um acumulado de dívidas, na maioria das vezes desnecessárias. Outro motivo citado pela revista Forbes foi gastos inesperados com a saúde, e eu não diria somente com a saúde, mas com diversas outras coisas importantes, como a manutenção do carro, por exemplo. E é nesta falta de consciência e responsabilidade que também caímos, pois na nossa vida sempre vamos ter imprevistos. Termos reservas, para os imprevistos, é termos responsabilidade conosco e com a nossa família. Você pode estar pensando, mas Grace… não me sobra para nada, e eu te devolvo com duas perguntas: quantos gastos desnecessários você tem feito? Sobra tempo para uma renda extra? Outro motivo importante é a nossa “fidelidade” a velhos hábitos, sejam familiares ou do meio, que consideramos certos, mas que podem não ser mais, dentro da nossa realidade e contexto. Um dos principais motivos pelos quais não seguimos – e consequentemente não atingimos – metas financeiras é a falta de conhecimento e propósito em nossa vida. Quais são os seus valores? Você está vivendo ou sobrevivendo? Que legado você quer deixar? Quais são os seus sonhos? Eu mesma já vivi nesta situação, e não tinha todas as respostas para essas perguntas. Foi quando tive a consciência que eu queria e precisava de mudanças, e eu tinha que ser a protagonista da minha vida financeira. Para isso me faltava conhecimento, autoconhecimento, planejamento, determinação e mudança de mentalidade com um acompanhamento, ou seja, eu precisava de uma educação financeira. Confesso que relutei antes de buscar ajuda, pois logo eu, uma bancária, não conseguia sozinha. Aprendi que, quando reconhecemos que precisamos de ajuda é que somos fortes.
GLAUCUS SARAIVA E O FOLCLORE INFANTIL GAÚCHO
(À CRIANÇA QUE AINDA VIVE EM MIM …) Com o objetivo de conscientização maior sobre as crianças em todo o mundo, a ONU declarou “1979 – O Ano Internacional da Criança”. Seguindo o mesmo objetivo e com farta documentação a respeito, fruto de anos de pesquisa, o mestre e folclorista Glaucus Saraiva publicou em 1980, pelo então IGTF – Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, o livro Mostra do Folclore Infanto-juvenil – Catálogo em Prosa e Verso. (Nota: meu exemplar, ganhei do próprio Glaucus em 1980). Na verdade, o livro “nasceu” após a Exposição de Folclore Infantil com jogos e brinquedos dos tempos de meninice, no universo rural, suburbano e urbano. Uma exposição destinada a crianças, jovens e adultos. No local, brinquedos feitos pelas próprias crianças, (valorizando o saber e o fazer!) com um catálogo explicativo, de onde saiu a referida obra. O pioneirismo: Nas primeiras páginas, a reprodução do primeiro artigo sobre o assunto, publicado na imprensa porto-alegrense: FOLCORE INFANTIL GAÚCHO – Glaucus Saraiva Diário de Notícias – Secção Tradição (Sady Scalante) Porto Alegre, 29 de janeiro de 1956. E a mostra traz de tudo um pouco, falando de brincadeiras, de jogos, de caçadas, de crendices, de cantigas e tudo o mais que fala dos tempos de criança, principalmente da criança do interior, das fazendas e estâncias. E a lista é grande: – Máquina fotográfica (feita de caixa de fósforo) – Gadinho de osso (osso de animais carneados ou achados) – Telefone (feito de copos plásticos ou latinhas) – Violinha ou violão (de caixeta de marmelada, figada…) – Tambor (de lata de cera) – Gaiola para vaga-lume (de caixa de fósforo) E muito mais: arapucas, espadas (de sarrafo), trabucos (de madeira ou galho de árvore), carrinho de lomba, caniço (com anzol de alfinete), fundas, peteca (de sabugo de milho e penas), caminhões, carretas, etc, etc. Como o próprio autor diz, “Mesmo gente grande – sabemos – tem, sempre, um guri dentro do peito”. Por isso, os versos: – “Moço da barba tordilha por que brincas de guri? – Eu sou velho só por fora, / por dentro ainda não cresci”. Histórias que nos remetem a um tempo bom, talvez a um colo de mãe, ouvindo novamente: “Dorme filhinho, / dorme meu amor que a faca que corta / dá talho sem dor; E o sangue que corre / é de Nosso Senhor.” Glaucus Saraiva da Fonseca (1921 / 1983, professor, historiador, pesquisador, folclorista, tem seu nome gravado no assunto Folclore do Rio Grande do Sul… a nossa terra!