Castelo de Pedras AltasFoto: www.pedrasaltas.rs.gov.br/turismo ESTADISTA Enquanto não surge na vida brasileira contemporânea uma liderança capaz de sobrepor os interesses públicos aos limites partidários e às picuinhas de narrativas afastadas da realidade, vale recorrer à memória, para trazer à luz os exemplos de um homem público brasileiro para quem essa condição tinha o exato significado de “servir à Nação”: Joaquim Francisco, seu nome, de sobrenome Assis Brasil. COERENTE Viveu entre 1857 e 1938, período de turbulências, mudanças de regime e de sistema de governo, guerras, revoluções, exílios. Exerceu o poder e dele se afastou, ergueu um castelo para a mulher amada. No ganha-e-perde da vida, tornou-se um diplomata, negociando limites fronteiriços e representando o Brasil pelo mundo afora. Manteve-se idealista e coerente com a república, a democracia e as liberdades. INOVADOR O Brasil deve a Assis Brasil a Justiça Eleitoral, o voto secreto, o voto universal e o voto feminino, absorvidos a partir de argumentos que sustentou com base nos ideais democráticos que o haviam feito republicano em pleno império e dissidente do novo sistema quando suas lideranças se aproximaram das práticas autoritárias. Em nome de seus ideais, refutou cargos no poder, rompeu laços partidários e até familiares e escolheu a conciliação ao enfrentamento, quando dela poderia resultar a convergência com os anseios nacionais, como em 1930. MINISTRO Assis Brasil prestou serviços ao País como ministro plenipotenciário (diplomata) em Washington, em Lisboa e em Buenos Aires. Teria seguido para Pequim, não fosse um chamado de última hora que lhe fez o presidente Prudente de Morais, para que em vez da China fosse para Portugal, mediar as relações então estremecidas com esse país. A essa função diplomática aliou, ainda, as negociações com países vizinhos pela fixação de fronteiras ao Norte e ao Sul do Brasil. E CANELA? A esta altura, o passar de olhos do leitor por este espaço pode motivar a questão: o que, afinal, tem Assis Brasil a ver com o Memorial Canela, organização de fomento à cultura e ao patrimônio local? Nossa resposta parte de um fato objetivo e próximo: uma representação do Memorial visitará o castelo de Assis Brasil, no próximo dia 11 de novembro, no município de Pedras Altas, onde o Brasil beira com o Uruguai. Mais do que um prédio ou a propriedade rural em que o castelo se insere, o que buscaremos são os exemplos de preservação que tornam eterno o legado de seu proprietário. APRENDIZADO O Memorial parte, portanto, em busca de ensinamentos sobre o fomento e o culto à história e a valorização da cultura. Advogado, escritor, poeta, político e diplomata, Assis Brasil ergueu um castelo no Pampa na primeira década do século XX e lá se instalou buscando provar que a vida rural não exclui conforto, que leitura e música fazem parte dos hábitos humanos independentemente do lugar em que se esteja e da classe social a que se pertença. PERCURSO Essa saída de campo do Memorial em busca de ensinamentos, que se realizará de 10 a 12 deste mês, passará ainda por Piratini, Pinheiro Machado, Bagé e Aceguá. Pretendemos expor nas próximas edições os resultados desse instigante roteiro e dos aprendizados que as experiências histórico-culturais desse território ao Sul do Rio Grande podem nos proporcionar como canelenses de berço ou de adoção. ENCONTRO COM A MEMÓRIA No Espaço Sicredi da João Pessoa, no dia 6 de novembro, venha ver e ouvir Marcos Zimmermann e Madalena Feldmann falar sobre a antiga rua Júlio de Castilhos. CONTEÚDO Informações colhidas e redigidas pelo jornalista Nikão Duarte.