(Historiando…)
A Estância da Poesia Crioula é o órgão que congrega os intelectuais tradicionalistas, estimulando os poetas a uma produção de melhor nível literário. Desses convívios, muitos poetas com livros inéditos e de nomes já firmados tomam a iniciativa de editarem seus trabalhos, como no caso do Padre Pedro Luís, sacerdote, biógrafo, poeta lírico e regionalista, que se orgulhava de ter nascido no dia do padroeiro do RS – São Pedro (29 de junho).
O Padre Pedro Luís, segundo “Tentos e Loncas” (EPC – Estância da Poesia Crioula), revelou-se um agudo intérprete da paisagem, dos costumes e da história rio-grandenses. Exerceu o sacerdócio em Panambí, foi professor no ginásio de Cruz Alta, dirigiu em Santa Maria o programa radiofônico “A Voz da Medianeira” na rádio Imembuí. Pertencia a diversas entidades culturais nativistas.
Mas o assunto é poesia (de sua autoria) …
João-Grande
“Pescoço esguio, feito mármore que ilude,
o joão-grande, lento afronta os descampados.
O rústico ermitão dos ermos magoados
procura os aguaçais, num vôo de amplitude.
Lá pousa, enfim, e fica, escultural e rude,
perna encolhida, branca angústia dos banhados,
a olhar por horas, sob os céus embriagados,
a sua imagem na água anônima do açude”.
O piá da estância
“Mora um piá em cada estância, / piá de marca primitiva,
que na vida, desde a infância, / só vê triste perspectiva.
Mártir de aspas e terneiros, / anda sempre em roda viva,
com os zainos tafoneiros.
Órfão de almas, sem afeto, / sem perfume de linguagem,
no galpão está sem teto, / junto aos cães, que não reagem.
Come a um canto a vil merenda… / flor crioula da
paisagem, / vive à margem da fazenda.”
Padre Pedro Luís escreveu Mãe Preta (1933), Cotiabá (1949), Cabiúna (1950), O Monumento (1951), O Gênio do Pampa – poema cíclico do Rio Grande (1958), Pedro Tropeiro – poemeto (1971), entre outros trabalhos como biografias, conferências, etc.
Em todos esses trabalhos, uma coisa em comum: versejar sobre o ambiente, a história, os usos e costumes do Rio Grande do Sul… a nossa terra









