Há 11 anos escrevo esta coluna. No dia 18 de março de 2015, publiquei o meu primeiro texto no “NO PONTO”, intitulado “Ninguém é 100% Honesto”. Ao procurar minhas colunas — mais de 140 ao longo dessa mais de uma década — para fazer este balanço que hoje escrevo, notei que o texto de 11 anos atrás poderia ser publicado aqui hoje, neste espaço, sem mudar uma vírgula sequer.
Escrevi que as pessoas aceitavam ilicitudes para manter suas convicções e projetos de poder; que pouco importava o tamanho do desvio, pois a nossa sociedade sempre cria desculpas para continuar errando.
Curiosamente, cá estamos nós novamente, embretados entre escândalos de corrupção e manipulação eleitoral sob a desculpa de “manter a democracia”. Toleramos ladrões que simplesmente continuarão roubando, talvez na esperança de que mudemos o mínimo que seja, mas com uma única certeza: continuaremos sendo lesados.
É triste constatar que, em 11 anos, regredimos. Fica claro que nosso sistema jurídico implodiu, os mecanismos de controle pioraram e a política virou um feudo familiar. Não é raro vermos esposas, filhos, irmãos e parentes de toda ordem concorrendo a cargos eletivos em dobradinhas nepotistas. O centro político afasta-se cada vez mais da população, vivendo em um ambiente de absoluta alienação.
Eu sinceramente esperava mais. Avançamos com leis como a de Responsabilidade Fiscal e tivemos a chance de fazer uma faxina com a Lava Jato — que acabou destruída para recuperar um bandido que hoje nos preside e que veio para nos “salvar”.
Em quatro anos, ele conseguiu aparelhar o Judiciário, escolhendo juízes que hoje corrompem a Suprema Corte do país e se julgam acima das leis e de TODOS os brasileiros. A defesa desesperada de um magistrado que teria “salvo” a democracia — tolerando e festejando claros abusos de autoridade porque, afinal, “os fins justificam os meios” — torna o país ingovernável e inseguro juridicamente, trazendo o caos e ameaçando ainda mais o regime democrático. O discurso de união foi uma mentira: manteve-se o “nós contra eles” e nenhuma reforma substancial foi implementada. Ao contrário, o gasto público explodiu e uma crise gigantesca bate à nossa porta, sendo escondida desesperadamente para tentar salvar uma eleição.
Eu gostaria de ter esperança e a certeza de que mudaríamos, como outrora tive. Hoje, infelizmente, digo convicto: irei votar nestas eleições apenas para tentar não piorar ainda mais a situação.
Por fim, agradeço à Marina e à equipe do Nova Época por esses 11 anos. Seguiremos juntos agora nesta nova fase online do jornal. Foi um prazer e uma honra ter escrito a última coluna NO PONTO do jornal impresso!





