GLAUCUS SARAIVA E O FOLCLORE INFANTIL GAÚCHO

(À CRIANÇA QUE AINDA VIVE EM MIM …)

Com o objetivo de conscientização maior sobre as crianças em todo o mundo, a ONU declarou “1979 – O Ano Internacional da Criança”.

Seguindo o mesmo objetivo e com farta documentação a respeito, fruto de anos de pesquisa, o mestre e folclorista Glaucus Saraiva publicou em 1980, pelo então IGTF – Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, o livro Mostra do Folclore Infanto-juvenil – Catálogo em Prosa e Verso. (Nota: meu exemplar, ganhei do próprio Glaucus em 1980).

Na verdade, o livro “nasceu” após a Exposição de Folclore Infantil com jogos e brinquedos dos tempos de meninice, no universo rural, suburbano e urbano. Uma exposição destinada a crianças, jovens e adultos.

No local, brinquedos feitos pelas próprias crianças, (valorizando o saber e o fazer!) com um catálogo explicativo, de onde saiu a referida obra.

O pioneirismo:

Nas primeiras páginas, a reprodução do primeiro artigo sobre o assunto, publicado na imprensa porto-alegrense:

FOLCORE INFANTIL GAÚCHO – Glaucus Saraiva

Diário de Notícias – Secção Tradição (Sady Scalante)

Porto Alegre, 29 de janeiro de 1956.

E a mostra traz de tudo um pouco, falando de brincadeiras, de jogos, de caçadas, de crendices, de cantigas e tudo o mais que fala dos tempos de criança, principalmente da criança do interior, das fazendas e estâncias.

E a lista é grande:

– Máquina fotográfica (feita de caixa de fósforo)

– Gadinho de osso (osso de animais carneados ou achados)

– Telefone (feito de copos plásticos ou latinhas)

– Violinha ou violão (de caixeta de marmelada, figada…)

– Tambor (de lata de cera)

– Gaiola para vaga-lume (de caixa de fósforo)

E muito mais: arapucas, espadas (de sarrafo), trabucos (de madeira ou galho de árvore), carrinho de lomba, caniço (com anzol de alfinete), fundas, peteca (de sabugo de milho e penas), caminhões, carretas, etc, etc.

Como o próprio autor diz, “Mesmo gente grande – sabemos – tem, sempre, um guri dentro do peito”.

Por isso, os versos:

– “Moço da barba tordilha por que brincas de guri?

– Eu sou velho só por fora, / por dentro ainda não cresci”.

Histórias que nos remetem a um tempo bom, talvez a um colo de mãe, ouvindo novamente:

“Dorme filhinho, / dorme meu amor

que a faca que corta / dá talho sem dor;

E o sangue que corre / é de Nosso Senhor.”

Glaucus Saraiva da Fonseca (1921 / 1983, professor, historiador, pesquisador, folclorista, tem seu nome gravado no assunto Folclore do Rio Grande do Sul… a nossa terra!

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